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24/09/26

"A Strange Light From The East, Eastern Influenced Western Music 1965-72"



Um paradigma há muito estabelecido indicia que toda a música de inspiração oriental feita no ocidente nos finais da década de 60 início de 70 do século anterior teria de incluir necessariamente a cítara. 

Acontece em largas situações, embora nem sempre seja verdade ( como de resto o demonstram o mantra “We will follow” dos Stooges, “Eight Miles High” dos Byrds, as jams “East West” de Paul Butterfield Blues Band e”Netti Netti” de Walter Norton / Martin Stone ou “Impromptu in ‘E’ Minor” por Clark-Hutchinson, todos integrando “A Strange Light from the East”. 

Mas na sua generalidade a compilação reflecte o desiderato inicial. 

Ainda que por razões de licenciamento de direitos muitos nomes estejam ausentes ( desde logo os maiores como Beatles, Rolling Stones, Traffic, The 13th Floor Elevators, Donovan ou bandas de menor projecção como os nórdicos Oriental Sunshine ) são-nos propostas magníficas surpresas: 

- “Which Dreamed it” o lado B de um single raríssimo gravado por Boeing Duveen & The Beautiful Soup em 1968, 
- “Sitting on a Blunestone” dos Tales of Justine, 
- “Sattva” um tema obscuro que integra o também obscuro “Once upon a dream” dos Rascals, 
- “Menyatt Dyl Com” dos Ceyleib People a primeira banda que Ry Cooder integrou depois dos Rising Sons, 
- Lynne Pike uma cantora neo-zelandesa a descobrir, ou 
- “Song for Brunhilde” pelos germânicos Abacus. 

Coexistem naturalmente em “A Strange Light from the East”, como em todas as compilações, propostas que não farão o pleno da aceitação. O Atalho no entanto dispensa-se de mencionar as suas.

Todavia, para além dos já mencionados, encontrar na mesma edição The Byrds, Bert Jansch, Kaleidoscope (USA), Yardbirds, Spirit, The Twilights, East of Eden, The Fox, Merrell Fankhauser, Pentangle, John Renbourn, Meic Stevens ou Wizz Jones, constitui um privilégio e uma oportunidade que aos interessados convirá não desperdiçar.

 

27/02/25

Chris Brain "Bound to rise"

Com dois álbuns publicados (“Bound to rise” e “Steady Away”) e um terceiro ( “New Light”) a caminho, Chris Brain, um nativo do Yorkshire, tem vindo a perfilar-se como um dos herdeiros da tradição folk britânica, particularmente no que concerne ao especialíssimo legado de Bert Jansch e Nick Drake. 

Ao escutar “Bound to rise” ( 2022 ), os puristas serão tentados a afirmar que Chris Brain, apesar de um talento evidente, mimetiza abundantemente o padrão e a partes significativas da obra de Nick Drake. Será porventura um exagero, mas em “Bound to rise” a maioria das pistas é para ali que apontam, muito mais do que para Jansch. 

Devidamente colocados os pontos nos is, o primeiro álbum de Chris Brain revela-se um delicioso exercício de “folk pastoral” que ora nos convoca para as paisagens rurais que o autor privilegia, ora nos remete para as nossas memórias mais preciosas, sejam elas Drake ( mais ), Jansch ( menos ) ou Saint Joan ( sim procurem o fenomenal “The Wrecker’s Lantern” ). 

Lavrada a acta, ficamos a aguardar os novos atalhos a que o prometido “New Light” nos conduzirá.

 

10/07/24

Hungrytown "Circus For Sale"

 


“Circus For Sale” configura o quarto álbum dos Hungrytown, um projecto dinamizado pela dupla Rebecca Hall / Ken Anderson.

Residentes no Vermont, Rebecca ( voz e guitarra ) e Ken ( voz, acordeão, banjo, baixo, bateria, piano, órgão, dulcimer, mandolim, vibrafone, guitarra e harmónica ) ensaiam em “Circus For Sale” uma tentativa de coabitação entre o “americana” e o folk barroco.

A ideia não é nova. Já outros o haviam tentado, com resultados diversos.

No caso em apreço, “Circus For Sale” acaba por não ser um mau disco, mas está longe de ser um muito bom exemplo do género.

