23/01/17

Lost Nuggets ( 111 )


"The Peoria Folk Anthology, Volume Three" ( Webster's Last Word Records, WLWs 3825, Stereo ) USA, 1970


- "Pedalling"
- Dan Young "Slow Fade" ( Jendras )
- Jennie Pearl "Maybe in another year" ( Pearl )
- Lou Jendras "Artificial Heart Transplant Blues" ( Jendras )
- Bruce Brown "Trolly Car Song" ( Durham )
- Chuck and Mary Perrin "Help us Jesus" ( Hardin )
- Lou Jendras "I didn't realise that I couldn't harmonize with you" ( Jendras )
- Dan Young "Life is a stream" (Johnson )
- Bruce Brown "Sittin on the curb" ( Durham )
- Jennie Pearl "Bye-gones" ( Pearl )
- Chuck and Mary Perrin "Morning" ( Perrin )
- "Climax"


Compilação; "Recorded Live at Golden Voice Sound Studios, South Pekin, Illinois"

Produção: Chuck Perrin

Capa: direcção e design de Bruce Brown.

13/01/17

09/01/17

Shirley Collins "Lodestar"



Apesar de não ter gravado uma única canção durante mais de 30 anos, Shirley Collins permaneceu sempre a grande Dama do folk inglês. Sandy Denny é passado e June Tabor, embora grande, não atinge aquele patamar.

Nos dias de hoje trata-se de algo quase incompreensível. Mas há coisas que não se explicam, sentem-se apenas. Aparentemente ultrapassados os problemas de saúde que a impediram de cantar durante décadas, “Lodestar”, é o primeiro disco novo desde 1979. Uma perfeição. As canções pairam sobre uma atmosfera mágica.

Um dos grandes talentos de Collins foi saber, no momento certo,  escolher as canções que, observando a tradição, serviam igualmente a sua voz. Esta já não tem a frescura de outrora; está mais grave, profunda, naturalmente envelhecida. Não obstante, o dom interpretativo continua a impressionar, pela convicção e autenticidade.

O resto, depois do talento, é bom gosto, simplicidade e singeleza. Tal qual a tradição ancestral desta música, cujas canções não necessitam de grandes arranjos ou acompanhamentos. Muitas das vezes o “acapella” bastou para sobreviverem à história.

03/01/17

Wolf People "Ruins"



Li há dias na edição que comemora o quinquagésimo aniversário da revista gaulesa ‘Rock & Folk’ que pouco tempo antes de falecer, o seu fundador – Philippe Koechlin -, terá confidenciado à família: “depois de conhecer Jim Morrison e Jimi Hendrix, como poderei interessar-me por uma figura como Robert Smith dos Cure?“.

Compreendo-o em parte. No que respeita à dimensão humana das figuras em causa, terá provavelmente razão, embora o dinamismo dos tempos não se compadeça com estaticismos. Discordo no entanto da tese que parece subjacente à afirmação. Cada geração tem os seus ícones e existem grandes criadores em todas as épocas.

Atente-se nos Wolf People. A banda do Bedfordshire leva já cerca de uma década de existência, período durante o qual publicou um conjunto importante de singles e três álbuns de referência. O quarto “Ruins” acabado de sair, acrescenta solidez e maturidade ao talento já evidenciado.


Na sua verdadeira essência, a música dos Wolf People só poderia ser feita por ingleses. As raízes e o modelo que escolheram recriar são definitivamente britânicos. Uma constatação óbvia, quer a abordagem seja feita pelo lado do folk tradicional, quer pelo do blues rock.

No fundo, embora Jack Sharp continue a sustentar que nunca tinha escutado os primeiros 3, 4 álbuns dos Jethro Tull até fãs e crítica lhe terem mencionado as semelhanças, a verdade é que a música de “Ruins”, ainda que contemporânea, estruturalmente evoca aquele extraordinária “mélange” entre melodias tradicionais britânicas e a visão do blues rock que Ian Anderson confeccionou na discografia dos Tull até 1971 quando publicou o seminal “Aqualung”.

E os ocasionais exercícios da flauta são um mero pormenor no meio de toda a avalanche de guitarras, ora delicadas ora distorcidas, reclamando um lugar no panteão do moderno psych folk-rock. Os impressionantes sete minutos do épico “Kingfisher” não enganam. Ali está condensado tudo o que importa na música de Jack Sharp. Talento, inspiração, virtuosismo e atenção às raízes. Um dos discos do ano.

28/12/16

Lost Nuggets ( 110 )


Lackey & Sweeney "Junk Store Songs for Sale" ( Village Thing VTS 23 ) UK, 1973


- "Rosemary's Market"
- "Nothing to lose"
- "Twenty nine years"
- "Sparrow"
- "Drinking Blues"
- "Good to cry"
- "Yesterday did ride again"
- "Sweet Marie"
- "Comfort"
- "You are my sunshine"

Billy Lackey e Kathleen Sweeney: canções, vozes, guitarras e harmónica; com John Turner ( baixo acústico ), Joe Kucera ( flauta e sax ) e Graham Smith ( harmónica ).

