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12/07/16

East of Venus "Memory Box"



A gestação de “Memory Box” é quase passível de ser classificada como homérica. Resultado da conjugação de esforços de um grupo de amigos, os  East of Venus: Michael Carlucci ( Winter Hours ), Glenn Mercer, ( Feelies, Wake Ooloo ), Stan Demeski ( Feelies, Luna, Speed the Plough e Yung Wu ) e Rob Norris ( Bongos ), nasceram e principiaram as gravações ainda na primeira década deste século.

Sem prazo limite, as sessões correram ao sabor do tempo e disponibilidade dos membros. Algumas das melodias que fazem o disco foram anteriormente experimentadas nas bandas onde os músicos estão ou vão passando. Outras foram escritas para o efeito, ao correr da pena.

Percebe-se no entanto que “Memory Box” foi um parto difícil. Michael Carlucci é responsável por 7 dos 10 temas, as covers: “Reason to believe” ( Tim Hardin ), “Citadel” ( Rolling Stones ) e “Jane September” ( Red Buckets ) são mais ao jeito daquilo a que os Feelies nos foram habituando.


O equilíbrio, sente-se, é esforçado, quase mecânico. A este facto não deve ser estranha a adição de uma outra componente da tradição grega: a tragédia. Em Outubro do ano passado, Carlucci sucumbiu a um ataque cardíaco. O álbum foi finalizado sem a presença física do seu principal criador. Apenas. O essencial estava feito e registado.

Por essa razão, ou por não ser possível ignorar todos estes factos, “Memory Box” soa como um epitáfio, ao talento de Michael Carlucci.

22/06/14

Ryley Walker "All kinds of you"


Oriundo da mesma fornada de “jovens turcos” da guitarra que nos trouxe Steve Gunn, William Tyler, Cian Nugent ou Daniel Bachman, Ryley Walker publicou recentemente um promissor  EP: “The West Wind”. A expectativa que envolvia a chegada o cd de estreia “All kinds of you” era pois justificadamente alta.

Aos 24 anos, Ryley Walker é um veterano da cena noise e experimental de Chicago. Na dependência de heróis antigos ( Tim Buckley, Bert Jansch, John Martyn, John Renbourn ou Tim Hardin ), reciclou-se, abraçando a linguagem do folk tradicional e, ao lado de Daniel Bachman, praticou disciplinadamente o “finger picking” até à exaustão.

Escutando o álbum percebe-se a importância de tal aprendizagem, mas “All kinds of you” vai já um pouco mais além. O formato instrumental  influenciado por John Fahey, Bert Jansch e Leo Kottke, divide agora o espaço com canções construídas sobre uma matriz tradicional, aqui e ali mescladas por atmosferas jazzy.


Bert Jansch ainda lá está,  servindo de âncora ( “On the Rise” não deixa a menor das dúvidas ), mas o Tim Buckley de “Happy Sad” ou o John Martyn de “Solid air” são  agora omnipresentes. “The West Wind” e “Clear the Sky” por exemplo, são nesta matéria,  verdadeiros espelhos retrovisores.

All kinds of you não dispensa o conhecimento das suas influências efectivas; não obstante, as capacidades criativas e técnicas do seu autor não devem ser negligenciadas nem por um só momento. A seguir.


25/04/13

"Reason to believe, The Songs of Tim Hardin"


 
Tim Hardin ( 1941-1980 ) foi um dos grandes songwriters dos 60s. Teve um ocaso artístico  doloroso que, como era previsível, desaguou num desaparecimento prematuro.
Deixou no entanto um riquíssimo portfolio de canções, muitas das quais foram usadas ( grande parte delas abusadas ) por artistas menores, desesperados por um hit que lhes relançasse a carreira. 

“Reason to believe”, “If I were a carpenter”, “Misty Flowers”, “How can we hang on to a dream”, “Don’t make promises you can’t keep” ou “Red Balloon”,  são apenas alguns desses momentos geniais que a história guardou.

 
Reason to Believe, The songs of Tim Hardin” é, creio, o primeiro tributo ao compositor. Observa  todas as qualidades e defeitos inerentes a este tipo de iniciativas.
Mark Lanegan está igual a si próprio em “Red Balloon”, Gavin Clark trata bem “Shiloh Town” e Alela Diane é excelente em “How can we hang to a dream”. O resto não impressionou  especialmente o Atalho.

Daí que para quem não conheça este verdadeiro peregrino dos sentidos, a sugestão seja procurar rapidamente “Tim Hardin 1” (1966), “Tim Hardin 2” (1967),  Tim Hardin 3” (1968) e “Tim Hardin 4” (1969). Nada melhor  para entrar no mundo desta alma penada sob a forma de génio.