Rebecca Hall é detentora de uma magnífica voz e Ken Anderson é um multi instrumentista competente. Tais atributos não serão todavia suficientes para, por si só, produzirem os resultados almejados.


Em “Circus For Sale”, os originais ( da autoria exclusiva de Rebecca ou, noutros casos, da própria dupla ) surgem pouco diferenciados, carecendo de homogeneidade.

Por seu turno, de tão ambiciosos, os arranjos e orquestrações aparentam ter pouco a ver com as matrizes do folk barroco e porventura do “americana”.

Ao invés, os temas objecto de versão são uma outra história.

“Man Of Poor Fortune”, uma “murder ballad” escrita por Rebecca e originariamente incluída no álbum a solo “Rebecca Hall Sings”  ( 2000 ) bem como “Morning Brings Peace Of Mind” cortesia de Bert Jansch ( “When The Circus Comes To Town”, 1995 ), constituem-se como pedras angulares neste disco, provando, certamente de forma involuntária e não planeada, que “Circus For Sale” poderia ser muito melhor se os seus autores tivessem optado por observar a regra do menos é mais.

Ainda assim, um projecto a seguir.

10/02/24

Welcome to Compiland

 


No decorrer de 1959 Loukas e Margaret Matheou adquiriram em Londres, no número 49 da Greek Street. No imóvel projectavam estabelecer um restaurante especializado em comida, não grega mas francesa. Nos anos que se seguiram e à medida que o negócio fluía, concluíram que o espaço era excessivo para um restaurante. Implementaram alterações, lançando os alicerces para um clube cujo objectivo seria a promoção e divulgação das músicas folk e blues, à época géneros predominantes nos finais de tarde do Soho.

Ainda que sem licença para a actividade, “Les Cousins, Club Continental” abriu as portas no dia 4 de Outubro de 1964, tendo encerrado cerca de seis anos depois em Abril de 1972. Durante o período foi um porto ( palco no caso ) seguro para a grande maioria dos talentos que focados nas linguagens folk e blues, demandavam reconhecimento e sucesso no então artisticamente efervescente bairro londrino.



Americanos: Paul Simon. Tim Hardin, Tom Rush,  Spider John Koerner, Derroll Adams, Jackson C. Frank, Dave Van Ronk, Julie Felix; britânicos: de Bert Jansch a Nick Drake, passando por Sandy Denny, Cat Stevens, Wizz Jones, Shirley Collins, Al Jones, Keith Christmas, Watersons, Shelagh McDonald, Martin Carthy, Kevin Ayers, Ian A. Anderson, John Martyn, Anne Briggs, C.O.B., Alexis Korner, Roy Harper, Bridget St. John, Plainsong, Nadia Cattouse … entre muitos outros, figuram entre os nomes documentados como tendo actuado no Les Cousins.

A compilação “Les Cousins, The Soundtrack of Soho’s Legendary Folk & Blues Club”, curada e magnificamente anotada por Ian A. Anderson, oferece 62 temas de um igual número de artistas.



Não constituindo embora uma total revelação para os que se interessam pelos géneros musicais em análise -  ainda assim e como seria expectável, existem aqui algumas muito agradáveis surpresas ; a título de exemplo relevam-se “Leaf without a tree” de Sam Mitchell apenas publicado na compilação da Music Man “Firepoint, A Collection of Folk Blues Tracks”, “Bye Bye Bohemia” de Tom Yates ou “Memory Book” de Mudge & Clutterbuck, publicado num EP raríssimo da Saydisc em 1968 - , é todavia uma delicia do primeiro ao sexagésimo segundo tema.



Depois das séries “Pebbles” e, sobretudo, após a mítica “Nuggets, Original Artyfacts from the First Psychedelic Era 1965-1968”, resta pouco espaço para compilações com vista para o garage / fuzz norte-americano daqueles anos. No entanto, mais ou menos interessantes, continuam a proliferar validando e eternizando um género que se reconhece importante embora frequentemente sobrevalorizado.

