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06/02/19

Sarah Louise "Nighttime Birds and Morning Stars"



Esperar o inesperado. A atitude mais sensata ante o talento silencioso de Sarah Louise.

Depois de em 2017 ter assinado com Sally Anne Morgan o magnífico “House and Land” e de “Deeper Woods”, o álbum a solo do ano passado, Sarah Louise optou por fazer uma pausa na vertente tradicionalista, colocando as sonoridades inspiradas pelas cordilheiras dos Appalaches em stand by.

Quem chegar a “Nighttime Birds and Morning Stars” sem conhecer os dois discos atrás referidos certamente julgará tratar-se de uma outra artista. A ligação à natureza e as preocupações ecológicas estão presentes, mas a roupagem das canções caracteriza-se por uma sofisticação até aqui inédita na artista.

Desta forma, ainda que lá atrás permaneçam esboços dos sons emergentes das paisagens rurais da Carolina do Norte, “Nighttime Birds and Morning Stars” é um disco predominantemente urbano; simultaneamente arrojado e diversificado.

A habitual 12 cordas acústica foi substituída pela guitarra eléctrica e as sonoridades que cria ao longo dos oito temas do disco bordejam a música ambiente, a improvisação avant-garde ou o jazz contemporâneo.

Alguns dos temas ( “Ancient  Intelligence”, “Rime”, “Chitin Flight” ) muito provavelmente de forma involuntária, ecoam ainda aquele psicadelismo angular e aditivo com que o neo zelandês Roy Montgomery  nos brindou na década de 90 do século passado.

Mera coincidência ou talvez não, a estrutura de certos temas e a forma como as teclas/sintetizadores os envolvem ( “Swarming at the Threshold” , “Late Night Healing Choir” ) reconduzem-nos também até às visionárias paisagens sonoras com que os Tarentel coloriram São Francisco no dealbar do milénio.

Nighttime Birds and Morning Stars” é um trabalho tão desafiante para quem o escuta como seguramente o foi para quem o pensou e lhe conferiu forma. Neste âmbito, não será muito arriscado afirmar estarmos perante um futuro clássico moderno.

08/02/13

The Pin Group "Ambivalence"


Tal como um filme de culto, um bom vinho ou uma pintura inspirada, há música que não é mensurável no tempo. Está para além dele.

The Pin Group  por exemplo.  Nascido e crescido na época em que a influência Velvet Underground mais se fez notar, o colectivo neozelandês fez daqueles o ponto de partida, passou por Manchester à boleia de Joy Division e só parou no futuro. 

Ambivalence” compila 3 singles e um EP, tudo o que o quinteto de Roy Montgomery produziu em estúdio entre Março de 81 e Fevereiro do ano seguinte.  12 temas que explicam tudo o que há para explicar sobre esta pequena grande nota de rodapé.