22/06/18

Artefactos ( 80 )


Jornal "Rock Week"

Ano 1 nº 8, Semanário, Portugal, 1 Julho 1980

Director: Hermínio Clemente

13/06/18

Sharron Kraus "Joy's Reflection is Sorrow"



Após mais de 15 anos de carreira, os trabalhos de Sharron Kraus já mereciam uma outra atenção.

Quando as Joannas Newsom deste mundo ainda não tinham decidido o que fazer à vida, já Sharron gravava discos seminais para a Camera Obscura do saudoso Tony Dale ( “Beautiful Twisted” e “Songs of Love and Loss” são, neste âmbito, particularmente impressivos e ajudam a definir o que na altura se convencionou chamar de “weird folk”).

Pelo caminho colaborou com os Iditarod de Jeffrey Alexander, com Christian Kiefer e  United Bible Studies. Em 2007 ao lado de Meg Baird e Helena Espvall publicou o bucólico “Leaves from off the tree”. No ano seguinte, com a colaboração de Greg Weeks e Gillian Chadwick, editaria “Rusalnaia”.

Em “Joy’s Reflection is Sorrow” Sharron experimenta novos caminhos. Distante está a paixão pelos Apalaches ou o ruralismo de inspiração galesa a que os dois discos anteriores davam corpo.   

Este novo álbum projecta um desafio, na justa medida em que busca o compromisso entre as raízes folk de contornos vincadamente espartanos e a sofisticação que a instrumentação electrónica proporciona ( curioso como “Figs and Flowers” faz recordar o “Broken English” de Marianne Faithfull e "The Man who says Goddbye" remete para os Spriguns de Mandy Morton ).

Dito de outra maneira: o paradigma mudou. “Joy’s Reflection is Sorrow” é um disco que necessita de tempo para ser digerido. Porque, ainda que acolha as pequenas pérolas habituais na escrita de Kraus, veste novas roupagens, muito próximas da  interpretação que os Tremblig Bells fazem hoje do folk embora prefira arranjos e formas mais subtis.

Nancy Wallace, outra das favoritas do Atalho, empresta a voz a alguns dos temas.

09/06/18

Heroes are hard to find ( 51 )


Danny Kirwan
( 1950 - 2018 )

04/06/18

Artefactos ( 79 )



Rock & Folk nº 108, Janeiro 1976


"Have a cigar / Shine on you crazy diamond, Part 1"
Single, Portugal, 1976


25/05/18

The Green Pajamas "Supernatural Afternoon"


É comum desaconselhar-se o regresso a lugares onde se foi feliz. Uma tradição aforística que ao Atalho pouco ou nada diz.

Regresso a Jeff Kelly e aos Pajamas, sempre. E sempre com o mesmo gosto que experimentei quando da respectiva descoberta.

Desta vez através de "Supernatural Afternoon", uma extraordinária ( palavras devidamente medidas ) compilação de singles e outakes,

Escute-se  a abertura com "January Girl", o longo tema título ( uma mescla entre um Tom Petty secundado pelos Heartbreakers originais e as guitarras de um Rich Hopkins suportado pelos Luminarios ) ou a sensibilidade filigranica que emana de "The Jailor's Song" e talvez se perceba melhor do que falamos quando falamos de Jeff Kelly, um songwriter cujo talento não encontra paralelo fácil entre os seus pares nos últimos 30 anos.

Quanto ao mais é consultar o histórico do Atalho via Green Pajamas, Jeff Kelly ou Goblin Market.


22/05/18

Artefactos ( 78 )


Patti Smith "Ha! Ha! Houdini!"

" ... tudo está cumprido chegámos ao lago onde arde fogo e enxofre 
facturem as derradeiras iluminações 
da sua voz
ler ..."

Paulo da Costa Domingos ( fragmento de Poema introdutório, Maio 1982 )

Edição & ETC, Junho 1982, 1000 exemplares



16/05/18

Lost Nuggets ( 123 )


Stig Moller "Kaerligheden Let Pa Ta" ( CBS 64986 ) Capa dupla, 1972, UK


- "Gor Noget Nyt"
- "Solen den Skinner"
- "Snakken Gar"
- "Ude I Naturen"
- "Daqud"
- "Nu Er Jeg Naet Til Et Punkt"
- "Hej Du Danske Mand"
- "I Den Gronne Skov"
- "Solen Skinner Laenge"
- "To Sjaele"
- "Ro Ro Ro"
- "God Nat"


Stig Moller ( Canções, voz, guitarras e arranjos ), com Hugo Rasmussen ( baixo ), Lars Togeby ( trompete ), Peter Mandorf e Knud Bjorno ( sax ), Finn Ziegler ( violino  e piano ), Flemming Quist Moller ( congas), Per Frost ( guitarra ).

Produção: Flemming Quist Moller.

Capa: Vibeke Hansson e Stig Moller

05/05/18

Artefactos ( 77 )


"Live at Monterey 1967"

"For what it's worth / Nowadays Clancy can't even sing / A Child's claim to fame / Blue Bird" ( Mono press, 2018 )

Stephen Stills ( guitarra, voz )
Richie Furay ( guitarra, voz )
David Crosby ( guitarra, voz )
Doug Hastings ( guitarra )
Bruce Palmer ( baixo )
Dewey Martin ( bateria )

01/05/18

Neil Young "Roxy, Tonight's The Night Live"



Tonight’s the Night” encerra um extraordinário conjunto de canções.

Escrito e composto em cima dos falecimentos de Danny Whitten e Bruce Berry, sendo por isso frequentemente retratado como um álbum “negro”, 43 anos após a primeira publicação, assume-se a par de “On The Beach”, como um dos discos mais consistentes de Neil Young. Onde “Harvest” era luz, esperança, algum humor  e  ingenuidade quanto baste, “Tonight’s” habita o campo oposto: é sombrio, triste, quase desesperado ... Não obstante, sobreviveu como poucos ao teste do tempo.

