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15/07/18

The Myrrors "Lunar Halo"



Oriundos de Tucson no Arizona, os The Myrrors têm na tradição regional do  “desert rock” uma inspiração óbvia. Porém, a música que com invulgar tenacidade perseguem e o desafio que lançam ao ouvinte, encontram-se envoltos em roupagens muito mais sofisticadas e radicais.

Tucson repito. Todavia depois de escutar o hipnótico “Lunar Halo”, poderiam muito bem ser outros locais como por exemplo Dusseldorf, Hamburgo, a Factory de Andy Warhol ou Estocolmo nos idos 60 / 70s do século anterior.   

Lunar Halo”: 28 minutos e 55 segundos densamente preenchidos por um drone que ora o é, como logo a seguir se metamorfoseia num absorvente raga, cúmplice do rock cósmico e da improvisação psicadélica. Pelt, Velvet Underground, Parson Sound e Swans são alguns dos nomes que saltam imediatamente das prateleiras da memória.


Exigente e visceral, “Lunar Halo”, publicado em formato cassete no final de 2017, conhece agora uma edição limitada em vinil. À data deu seguimento ao álbum “Hasta la Victoria” ( Junho 2017 ), agora antecipa o próximo “Borderlands” ( Agosto 2018 ).

Uma audição obrigatória para todos aqueles que apreciam as músicas e os nomes atrás referidos.

15/08/17

Voigt/465 "Slights Still Unspoken"




Nos loucos anos idos do pós-punk tudo e o seu contrário era permitido.

Krautrock, avant-garage, punk, DIY, art-rock, free noise, industrial, todos os géneros podiam legitimamente fundir-se, criando uma linguagem híbrida que teve os seus momentos, mas que na maior parte dos casos não passou disso mesmo, de momentos.

Houve excepções claro, como em tudo na vida.

Activo entre 1976 e 1979 na Austrália,  Voigt/465, um obscuro colectivo de Sydney gravou um álbum que, de tão iconoclasta, acabou por passar praticamente despercebido.

Recém reeditado,  Slights Still Unspoken” escuta-se hoje como, se por milagre, fosse possível cruzar os Velvet Underground, com Can, Stooges, Pere Ubu, Throbbing Gristle, Comsat Angels, Joy Division, Devo, Faust, Art Bears ... e por aí fora.

Foram portanto necessárias quatro décadas para que esta  estimulante esquizofrenia sonora fosse decantada e devidamente apreciada.

10/02/16

John Cale "Music for a new society / M:Fans"




Reconhecendo embora o enorme talento de Lou Reed, devo confessar que “o meu Velvet” foi e será sempre John Cale. Uma opinião evidentemente. Mas, do que se trata aqui  é realmente saber se falamos de talento ou se falamos de génio. E não, não é uma mera  questão semântica, existe de facto uma diferença entre o talento e o génio. O primeiro é constante, previsível; o segundo é absolutamente o oposto de ambos.

Comprei a minha cópia original de “Music for a new society” numa FNAC de Paris, em 1982. Produziu em mim o mesmo efeito hipnótico que os glaciares “Marble Index” e “Desert Shore ( coincidência, ambos produzidos por Cale ); uma espécie de mimetismo que se prolongava muito para além do tempo que duravam as canções/elegias que os integravam. Como todas as obras maiores “Music for a new society” não deixa ninguém indiferente. É o caso típico do clássico que, ou se ama, ou se detesta.

Há um par de anos, levei a capa do meu original a um “backstage” para que, entre o encantado e o surpreendido, o “big man himself” a autografasse.  Desde então não mais escutei o disco. Regressei agora, a propósito da reedição remasterizada do álbum original, acompanhada de “M:Fans” a transformação/recriação dos temas e a forma como Cale os olha hoje, 35 anos depois de terem sido escritos e gravados pela primeira vez.

Produzido num período complicado da vida do autor, “Music for a new society” é um disco denso e perturbador. A  frase “It’s a loving world to die in”, a encerrar essa extraordinária peça que é “Sanctus” e a ironia do cinzento “Damn life” incorporar notas da “Ode of Joy” de Beethoven, quase poderiam resumir toda a atmosfera do álbum.  Algures em 1983 Cale confidenciou numa entrevista que optou pelo título porque “The record is so dark, you’ve got to have something optimistic”.  


