16/06/17

Bardo Pond "Under the pines"


 

Existem algumas bandas, poucas, que não se explicam. São!

Os Bardo Pond nunca necessitaram de estar permanentemente na montra para manter o estatuto. São uma espécie de “anomalia”, mesmo no underground onde se movimentam. Gravam apenas quando têm algo de novo para dizer e é raro desiludirem.  Deles espera-se sempre um êxtase cósmico, resultado da fusão de elementos oriundos do jazz, avant-garde, rock e free-noise.

Under the pines”, é a mais recente expressão onírica daquele processo. Como é hábito no quinteto da Pennsylvania não existem limites, e o álbum é mais uma intensa experiência psicadélica.


A tempestade sonora que varre “Crossover” dinamita as  expectativas mais optimistas; “Out of reach” altera o rumo e assume-se como uma “big sky song” com a voz de Isobel Sollenberger a desafiar a perfeição. Diversa, “Moment to moment” toma a forma de uma “electric porch song”, desenhada por uma guitarra acústica e colorida pela flauta de Isobel. Lisérgico, o tema título, é o que mais se aproxima da matriz Bardo Pond, enquanto “Affigy” se rende a um estranho bucolismo.

A escutar no silêncio, por paradoxal que possa parecer.    

09/06/17

Toby Hay "The Gathering"




De Rhayader, uma pequena comunidade com cerca de 2000 habitantes situada no condado de Powys, País de Gales, chega  The Gathering”,  o álbum de estreia do guitarrista Toby Hay.

Completamente instrumental, o disco escuta-se como se contemplaria uma paisagem rural galesa.  Estrategicamente localizado entre a tradição musical britânica e a escola do  finger picking americana, Toby Hay  transporta para as melodias que escreve, décadas, séculos de um património musical, sendo que é virtualmente impossível dissociar estes sons do meio musical e social de onde são originários.

Um exemplo disso mesmo poderá ser o tema de abertura, “Mayfair at Rhayader 1927”. Num momento de grande turbulência quando todas as dúvidas pairam sobre o quotidiano britânico, não deixa de ser significativa a tranquilidade que emerge de “The Gathering”.


As melodias correm à beira de riachos, sobre prados verdejantes, num cenário idílico que os ocasionais violinos, celos e violas apenas acentuam. Como mantos sonoros cobrindo lugares, acontecimentos, memórias, “Sketches of a Roman Fort”, “Starlings” e o tema título ilustram este cenário na perfeição.

Caberá a quem escutar “The Gathering” decidir se o sentimento ali prevalecente será a reacção, a nostalgia, ou ambos.

03/06/17

Trimdon Grange Explosion "S/t"


 
Em 2005 pouca gente terá prestado atenção ao excelente álbum dos The Eighteenth Day of May, uma banda transnacional que percorria os caminhos do folk-rock britânico.

Mais de uma década volvida, expurgado das componentes norte-americana e nórdica, o colectivo reteve os elementos ingleses e passou a denominar-se Trimdon Grange Explosion ( uma referência histórica ao acidente ocorrido em 1882 numa mina de Durham e que vitimou 69 trabalhadores ).

Agora liderada pelo guitarrista Ben Phillipson, a banda acaba de publicar o homónimo “Trimdon Grange Explosion”. A fonte de inspiração  permanece, as raízes estão ainda mais presentes e a pastoral tradição inglesa, mesclada com a melancolia, paira sobre as melodias.


Alison Cotton, para além da viola, ganha maior protagonismo nas vocalizações e o projecto só lucrou com isso. A versão do tradicional “Poor Wayfaring Stranger” por exemplo,  arrasta consigo uma elegância pouco comum, através da qual facilmente chegará à eternidade.
Os restantes tradicionais, “The Bonnie Banks of Fordie” e “Glass and Sand”, ostentam uma tensão quase marcial que lhes é conferida pelo intrigante diálogo que o violino e a viola, respectivamente, travam com a secção rítmica. De uma beleza extrema, os dois só por si justificam a audição do álbum.

No género, tão cedo vai ser difícil encontrar melhor.

29/05/17

Heroes are hard to find ( 40 )


Gregg Allman


( 1947 - 2017 )
 

25/05/17

Jardins do Paraíso ( LIII )



A fazer fé na respectiva biografia, terá sido um capricho o motivo que levou Dorris Henderson, uma cantora de folk e blues, a trocar Los Angeles e Nova Iorque por Londres a meio dos 60s.

Ao chegar encontrou a cena folk em plena ebulição. Davy Graham por exemplo, recém chegado da India, começara a introduzir as linhas melódicas do raga indiano na tradição inglesa.

Em Londres, Dorris cruzou-se com John Renbourn e os dois álbuns que gravaram juntos são hoje clássicos. O segundo “Watch the stars”, agora reeditado, data de 1967 e registou para memória futura a simbiose perfeita entre dois talentos aparentemente inconciliáveis.

