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13/01/19

Artefactos ( 87 )


"Off The Wall, Psychedelic Rock Posters from San Francisco"

Amélie Gastaut e Jean-Pierre Criqui

Thames & Hudson Ltd, London, 2005


Big Five San Francisco Artists: da esquerda para a direita, Alton Kelley, Victor Moscoso, Rick Griffin, Wes Wilson e Stanley Mouse.
Foto de Bob Seidemann, 1967


( Wes Wilson )  



( Rick Griffin )


( Stanley Mouse )

02/02/18

"Looking at The Pictures in The Sky, The British Psychedelic Sounds of 1968"


Não sendo a única, uma das formas de conhecer o passado da música popular, consiste no "escavar" persistente das muitas e variadas compilações que vão sendo publicadas.

Desde que separado o trigo do joio, há muito por onde escolher. E aprender.

O Atalho tem dedicado às colectâneas com o selo Grapefruit a atenção que julga merecerem.

"Looking at The Pictures in The Sky" é uma forma de recordar 1968. Um ano extraordinário para o  psicadelismo britânico. 3 CDs, 78 temas e, como habitualmente, um desfilar de nomes ( quase sempre os menos óbvios ) que à época emergiam do underground. A esmagadora maioria por aí ficou, poucos "deram o salto" para o mainstream.

São os primeiros que mais interessam e, dentro destes, os 20 temas recuperados de fitas / acetatos e que conhecem aqui a sua primeira publicação, 50 anos depois.

O booklet, um regalo com 40 páginas, acrescenta a informação e as fotos adequados à prossecução da liturgia. Notável.      

16/06/17

Bardo Pond "Under the pines"


 

Existem algumas bandas, poucas, que não se explicam. São!

Os Bardo Pond nunca necessitaram de estar permanentemente na montra para manter o estatuto. São uma espécie de “anomalia”, mesmo no underground onde se movimentam. Gravam apenas quando têm algo de novo para dizer e é raro desiludirem.  Deles espera-se sempre um êxtase cósmico, resultado da fusão de elementos oriundos do jazz, avant-garde, rock e free-noise.

Under the pines”, é a mais recente expressão onírica daquele processo. Como é hábito no quinteto da Pennsylvania não existem limites, e o álbum é mais uma intensa experiência psicadélica.


A tempestade sonora que varre “Crossover” dinamita as  expectativas mais optimistas; “Out of reach” altera o rumo e assume-se como uma “big sky song” com a voz de Isobel Sollenberger a desafiar a perfeição. Diversa, “Moment to moment” toma a forma de uma “electric porch song”, desenhada por uma guitarra acústica e colorida pela flauta de Isobel. Lisérgico, o tema título, é o que mais se aproxima da matriz Bardo Pond, enquanto “Affigy” se rende a um estranho bucolismo.

A escutar no silêncio, por paradoxal que possa parecer.    

19/05/17

Richard Morton Jack "Psychedelia, 101 Iconic Underground Rock Albums 1966-1970"


Estamos todos um pouco fartos de compilações oportunistas do género: "os 100 melhores álbuns para escutar antes de morrer" ( na maior parte dos casos é mais para escutar depois de morrer, mas adiante ). "Psychedelia 1966 - 1970" todavia, ainda que pisque o olho ao mercado dos incautos, é diferente.

Richard Morton Jack, o editor da Flashback Magazine, habituou-nos ao detalhe e ao rigor histórico. E este livro não foge à norma. Os textos que ilustram os 101 discos que escolheu, sempre que tal se demonstrou possível, foram cruzados com os diversos intervenientes ( músicos, produtores, engenheiros de som ) e, em bastos casos, foi-lhes solicitado um comentário / depoimento.

Acresce uma pequena introdução ao fenómeno do psicadelismo, bem como uma abordagem aos singles mais emblemáticos, jornais e publicações da época, principais festivais e filmes.

Tudo somado, 250 páginas de opinião e rigorosa informação histórica a que o tempo seguramente fará justiça. Tal como sucede já hoje com a esmagadora maioria dos álbuns ali mencionados.  

