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09/09/18

Fairport Convention & Friends "A Tree with Roots, The Songs of Bob Dylan"



Cheguei primeiro a Sandy Denny, só depois aos Fairport Convention. Aparentemente,  uma bizarria cronológica mas as fontes de conhecimento eram sobretudo as rádios, e na época, as portuguesas    manifestavam as suas idiossincrasias.

Ao escutar pela primeira vez “John The Gun” e “Late November”, ambos retirados ao álbum “The North Star Grassman and The Ravens”,  concluí que aquele talento e aquela voz não podiam ser deste mundo. Como tal mereciam atenção e investigação condicentes.

Na Lisboa de 1972, a metrópole discográfica girava sobretudo em torno do eixo Rua do Carmo / Rua Nova do Almada, com réplicas muito interessantes para os lados da Avenida de Roma e bairro de Campo de Ourique. Porém, na Rua da Victória, no quarteirão situado entre as ruas da Prata e dos Correeiros, existia uma discreta loja de electrodomésticos … em cuja sub-cave se escondia uma extraordinária discoteca. Um espaço tranquilo e acolhedor que visitava com frequência, sempre que a curiosidade ordenava e a bolsa permitia.


Numa dessas incursões de final de tarde, já com o “trabalho de casa” feito, fui directo ao separador do F, em demanda dos Fairport Convention. E lá estava “The History of Fairport Convention”, embrulhado naquela magnífica capa dupla concebida por Fabio Nicoli  ( a árvore genealógica da banda representada por caracteres antigos, a faixa de seda e o selo colados  na frente e um belíssimo booklet de 12 páginas agrafado ao interior ) que logo me encantou. Havia no entanto uma pequena contrariedade, tratava-se de um duplo álbum; como tal bastante mais caro que o normal.

Optei então por fazer aquilo que os miúdos sem pais ricos faziam em circunstâncias semelhantes. Esperando melhores dias, mudei o disco de bancada, intercalando-o no S, algures entre os Slade e os Sweet. Imaginei que ali não corresse grande perigo de procura, a menos que alguém detectasse a marosca. Tive sorte. Quando voltei no final do mês ainda lá estava, no mesmo sítio ( as fotos aqui mostradas são dessa cópia, que ainda conservo ).

Toda esta conversa a propósito de “A Tree With Roots, Fairport Convention and Friends, and The Songs of Bob Dylan”. É que esta compilação abre com “Si Tu Dois Partir”( no original “If you gotta go, go now”, escrito em 1965 mas só publicado por Dylan em 1991 nos Volumes 1-3 das Bootleg Series ) exactamente uma das performances que mais me impressionou quando a escutei pela primeira vez em 1972.

The story goes that Fairport Convention was playing a gig at the Middle Earth and thought it would be amusing to do Dylan's song in French cajun style, so the band called for volunteers from the audience to help with the translation. Richard Thompson: “About three people turned up, so it was really written by committee, and consequently ended up not very cajun, French or Dylan.” This version was first released as a single Si Tu Dois Partir / Genesis Hall with Dave Swarbrick playing fiddle, Trevor Lucas triangle and Richard accordion. The “percussion” break towards the end of the song is the sound of a pile of chairs falling over.’ ( in Mainly Norfolk ).

Embora dezenas o tenham feito, ninguém canta Dylan como Dylan. Considerando apenas dois critérios: um objectivo ( a história ) outro subjectivo ( o gosto pessoal ),  e retirando os Byrds da equação, os Fairport Convention nas suas diferentes  metamorfoses compreendidas entre os anos de 1967 e 1975, foram os que mais e melhor se aproximaram do espírito do bardo.

Ao longo do tempo, Ashley Hutchings, Richard Thompson, Sandy Denny, Simon Nicol e mesmo Trevor Lucas, admitiram a influência que Dylan e as suas canções tiveram no despoletar das respectivas carreiras.

