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23/12/20

Van der Graaf Generator "On Track, Every Album, Every Track"

À semelhança dos livros publicados sobre Van der Graaf Generator ou Peter Hammill, “On Track, Every Album, Every Track” reflecte a visão e o gosto de quem o escreve: Dan Coffey. Como tal, o que nele está escrito pode ou não coincidir com a opinião de quem o lê. 

Dito isto, convirá sublinhar que se trata de um trabalho minucioso e exaustivo que comenta, na generalidade e especialidade, todos os álbuns editados por Van der Graaf Generator entre 1969 e 2018. A análise estende-se também aos trabalhos solo de Peter Hammill nos quais existiu preponderante participação dos restantes elementos do grupo: “Fool’s Mate”, “Chameleon in the shadow of the night”, “The silent corner and the empty stage”, “In camera” e “Nadir’s big chance”. 

Um excelente pretexto para revisitar toda a discografia da banda. “On Track” é o incentivo quase perfeito.

06/05/19

Jardins do Paraíso ( LIX )




I did have a sense of mission from quite an early stage. It came from finding music and that music made sense to me. It wasn’t particularly driven before that. I could do OK academically, or sports-wise bit I wasn’t particularly dedicated. Of course, I wanted to play cricket for England but I wasn’t dedicated in the way I became with music. It was foolish really because as that time nobody has the slightest clue that anybody’s musical career could go on for longer than five or six years.” ( Peter Hammill )  

Existem várias curiosidades paralelas associadas aos primeiros álbuns dos Genesis ( “From Genesis to Revelation” ) e Van der Graaf Generator ( “The Aerosol Grey Machine” ). Ambos foram gravados e publicados em 1969 ( o último apenas nos Estados Unidos ) ambos resultam da conjugação de talentos de universitários, ambos são dotados de arranjos imaginativos  e letras de qualidade invulgar, ambos mergulham num barroco de inspiração sinfónica e, à época e talvez não por acaso, ambos receberam pouco ou nenhum reconhecimento.

Porém as similitudes terminavam ali.  O colectivo VdGG não integrava um guitarrista, as paisagens sonoras ainda que brilhantes - a bordejar o psicadélico - eram genuinamente complexas, o lirismo de Hammill denso e exigente. A adição de todas estas componentes contribuiu para tornar a música impenetrável a ouvidos mais apressados ou pouco empenhados.   

VdGG tornar-se-ia um grupo de culto com marginal impacto comercial, os Genesis abriram-se a um público mais vasto e heterogéneo.
Projectado como um álbum solo de Peter Hammill ( a banda separou-se após o primeiro single, “People You Were Going To” ) “The Aerosol Grey Machine” apesar de já ter alinhamento e capa concluídos, teve a edição inglesa cancelada para dar lugar a “The Least We Can Do Is Wave To Each Other” aquele que muitos erradamente reputam de primeiro álbum da banda. Anos mais tarde ( 1974 ), acabaria por ser finalmente publicado mas apenas nalguns países da Europa continental.

Cinco décadas volvidas, este álbum tão extraordinário quanto complexo, conhece finalmente uma edição abrangente e definitiva. Detalhando:

- CD incluindo a remasterização dos 11 temas originais

- CD incluindo os lados A e B do single “People You Were Going To”, quatro temas gravados na BBC One Top Gear em 1968 e duas demos datadas de 1967.

- LP em vinil dentro de uma réplica da capa dupla originalmente concebida para o disco

- Réplica em vinil do single  “People You Were Going To / Firebrand”

- Booklet com informação profusa, parte dela até aqui apenas disponível no livro “Van der Graaf Generator, The Book

- Poster concebido por Peter Hammill
Posto isto, faltará apenas referir que “The Aerosol Grey Machine” foi criado por Peter Hammill, Hugh Banton, Keith Ellis e Guy Evans, produzido por John Anthony e,  ainda que não atinja a quase perfeição de alguns dos álbuns posteriores ( “The Least We Can Do Is Wave To Each Other”, “Pawn Hearts” ou “Still Life” ), revela-se um disco absolutamente fora do tempo e do espaço.