Distante, quer  de registos mais “amigáveis” como  Paris 1919” ou “Caribbean Sunset  ( aqui a maior proximidade reside no melódico “Close watch”  recuperado de “Helen of Troy” ) quer de brutais incinerações como “Honi Soit” ou “Sabotage”, “Music for a new society” está repleto de melodias envergonhadas que as colagens e os “overdubs” tornam quase imperceptíveis.

Inesgotável, este é um daqueles discos cuja audição nunca se pode afirmar completa. A cada nova investida existe sempre um detalhe, uma nesga de criatividade, que se descobre e   surpreende.  Tal como algumas das muitas curiosidades que encerra: a guitarra de Alan Lanier ( Blue Oyster Cult  ) em “Changes made”; a adaptação de “If you were still around”,  um poema publicado por Sam Shepard em “Motel Chronicles”, ou a colaboaração de John Wonderling,  muito provavelmente o autor do raríssimo “Daybreaks” ( 1973 ), um disco em cujo tema de abertura - “Long way home” - , são feitas elogiosas referências a Lisboa e ao Estoril.

Music for a new society” não é um disco para todas as horas nem para todos os dias. Antes um disco para sempre, porque na vida existirão sempre aqueles momentos de estranha cumplicidade, os quais nos conduzirão de novo até ele.

Nota: “M:Fans”, embora partindo das mesmas canções, é outra coisa muito diferente. Quem sabe, talvez um dia me sinta suficientemente confortável para sobre ele dissertar.

08/02/13

The Pin Group "Ambivalence"


Tal como um filme de culto, um bom vinho ou uma pintura inspirada, há música que não é mensurável no tempo. Está para além dele.

The Pin Group  por exemplo.  Nascido e crescido na época em que a influência Velvet Underground mais se fez notar, o colectivo neozelandês fez daqueles o ponto de partida, passou por Manchester à boleia de Joy Division e só parou no futuro. 

Ambivalence” compila 3 singles e um EP, tudo o que o quinteto de Roy Montgomery produziu em estúdio entre Março de 81 e Fevereiro do ano seguinte.  12 temas que explicam tudo o que há para explicar sobre esta pequena grande nota de rodapé.
 

25/08/12

Velvet Underground


Rigorosamente nada a acrescentar ao título ... ( clicar na imagem para ler texto )

13/01/11

Charles Douglas "The lives of Charles Douglas"


Publicado em 1999 sem que muito pouca gente tenha dado por isso, “The Lives of Charles Douglas” situa-se exactamente no espaço onde se encontram - e eventualmente sobrepõem - as narrativas Velvet Underground / Television / Ramones.

Claro que não possui o brilhantismo dos originais mas isso também seria pedir “o outro mundo” , como de resto se comprovaria em 2001 com o equívoco do projecto Strokes.

Dito isto é justo referir a intervenção pendular de Moe Tucker ( produtora e sobretudo baterista ) a qual, ao que consta, não teve trabalho fácil dada a constante interferência de vapores de espécie e proveniência diversas. Para além da poeira da ficção, a verdade é que Charles Douglas criou aqui um opus como há muito não emergia de Nova Iorque, talvez com a honrosa excepção dos últimos registos de Jim Carroll.

Escutem o “beat” infecto de “Summertime”, o “comix rock” “Earlybird School” ou os velvetianos “Under the command” e “ A boy like me” e, com a ajuda de Charles Douglas, aproveitam para regressar a uma herança musical que tem sempre algo mais para nos oferecer, assim os protagonistas se revelem à altura. Como no caso de Charles Douglas.

Em 1999 “The lives of Charles Douglas” vendeu tão pouco que durante anos foi necessário andar com uma candeia acesa para encontrar um original sem ceder à especulação. Num ápice a recente reedição resolve os dois problemas.

22/06/09

"White light/White heat: The Velvet Underground day by day"


Com a garantia de rigor e competência que o nome de Richie Unterberger acrescenta “White light/White heat: The Velvet Underground day by day” poderá ser o documento mais completo até agora escrito sobre a banda nova-iorquina.

Com cerca de 368 páginas, o livro debruça-se sobre sessões de gravação, discos, concertos, artigos de imprensa e demais “fait-divers” na vida do grupo.

Unterberger entrevistou mais de uma centena de pessoas – músicos, produtores, jornalistas, familiares, cineastas, empresários, fotógrafos - que , de alguma maneira, no passado se cruzaram com a banda ou algum dos seus elementos ( porventura os únicos não abordados terão sido os sobreviventes Lou Reed, John Cale e Maureen Tucker ).

A informação resultante é profusa e quase obsessiva . O livro é naturalmente um documento histórico com uma vincada componente de entretenimento.