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18/09/17

Behind the Shadows Drops "Harmonic"



Quando não se encontra na estrada com os MONO,  Takaakira Goto, o pequeno génio de Tóquio, mata o tempo com projectos alternativos.
Foi assim com os The Left ( álbum “I could stand here” em 2005 ), com o disco solo “Classical Punk and Echoes Under  the Beauty” uma década depois e é também assim com “Harmonic” dos Behind the Shadow Drops.
Takaakira Goto é um experimentalista que há muito ultrapassou as fronteiras estéticas do pós-rock de que os MONO são um dos maiores expoentes. Aqui, promove incursões no minimalismo, no clássico moderno, na música ambiente e, quase como uma consequência natural, nas paisagens inóspitas do kraut-rock.
Os espaços são tão amplos e inspiradores que apetece percorrê-los sem a interferência do tempo. John McEntire, veterano dos Tortoise e dos Sea & Cake, é o produtor que esta música solicitava; ainda que teria sido muito curioso verificar como outro experimentalista moderno,  Matthew Cooper ( Eluvium ) se comportaria na tarefa.
Um disco aditivo que ficará bem nos fins de tarde do próximo outono.

07/07/15

Takaakira Goto "Classical Punk and Echoes Under the Beauty"



2005. Sob o pseudónimo de The Left, Takaakira Goto publicou “I could stand alone here”, uma colectânea de belíssimas miniaturas pós-rock. Na altura poucos sabiam que dois anos antes, o mentor dos MONO havia gravado o corpo principal de “Classical Punk and Echoes Under the Beauty”. De acordo com o guitarrista, os temas não soavam a MONO ( não tinham necessariamente de soar ) e como tal ficaram por concluir e publicar.

Uma dúzia de anos volvidos, Goto regressou ao estúdio para terminar o projecto. O músico possui um talento inato, capaz de escrever temas que começam por parecer épicos para rapidamente se transformarem em clássicos. Em partes iguais, possuem significativas doses de melancolia e experimentalismo, características que fazem de Goto um dos grandes compositores japoneses.

Algures entre Ryuichi Sakamoto e Robert Fripp, “Classical Punk and Echoes Under the Beauty” é tão arrojado quanto exaltante. A marca de água dos MONO está lá ( estranho seria não estar ) mas os pontos de contacto são residuais. Takaakira Goto tinha razão em 2003, estas composições não têm muito a ver com o paradigma daquela banda.

Ao pouparem no épico, acrescentam lirismo: definem subtileza, encantam e são um conforto para os sentidos. Atente-se no caso de “Till the night comes”; nunca o genial “Starless” dos King Crimsom conheceu homenagem mais calorosa.

Certas sonoridades não se explicam, simplesmente contemplam-se.