Ashley por exemplo não poupa nos adjectivos quando recorda a audição em 1968 de um acetato das The Basement Tapes ( só publicadas por Dylan em 1975 ): “The honour of being allowed to hear these recordings. Of course, they were incredibly rough, but this mattered not a jot. In fact, it added to the mystery. You must remember the legend that surrounded the whole Big Pink experience only took root much latter. We had only our imaginations to guide us. I think we would have covered practically all the songs if it was solely up to us.

Dylan ‘himself’ devolveria a cortesia uns anos volvidos: “Ashley Hutchings is the single most important figure in English folk-rock. Before that his group Fairport Convention recorded some of the best versions of my unreleased songs. Listen to his bass playing on ‘Percy’s Song’ to hear how great he is.”

E de facto “Percy’s Song” parece ter sido escrita para os Fairport, em particular para a voz de Sandy Denny. It needs a voice like Sandy’s to get the shades of emotion across, from moodiness to compassion to outright fury. There’s not many singers can do that”. ( Simon Nicol ).

Mas para além de “Percy’s Song” ( aqui  com Rick Grech no órgão, numa performance gravada para o John Peel’s Top Gear de 6 Abril de 1969 ), “A Tree with Roots” acolhe um conjunto de 17 versões, parte captada em palco e, por via disso, de qualidade áudio desigual; todavia portentosas todas. Parte já publicadas, outras inéditas.

E é um prazer escutar de novo Ian Matthews e Judy Dyble em “Jack O’Diamonds” e “Lay down your weary tune”, uma Sandy sublime em “I’ll keep it with mine” ou “It ain’t me Babe”, um Trevor Lucas surpreendente em “George Jackson e “Days of 49”, recordar a competência de músicos como Richard Thompson, Jerry Donahue ou Dave Mattacks.

Ter tantos clássicos reunidos num único registo revela-se um luxo e um privilégio a que não se pode ou deve ficar indiferente.

 

19/03/18

"When the Day is Done, The Orchestrations of Robert Kirby"



  
A college friend of Nick Drake, Robert Kirby’s first commissioned works as an arranger were his unique autumnal orchestrations for Drake’s “Five Leaves Left”. The sound was English and melancholic, closer to Vaughan Williams than Phil Spector. He was soon in demand and by the end of the 70’s had worked with the cream of the British folk rock world.”

Paul Buckmaster e Robert Kirby são dois nomes fundamentais na música popular britânica dos 70s. Num patamar também habitado por Sandy Robertson, Joe Boyd, Peter Eden ou Tony Visconti; ainda que estes num registo diferente: o da produção.

Enquanto orquestrador, Buckmaster ficou para a história fruto do seu monumental trabalho nos primeiros álbuns de Elton John, aqueles que verdadeiramente interessam: “Tumbleweed Connection”, “Elton John”, “Madman Across the Water”, além de “Space Oddity” de Bowie ou “Songs of Love and Hate” de Leonard Cohen, entre outros.


Kirby, colega de Nick Drake em Cambridge, partilhava com este os mesmos gostos musicais e interesse pela poesia, enquanto planeava ser professor de música. Em 1969, quando da gravação do álbum de estreia “Five Leaves Left”, Nick Drake mostrou-se insatisfeito com os arranjos de Richard Hewson  e convenceu Joe Boyd a chamar o antigo colega. O que daí resultou sabemos hoje todos.  Os discos de Nick Drake nunca seriam o que são e Kirby por seu lado nunca teria tido acesso às oportunidades seguintes.

Ao lirismo do referido Paul Buckmaster, Kirby acrescentava um misto de melancolia e “englishness”. Algo que por um lado o distinguia de todos os outros e, por outro, o mantinha perto da tradição, fosse a de Edward Elgar ou a do folk tradicional.

When the Day is Done, The Orchestrations of Robert Kirby” é a primeira colectânea a debruçar-se sobre o trabalho do músico.  Naturalmente opinativa como todas as compilações, agrega uma vintena de títulos oriundos do chamado “underground” britânico dos 70s, folk-rock sobretudo, mas também alguma música de inspiração progressiva.