23/04/17

The Summer of 67


Para os que não estiveram lá, ou eram demasiado novos para se lembrarem


05/04/17

"Let's go down, Blow our minds, The British Psychedelic Sounds of 1967"



O maior “problema” das compilações efectuadas por David Wells consiste no facto aparentemente comezinho, da nossa carteira raramente  ter capacidade para acompanhar  a curiosidade que as mesmas despertam.

O homem é, pode dizer-se,  insanamente enciclopédico. Não existe banda, segredo ou detalhe,  por mais obscuros que possam ser, que não conheça.

Acresce o facto de habitualmente tocar nos botões certos, deixando qualquer fã do folk / rock / psicadélico britânicos em perfeito estado de sítio.

Let’s go down, Blow our minds, The British Psychedelic Sounds of 1967” é mais uma dessas colectâneas. 3 Cds, 80 temas apresentados e comentados num booklet de 40 páginas e, entretenimento garantido para várias horas.


Dizer que por aqui passam nomes conhecidos – Attack, Episode Six, Sorrows, Tintern Abbey, Pretty Things, John’s Children, Dave Davies, Procol Harum, Artwoods, Move, Honeybus ou Marmalade -, é curto, pois a maioria dos temas são, ou inéditos ou versões nunca publicadas.

Mas, sobretudo o que importa salientar são as expedições espeleológicas como os Mirage ( o embrião da futura banda de apoio a Elton John ), The Good Thing Brigade ( mais tarde Jason Crest ), Louise ( Chris Cutler antes dos Henry Cow ), Cliff Ward ( viria a ser conhecido como Clifford T. Ward ), Hat and Tie ( pré Nirvana ), Ice ( pré Affinity )… etc etc.

Correm por aí rumores que Wells estará a preparar uma colectânea comemorativa  do 50º aniversário do “summer of love”.  A confirmar-se, o Atalho mal pode esperar.



28/02/17

It's Psychedelic Baby!


Edição #2/2 do magazine publicado por Kleman Brezinar. O foco principal deste número incide sobre o "British Psychedelic Folk".

Entre outros, fala-se aqui de Incredible String Band, Spirogyra, Comus, Magna Carta, C.O.B., Stonefield Tramp, Magic Carpet, Fairport Convention, Courtyard Music Group, Sunforest, Oberon, Dawnwind, Mellow Candle e Trees.

Como facilmente se percebe, algo a não perder.

09/12/16

"Lindo Sonho Delirante - 100 Psychedelic Records from Brazil ( 1968-1975 )"


Não se trata exactamente de inventar a roda - muitos dos discos aqui listados estavam já profusamente referenciados -, mas é muito agradável ter toda a informação reunida num único livro.

Numa edição bilingue ( português/inglês ), graficamente muito apelativa, este trabalho do jornalista / colecionador  Bento de Araújo é uma óptima ferramenta para todos os que se interessam pela matéria.


07/02/16

Artefactos ( 42 )


25 anos de Ptolemaic Terrascope, 10 anos de Terrascope Online.
A comunidade Terrascope está em festa e nada melhor do que comemorar com uma compilação de temas inéditos oferecidos pelas bandas que, desde sempre, gravitam em torno da comunidade.

O artefacto, "Paper Leaves - A Terrascope Celebration" uma edição privada e limitada a 200 exemplares, apresenta o seguinte alinhamento:


- Black Tempest "Terrescopula Tempestua"
- Nick Nicely "Dance away"
- Dead Sea Apes "Universal Translator"
- White Hills "Thermal Head"
- Ben Chasny "Dead and rising"
- The Left Outsides "Young girl cut down in her prime"
- Bevis Frond "Back in the churchyard"
- Bardo Pond "Pumori"

14/01/16

Rock & Folk ( hors-série Psychédélique )


A capa, por si só, já era merecedora de toda a atenção, mas as 160 páginas de fazem esta edição especial da Rock & Folk dedicada ao fenómeno do psicadelismo, são puro deleite e representam um manancial de informações ( umas novas outras nem tanto ) nada negligenciável para quem como o Atalho se interessa pela matéria.

