21/11/17

Artefactos ( 72 )



Jornal "Musicalíssimo" nº 85 de 14 Junho de 1974.

A minha primeira contribuição para a imprensa escrita.

Dois pequenos textos ( The Doors e Crosby, Stills, Nash and Young ).




17/11/17

The Greek Theatre "Broken Circle"



Duo constituído por Sven Froberg  e Frederick  Persson, os The Greek Theatre são oriundos de Estocolmo e praticam o mais inspirado neo–psicadelismo a que a Europa continental pode aspirar.

À semelhança do que uma outra dupla, os britânicos Chemistry Set, desenhou na primeira década do século, a planante música dos suecos é um verdadeiro tricot de influências sendo que, à habitual cromaticidade resgatada ao espólio dos Beatles, adicionam a vertigem caleidoscópica do psicadelismo californiano, em particular o que foi imortalizado pelas guitarras de Garcia e Cippolina.

Em “Fat Apple (All about Noon)”, a abrir o recém editado segundo álbum “Broken Circle, Froberg e Persson dizem ao que vêm; um quase épico que percorre os grandes espaços sinfónicos outrora ocupados por Camel e Caravan até atingirem um território onde as guitarras gémeas de Jerry Garcia e Bob Weir esculpiram o psicadelismo.

“Paper Moon” acentua a delicadeza do discurso; as várias guitarras cruzam a melodia em todas as direcções , num minucioso trabalho de ourives que a produção salienta. “Broken circle” é puro “countryside”, enquanto “Stray Dog Blues” parece ter saído daquele casulo de melancolia que os Mercury  Rev teceram em “Deserter’s Songs”.  Por cima de um órgão que já conhecíamos de “Live at Pompeii”, as guitarras ácidas regressam com o tema título e, entre o psicadélico e o progressivo, as vozes gregorianas deixam no ar uma extravagante atmosfera vizinha do gótico.

Um disco extraordinário que conduz à chamada pergunta de um milhão de dólares: será possível reproduzi-lo em palco?

12/11/17

Pegasus / Neon


Contemporâneas ( estiveram activas nos anos de 1971 e 1972 ) a Pegasus e a Neon são duas das mais interessantes e colectáveis editoras independentes inglesas da época.

A Pegasus ( mais adiante apenas PEG ), uma side company da B and C Records, nasceu especificamente para publicar artistas sobre os quais existiam dúvidas acerca da respectiva viabilidade comercial.

Mas as coisas são o que são e alguns dos lançamentos da Pegasus ( no mínimo do ponto de vista histórico ) ultrapassaram largamente as apostas da casa mãe.

Exemplos: Atomic Rooster, Three Man Army, Andy Roberts, Martin Carthy, Shirley Collins/Albion Country Band, Fuchsia, Steeleye Span, Nazareth...
  

A Neon ( ou RCA / Neon  como é vulgarmente conhecida ) foi criada pela RCA com objectivos muito semelhantes, com uma pequena nuance; em lugar do folk ou folk/rock que a Pegasus privilegiava, a Neon apostou em projectos esotéricos, a meio caminho entre o jazz, o avant garde e o progressivo.

Exemplos: Chris McGregor, Indian Summer, Tonton Macoute, Spring, Raw Material, Centipede ou Mike Westbrook.

Dito isto, os aficionados dos dois selos encontram nestas brochuras de Neil Priddey, toda a história das duas casas bem assim como fotos e profusa informação sobre todos os discos publicados. Álbuns, singles e edições promocionais.  

07/11/17

John Fahey


A importância de John Fahey na música americana não tem parado de crescer. Uma herança quase inesgotável que tem influenciado transversalmente diferentes gerações de músicos desde há décadas.

A conferir apenas alguns dos muitos exemplos Part 1, Part 2 e Part 3 .

05/11/17

Elkhorn "The Black River"



A chegada do outono convida à audição de música mais de acordo com o espírito do tempo, contemplativa e vizinha do intimismo.
Oriundo de Seattle, Jesse Sheppard tem tudo para integrar o pelotão dos novos porta estandarte da chamada “american primitive guitar music”. Como videógrafo trabalhou com Glenn Jones, Jack Rose, Daniel Bachman, Chris Forsyth e Steve Gunn. Enquanto músico tem desenvolvido a sua acção a solo ou com Drew Gardner.
O mais recente projecto do duo chama-se Elkhorn e “The Black River constitui um passo mais no consolidar da reputação de ambos.


Sheppard trabalha a guitarra acústica com o detalhe e perfeição de um artesão, desenha as melodias que mais à frente a guitarra eléctrica de Gardner vai colorir, preenchendo com invulgar mestria os espaços vazios.
O tema título – “The Black River” – é disso um exemplo óbvio, mas quase tudo o que lhe vem a seguir demonstra que o talento não se confina a meras fronteiras escolásticas. O “finger picking” permanece a trave mestra, mas a inspiração catapulta esta música para além do tempo, de qualquer tempo.
Para escutar como se contempla uma pintura ou se devora uma obra literária.

