12/08/20
Patti Smith "O ano do macaco"
28/08/19
Sun Kil Moon - 'Carry Me Ohio'
Já se escreveram centenas de ensaios, livros, sobre canções menos interessantes.
E não obstante, desde o genial break de abertura da bateria que nos cativa a atenção, passando pelo desenvolvimento metronómico da percussão; pelo crescimento elíptico e só aparentemente displicente das guitarras; pelas pinceladas cirúrgicas do xilofone; pela voz, a um tempo hipnótica e nostálgica de Kozelek; pela subliminar referência do regresso a um lugar familiar, que conforta, acolhe e protege, após experiências díspares em espaços inamistosos, algures onde as fronteiras entre o emocional e o racional se interceptam … tudo, mas mesmo tudo, se aproxima do paradigma da perfeição em “Carry Me Ohio”.
Vidas inteiras cabem dentro destes 6 minutos e 14 segundos.
Escuta-se, da mesma forma que se mergulha na ficção de Sam Shepard ou se olha, vendo, alguns dos filmes de Terrence Malick.
31/07/17
10/02/16
John Cale "Music for a new society / M:Fans"
07/03/11
Bardo Pond "Bardo Pond"

Discos como este são a razão da existência do Atalho.
Os Bardo Pond andam por aí há quase duas décadas. Não tenho no entanto memória de os ter ouvido na rádio e muito menos sobre eles ter lido na imprensa escrita mainstream algo com dimensão significativa. Pese embora resistem. E ainda bem.
Procurem escutar “Don’t know about you” e depois, como pessoas inteligente e de bom gosto ( caso contrário já não estariam a ler este texto ) avaliem quão ridículo e inútil pode ser o tempo gasto a dar atenção aos “produtos” que os marketeiros de serviço nos procuram impingir ( atentíssimos, já começaram a destilar excitação com os anúncios dos novos Strokes e Radiohead …. ).

Em “Sleeping” o colectivo de Filadélfia assume a faceta argonauta e parte em direcção ao planeta psicadélico outrora habitado pela tribo Airplane. “Undone” é por sua vez uma enorme palco onde evoluem sublimes guitarras atonais que a vocalização espartana de Sollenberger luta para manter contidas. É bem sucedida até cerca dos 10 minutos; aí a bateria não resiste à tensão acumulada e, ao explodir, propicia a libertação de largas camadas de fuzz e feedback , elementos responsáveis pelo desencadear da tempestade de meteoritos incandescentes que se vai seguir. A terminar, “Wayne’s Tune” é o regresso ao alpendre e à atmosfera melancólica, uma tela colorida em tons sépia pela flauta de Isobel Sollenberger.
“Bardo Pond” foi publicado nos últimos dias de 2010 pelo que muito provavelmente só será contabilizado em 2011. Curioso, vou ficar a aguardar as famigeradas listas dos “melhores do ano”…
16/12/10
Killers, Angels, Refugees ( 21 )

I knew a guitar player once, who called the radio friendly
So, he reconciled himself to listening to it only.