Da música à literatura, banda desenhada, fotografia, artes gráficas ou cinema, tudo é escalpelizado pelo saber antigo do velho gangue dos Philippes ( Thieyre, Garnier, Manoeuvre ) e restantes fiéis escudeiros.

No fundo cumpre o papel que qualquer revista deve ter: para além de informar, deve acrescentar algo mais ao que já sabíamos.

16/12/13

Bardo Pond "Peace on Venus"


 
Peace on Venus”. Existem momentos em que o rigor nas palavras como que escasseia.
Sucede-me sempre que escuto um novo Bardo Pond. Com efeito, o que a banda de Filadélfia tem criado, constitui uma das mais extraordinárias experiências que a música de inspiração psicadélica conheceu. Ou se gosta ou detesta. Indiferença é aqui um sentimento impossível. E isto resume tudo o que necessita ser dito. 

Peace on Venus” aponta aos limites das fronteiras do som. É simultaneamente avassalador e sofisticado. As guitarras crescem num fogo intenso e vão alimentando uma lenta combustão sonora que ora explode, tonitruante, ora se aquieta, quase em silêncio, para que a flauta de Isobel Sollenberger resgate a melodia, perdida por entre os crescendos lisérgicos e as espirais apocalípticas das guitarras.
Este novo opus, acolhe cinco fantásticos temas. Viciosos e viciantes. O Atalho porém não fará  menção particular a nenhum deles. Porque são enormes, todos. E do outro mundo também … 

03/12/13

Psycholândia 7


E de novo a Psycholândia, via Fruits de MerRecords.

 
E de novo um conjunto de singles objecto de edição limitada, debruçados sobre o passado da música psicadélica. A conferir:

- Vespero – “Careful with that axe, Eugene” / “One of these days”.

 Ambas escritas pelos Floyd, a última uma versão do conhecido tema do álbum “Meddle”. A primeira foi o lado B do single “Point me at the sky”, surgiu depois na compilação “Relics”, ao vivo em “Ummagumma”, tendo sido ainda reescrita para o filme de Antonioni “Zabriskie Point” sob o título “Come in number 51, Your time is up”

 
- Vibravoid – “Colour your mind”/”La Poupee qui fait non”/Optical sounds”

“Colour of mind”, um original dos australianos Tyrnaround foi publicada no EP homónimo em 1986. “La Poupe qui fait non” recria um tema saído da pena de Michel Polnareff em 1966 e que, à data, teve na guitarra um tal de Jimmy Page. O excelente “Optical Sound” é a versão de uma composição dos californianos Human Expression cuja existência, entre 1966 e 67, foi pouco mais que efémera.

 
- The Regal Crabomophone Annual for 2014

Lado A, um magnífico exemplo de pop barroco através de “Girls of Belvoir” escrito e interpretado por Mark McDowell  ( nome a reter ). Lado B “Listen with the Moths” na mais pura tradição do acid-folk psicadélico pelos emergentes finlandeses Octopus Syng.

 
- Shrunken Head Music

Duplo single incluindo “To another universe” um original dos Brainticket por Frobisher Neck, o seminal “Rubycon” dos Tangerine Dream recuperado pelos Black Tempest, “J’ai mal aux dents” de Faust pelos russos Vespero e, finalmente, “The Glorious Om Riff” dos Gong por Jay Tausig. Raramente uma versão suplanta o original. Aqui não é diferente, mas nestas quatro recuperações, percebe-se que a alma do krautrock andou por perto.

03/11/13

Artefactos ( 34 )


O Atalho já se teve oportunidade de se referir a Al Simones, aqui e aqui .

Volta ao tema, apenas para sinalizar "Simones, 20th Anniversary 4 LP Box-Set Edition 1992-2012". a reedição dos quatro álbuns originais numa luxuosa e limitada ( 500 exemplares ) Box Set incluindo um detalhado e apelativo booklet.

