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28/10/18

Jack Ellister "Telegraph Hill"



Por vezes sucede.

Inesperadamente e sem que nada o faça esperar aterra na caixa do correio um grande disco. Na circunstância “Telegraph Hill”.

Jack Ellister navega nas águas do neo-psicadelismo vertente pop e é comummente associado ao padrão Fruits de Mer, editora para a qual gravou um significativo conjunto de discos.

De “essencial” a “bizarra”, passando por “weird” ou “poetically psychedelic” a sua música tem sido comentada amiúde sem que no entanto Ellister tenha conseguido o reconhecimento de que é já credor. “Telegraph Hill”, com o selo da You Are The Cosmos Records, será porventura a sua tentativa mais consistente para atingir aquele desiderato.


Maioritariamente acústico ( Ellister é responsável por todos os instrumentos exceptuando a bateria ) “Telegraph Hill” foi projectado para o formato EP. Acabou no entanto por se transformar num álbum, cujo foco principal reside na voz  e numa guitarra acústica ( brilhante nesse particular ).

Porém quando as canções se “enchem” de guitarras eléctricas, flautas, sintetizadores e baterias ( conferir “Fill Another Glass” ou “Condor” ), torna-se quase inevitável regressar, ora às paisagens pastorais dos Floyd ( seguramente uma das maiores influências de Ellister ) período 69-72, ora ao pop cromático que James Mastro e Richard Barone inventaram para os Bongos.

Face ao que atrás fica escrito, não será difícil concluir ser “Telegraph Hill” um dos Jack Ellister preferidos aqui no Atalho.

12/07/16

East of Venus "Memory Box"



A gestação de “Memory Box” é quase passível de ser classificada como homérica. Resultado da conjugação de esforços de um grupo de amigos, os  East of Venus: Michael Carlucci ( Winter Hours ), Glenn Mercer, ( Feelies, Wake Ooloo ), Stan Demeski ( Feelies, Luna, Speed the Plough e Yung Wu ) e Rob Norris ( Bongos ), nasceram e principiaram as gravações ainda na primeira década deste século.

Sem prazo limite, as sessões correram ao sabor do tempo e disponibilidade dos membros. Algumas das melodias que fazem o disco foram anteriormente experimentadas nas bandas onde os músicos estão ou vão passando. Outras foram escritas para o efeito, ao correr da pena.

Percebe-se no entanto que “Memory Box” foi um parto difícil. Michael Carlucci é responsável por 7 dos 10 temas, as covers: “Reason to believe” ( Tim Hardin ), “Citadel” ( Rolling Stones ) e “Jane September” ( Red Buckets ) são mais ao jeito daquilo a que os Feelies nos foram habituando.


O equilíbrio, sente-se, é esforçado, quase mecânico. A este facto não deve ser estranha a adição de uma outra componente da tradição grega: a tragédia. Em Outubro do ano passado, Carlucci sucumbiu a um ataque cardíaco. O álbum foi finalizado sem a presença física do seu principal criador. Apenas. O essencial estava feito e registado.

Por essa razão, ou por não ser possível ignorar todos estes factos, “Memory Box” soa como um epitáfio, ao talento de Michael Carlucci.