29/10/17

The Weather Station "S/t"



Tradicional viveiro de talentos, o Canadá produz com uma regularidade quase científica autores de canções de qualidade excepcional.

Relembrar alguns dos nomes mais proeminentes seria despiciendo, pelo que importa salientar desde já a mais recente jóia da coroa: Tamara Lindeman.

Ao quarto álbum, sob o “nom de plume” The Weather Station, a canadense ultrapassa o paradigma Aimee Mann que muitos se apressaram a atribuí-lhe e parte em direcção a outros patamares ilustres: Joni Mitchell e Raymond Carver, por exemplo. A primeira pelos detalhes vocais, estilísticos e emocionais; o segundo pela concisão e minimalismo na expressão dos estados de alma.

Dito isto, “The Weather Station” são 37 minutos de puro deleite; 11 canções enxutas que serpenteiam por entre sentimentos de amor e perda, fragmentos de memórias que recusam o esquecimento.

Para ir saboreando, como acontece com todos os grandes discos.

27/10/17

24/10/17

Artefactos ( 71 )



Les Inrockuptibles nº 5

Primeira série, Março/Abril, 1987

17/10/17

Lost Nuggets ( 118 )


Funky Kings "S/t" ( Arista AL 4078 ) USA, 1976


- "Singing in the streets" ( Jack Tempchin )
- "My old pals" ( Richard Stekol )
- "So long" ( Richard Stekol )
- "Highway song" ( Jack Tempchin )
- "Nothing was exchanged" ( Jules Shear )
- "Slow dancing" ( Jack Tempchin )
- "Let me go" ( Jules Shear )
- "So easy to begin" ( Jules Shear )
- "Help to guide me" ( Richard Stekol )
- "Mattress on the roof" ( Jack Tempchin )
- "Anywhere but Jimmie's" ( Richard Stekol )

Funky Kings: Frank Cotinola ( bateria e percussão ), Richard Stekol ( voz, guitarras e piano ), Bill Bodine ( voz e baixo ), Jules Shear ( voz e guitarra ), Greg Leisz ( guitarras ) e Jack Tempchin ( voz, guitarra e harmónica ); com Mike Finnigan ( voz e órgão ), Barry Beckett ( piano ), Geoff Muldaur ( arranjo de cordas ) e Katy Moffatt ( voz ).

Produção: Paul A. Rothchild

Misturas: Val Garay

Capa: foto de Benno Friedman, concepção de Dennis Pohl, design de Bob Heimall.

03/10/17

Heroes are hard to find ( 44 )



Tom Petty
( 1950 - 2017 )

Uma "rock star" que não se comportava como tal.
Cada uma das suas canções apela ao imaginário colectivo e é por norma uma peça de joalharia musical.
Grato pelos milhares de kms que, durante décadas, fez ao volante do meu carro.

Nota: a foto acima não foi escolhida por acaso. A Rickenbacker foi a razão.

01/10/17

Lost Nuggets ( 117 )


Danny Kirwan "Second Chapter" ( DJM DJLPS 454 ) UK, 1975


- "Ram Jam City"
- "Odds and Ends"
- "Hot Summers Day"
- "Mary Jane"
- "Skip a Dee Doo"
- "Love can always bring you hapiness"
- "Second Chapter"
- "Lovely days"
- "Falling in love with you"
- "Silver streams"
- "Best girl in the world"
- "Cascades"

Danny Kirwan: canções, voz, guitarras e produção; com Geoff Britton  e Jim Russell ( bateria e percussão ), Andy Sylvester ( baixo ) e Paul Raymond ( piano ).

Arranjos: Gerry Shury.

Capa: design ( Mckinley Howell & J. M. Heale ), fotos ( Clifford Davis ).

26/09/17

Tomara "Favourite Ghost"



Existem discos que se escutam uma vez e que se arrumam na esperança de um dia, por uma razão ou por outra, serem de novo procurados. Há no entanto outro tipo de registos, aqueles que pedem para serem cuidados, curados, em permanência.  Não inventam a roda nem tão pouco irão mudar o curso da história, mas são perfeitos na sua função de entretenimento e cultivo de emoções. O que nos dias que correm, não é coisa pouca.

Favourite ghost” de Filipe C. Monteiro ( aka Tomara ) é um desses artefactos. Viajando com e por entre sombras, espaços intimistas vizinhos da melancolia e silêncios perfeitos, o álbum – curto e conciso como todos os grandes discos devem ser -, manobra todos os botões certos, deixando cativo o ouvinte, mesmo aquele que tem perfeita consciência de não estar perante nada de substancialmente novo.


Com os três temas de maior impacto ( “Hallow”, “Coffee and Toast” e a canção título ) estrategicamente colocados a abrir, “Favourite Ghost” revela-se um mar de inteligência e bom gosto a que não será estranha uma relevante cultura musical.

Feita para ser tocada no recato dos pequenos espaços  a música de Tomara apela aos fãs de Ida, Madrugada, Richmond Fontaine, Tindersticks, Mono ou mesmo Silver Scooter, os quais encontrarão aqui razões mais do que suficientes para se sentirem confortáveis.

Perfeito para ocupar os serenos fins de tarde de outono.