 

12/07/13

Psycholândia 6


 
E de novo a Fruits de Mer  Records e mais um conjunto de singles de magnifico recorte. Edições limitadas e objecto de design cuidado como é habitual.
Crystal Jacqueline, até aqui uma desconhecida do Atalho, recupera três clássicos do psicadelismo 60s: “Cousin Jane” ( Troggs ), “A Fairy Tale” ( Second Hand ) e “Play with Fire” ( Rolling Stones ). Versões imaginativas e voz convincente.

O holandês Jack Ellister regressa à editora com um single que mescla “Within you, Without you” dos Beatles, com “Song for wild” de Mark Fry e “Flaming” de Syd Barrett.  Nada de especialmente novo quanto ao primeiro e ao último. Distinta, excelente e lisérgica  a cover de Mark Fry.
Os Stay chegam de Barcelona e avançam com quatro temas de importância e calibre desiguais. “Mersey Dream”, um original que balança entre a muralha sonora Oasis e a subtiliza Stones Roses. Pouco convincente. “Guess I was dreaming”  ( lado A de um single dos The Fairytale datado de 1967 ) soa como se o jardim do psicadelismo britânico se mantivesse ali ao virar da esquina. “If I needed someone”, assinada por George Harrison para “Rubber Soul” e “I see the rain”, um velho single dos Marmalade para a CBS em 1967, não apresentam aqui nada de diferenciado e memorável.

 
Muito embora lhes reconheça a importância, Black Sabbath nunca foi o meu “cup of tea”.  Os White Sails conseguem no entanto prender a minha atenção e os dois instrumentais dos Sabbath que propõem “Laguna Sunrise” ( “Vol. 4”) e “Fluff” ( “Sabbath Bloody Sabbath” ) soam perfeitos e cristalinos, como se tivessem nascido em São Francisco e não na sombria Birmingham do inicio dos 70s. Mas as pérolas aqui são os dois originais: “The answer” e “Death on a Pale Horse”. A primeira leva-me até à guitarra de Michio Kurihara;  a última nasce nos Apalaches mas rapidamente se dirige para os recantos mais serenos de “Physical Graffiti”.  White Sails, fixem o  nome.
Os suecos Me And My Kites são devotos dos Fuchsia ( cujo álbum homónimo de 1971 é hoje objecto de assinalável culto ).  Para o single estreia localizaram uma velha demo do grupo inglês ( “The Band” ), trabalharam-na e solicitaram ao respectivo compositor  ( Tony Durant ) que lhe emprestasse a voz. O resultado não compromete, mas está longe de ser memorável. O Atalho tem melhores recordações de “Fuchsia”.  O lado B do single, “Isis’ Adventure” indicia que o colectivo sueco tem andado a escutar Kevin Ayers. Algo que se regista com agrado. Mas, Kevin Ayers é e será sempre Kevin Ayers …..

27/06/13

Lost Nuggets ( 65 )

 
Monster Island "From the Michigan Floor" ( Ecstatic Peace / Father Yod ) w/ booklet, USA 1997

- "Lady of Shalot"
- "Happy girl"
- "Blue Revolution"
- Wonderland"
- "Hiroshima Bop"
- "Zone"
- "Nadja"
- "Calling all Monsters"
- "Confession"
- "Crystal Case"
- "Bridge Mirabeau"

Cary Loren ( canções, voz e guitarra ), Matt Smith ( sitar, baixo e guitarra ), Erika Hoffmann ( voz e violino ) e Warn DeFever ( percussão ).
 
Produção de Ecstatic Peace/Father Yod/The End is Here.
 
Design da Capa: Cary Loren
 
Concepção do Booklet: Erika Hoffman.

31/05/13

Permanent Clear Light "Beyond these things"


 
Os bons discos podem não ser necessariamente apelativos, da mesma forma que registos menos bons podem ser excelentes companhias. Mas quando um bom disco é imediatamente agradável e pega de estaca, isso sim é noticia.
Os finlandeses Permanent Clear Light, conseguem o pleno com “Beyond these things”, o cd de estreia do projecto de Arto Kakko, Matti Laitinen e Markku Helin, veterenos da cena nórdica e fervorosos adeptos da linguagem psicadélica.