Melhor ou pior, a grande maioria dos temas era já familiar a todos os que se interessam por estas coisas; não obstante alguns deles não eram imediatamente identificados com Kirby.

Os trabalhos com Nick Drake, Keith Christmas, Andy Roberts, John Cale, Shelagh McDonald, Spriguns, Sandy Denny ou Vashti Bunyan são clássicos perenes, não acrescentam portanto nenhum espanto. Porém, a subtileza dos arranjos nas canções de Tim Hart and Maddy Prior, Gilliam McPherson e Steve Ashley; a vertente celta conferida a “First Light” de Richard and Linda Thompson, ou as credenciais art-rock  (  resultantes muito provavelmente da experiência de Kirby nos Strawbs, quando episodicamente substituiu um Rick Wakeman de saída para os Yes ) patenteadas nos trabalhos com Audience e Illusion são esses sim distintivos.

No mais e concluindo, “When the Day is Done” é um trabalho notável e indispensável, ponto de partida para a descoberta de muitas outras preciosidades que a carreira de Robert Kirby ( 1948 – 2009 ) seguramente encerra.



03/01/18

Allysen Callery "Prince's Pine"



Natural de Bristol no Rhode Island, Allysen Callery herdou no ADN a tradição da música folk; britânica em primeiro lugar, americana depois.

Desconhecidos mesmo para aquém das margens do alternativo, a música e o canto de Allysen Callery possuem a capacidade de nos transportar para espaços e lugares cuja magia envergonha o quotidiano.


Em “Prince’s Pine”, sonho e ficção confundem a realidade, sobrepondo-se-lhe. Voz, guitarra acústica e os sons da natureza captados no respectivo cenário, são o bastante para transformar este CD numa peça única, de talento e simplicidade. Escutando “First among the flowers” e percebe-se o porquê.

A Allysen foram já feitas referências elogiosas, algumas mencionando o legado de Sandy Denny. Esta, certamente uma inspiração, possuía uma “englishness” que não é atingível para quem nasceu na costa este dos Estados Unidos. A vibração é outra, mais próxima de Meg Baird se quisermos. O que já é dizer imenso.

09/07/17

"English Weather"



Qualquer idiota, mesmo o mais imbecil, receberá toda a minha atenção; bastará para tal que mencione “Refugees” dos Van der Graaf Generator.


Desde há muito considero que o tema de Peter Hammill - a par por exemplo de “Laughing” de David Crosby, “Spanish Guitar” de Gene Clark, “Keep a close watch” de Cale, “Revolution Blues” de Neil Young, “Late November” de Denny, “Day is done” de Drake ou “Road to Cairo” de Ackles - , constitui um padrão a partir do qual se mede o bom gosto musical ou a ausência deste.

Assim uma compilação que inclua qualquer uma das misturas de  “Refugees” merece destaque.  English Weather” porém, justifica-o muito para além disso.

Curado pelos Saint Etienne  Bob Stanley e Pete Wiggs, “English Weather” é o chamado “labour of love”. Por outras palavras, não era possível chegar a este resultado caso não se gostasse genuinamente destas músicas

O tema mais antigo ( Caravan ) data de Janeiro de 69 e o mais recente ( Daevid Allen ) de 1976. Entre eles desfilam mais 16 composições do período iluminista da música inglesa. Umas razoavelmente conhecidas no circuito underground, outras nem tanto.

Stanley conta no booklet que um dia, retido numa discoteca devido a uma intempérie, ( daí o título desta colectânea ) escutou pela primeira vez um disco que o cativou de imediato: “Shape of the rain”, o álbum homónimo da banda de Sheffield. Impressionado, o dono da loja deu-lhe a conhecer de seguida Parlour Band, Aadvark e T2. E, como não há amor como o primeiro, estas bandas têm lugar na compilação. Shape of the Rain, ficamos sem saber porquê, não.

Britânicos até à medula, abaixo são descriminados os 18 títulos de uma edição que se reputa de essencial para quem se interessa pela matéria ou para aqueles para fazem do bom gosto uma forma de estar.