Produção: Ian A. Anderson

Capa: fotos de Dave Mason

18/12/16

Eluvium "False readings on"




Em matéria de música ambiente, minimalista, electrónica e / ou de vanguarda, Matthew Robert Cooper aka Eluvium é uma referência cada vez mais consolidada.

No seu álbum mais recente, “False readings on”, o experimentalista do Oregon afirma ter-se inspirado na teoria das dissonâncias cognitivas e sua manifestação no quotidiano das sociedades modernas.

O fosso entre crença e realidade, crê-se,  existirá desde sempre. Hoje, eventualmente, mostrar-se-á envolto numa maior sofisticação. Como a música de Cooper.


De registo para registo tem vindo a ganhar uma identidade própria, a ponto das influências antigas ( Brian Eno, Max Richter, Terry Riley, Cluster ou Labradford ) serem agora pequeninos pontos num horizonte passado.

Isto dito, “False readings on” é mais um registo de escuta obrigatória. Fácil? Longe disso. A um tempo denso, celestial, contemplativo e triste, estimula esse desafio gigantesco de encontrar o ponto de equilíbrio entre o optimismo e o pessimismo.

12/12/16

Marvin Gardens "1968"



Ao que parece o baú psicadélico da São Francisco dos 60s permanece em efervescência.
A mais recente (re)descoberta dá pelo nome de Marvin Gardens, uma banda que perseguia os padrões psych vigentes na época e que, liderada pela vocalista Carol Duke, tinha naturalmente em Big Brother & The Holding Company, Jefferson Airplane ou Peanut Butter Conspiracy as suas maiores influências.
Agora publicados pela primeira vez, os Marvin Gardens têm em “1968” uma antologia que não sendo propriamente um modelo de equilíbrio, permite conhecer mais um projecto artístico soterrado no tempo.

À boleia da voz jopliniana de Carol Duke, a música do quinteto bordejava o folk eléctrico e o garage num cocktail psicadélico por vezes respaldado no pioneirismo dos conterrâneos The Charlatans.
Vários demos gravados para a Warner Bros, um EP auto produzido e um conjunto de gravações captadas em 1968 no palco do lendário Matrix fazem deste disco um momento de saudável nostalgia e uma das recuperações mais interessantes do ano.

09/12/16

"Lindo Sonho Delirante - 100 Psychedelic Records from Brazil ( 1968-1975 )"


Não se trata exactamente de inventar a roda - muitos dos discos aqui listados estavam já profusamente referenciados -, mas é muito agradável ter toda a informação reunida num único livro.

Numa edição bilingue ( português/inglês ), graficamente muito apelativa, este trabalho do jornalista / colecionador  Bento de Araújo é uma óptima ferramenta para todos os que se interessam pela matéria.


06/12/16

Glenn Phillips "At the Rainbow"



Que conste, Glenn Phillips nunca integrou as listas dos “melhores guitarristas” do rock e periferias. Não obstante é responsável por dois discos enormes: “Music to eat”, no colectivo da Hampton Grease Band ( 1971 ) e, a solo, “Lost at sea” ( 1975 ).

O americano nunca procurou ser um instrumentista “convencional” – e dizendo isto, estamos a pensar em nomes como Lowell George, Clapton, Mike Bloomfield ou mesmo Ry Cooder. Phillips é, como estes, tecnicamente dotado, mas entra por territórios exploratórios adentro;  como Roy Buchanan, Robert Fripp, Jerry Garcia ou John McLaughlin.

Glenn Phillips, At The Rainbow”, resulta da recuperação de gravações efectuadas no palco do londrino Rainbow em Novembro de 1977. Com excepção do inédito “Drive on”, os oito temas são recriações de títulos incluídos nos dois primeiros álbuns: o já citado “Lost at sea” e o acabado de publicar, “Swim in the wind”. Na contracapa do álbum, o texto refere que os membros do trio que acompanha Phillips nestas actuações pouco tinha tocado junto enquanto grupo. Algo que custa a acreditar quando se escuta a prestação do conjunto nestas gravações.

Logo no inicio, através de “The Flu” ficamos a saber ao que vêm. A abertura do tema relembra de imediato “Birds of fire”, esse monumento erigido pela Mahavishnu Orchestra um par de anos antes. Depois, a  partir daí e até ao fim é toda uma incandescente sequência de solos de guitarra que se cruzam com os  silêncios, evocações e urgência das melodias, sempre com a guitarra funcionando como instrumento de liderança e coesão.

E quando  se escutam as versões de  “Dogs” ou do épico “Phoebe”, é difícil compreender como foi possível estas fitas terem permanecido tantos anos na gaveta. E sim , Phillips é definitivamente um dos grandes guitarristas da sua geração.