O single “Higher than the sun” já prometia e foi devidamente referenciado aqui no Atalho. O cd porém permite uma melhor explanação dos conceitos e arquitecturas musicais utilizados pelo trio.  Os temas ( oito ) são razoavelmente longos, consistentes, diversificados e cativantes. A matriz escolhida, localiza-se algures na fronteira entre o psicadelismo e a infância do progressivo, sendo que o bucolismo e a ruralidade do som de Canterbury paira nos poucos espaços que ficam por preencher.



Dito isto, convirá referir que a “pièce de résistance” permanece “Higher than the sun”, agora “progressivamente” estendida até aos 9m e 19s; contudo, logo a abrir,  “Constant Gardener” diz ao que vem. Remete-nos para o universo adulto ( mid 70s ) dos Caravan e, adicionalmente, o violino relembra a String  Driven Thing e, acto contínuo, os Van der Graaf de “The quite zone/The pleasure done” ( nada que espante, tendo em conta a admiração que Markku Helin nutre por Peter Hammill ). “Ribes Nigrum” veste as mesmas tonalidades, e serve de ante-câmara para o que vem a seguir: “Harvest Time” e “Higher than the Sun, Astral Travel”. Em conjunto constituem  um poderoso cocktail de psicadelismo sem tempo. Parte dos Floyd que importam ( “Ummagumma”, “More”,  Meddle”) passa por “In the Land of Grey and Pink” ( Caravan ) e,  de acordo com os meus ouvidos, vai terminar em “Church” e “Remote Luxury” dos Church ( talvez por isso Steve Kilbey tenha expressado publicamente a sua admiração por PCL ).
“And the skies will fall” é uma belíssima melodia construída sobre vibrações orientais e até se lhe perdoa os ecos das vozes Beach Boys pelo bem que soa. “Love gun” e o instrumental “Skirmish” posicionam-se num patamar ligeiramente inferior. Porém “Weary Moon” eleva de novo a fasquia e, por detrás de uma flauta e de um banjo bem puxados à frente, quase me pareceu vislumbrar sombras do edifício sonoro que Dennis Wilson construiu em “Pacific Ocean Blue”. Uma excelente referência portanto.

Repito, bom e simultaneamente muito agradável. Falar-se-á bastante de “Beyond these things”, seguramente.
Nota: um especial agradecimento a Markku Helin por se ter lembrado do Atalho

08/05/13

Soft Hearted Scientists "False Light"


 
Há qualquer coisa de especial no mundo dos Soft Hearted Scientists que quase faz o Atalho perder a noção do tempo. E não é só o omnipresente psicadelismo melódico que remete para as páginas gloriosas que os  Kinks ou os Tinkerbells Fairydust escreveram na Inglaterra dos 60s. Todo o universo surreal  que habita os textos da banda de Cardiff,  leva a que cada audição seja uma revelação e nem sempre o mesmo tema soe igual duas vezes consecutivas.
O novo “False Lights” não se afasta um milímetro das longas paisagens sensoriais que preencheram todos os cds anteriores. As melodias são envolventes, o psicadelismo doce e as harmonias antigas. E francamente não se percebe porque razão o quinteto de Nathan Hall não é um fenómeno de popularidade e sucesso.
 
E daí … ? Talvez tal estado de coisas possa mudar. “Uncany tales from  the every day  undergrowth  ( 2005 ) parece finalmente estar a merecer a atenção que merece ( vidé a recente compilação “Whatever happened to the…” da Fruits de Mer Records ) e o futuro pode estar ao virar da esquina. “False Lights” repito, é uma delicia melódica e um hino ao fantástico, sempre pincelado por aquela matriz psicadélica de que só os verdadeiros herdeiros do pop britânico possuem o segredo.