Quanto a “Refugees”, a opção aqui incluída, faz a ponte entre as versões do single e do do álbum “The least we can do is wave to each other”; a mistura no entanto retira algum protagonismo ao sax de David Jackson e evidencia as prestações dos instrumentos de sopro e dos arranjos de cordas. Sumptuoso.

- Caravan “Love song with flute”

- The Roger Webb Sound “Moon bird”

- The Parlour Band “Early morning eyes”

- Scotch Mist “Pamela”

- The Orange Bicycle “Last cloud home”

- T2 “JLT”

- Bill Fay “Til the Christ come back”

- Van der Graaf Generator “Refugees”

- Aardvark ”Very nice of you to call”

- John Cale “Big White cloud”

- Belle Gonzalez “Bottles”

- The Way We Live “Watching White Stars”

- Offspring “Windfall”

- Camel “Never let go”

- Daevid Allen “Wise man in your heart”

- Matching Mole “O Caroline”

- Prelude “Edge of the sea”

- Alan Parker and Alan Hawkshaw “Evening Shade”


09/01/17

Shirley Collins "Lodestar"



Apesar de não ter gravado uma única canção durante mais de 30 anos, Shirley Collins permaneceu sempre a grande Dama do folk inglês. Sandy Denny é passado e June Tabor, embora grande, não atinge aquele patamar.

Nos dias de hoje trata-se de algo quase incompreensível. Mas há coisas que não se explicam, sentem-se apenas. Aparentemente ultrapassados os problemas de saúde que a impediram de cantar durante décadas, “Lodestar”, é o primeiro disco novo desde 1979. Uma perfeição. As canções pairam sobre uma atmosfera mágica.

Um dos grandes talentos de Collins foi saber, no momento certo,  escolher as canções que, observando a tradição, serviam igualmente a sua voz. Esta já não tem a frescura de outrora; está mais grave, profunda, naturalmente envelhecida. Não obstante, o dom interpretativo continua a impressionar, pela convicção e autenticidade.

O resto, depois do talento, é bom gosto, simplicidade e singeleza. Tal qual a tradição ancestral desta música, cujas canções não necessitam de grandes arranjos ou acompanhamentos. Muitas das vezes o “acapella” bastou para sobreviverem à história.

16/11/16

Artefactos ( 47 )



Sandy Denny faleceu a 21 de Abril de 1978. Já na Austrália, Trevor Lucas morreria a 4 de Fevereiro de 1989. Sobreviveram-lhes duas crianças: Georgia e Clancy Lucas.

Para fazer face às dificuldades, a viúva de Trevor - Elizabeth Hurtt-Lucas -, com o apoio de alguns amigos, publicou em 1994 um conjunto de cassetes que incluíam canções recuperadas do arquivo do músico.

"Sandy Denny and friends"  reúne demos de 1966-67 e uma performance registada no palco do Royalty Theatre a 27 de Novembro de 1977.

"Trevor and Sandy, together again" incorpora 26 outakes de ambos, algumas das quais, por iniciativa da Raven Records, surgiriam em 1995 no excelente "The Attic Tracks 1972-1984".

Ainda dentro do mesmo espírito filantrópico, dois anos mais tarde, em Inglaterra, a Deep Sea Records publicou "Georgia on our mind". 

Ralph McTell, David Suff e Danny Thompson organizaram a compilação. Dave Cousins, Albion Band, Fairport Convention, Richard Thompson, Martin Carthy, Robin Williamson e John Martyn, entre outros, ofereçam os temas/versões. 







06/07/16

Jardins do Paraíso ( L )



Porventura a mais talentosa cantora inglesa da sua geração, tal como Nick Drake, Sandy Denny nunca teve em vida o reconhecimento merecido. Quando faleceu em 1978, a sua carreira estava perto do ocaso, fruto de uma série dramas pessoais e equívocos profissionais. 