Nesse sentido, pode dizer-se que envelheceu de forma perfeita.

20/11/18

Lost Nuggets ( 130 )


Colin Scot "S/t" ( United Artists UAG 29154 ) LP, UK, 1971

- "Do The Dance Now, Davey ( Martin Hall )
- "My Rain"
- "Take Me Away"
- "Confusion"
- "Baby in My Lady" ( Mike Newbury )
- "Lead Us" ( Neil Innes )
- "You're Bound To Leave Me Now" ( Martin Hall )
- "The Boatman" ( Davy Johnstone )
- "Nite People" 
- "Hey! Sandy" ( Harvey Andrews )
- "Here We Are In Progress" ( Martin Hall )

Colin Thistlethwaite: voz, guitarra e canções ( excepto as indicadas ) com: Robert Fripp, Davy Johnstone e Brinsley Schwarz ( guitarra  ), Nic Potter e Rod Clements ( baixo ), Rick Wakeman, Bob Andrews e David Kaffinetti ( teclas ), David Jackson ( saxofone ), Guy Evans e Billy Rankin ( bateria ), Ian Thornton ( trompete ), Peter Hammill, Alan Hull, Jane Relf, Jon Anderson, Peter Gabriel, Phil Collins, Ann Steuart, Linda Hoyle e Steve Gould ( vozes ).

Arranjos de cordas: Richard Hewson

Produção: John Anthony

Capa: Paul Whitehead

31/07/18

Rob Sharples, "The Exception Proves The Rule"




Quase oito anos sem notícias e de repente ... "a excepção que confirma a regra"...

Inexorável, o tempo fez o seu caminho, o novo fez-se antigo, mas Rob Sharples teima em permanecer o mais secreto dos segredos.

"The Exception Proves The Rule" é grande, ao ponto de remeter para "Sylvia Plath" de Ryan Adams ou para aquela beleza dorida do Peter Hammill de "Over".

09/07/17

"English Weather"



Qualquer idiota, mesmo o mais imbecil, receberá toda a minha atenção; bastará para tal que mencione “Refugees” dos Van der Graaf Generator.


Desde há muito considero que o tema de Peter Hammill - a par por exemplo de “Laughing” de David Crosby, “Spanish Guitar” de Gene Clark, “Keep a close watch” de Cale, “Revolution Blues” de Neil Young, “Late November” de Denny, “Day is done” de Drake ou “Road to Cairo” de Ackles - , constitui um padrão a partir do qual se mede o bom gosto musical ou a ausência deste.

Assim uma compilação que inclua qualquer uma das misturas de  “Refugees” merece destaque.  English Weather” porém, justifica-o muito para além disso.

Curado pelos Saint Etienne  Bob Stanley e Pete Wiggs, “English Weather” é o chamado “labour of love”. Por outras palavras, não era possível chegar a este resultado caso não se gostasse genuinamente destas músicas

O tema mais antigo ( Caravan ) data de Janeiro de 69 e o mais recente ( Daevid Allen ) de 1976. Entre eles desfilam mais 16 composições do período iluminista da música inglesa. Umas razoavelmente conhecidas no circuito underground, outras nem tanto.

Stanley conta no booklet que um dia, retido numa discoteca devido a uma intempérie, ( daí o título desta colectânea ) escutou pela primeira vez um disco que o cativou de imediato: “Shape of the rain”, o álbum homónimo da banda de Sheffield. Impressionado, o dono da loja deu-lhe a conhecer de seguida Parlour Band, Aadvark e T2. E, como não há amor como o primeiro, estas bandas têm lugar na compilação. Shape of the Rain, ficamos sem saber porquê, não.

