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22/07/18

Nico "Evening of Light"



Cicatrizes Interiores

04/07/18

Trappist Afterland "SE(VII)EN"



I worked on this album exclusively with my great buddy and engineer Anthony Cornish. Anthony and I have played together on and off for twenty years. We recorded ‘Se(VII)en’ on  2 tape in his studio over about 6 months and it is my favourite Trappist album yet. Working with Anthony is just so easy and enjoyable and he is a fantastic musician. Anthony played harmonium, violin and mellotron and he is a now full-time member of the live band.” ( Adam Geoffrey Cole )

Desde 2011, mais coisa menos coisa, que a partir de Melbourne ( Australia ), Adam Cole começou a enviar as suas mensagens ao mundo. Sob a forma de canções, bem entendido. No inicio tratavam-se “apenas” de CDRs artesanais; depois, com o decorrer do tempo e da procura, o formato passou a vinil, limitado.

Se(VII)en” é, se a memória não me falha, o sétimo capítulo desta extraordinária saga. E dele se poderá dizer sem grande margem de risco, que se trata do melhor de todos eles.

Na verdade, é virtualmente impossível escutar a musica de Trappist Afterland sem estabelecer um quase instantâneo paralelo com o legado dos persistentemente  ignorados  Timothy Renner ( Stone Breath ) ou  Prydwyn ( a conferir em “Song for Sundog”, “The Blood in the Wood” ou “Trace your Root”).


Nos últimos vinte anos, quer estes, quer agora Adam Cole, captaram como poucos a essência emocional e espiritual do folk e do folk-rock dos finais dos 60s, princípio dos 70s. Na altura catalogavam aquela vertente musical de iconoclasta, experimental, esotérica, pagã … hoje chamam-lhe “weird folk”. Espuma dos tempos, apenas e só.

Atente-se ainda na melodia estratosférica e intensidade dramática que a intervenção do violino confere a “Burning Bushes” e facilmente se poderá concluir  estarmos perante um caso raríssimo de talento e sensibilidade artística. Se John Cale e Nico pudessem regressar ao passado, é provável que, juntos, parissem algo de não muito diverso.

No que concerne ao Atalho, este é um disco sem mácula. De e para muitos anos.

Nota: para aqueles a quem o detalhe possa interessar, a edição em vinil é absolutamente fabulosa.

10/02/16

John Cale "Music for a new society / M:Fans"




Reconhecendo embora o enorme talento de Lou Reed, devo confessar que “o meu Velvet” foi e será sempre John Cale. Uma opinião evidentemente. Mas, do que se trata aqui  é realmente saber se falamos de talento ou se falamos de génio. E não, não é uma mera  questão semântica, existe de facto uma diferença entre o talento e o génio. O primeiro é constante, previsível; o segundo é absolutamente o oposto de ambos.

Comprei a minha cópia original de “Music for a new society” numa FNAC de Paris, em 1982. Produziu em mim o mesmo efeito hipnótico que os glaciares “Marble Index” e “Desert Shore ( coincidência, ambos produzidos por Cale ); uma espécie de mimetismo que se prolongava muito para além do tempo que duravam as canções/elegias que os integravam. Como todas as obras maiores “Music for a new society” não deixa ninguém indiferente. É o caso típico do clássico que, ou se ama, ou se detesta.

Há um par de anos, levei a capa do meu original a um “backstage” para que, entre o encantado e o surpreendido, o “big man himself” a autografasse.  Desde então não mais escutei o disco. Regressei agora, a propósito da reedição remasterizada do álbum original, acompanhada de “M:Fans” a transformação/recriação dos temas e a forma como Cale os olha hoje, 35 anos depois de terem sido escritos e gravados pela primeira vez.

Produzido num período complicado da vida do autor, “Music for a new society” é um disco denso e perturbador. A  frase “It’s a loving world to die in”, a encerrar essa extraordinária peça que é “Sanctus” e a ironia do cinzento “Damn life” incorporar notas da “Ode of Joy” de Beethoven, quase poderiam resumir toda a atmosfera do álbum.  Algures em 1983 Cale confidenciou numa entrevista que optou pelo título porque “The record is so dark, you’ve got to have something optimistic”.  


Distante, quer  de registos mais “amigáveis” como  Paris 1919” ou “Caribbean Sunset  ( aqui a maior proximidade reside no melódico “Close watch”  recuperado de “Helen of Troy” ) quer de brutais incinerações como “Honi Soit” ou “Sabotage”, “Music for a new society” está repleto de melodias envergonhadas que as colagens e os “overdubs” tornam quase imperceptíveis.

Inesgotável, este é um daqueles discos cuja audição nunca se pode afirmar completa. A cada nova investida existe sempre um detalhe, uma nesga de criatividade, que se descobre e   surpreende.  Tal como algumas das muitas curiosidades que encerra: a guitarra de Alan Lanier ( Blue Oyster Cult  ) em “Changes made”; a adaptação de “If you were still around”,  um poema publicado por Sam Shepard em “Motel Chronicles”, ou a colaboaração de John Wonderling,  muito provavelmente o autor do raríssimo “Daybreaks” ( 1973 ), um disco em cujo tema de abertura - “Long way home” - , são feitas elogiosas referências a Lisboa e ao Estoril.

Music for a new society” não é um disco para todas as horas nem para todos os dias. Antes um disco para sempre, porque na vida existirão sempre aqueles momentos de estranha cumplicidade, os quais nos conduzirão de novo até ele.

Nota: “M:Fans”, embora partindo das mesmas canções, é outra coisa muito diferente. Quem sabe, talvez um dia me sinta suficientemente confortável para sobre ele dissertar.

21/05/14

Sumie "S/t"



Quando escutei “Colour Green”, o álbum “perdido” de Sibylle Baier, recordei-me de “Desertshore” de Nico e de “Parallelograms” de Linda Perhacs. A audição do álbum homónimo de Sumie levou-me até Sibylle Baier, tão só.

Sumie Nagano tem naturalidade sueca mas ascendência japonesa. O carácter simples e intimista da maioria das suas canções tem porventura algo a ver com isso. A atmosfera é serena, austera, as melodias enfeitadas por processos despidos de toda e qualquer sofisticação.

Menos é habitualmente mais, uma regra que os pianistas Nils Frahm ( que cedeu o estúdio ) e Dustin O’Halloran ( que tocou e produziu ) têm por hábito observar nos seus próprios trabalhos. Transpô-la para os esboços de Sumie foi tudo menos difícil. Uma singela e silenciosa beleza emerge naturalmente destas canções ( ainda ) em construção. O tempo dirá se de uma beleza perene ou olvidável.

20/11/12

Nico, A Tribute


Convidados previstos, para além de John Cale: Kim Gordon, Joan as Police Woman, Mark Lanegan, Magnetic Fields, Sharon van Etten, Nick Franglen, Peaches e Meshell Ndegeocello.

Wish I could be there! 

25/08/12

Velvet Underground


Rigorosamente nada a acrescentar ao título ... ( clicar na imagem para ler texto )

26/09/11

Artefactos ( 21 )










Datado de 1980, o EP "Four Songs, Recorded Live at CBGB, March 8, 1979" é uma das edições mais raras de Nico e constituiu a primeira incursão discográfica da fanzine What Goes On.


Em três dos temas ( "Abschied", "Janitor of Lunacy" e "No one is there" ) Nico canta acompanhada pelo seu lendário harmonium. No quarto ( "All tomorrow's parties" ) teve a ajuda da guitarra acústica do ex-Ash Ra Tempel, Lutz Ulbrich.


Uma preciosidade cuja edição foi limitada a 1000 exemplares.