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04/05/14

Love "Black Beauty"



Há muito que o legado dos californianos Love tem vindo a ser objecto de animadas peregrinações espeleológicas.

Em 2009, a Sundazed editou “Love Lost”, uma iniciativa que recuperou sessões inéditas produzidas em 1971 para a Columbia e que se destinavam a um álbum nunca publicado: “Dear you”.  Recentemente, “Black Beauty” trouxe à tona temas gravados em 1973 e que nunca passaram dos arquivos.

Nessa época os Love já tinham pouco a ver com a banda que gravou “Da Capo” e “Forever Changes”. Arthur Lee era o único membro que restava da formação original e a matriz era claramente “heavy rock” ( não confundir com “heavy metal” ) com vincadas incursões pelo “funk”. “Black Beauty” são dez temas, três dos quais   ( “Midnight sun”, “Can’t find it” e “Product of the times” ) resgatados das sessões de 71, mais cinco canções registadas num palco de Glasgow em Maio de 1974.

A qualidade áudio é notável e algumas das gravações, mais do que destinadas aos Lovemaniacs, merecem figurar em lugar de honra no conjunto do espólio de Arthur Lee.

“Young & Able (Good & Evil)” é um notável killer moment com as guitarras de Lee e Melvan Whittington digladiando-se como se o passado não fosse Hendrix e o futuro estivesse comprometido. “Midnight sun” e “Product of the times”, agora mais velhos dois anos, estão majestosos e bem mais pesados que em “Love Lost”.  A edição, espectacular, é limitada a 5000 exemplares, com capa dupla de cartão duro e um colorido booklet de 64 páginas com detalhada informação e uma profusão de fotos inéditas. Magnífico artefacto.

13/03/10

Love "Love lost"


“Forever changing” foi o lema de Arthur Lee desde o álbum homónimo dos Love (1966) até “Vindicator” (1972). Uma atitude aplaudida em “Da Capo” e “Forever Changes”, depreciada quando a matéria de análise dá pelo nome de “Out here” , “Four sail” ou “False start”.

Na verdade é fácil aderir ao folk-rock pastoral e barroco que Lee ( com a colaboração de Bryan MacLean ) inventou para os primeiros três álbuns que os Love publicaram na Elektra. Mais difícil será encontrar a disponibilidade necessária para entrar no trio subsequente. Requer algum lastro e sobretudo tempo, um bem cada vez mais escasso.

Tempo e senso, pois são demasiado simplistas as análises que, “tout court”, colam o Arthur Lee pós 1969 a Jimi Hendrix. É óbvio que existem muitos pontos de contacto. Mas, dado o percurso dos dois homens , o estranho seria não ser assim.

Lee e Hendrix foram “pals” muito antes de ambos serem conhecidos. A versão de “Hey Joe” que os Love gravaram é anterior à de Hendrix cerca de seis meses. Em 1970 voltaram a encontrar-se em “False start” tendo Jimi co-assinado “The everlasting first”. De acordo com os biógrafos a morte do autor de “Electric Ladyland” terá afectado profundamente Arthur Lee. Com tantos pontos de contacto , é natural existir “um factor Hendrix” na música criada por Lee.

(Fillmore West 21 Novembro 1970, Norman Orr)

A influência nunca terá estado tão presente como em finais de 1970 quando os Love ( agora Lee, Frank Fayad, Don Poncher e Craig Tarwater ) entraram nos estúdios da Columbia para gravar “Dear you”, o primeiro disco para uma “major”. As coisas porém não correram como se esperava. A Columbia cancelou o contrato e as fitas entretanto gravadas mergulharam nas respectivas caves. Até agora.

Love lost” recentemente publicado pela Sundazed, recupera aquelas gravações. A sua audição deixa a pairar uma enorme dúvida: até onde poderia ter ido “Dear you” caso o trabalho de criação e produção tivesse sido (bem) concluído?

Parte das canções foram publicadas por Arthur Lee em “Vindicator” e noutros trabalhos posteriores. É no entanto em conjunto que, não obstante algumas imperfeições, fazem todo o sentido. Em boa verdade constituem o elo que liga “Da Capo” a “False start”, o folk-rock californiano ao “hard-rock-blues” .

Canções (algumas em maqueta) esculpidas pela guitarra acústica e torneadas pela voz do autor, entrecortadas por temas eléctricos tornados incandescentes pelas guitarras de Lee e Tarwater . De entre as primeiras “Love jumped through my window” tem subjacente uma grande canção, enquanto “He said she said” possui a verve de Dylan. No que respeita às segundas, a dificuldade reside na escolha. “I can’t find it” poderia ter integrado “Layla & other love stories”; “Product of the times” é suportado por um riff infecto enquanto desliza sobre um magnifico trabalho de guitarra solo; “Good & Evil II” remete para as guerras de Stephen Stills com Neil Young na secção eléctrica de “4 way street”. Por seu lado “Midnight sun” e “Looking glass” parecem clonados de “Electric Ladyland”, enquanto “Trippin & Slippin/Ezy Ryder” não deixa dúvidas pois é de facto co-assinado por Hendrix.

Se o leitor teve a paciência de chegar até aqui, certamente percebeu que para o Atalho a música dos Love não começa em “Da Capo” e termina em “Forever Changes”. “Out here” e “False start” são objecto de muito “airplay” por aqui. A intromissão de “Love lost” neste status só pode ser muito bem vinda.