Britânicos até à medula, abaixo são descriminados os 18 títulos de uma edição que se reputa de essencial para quem se interessa pela matéria ou para aqueles para fazem do bom gosto uma forma de estar.


Quanto a “Refugees”, a opção aqui incluída, faz a ponte entre as versões do single e do do álbum “The least we can do is wave to each other”; a mistura no entanto retira algum protagonismo ao sax de David Jackson e evidencia as prestações dos instrumentos de sopro e dos arranjos de cordas. Sumptuoso.

- Caravan “Love song with flute”

- The Roger Webb Sound “Moon bird”

- The Parlour Band “Early morning eyes”

- Scotch Mist “Pamela”

- The Orange Bicycle “Last cloud home”

- T2 “JLT”

- Bill Fay “Til the Christ come back”

- Van der Graaf Generator “Refugees”

- Aardvark ”Very nice of you to call”

- John Cale “Big White cloud”

- Belle Gonzalez “Bottles”

- The Way We Live “Watching White Stars”

- Offspring “Windfall”

- Camel “Never let go”

- Daevid Allen “Wise man in your heart”

- Matching Mole “O Caroline”

- Prelude “Edge of the sea”

- Alan Parker and Alan Hawkshaw “Evening Shade”


27/02/14

Artefactos ( 38 )


Na sequência de "Killers, Angels, Refugees" ( Charisma Books, 1974 ) que se debruçou e explicou  textos e letras dos álbuns de Van der Graaf Generator / Peter Hammill período compreendido entre 1968 e 1973, "Mirrors, Dreams, and Miracles" ( Sofa Sound, 1982 ) retoma a "timeline" em 1974 e estende-se até 1980, ano em que foi publicado "A Black Box". Acessoriamente, o livro inclui também oito pequenas histórias escritas por Hammill no mesmo período.

O opúsculo nunca foi objecto de reedição, os exemplares a circular são pois raros e habitualmente dispendiosos.


31/05/13

Permanent Clear Light "Beyond these things"


 
Os bons discos podem não ser necessariamente apelativos, da mesma forma que registos menos bons podem ser excelentes companhias. Mas quando um bom disco é imediatamente agradável e pega de estaca, isso sim é noticia.
Os finlandeses Permanent Clear Light, conseguem o pleno com “Beyond these things”, o cd de estreia do projecto de Arto Kakko, Matti Laitinen e Markku Helin, veterenos da cena nórdica e fervorosos adeptos da linguagem psicadélica.

O single “Higher than the sun” já prometia e foi devidamente referenciado aqui no Atalho. O cd porém permite uma melhor explanação dos conceitos e arquitecturas musicais utilizados pelo trio.  Os temas ( oito ) são razoavelmente longos, consistentes, diversificados e cativantes. A matriz escolhida, localiza-se algures na fronteira entre o psicadelismo e a infância do progressivo, sendo que o bucolismo e a ruralidade do som de Canterbury paira nos poucos espaços que ficam por preencher.



Dito isto, convirá referir que a “pièce de résistance” permanece “Higher than the sun”, agora “progressivamente” estendida até aos 9m e 19s; contudo, logo a abrir,  “Constant Gardener” diz ao que vem. Remete-nos para o universo adulto ( mid 70s ) dos Caravan e, adicionalmente, o violino relembra a String  Driven Thing e, acto contínuo, os Van der Graaf de “The quite zone/The pleasure done” ( nada que espante, tendo em conta a admiração que Markku Helin nutre por Peter Hammill ). “Ribes Nigrum” veste as mesmas tonalidades, e serve de ante-câmara para o que vem a seguir: “Harvest Time” e “Higher than the Sun, Astral Travel”. Em conjunto constituem  um poderoso cocktail de psicadelismo sem tempo. Parte dos Floyd que importam ( “Ummagumma”, “More”,  Meddle”) passa por “In the Land of Grey and Pink” ( Caravan ) e,  de acordo com os meus ouvidos, vai terminar em “Church” e “Remote Luxury” dos Church ( talvez por isso Steve Kilbey tenha expressado publicamente a sua admiração por PCL ).
“And the skies will fall” é uma belíssima melodia construída sobre vibrações orientais e até se lhe perdoa os ecos das vozes Beach Boys pelo bem que soa. “Love gun” e o instrumental “Skirmish” posicionam-se num patamar ligeiramente inferior. Porém “Weary Moon” eleva de novo a fasquia e, por detrás de uma flauta e de um banjo bem puxados à frente, quase me pareceu vislumbrar sombras do edifício sonoro que Dennis Wilson construiu em “Pacific Ocean Blue”. Uma excelente referência portanto.