“Pushin’ Too Hard, American Garage Punk 1964-1967” é mais um desses exemplos. Porventura demasiado optimista: 94 temas ( 31 no CD1, 32 no CD2 e 31 no CD3 ) maioritariamente em mono ( apenas 7 versões stereo ), revela algumas contraindicações. A saber: a) os textos das sempre necessárias e interessantes notas do booklet estão impressas em tamanho minúsculo, facto que os nossos olhos, já com bastante mais passado do que futuro, não apreciam especialmente; b) ainda que enérgicos mas genericamente carecendo duma sofisticação que sempre dá algum jeito, à medida que a audição vai decorrendo, a sensação que emerge é a de que os temas apresentam poucas diferenças entre si.



Exceptuam-se aqueles que deixaram para trás as óbvias influências da “british invasion” ( Kinks, Yardbirds, Rolling Stones, Pretty Things, etc )  prevalecendo aqueles outros  verdadeiramente bafejados pelo talento dos seus autores. Falamos de clássicos como os Remains, Seeds, Beau Brummels, Paul Revere & The Raiders, 13th Floor Elevators, Electric Prunes, Shadows of Knight,, Sonics, Standells … ou de magníficas surpresas como The McCoys, Fenwyck, The Leaves, The Bees The Squires, The Liberty Bell, The Zakary Thaks ( conferir a compilação publicada em 1982 “Liberty Bell / Zakary Thaks, Texas Reverberations” ), Thursdays Children ( o excelente “You can Forget about that” pode também ser encontrado em “Never Ever Land, Texan Nuggets from International Artists Records 1965-1970” ).

Resumindo, ambiciosa em demasia e exagerando na arqueologia, “Pushin’ Too Hard” é uma daquelas compilações que tem como alvo principal os convertidos, marginalizando os neófitos eventualmente interessados no saudável exercício de iniciação ao género.


 

O universo das “private pressings” - álbuns compostos, interpretados, gravados e usualmente publicados num registo DIY pelos próprios artistas ou por uma editora amadora - , constitui, já  o referimos anteriormente no Atalho, um espaço apaixonante, inesgotável e em permanente registo de descoberta. O senão, nada despiciendo, prende-se com o facto de as edições serem por razões compreensíveis muito limitadas, logo muito raras e como tal dispendiosas.

“One Mile From Heaven” propõe-nos duas dezenas de canções retiradas de outros tantos álbuns de artistas norte-americanos e canadianos, os quais por razões conjunturais ou por pura convicção recusaram os ditames da indústria, optando por perpetuar a sua música através das ditas edições privadas.



Exclusivamente focada na década de 70, “One Mile From Heaven”, aborda o nicho dos “singer-songwriters”. O bom gosto que resulta da selecção é superlativo, sendo irrelevante se raízes emergem das sofisticadas Nova Iorque, Los Angeles, Lauren Canyon ou Vermont, ou das rurais Illinois, Indiana, Utah ou Minnesota.

Alguns dos nomes propostos são já medianamente conhecidos ( Gary Higgins, Bob Trimble, Bob Patterson, Jim Sullivan, Merrell Fankhauser, Michael Yonkers ), a maioria todavia constitui uma estimulante descoberta.



Alicia May com “Summer days”, um título delicioso com a voz da autora a hesitar entre as performances vocais de Joni Mitchell e Margaret Morgan dos These Trails; os irmãos Chuck & Mary Perrin e o seu folk rock melancólico; Dan Modlin & Dave Scott cujo álbum “The train don’t stop here anymore” é um dos melhores discos publicados no Indiana; o folk-rock de Billy Hallquist e de Richard Goldman; os arranjos de cordas no tema “More Beautiful” de Naomi Lewis; as óbvias influências “Veedon Fleece” em “In The Sun” o título do canadiano de origem goesa Carm Mascarenhas; o psych-folk de Olav Rixen & Ulrich Fausten, dois alemães radicados em Vancouver …

“One Mile From Heaven” fornece um manancial de pistas que os amantes do género retratado seguramente agradecem. Tão cedo vai ser difícil encontrar uma compilação tão bela e equilibrada quanto esta.

29/05/21

Richard Thompson "Beeswing"

 

Há muito que o homem é credor da admiração do Atalho. Mas depois de ler isto:

“In Fairport we loved the response to the Beatles by bands such as the Byrds, the Left Bank and the Lovin’ Spoonful. The great singer-songwriters, like Dylan, Cohen, Ochs and Mitchell, were our true inspitation, as were the Band, with their blend of roots styles that were so familiar to us from records. All around the world, people had grown cynical about American politics, but they loved american music – especially the blues and country music of the Southern poor and the tougher, electrified sounds of the urban disillusioned and disenfranchised.”