E, no entanto, a par de Anne Briggs, Shirley Collins e June Tabor, contribuiu para alterar a forma e o conteúdo da música inglesa de inspiração tradicional. Não apenas por emprestar a sua voz a velhas melodias folk, mas sobretudo por ser uma compositora emérita.

Hoje, as compilações abundam, essenciais umas, nem por isso outras. Uma das abordagens que faltava era juntar num único sítio o espólio acústico da cantora. A solo designadamente, Sandy recriou e escreveu canções fabulosas, mas nem sempre o resultado final ( produção incluída ) esteve à altura.

A voz e o talento de Sandy Denny são de tal forma sensitivos que é no meio do silêncio  que melhor se pode aquilatar da sua verdadeira dimensão. “I’ve always kept a Unicorn, The Acoustic Sandy Denny” são 2 cds e 40 temas que nos oferecem uma perspectiva nova para canções que, pensávamos, já não terem segredos.

De um encanto absoluto.

04/02/16

Judy Dyble "Anthology Part One"



Embora os radares instalados nunca tenham dado conta, Judy Dyble é um nome incontornável na música inglesa dos últimos 50 anos.

Precedeu Sandy Denny nos Fairport Convention. Imediatamente antes esteve com Robert Fripp em Giles, Giles & Fripp e imediatamente após com os Trader Horne.

Entretanto, tinha passado pelos Folkmen e entre outros, gravou com Richard Thompson, G. F. Fitzgerald, Incredible String Band e Lol Coxhill.

A discografia a solo é também ela extensa. “Anthology Part One” é o primeiro terço de uma retrospectiva que procura cobrir toda a carreira da cantora.

Aqui encontramos gravações inéditas ( demos ) com os Folkmen, Richard Thompson e Fairport Convention. O génio e a guitarra de Robert Fripp estão presentes nos quatro temas recuperados ao espólio de Giles, Giles & Fripp.  E a terminar, duas preciosidades a solo: “Better side of me”( 1972 ) escrita por Marianne Segal quando nos Jade e “I Hear a Song” ( 1973 ), um tema que poderia ter sido um êxito caso tivesse surgido uns meros três anos antes.

11/06/15

Jardins do Paraíso ( XXXXIII )




O castelo de Fotheringhay em Northamptonshire foi construído no início do século XII. Como era próprio na época teve uma existência agitada e, entre escoceses e ingleses, mudou de mãos amiúde até que, segundo a lenda, foi a residência última de Mary Stuart of Scotland, tendo assistido à sua execução em 1587.

Por volta de 1630 o castelo seria desmantelado e nunca reconstruído. Fotheringay (sem H) foi o nome escolhido por Sandy Denny para o seu grupo pós-Fairport Convention. Anátema ou não, a verdade é que a carreira dos Fotheringay nunca se aproximou daquilo que seria expectável, tendo nascido e morrido em 1970, no curto espaço de um ano.


Ficou um álbum homónimo e outro inacabado ( “Fotheringay 2” seria publicado em 2008 ) e algumas prestações avulso na BBC e em festivais de verão. “Nothing More, The Collected Fotheringay reúne o mais significativo legado da banda de Sandy e Trevor Lucas. Três cds: “Fotheringay”, “2”, as prestações de palco na BBC e em Roterdão; e um DVD reproduzindo um concerto em Bremen. As versões alternativas acrescentam história à história e o som é absolutamente fenomenal.

22/06/12

Shirley Collins


Do trio de vozes femininas, muito justamente apelidado de "Santissima Trindade do folk inglês"  nas últimas 3 décadas do século passado - Shirley CollinsSandy Denny e June Tabor -, apenas a última se mantém em actividade.
Sandy deixou-nos em 1977 e Shirley, porventura a voz feminina que mais tocou a alma do Atalho, há muito que deixou de poder cantar (encantar, diria).

Se o culto de Sandy Denny não para de aumentar e o respeito pela carreira idónea de June Tabor, cresce em igual medida, o merecido reconhecimento pelo trabalho de Shirley Collins em prol da canção tradicional inglesa tem tardado em frutificar. E no entanto a sua influência tem sido, é, e continuará a ser enorme. Curiosamente, não são os seus contemporâneos, antes os músicos mais novos a reconhecê-lo.