A melhor prova do que atrás fica escrito é “Roxy, Tonight’s the Night Live”.

Podia pensar-se - e muitos de nós, os que não estiveram no Roxy nas noites de 20 e 22 de Setembro de 1973 tê-lo-emos seguramente cogitado -, que o formato e personalidade daquelas canções estava traçado; seriam sempre agrestes, angulosas e sombrias. Nada que incomodasse muito, aprendemos a gostar delas assim.

Mas o aparentemente “impossível” aconteceu. As gravações captadas no concerto de West Hollywood naquele princípio de outono trazem-nos “outras” canções. Resgatadas ao estúdio e libertadas em palco, “Tonight’s the Night I e II”, “Albuquerque” ou “Speakin’ out” adquirem uma outra dimensão; menos cinzenta, mais ampla, quase cinematográfica.


Tudo isto, exactamente com os mesmos músicos ( Neil, Ben Keith, Nils Lofgren, Billy Talbot e Ralph Molina ), os mesmos arranjos e praticamente as mesmas deixas trazidas do estúdio. “New Mama” presenteada com um arranjo de maior pendor acústico é talvez a excepção, mas ainda assim uma excepção positiva.

Quando comparado com a edição de estúdio de 1975 ( o álbum ficara retido dois anos, a ponto de “On The Beach” ainda que gravado posteriormente, ter saído no ano anterior ), “Roxy” deixa cair “Borrowed Tune”, “Come on Baby let’s go Downtown” e “Lookout Joe”; em contrapartida acrescenta uma versão “countryficada” de “Walk on” com a pedal steel de Ben Keith a bordejar a mestria de Jerry Garcia no instrumento.

Analisado e ponderado o conjunto, será justo salientar que “Roxy, Tonight’s the Night Live” é tudo menos uma redundância. O esplendor sonoro que transmite ( falamos da versão em vinil ) é algo de “novo” e totalmente inesperado, prova provada que a lendária casmurrice do canadiano no que respeita a edições e, sobretudo, a reedições, acaba por fazer todo o sentido.

Um absoluto deslumbre.

24/04/18

Lost Nuggets ( 122 )


Pat DiNizio with The Pat DiNizio Foursome "Songs and Sounds" ( Velvel VEL 79706-2 ) CD, USA, 1997


- "Where I am Going" ( Bernard Herrmann)
- "Nobody But Me"
- "124 MPH"
- "Running, Jumping, Standing Still"
- "Everyday World"
- "No Lost Love"
- "A World Apart"
- "Today It's You"
- "Somewhere Down The Line"
- "You Should Know"
- "I'd Rather Have The Blues" ( Frank Devol )


Pat DiNizio: Canções, voz e guitarras; com: J.J. Burnel ( voz e baixo ), Sonny Fortune ( saxofone e flauta ), Tony "Thunder" Smith ( bateria e voz ) e Marti Jones ( Voz ).


Produção: Don Dixon


Capa: fotos de Michael Daks, design Leah Sherman/Reiner



13/04/18

Bardo Pond "Volume 8"



Ao longo dos anos, a audição de milhares de álbuns e centenas de milhar de canções, ensinaram-me a poupar nos adjectivos porque, ao contrário do tempo – o mais assertivo crítico musical que conheço – os julgamentos in time são ou tendem a ser influenciados por estados de alma a que frequentemente se juntam factores exógenos que não controlamos.

Há semanas que estou de volta de “Volume 8”, procurando resistir à facilidade da adjectivação, fugir  à tentação da hipérbole, porque aqui, é bom que se diga, só aquela parece fazer sentido.

Tentei mas, admito, foi pura perda de tempo. “Volume 8” é absolutamente SUBLIME. Não existe outro termo.

Ainda que comparativamente a discos anteriores do quinteto de Filadélfia, o patamar tenda a ser alto, este novo opus prossegue e acentua a genial desconstrução sónica de tudo o que são os paradigmas do chamado neo-psicadelismo.

Dinamitando tudo à sua passagem, fundindo o que o possa ser, reinventando novas abordagens para conceitos velhos ( space,  avant–garde, stone, drone, psychedelic- rock ) em “Volume 8” a banda de Isobel Sollenberger e dos irmãos Gibbons constrói uma tapeçaria cósmica que tanto pode seguir os habituais padrões monolíticos -  o demolidor “Kailash” recupera as guitarras viciantes de ”Don’t know about you” em “Bardo Pond” ( 2010 ) – como subtilmente, à boleia das quase imperceptíveis harmonias vocais e flauta de Isobel,  entrar bucolismo adentro  - Power Children” ou “Cud” – em demanda do silêncio e serenidade pós apocalípticos.


Depois, bom depois, chega o monumento: “And I Will”. A convulsão extrema; as guitarras gerando espirais caleidoscópicas, percussão tonitruante, a voz de Isobel como um instrumento mais, soltando harmoniosamente palavras ininteligíveis e um baixo musculado a lutar para manter unidos os restantes elementos. Passaram exactamente 16 minutos e 58 segundos. Não se dá por isso.  

One of underground rock’s most extraordinary enigmas” escreveu a propósito dos Bardo Pond uma publicação da especialidade. Enigma coisa nenhuma. Para além do talento, trata-se apenas e tão só do mais genuíno e apurado bom gosto ( e se o leitor continua a acompanhar este texto e segue este espaço com regularidade tem-no seguramente ).

Com tantos “walking deads” à solta por aí, depois de um quarto de século de vida, os Bardo Pond serão provavelmente a única banda em actividade capaz de me levar de novo a uma sala de concertos.