 Ou, sobretudo, depois disto: “Later that year ( 1968 ), Sandy ( Denny ) and I received invitations in the post to Paul McCartney’s  birthday party. It shows how much of a musical snob I was at the time that I decided not to go – to me, the Beatles were a ‘pop’ band and not to take seriously.”

Rapidamente o estatuto passou de admirado a venerado.

Um pouco mais a sério: “I saw Bert ( Jansch ), Davey ( Graham ) and Martin ( Carthy ) all play around this time ( 1968 ). There is nothing like seeing someone live and not quite grasping what they are doing, If you understand it, you might just try to copy it; not understanding might lead you to experimente and maybe arrive at something diferente and original. I’m glad i didn’t just slavishly copy any of them, or I might never have crawled out from under their influence.”

E, com isto, fica tudo ou praticamente tudo dito, acerca da personalidade e talento deste verdadeiro tesouro vivo da música britânica.

“Beeswing, Fairport, Folk Rock and finding my voice 1967-75” escrito com a ajuda de Scott Timberg, é um livro essencial não apenas para os convertidos, mas acima de tudo para aqueles outros que conhecem menos bem um dos períodos mais fulcrais e estimulantes da música das ilhas britânicas.

Época renascentista, quase arriscaria a escrever. Acrescentando sem grande risco de falhar que, depois de “Whyte Bicycles” de Joe Boyd e do que se espera vir a ser a biografia definitiva de Nick Drake ( a ser preparada por Richard Morton-Jack ), este é um dos mais completos e coerentes testemunhos da época.

Todas as pedras são reviradas e nada fica por contar. Como nasceram, cresceram, viveram e “morreram” os Fairport Convention ( e os Fotheringay já agora ); a forma como foram escritos e gravados os grandes temas;  a personalidade e carácter dos vários talentos que foram passando pela banda; os inevitáveis choques de egos; as amizades e cumplicidades que perduraram independentemente dos caminhos futuros.


Por último a fase da conversão ao sufismo, a ligação familiar e profissional a Linda Peters ( Thompson ), os discos que enquanto Richard & Linda Thompson gravaram entre 1974 e 1979 …

Um testemunho absorvente a que a plenitude e rigor cronológico dos detalhes não são seguramente alheios.

Nota: Aconselha-se vivamente manter por perto todos os álbuns. Com cansativa regularidade, torna-se necessário interromper a leitura para ir escutar ( conferir ) muito do que é referido.

16/03/21

Jardins do Paraíso ( LXVI )

 


Quem não tem cão caça com gato.

O álbum homónimo dos Moths gravado em 1970 e fabricado na Deroy Sound Service, numa prensagem sem capa e limitada a cerca de duas dúzias de exemplares, entretanto distribuídos por amigos e familiares dos membros da banda, constitui-se desde então numa das mais raras edições privadas da folk inglesa.

A presente reedição em vinil obteve o acordo / colaboração dos elementos do grupo e permite ao comum dos mortais descobrir e disfrutar de um interessante artefacto de época.

A banda ( John Ellis, John Dunn, Mike Jones, Neil Cawley e John Beazer ), um quinteto de estudantes da Universidade de Hull não tinha à data nem teve posteriormente qualquer experiência de gravação e ou actuação de palco. Formou-se na primavera de 1970 e um par de meses volvidos, no palco do anfiteatro da faculdade, gravou as demos que viriam a dar origem ao álbum.



( prensagem original )

A sonoridade que emana de “Moths” está genericamente em linha com o paradigma folk do seu tempo, ainda que a evidente expertise  e sofisticação dos seus criadores a afaste do ambiente pub, aproximando-a da subtileza e elegância de nomes como Tir Na Nog, Oberon ou Fresh Maggots.

Daí que as guitarras de John Ellis e Mike Jones optem por um registo acústico difícil de compaginar com o eléctrico. Em contrapartida, talvez influenciadas pelo trabalho de Bert Jansch e John Renbourn nos Pentangle, dialogam na perfeição com a flauta, a percussão e o baixo.