O mais recente número da revista fRoots dedica-lhe a capa e no interior traça o perfil ( um dos possíveis ) daquela que permanece um dos segredos mais bem guardados da música tradicional inglesa. A revista não é distribuida em Portugal mas pode ser encontrada aqui: (  http://www.frootsmag.com/ ) .

Mais detalhes sobre a carreira de Shirley Collins, aqui:  http://www.shirleycollins.co.uk/

22/08/11

Artefactos ( 20 )








Depois do desaparecimento de Sandy Denny, e sobretudo após a morte de Trevor Lucas em Fevereiro de 1989, a família teve necessidade de aguçar o engenho no sentido de assegurar a sobrevivência e a educação de Georgia, a filha de ambos.


Uma das formas foi publicar em cassette fitas de arquivo ( demos e gravações ao vivo ). Uma outra foi apelar à solidariedade de músicos amigos para que cedessem os direitos sobre gravações, por forma a possibilitar a edição de discos com o intuito de angariar fundos.


Em cima estão reproduzidos três destes artefactos: "Sandy Denny & Friends" ( inclui um conjunto de home demos e radio tracks datados de 1966 e 1967 e parte do concerto no Royalty Theatre em Novembro de 1977 ), "Together again, The Attic Years Vol. 4" ( demos e versões alternativas ) e "Georgia on our mind" ( CD da Deep Sea Records, 1997 ) a qual inclui temas e prestações de Dave Cousins, Martin Carthy, Richard Thompson, John Martyn, Fairport Convention, Albion band, Ralph McTell e Robin Williamson entre outros.

06/07/11

Sandy Denny




Um dos discos que o Atalho levaria para Marte ou para a ilha deserta, "The North Star Grassman and the Ravens", acaba de receber o tratamento editorial "definitivo".


Aos 11 temas originais juntam-se no 1º CD, uma demo de "Next time around", "Walking the floor over you", o instrumental inédito "Lorde Bateman" e "If you saw thru' my eyes", um dueto incluído no primeiro álbum de Ian Matthews.


O 2º CD é especialmente destinado aos completistas. Inclui várias demos do período e gravações efectuadas na BBC nos anos de 1971 e 1972.


O booklet com textos de Patrick Humphries e fotos (algumas delas inéditas) completa um package delicioso que, julgo, será dificil de bater.

03/05/11

Artefactos ( 17 )









Alexandra Elene MacLean Denny morreu há mais de 30 anos. Não obstante a sua popularidade e culto não param de crescer.


Assinalando o recente Record Store Day e editora que detém os direitos da Island Records publicou um single onde incluiu "I'm a dreamer" e "Who knows where the time goes?", duas demos resgatadas aos arquivos quando da preparação da Box Set no ano transacto.


Não há aqui qualquer novidade. Os mais cínicos dirão, com alguma razão, que se trata da indústria a procurar facturar. Porém tudo o que possa contribuir para manter viva a chama do vinil terá eco aqui pelo Atalho.


E depois um luxuoso single, com capa dupla, design acima da média, ostentando o glorioso selo da Island e limitado a 1000 exemplares, não é coisa que se veja todos os dias.


Toda a gente tem um ponto fraco. Receio que o meu seja Sandy Denny.

25/09/10

Sandy Denny


Parece ser consensual entre os académicos da obra de Sandy Denny: a mais recente edição da revista R2, faz apenas a segunda capa da cantora e compositora em magazines musicais desde há mais de quatro décadas.

A primeira e até agora única ( foto abaixo ), foi publicada pelo histórico ZigZag de Pete Frame, em Abril de 1969.

06/06/10

Sandy Denny


A ser verdade o que tenho ouvido por aí acerca do "Paraíso", imagino que a coisa, a existir, deva ser algo de muito parecido com isto.

