Mostrar mensagens com a etiqueta Richard Moult. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Richard Moult. Mostrar todas as mensagens

14/08/13

United Bible Studies "I am Providence"


 
Numa explicita homenagem aos recentemente desaparecidos Tony Dale e Lee Jackson ( dois dos mais apaixonados divulgadores das paisagens sónicas  alternativas ), os United Bible Studies editaram  há um par de meses em formato vinil “I am Providence”,  um registo de palco datado de 2008, mas que 5 anos volvidos espelha ainda na perfeição a identidade e as idiossincrasias deste colectivo mutante.

I am Providence” é feito por David Colohan, Richard Moult, Michael Tanner, Tuula Voutilainen, Orion Rigel Dommisse, Manbeard, Gavin Prior, Alec Redfearn e Sharron Kraus. O tema título é uma pequena perfeição acapella, algures entre o canto gregoriano e  o avant garde; “Cthonic Spiral” ecoa no silêncio ensurdecedor dos prados da Irlanda e lembra as geometrias sonoras de Richard Skelton; por seu turno “Tributaries of the Styx Under Providence” é uma banjo lullaby que Colahan vocaliza de forma litúrgica.

Não se trata de música fácil, mas assim não fora e este texto não estaria a ser escrito. Nem, muito provavelmente, a ser lido.

20/03/13

Richard Moult "Chamber Music"


 
“I lie in the meadow grass, homeless, out of time
Yet tides pass across my eyes revealing an answer

This veil of leaves, Midsummer bound.”

Colaborador intermitente de projectos como United Bible Studies,  Agitated Radio Pilot ou Current 93, Richard Moult tem no entanto na sua carreira a solo o principal enfoque.
Compositor neo-clássico, orgulhoso e nostálgico  como só os britânicos sabem ser quando se trata de olhar para a sua própria cultura, Moult  possui as suas raízes nas terras altas da Escócia mas utiliza as fronteiras definidas pela melancolia para se expressar. Na música ou na pintura, indiferentemente.

Chamber Music”,  é exactamente isso. Uma deliciosa colecção de peças musicais para ensemble gravadas entre 2005 e 2011 ( algumas delas remisturadas ) e agora  disponibilizadas pelo autor em formato digital  (http://richardmoult.bandcamp.com/album/chamber-music).

Música para todos dias, transversal às estações, embora não necessariamente consensual, “Chamber Music  sugere tranquilidade, bucolismo e potencia a serenidade e contenção. Posturas que cada vez mais ausentes, num tempo em que abrir a boca e falar ( o que quer que seja ) parece ser mais importante que pensar, sentir, estudar o passado e só depois expressar ideias ( não confundir com opiniões ).
Ao Atalho, a beleza intemporal de  Chamber Music” convida a reflectir. Mas todas as outras interpretações são aceitáveis. Tudo depende da sensibilidade de cada individuo

23/04/10

Richard Moult "Ethe"


Artista recluso, Richard Moult é oriundo da Escócia e reparte a sua actividade entre a música e a pintura.

Ao longo dos anos tem vindo a colaborar com projectos vincadamente alternativos ( Current 93, United Bible Studies, Agitated Radio Pilot, Black Furlong ), enquanto a solo se dedica a criar silenciosas bandas sonoras para poemas de William Ripley, Mary Webb ou Ivor Gurney.



Depois de “The secret joy” em 2005, o recente “Ethe” é o seu segundo CD. Um disco maioritariamente habitado por um piano belíssimo e que oscila entre uma inspirada natureza folk e uma música de câmara lisérgica, ambas capazes de projectarem no horizonte as imagens ( terra, fogo, água ... ) que o ouvinte vai associando à liturgia sonora que preenche os espaços.



Gravado na St. Leonards Parish Church no East Sussex , “Ethe” pode muito bem ser a banda sonora que precisamos para esta primavera titubeante entre a luz e o cinzento.

Ao primeiro contacto “Ethe” surge inócuo, enganador. Depois, como em todos os grandes discos, cada nova audição avoluma a dependência. De tal forma que, ao fim de algumas horas, nunca um “simples” piano pareceu tão essencial.