Repito, bom e simultaneamente muito agradável. Falar-se-á bastante de “Beyond these things”, seguramente.
Nota: um especial agradecimento a Markku Helin por se ter lembrado do Atalho

05/11/10

Artefactos ( 8 )


Peter Hammill, com ou sem Van der Graaf Generator, é objecto de um culto quase religioso aqui pelo Atalho. As razões são inúmeras e porventura também geracionais. Contudo, contabilizo a meu favor o facto de hoje ser já consensual que se trata de um artista sem paralelo na música inglesa das últimas décadas. Hermético por vezes, complexo sempre, emotivo a espaços, absolutamente independente e nunca adepto do facilitismo. Um "renegado do impressionismo" como alguém em tempos lhe chamou.

Nem todos os seus discos são essenciais, naturalmente. Mas na relação "número de álbuns/obras primas", o rácio das últimas encontra-se bastante acima da média. E apesar da persistente e continuada ausência de atenção por parte da imprensa "mainstream", já nem é necessário Johnny Rotten ou Julian Cope saírem em sua defesa. Após 40 anos, já não é mais possível ignorar o óbvio.

Ao acaso, reproduzo abaixo algumas provas materiais desta espécie de liturgia.


"Van der Graaf Generator, The Book" ( em cima ) por Jim Christopulos e Phil Smart, numa edição privada datada de 2005. Ao longo de mais de 300 páginas e outras tantas fotos, conta TODA a história de VDGG e Peter Hammill no período compreendido entre 1967 e 1978. Um "must" absoluto.

"Killers, Angels, Refugees" ( em baixo ) na edição original da Charisma Books datada de 1974. Inclui as letras dos temas de Hammill até ao álbum "Chameleon in the shadow of the night", comentários acerca das canções e algumas "short stories".


Por fim, duas pequenas contribuições do "yours truly" para a causa.


Texto publicado no número 93 do jornal "Musicalíssimo" ( 9 de Agosto de 1974 ) e uma foto da entrevista a Peter Hammill co-realizada com Belino Costa para o "Jornal Se7e" em Dezembro de 1982, na véspera dos concertos promocionais de "Enter K", dias 17 ( Pavilhão de Alvalade ) e 18 ( Pavilhão Infante de Sagres ).


01/04/10

Bill Fay "Still some light"


Bill Fay é a par de Peter Hammill um dos grandes talentos vivos que a Inglaterra menos valoriza. O líder dos Van der Graaf Generator tem a seu favor isso mesmo, o facto de ser o dínamo de uma das bandas de culto mais antigo e constante na Europa continental e nas Américas. Bill Fay por seu lado, é um genial e lúcido misantropo que, talvez à imagem de Nick Drake, só venha a ser realmente apreciado quando abandonar o mundo dos vivos.