06/10/08

Fotheringay "2"


Durante anos julgou-se que o trabalho de estúdio associado aos Fotheringay se resumia aos “takes” das canções que integraram o álbum homónimo de 1970. Em 2004, quando o disco foi reeditado, principiaram a circular rumores que apontavam para a existência de fitas com temas inéditos e que resultariam de sessões destinadas à gravação de um segundo álbum. No ano seguinte, o produtor Joe Boyd confirmou a existência das ditas sessões no livro autobiográfico “White bicycles, making music in the 1960’s”.

O interesse foi tanto que os três Fotheringay sobreviventes, impulsionados Jerry Donahue, decidiram iniciar uma cruzada tendo em vista a recuperação das fitas e maquetas dispersas. O resultado chamou-se “2” e está finalmente disponível.

Os Fotheringay ( Sandy Denny, Trevor Lucas, Jerry Donahue, Gerry Conway e Pat Donaldson ) nasceram em Março de 1970, pouco tempo depois de Sandy abandonar os Fairport Convention. À data, a cantora tinha todas as condições para se lançar numa carreira a solo de sucesso – Joe Boyd de resto apostava nisso -, mas preferiu refugiar-se na maior segurança que uma banda proporciona; opção que seguramente deverá ter tido em conta a relação emocional que mantinha com Trevor Lucas.

( capa interior de "Fotheringay" )

Quando editado no verão de 1970, o álbum “Fotheringay” foi objecto de atenção e experimentou um relativo sucesso, porém uma série de equívocos promocionais relacionados com datas, locais e bandas de suporte para concertos, aliados ao problema que constituía a aerofobia de Denny, hipotecaram, praticamente aniquilaram, o futuro da banda.

Ainda assim, no outono de 1970 os Fotheringay voltaram ao estúdio. Gravaram um conjunto de maquetas e quando em Janeiro seguinte se preparavam para iniciar as misturas, Sandy Denny anunciou a saída. A aventura terminara ali e as fitas das sessões mergulharam no esquecimento.
Hoje, após um trabalho de recuperação brilhante, escutar as onze canções que integram Fotheringay “2” constitui certamente um prazer enorme quer para os fãs, quer para os interessados neste tipo de factos históricos.

Do ponto de vista musical “2” é um artefacto notável. Tendo em conta que as vocalizações que ouvimos foram gravadas ao vivo com a secção rítmica, com o objectivo nunca concretizado de serem trabalhadas mais à frente, o resultado é extraordinário. Mesmo considerando que poderão ter sido ajustadas com recurso às actuais tecnologias.


No conjunto, “2” propõe 11 temas. 5 dos quais inéditos absolutos no universo de Sandy Denny: os tradicionais “Eppie Moray”, “Wild mountain thyme” e “Bold Jack Donahue” ( um título já gravado em 1966 por Trevor Lucas em “Overlander”, um disco a solo muito referido mas que pouca gente viu e menos ainda escutaram ), “Knights of the road” e a versão “basement tapes” da composição “I don’t believe you” de Dylan.

Depois, as primeiras versões conhecidas de “John the Gun” e “Late November”, que haveriam de ser regravadas para “The North star grassman and the ravens” a estreia a solo de Denny. “John the Gun” aparece aqui sem a guitarra de Richard Thompson e o violino de Barry Dransfield, componentes que a inclusão do saxofone de Sam Donahue não consegue fazer esquecer. A versão de “Late November”, lenta e intimista, é já conhecida do sampler “El Pea” e da compilação “Who knows where the time goes?”. “Two weeks last summer” de Dave Cousins revela aqui uma versão inédita em estúdio, “Restless” integra as bases do tema de Lucas desenvolvido mais tarde em “Rising for the moon”, enquanto “Gypsy Davey” e “Silver threads and golden needles” repetem as versões já publicadas em “A boxful of treasures”.

No todo, “2” não estará porventura à altura de “Fotheringay” mas, mais do que uma nota de rodapé no universo da arte de Sandy Denny, representa uma etapa necessária e muito relevante no percurso que a levaria ao topo em “The north star grassman and the ravens” e “Sandy”.