Por fim o bom gosto; nas duas composições originais de John Ellis e, sobretudo, nas versões escolhidas: temas de Dylan, Tim Buckley, Clive Palmer, Jansch e David Ackles. Melhor seria quase impossível.

A qualidade aúdio desta reedição está muito para além do que seria expectável, facto que não deixa de ser assinalável tendo em conta a raridade e mais que provável fragilidade das fontes, fossem elas as fitas originais ou um velho exemplar do LP fabricado na Deroy.

26/03/17

Michael Chapman "50"



Após uma extensa carreira de cinco décadas, o veterano e dificilmente catalogável guitarrista britânico Michael Chapman decidiu-se finalmente por fazer o seu “disco americano”. “50” é o tipo de trabalho que há muito se esperava do autor.
Desde que começou a ser falado no circuito folk britânico de Cornish, Chapman assinou um extraordinário conjunto de álbuns a solo e tocou com artistas tão díspares como  Mick Ronson, Elton John, Rick Kemp, Thurston Moore, Bill Callahan, Jack Rose ou Ryley Walker.
Partindo das raízes folk, abraçou o ecletismo e os limites deixaram de ser possíveis. Inovou, desconstruiu,  raramente imitou. Daí que os seus álbuns sejam hoje tão referenciados quanto os de outras lendas como Roy Harper, Wizz Jones,  Mike Cooper, Richard Thompson ou Bert Jansch.
Comemorando os 50 anos de carreira, “50” é a reinvenção do próprio autor. À excepção de três originais, os restantes temas foram recuperados ao seu cancioneiro. Steve Gunn ( que toca guitarra e produz ), Nathan Bowles, James Elkington e Bidget St. John são as âncoras que permitem a Chapman libertar-se de “tarefas administrativas” e concentrar-se apenas na cromaticidade de sons que a sua guitarra propicia.
Sonoridades americanas, parentes próximas das detectadas nas obras de Steve Gunn, Black Twig Pickers, William Tyler ou Jack Rose. Uma pintura sonora.

18/07/15

Wizz Jones "A life on the road, 1964-2014"


Conhecido sobretudo através de “When I leave Berlin” que gravou a solo em 1974 e retomou no ano seguinte com os Lazy Farmer, Wizz Jones é um dos artífices da folk renaissance inglesa do final dos 60s.

Influenciado primeiro pelos clássicos ( Dylan, Derroll Adams, Jack Elliott ) e mais à frente pelos prodígios domésticos ( Clive Palmer, Davy Graham, Bert Jansch ), a par de um impar embora parcimonioso talento como compositor, Jones desenvolveu uma técnica notável enquanto instrumentista, quer na guitarra quer no banjo.

Pouco mediático porém, à época Wizz Jones não logrou fazer passar a imagem de artista austero e criterioso, sendo que os seus álbuns pouco penetraram no mercado, inclusive junto dos fãs do folk-blues. Bert Jansch, John Renbourn e Ralph McTell ajudaram e muito, mas não foram suficientes para retirar Jones do semi anonimato.

Ficaram os discos ( “Right now”, “When I leave Berlin” e “Lazy Farmer”, sobretudo) e um espólio de canções que entre originais e versões, são do melhor que se pode escutar no género. “A Life on The Road 1964-2014” reúne 23 desses temas. Jones toca, canta, encanta e, como bónus, escreveu a história associada a cada uma destas canções. Uma inspiração.

10/05/15

Ryley Walker "Primrose Green"


“All kinds of you”, acredito que de forma involuntária, foi influenciado pelo legado de Bert Jansch. “Primrose Green”, o novo Ryley Walker evoca sobretudo John Martyn e Tim Buckley.

Dito isto e embora não se encontre aqui nenhuma estrepitosa novidade estética, há que convir que, começando na capa e acabando nos arranjos,  estamos na presença de um tremendo artefacto.

“Summer dress” e “Love can be cruel” viajam até “Greetings from LA”; “Some minds” e “Sweet satisfaction” regressam a “Inside out”; “On the Banks of the Old Kishwaukee” e o tema título deixam-nos completamente “ready for the country”.
Destaque final para ”Griffiths Bucks Blues” e “Hide in the roses”, por mérito próprio duas das principais razões pelas quais este magnífico álbum será recordado.

07/04/15

Heroes are hard to find ( 28 )


Bert Jansch

( 1943 - 2011 )