Numa entrevista concedida há uns anos a Richard Morton Jack (Record Collector, Setembro 2004) Fay revelou que os seus dois álbuns de originais – “Bill Fay e “Time of the last persecution” - terão vendido apenas cerca de 2000 exemplares cada. Pouquíssimo tendo em conta o standard da época (1971). A situação hoje seria pouco diferente não fora o interesse e apoio militante de gente como David Tibet (Current 93), Jim O’Rourke, Ben Chasny, Jeff Tweedy ou Richard Morton Jack que, entre outros, ajudaram a colocar as reedições da Eclectic (2005) e da Esoteric (alguns anos após) no centro do mundo. Apesar disso, a escassa obra de Bill Fay permanece um segredo razoavelmente bem guardado.



Daí que todas as oportunidades sejam boas para aplaudir o homem e o artista. Como agora, a propósito de “Still some light”.

Este, particularmente o seu CD2 intitulado “Still some light, Home recorded Album 2009”, é um dos melhores discos que menos gente irá escutar este ano. O CD1, “Piano, Guitar, Bass & Drums 1970-71” consiste na recuperação das maquetas das canções que haveriam de integrar “Bill Fay” ( duas ) e “Time of the last persecution” ( nove ), às quais se juntam seis inéditos. Interessante embora apenas documental, uma vez que o factor surpresa é prejudicado pela assombrosa recordação do que são aqueles dois discos originais.

Ao invés, os 25 temas que integram o CD2 ( estou a excluir “I wonder” uma curiosidade da autoria do irmão John, também responsável pelo artwork e pinturas reproduzidas no booklet e capa do CD ), são preciosidades a consumir com urgência e sem restrições.



O desafio começa em “My eyes open”, um eloquente instrumental de Michael Cashmore ( a conferir no seu EP “The snow abides” de 2006 ) a que Fay acrescentou as palavras e a voz, propulsionando a peça original para outra dimensão, prosseguindo depois entre guitarras, sintetizadores, cordas, órgãos e pianos, através de canções canções, miniaturas de canções, interlúdios ou solilóquios vários.

Dir-se-á que a duração – 25 títulos – é excessiva e que o lirismo e atmosfera de câmara de títulos como “There is a valley”, “Road of hope”, “Time to wake up now”, “All at once” ou “One day” só ganhavam com maturação e um verdadeiro trabalho de produção. Tudo verdade. Porém para aligeirar a audição, perdia-se a espontaneidade e porventura alguma da autenticidade que estas músicas transportam.

E depois, que me recorde, “Bill Fay”, “Silent corner and the empty stage”, “In camera” ou “Over”, também não são propriamente obras fáceis de escutar.

11/10/09

Killers, Angels, Refugees ( 2 )


Pilgrims” ( Peter Hammill )

Sometimes you feel so far away,

distanced from all the action of the play,

unable to grasp significance,

marking the plot with diffident dismay,

stranded at centre stage,

scrabbing through your diary for a lost page:

unsure of the dream.

Kicking a stone across the beach,

aching for love and comfort out of reach,

the way ahead seems to be so bleak,

there’s no-one with any friendship left to speak or show you any relation

between your present and future situations:

lost to the dream.

Away, away, away: look to the future day

for hope, some form of peace within the growing storm.

I climb through the evening, alive and believing:

in time we shall all know our goals and so, finally, home.

For now all is secret – though how could I speak it,

allow me the dream in my eye.

I’ve been waiting for such a long time just to see it at last,

all of the hands tightly clasped,

all of us pilgrims.


Walking in silence down to coast,

merely to journey – here hope is the most;

merely to know there is an end,

all of us – lovers, brothers, sisters, friends

hand in hand.

Shining footprints on the wet sand lead to the dream.

The time has come, the tide has almost run

and drained the deep: I rise from lifelong sleep.

It seems such a long time

i’ve dreamed but now, awake, I can see we are pilgrims and so

must walk this road,

unknown in our purpose,

alone, but not worthless,

and home ever calling us on.

We’ve been waiting here for so long,

all of our hands joined in hope,

holding the weight on the rope,

all of us pilgrims.



( "Pilgrims" foi publicado em "Still Life", Charisma 1976 )