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03/11/25

Trimdon Grange Explosion "Dreams Buried Under The Sea"

 


Oito anos após um primeiro álbum homónimo e vinte após o fabuloso trabalho da banda progenitora – The Eighteenth Day Of May – os Trimdon Grange Explosion regressam com “Dreams Buried Under The Sea”.

Trata-se de uma espécie de espelho sonoro que nos conduz a imagens de um pretérito quase perfeito onde o eixo The Byrds / Big Star / R.E.M. removia os destroços do pós-punk e do synth-pop.

Porque “Dreams Buried Under The Sea” é mesmo isso, uma montra sonora que tendo algo de nostálgico, não se esgota naquela matriz.

Atente-se em “World turning round”, a abrir. No evoluir do tema é difícil não rever mentalmente “Murmur”, imediatamente antes da canção explodir num mar de guitarras fuzz.

O jingle-jangle de “September Falls” evoca The Byrds enquanto “Swim on your back in the water” traz à memória os Wolf People de Jack Sharp e P.G. Six de Pat Gubler, outros dois expatriados do eixo acima citado.


“Breaking the wheel”, um mini épico irresistível, é talvez o título âncora do álbum. Byrdsiano na essência surpreende quando é introduzida a viola de Alison Cotton; o efeito é hipnótico, como se a viola de arco de John Cale regressasse das catacumbas do Velvet Underground para nos encantar uma vez mais.

A fechar “As the world rises to fall”, competente e obviamente cúmplice do Neil Young de “Harvest”.

Dreams Buried Under The Sea” está para além deste tempo. Ostenta um charme muito próprio e, talvez por isso, não é expectável que venha a frequentar as famigeradas listas dos melhores do ano.

Nada que surpreenda e muito menos incomode o Atalho. Como já alguém afirmou: "a história está pejada de exemplos de maiorias que não tiveram razão".

16/09/23

P. G. Six "Murmurs & Whispers"

 


Se atendermos aos últimos doze anos, “Murmurs & Whispers” constitui o primeiro registo de Pat Gubler com o seu projecto P. G. Six desde “Starry Mind”.

No entretanto, colaborou nos Garcia Peoples, Wet Tuna, Weeping Bongo Band; já em 2023 integrou o colectivo Stella Kola, responsável por um belíssimo álbum homónimo.

Aqui, em “Murmurs & Whispers”, Gubler oscila entre a velha sonoridade folk que há muito chamou a atenção do Atalho ( “Just Begun”, “Barley Wine” ), suportada nas melodias e na forma como estas são vestidas – cortesia de instrumentos como a harpa celta e o hurdy gurdy – e ambientes mais etéreos pouco habituais no autor ainda que não inéditos ( “Meandering”, “Foggy Hill” ).

Sereno e nostálgico como em “Leaves” ( facto a que a co-autoria de Alan Davidson não é certamente alheia ), algo sombrio também, como em “Tell me death”, esta escrita a meias entre Gubler e Sharron Kraus.

Tudo ponderado, “Murmurs & Whispers” não sendo do ponto de vista instrumental tão apelativo quanto “Starry Mind” ou “Slightly Sorry”, personifica o agradável regresso de um dos artistas mais interessantes da música americana contemporânea.

O tempo encarregar-se-á de confirmar ou modificar esta asserção.