John Renbourn era já um soberbo tecnicista e Dorris estava tão à vontade no blues como no folk. Danny Thompson acrescentou o baixo acústico; a tradição, Anne Briggs, Bob Dylan e Gordon Lightfoot as canções.

Para a posteridade ficou um belíssimo álbum.

19/05/17

Richard Morton Jack "Psychedelia, 101 Iconic Underground Rock Albums 1966-1970"


Estamos todos um pouco fartos de compilações oportunistas do género: "os 100 melhores álbuns para escutar antes de morrer" ( na maior parte dos casos é mais para escutar depois de morrer, mas adiante ). "Psychedelia 1966 - 1970" todavia, ainda que pisque o olho ao mercado dos incautos, é diferente.

Richard Morton Jack, o editor da Flashback Magazine, habituou-nos ao detalhe e ao rigor histórico. E este livro não foge à norma. Os textos que ilustram os 101 discos que escolheu, sempre que tal se demonstrou possível, foram cruzados com os diversos intervenientes ( músicos, produtores, engenheiros de som ) e, em bastos casos, foi-lhes solicitado um comentário / depoimento.

Acresce uma pequena introdução ao fenómeno do psicadelismo, bem como uma abordagem aos singles mais emblemáticos, jornais e publicações da época, principais festivais e filmes.

Tudo somado, 250 páginas de opinião e rigorosa informação histórica a que o tempo seguramente fará justiça. Tal como sucede já hoje com a esmagadora maioria dos álbuns ali mencionados.  

07/05/17

Brinsley Schwarz "It's all over now"



Em 1975 o pub-rock precipitava-se na queda, muito por culpa dos Dr. Feelgood que tendo dado origem a dezenas de clones, contribuíram para baixar a qualidade.
Os Brinsley Schwarz que, uns anos antes, com o produtor Dave Edmunds haviam criado um muito interessante roots-rock “made in England”, evoluíram para o pub-rock e tentaram dar o salto para o mercado americano. O momento todavia tinha passado; a coisa correu mal e nem em casa nem na América.
Gravado no final de 1974, “It’s all over now” foi parar às prateleiras da editora. Percebe-se o porquê, agora que foi resgatado pelo guitarrista Ian Gomm.
O álbum revela-se um trabalho equívoco, hesitante entre o pub-rock, o power-pop e até o reggae. Integra a primeira versão de “Cruel to be kind” que Nick Lowe  recuperaria em 79 com grande sucesso no álbum solo “Labour of lust” e um  “Everybody” que, se tratado pelos Flamin Groovies, teria sido galáctico. O restante material interessará sobretudo aos historiadores.

01/05/17

Bruce Langhorne "The Hired Hands: A Tribute to Bruce Langhorne"



Bruce Langhorne, ou “Mr. Tambourine Man” como Dylan o imortalizou, possui um curriculum extraordinário.

Artesão da música, tocou em muitos discos emblemáticos da  chamada aristocracia folk americana ( Bob Dylan, Carolyn Hester, Richard e Mimi Farina, Joan Baez, Fred Neil, Pat Kilroy, Ritchie Havens, Odetta ).

Para além disso, inventou uma das mais fantásticas bandas sonoras do cinema independente: “The Hired Hand”, realizado e protagonizado por Peter Fonda, na sequela do enorme sucesso de “Easy Rider”.

Nos últimos tempos, doente e carenciado, Bruce Langhorne foi apoiado / homenageado por fãs e admiradores. Para o alinhamento da compilação  The Hired Hands: A Tribute to Bruce Langhorne”, publicada pouco tempo antes do seu falecimento,  existia apenas uma condição: todos as contribuições ( versões ou não ) teriam de ser inspiradas na banda sonora “The Hired Hand”.

O resultado é uma espécie de opus. 32 temas, construídos e desconstruídos em redor das composições de Bruce por artífices como Lee Ranaldo, Steve Gunn, Loren Connors, Nathan Bowles, Tom Carter, Chris Corsano, Elliott Sharp, Boxhead Ensemble, John Fahey e Daniel Bachman, entre outros.

O conjunto é naturalmente majestoso e celebra a incrível influência que Langhorne exerceu nas várias gerações de músicos americanos.

23/04/17

The Summer of 67


Para os que não estiveram lá, ou eram demasiado novos para se lembrarem


20/04/17

"Bob Dylan Worldwide - The First Twenty Years"


 


" Bob Dylan - The First Twenty years" is an analogue book,. It tells the fascinating story of how Bob Dylan's original vinyl album, singles & EPs releases were issued and distributed throughout the world in more than 50 countries, from Argentina to Zoimbabwe, during the turbulent first years of his career. Extensively researched with more than 3000 colour images of record covers and labels on 445 pages."

Publicado por Maus of Music, 2016 ( http://bobdylan-worldwide.com/ )

Coisas que qualquer dylanófilo entende ...

17/04/17

Heroes are hard to find ( 39 )



Bruce - "Mr. Tambourine Man" - Langhorne

( 1938 - 2017 )