 
Sobre as  melodias estamos conversados. Acerca dos temas, o Atalho transcreve apenas alguns dos títulos: “Tintern Abbey Ghost Monk”, “Golgotha”, “Seaside Sid and the Giant Squid”, “Halloween People”, “Trees in the wind”, “Monsters of the Id”, “Night of the Hunter” …  E, como refere Nathan Hall no booklet que acompanha o cd: “… The album features mushroom clouds;  the Chinese Army on horseback; Seaside Sid, who plays a dangerous game and comes to a nasty end … but equally it was inspired by cats that purr like little motorbikes, jaw dropping South Wales beaches …” Dá para ter uma ideia?
Tal como sucedeu no passado recente com os outros dois álbuns dos Scientists acima referidos, “False Lights” vai directo para o meu MP4. A meu lado, irá percorrer kms atrás de kms. A pé e não só.

29/03/13

Bardo Pond "Yntra"


 
Os Bardo Pond são uma das razões porque o Atalho continua a alinhar as palavras.
Confesso que já não são muitas – as razões - , mas também não me custa admitir que cada vez que escuto a banda de Filadélfia, sou compelido a colocar o contador a zeros para que tudo volte ao inicio.

Yntra” não é exactamente a sequência do estruturado “Bardo Pond” ( 2010 ), antes um acoplado de jam-sessions que o quinteto de psiconautas fez publicar no âmbito da série Latitudes da Southern Records. 
“The Crawl”, “Side to side” e “A Crossing” constituem um fabuloso muro sonoro que se explana por 35m 25s de pura psicadélica, selvaticamente polvilhada por elementos noise/heavy/space.  A ligar todos os demónios  soltos pelas guitarras dos irmãos Gibbons, a voz e a flauta de Isobel  Sollenberger operam milagres e ajudam a catapultar os temas para o espaço sideral onde, pairando, permanecerão até que outros sons de igual calibre os substituam.

Particularmente impressionantes  são os cerca de 8 minutos que dura “Side to Side”. O riff é soberbo, quase geminado daquele outro que fez de  “Don’t know about you” um dos melhores trechos do cd anterior. A propulsão em modo drone atinge uma carga dramática quase insustentável e, no final, não há alternativa à funcionalidade “repeat”.
Prodigioso é porventura um adjectivo demasiado forte mas é o que me ocorre de momento para melhor definir “Side to Side”. “A crossing” é uma longa space-jam que, em espiral, funde todos os elementos que fazem a identidade sonora dos Bardo Pond. Trata-se de uma extraordinária peça de neo-psicadelismo que fará as delicias dos crentes e, porventura, afastará os cépticos.
 
Ou, dito de outra maneira, um tornado sonoro que irá delimitar os campos e separar os homens dos rapazes. 

31/01/13

"Re-Evolution, FdM Sings The Hollies"


Re-Evolution” é um projecto que a editora Fruits de Mer colocou de pé para homenagear os Hollies. As canções escolhidas saem do período mais criativo da banda inglesa ( 1966 – 1968 ) quando Graham Nash ainda integrava o colectivo.

O facto de serem os portugueses Beautify Junkyards a abrir “Re-Evolution”,  enche o Atalho de orgulho e satisfação.  Trata-se de um caso raro de talento e o reconhecimento começa a chegar.
 
Dito isto, convirá referir que o Atalho não é propriamente um entusiasta do catálogo Hollies. Não obstante abundam nesta compilação excelentes canções e as versões, mais ou menos ortodoxas, mais ou menos próximas dos originais, merecem a devida atenção.
 
“Butterfly” soa magnifica com os Beautify Junkyards, “Hard hard year” não ficou nada mal entregue a Bevis Frond, os Seventh Ring of Saturn operam maravilhas com “All the world is love” , os Hi-Fiction Science praticamente reinventam “King Midas in reverse” e “Dear Eloise” não perdeu a elegância com os King Penguin.

Como é tradicional na Fruits de Mer a edição é restrita ao formato vinilo, limitada a cerca de 800 exemplares e deverá esgotar num ápice. Fãs dos homenageantes e homenageados sabem pois o que devem fazer.