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05/09/11

Wooden Shjips "West"



Pode discutir-se o modelo. Inclusive a oportunidade. Nunca a eficácia

Para o Atalho, os Wooden Shjips são de momento a banda que melhor comunica entre o legado do krautrock germânico e a herança californiana dos 60s, com ou sem a componente psicadélica pelo meio. Um facto patente nos registos áudio e óbvio nas prestações de palco ( para aqueles que como eu já usufruíram desse privilégio ).

Ao terceiro CD, o colectivo de São Francisco, à equação Neu + La Dusseldorf / Doors + Mad River, decidiu adicionar os desvarios lisérgicos dos 80s, sendo que para tal procurou os serviços do músico/produtor Sonic Boom ex-mentor dos Spacemen 3. “West”, o resultado desta opção, soará porventura mais contemporâneo a ouvidos mais jovens e/ou apressados. Outros referirão porventura que terá perdido alguma da espontaneidade que fez de “Wooden Shjips” ( 2007 ) um dos registos mais interessantes dos últimos anos. O mérito porém está lá todo – bem entendido. A questão poderá colocar-se na(s) forma(s) escolhida(s) para o expressar.




Dito isto, e por ser verdade, convirá sublinhar que “West” é constituído por um conjunto de temas muito acima da média. “Black Smoke Rise” por exemplo, combina na perfeição o ritmo Neu com o paradigma Suicide, sendo que a ligação entre ambos é estabelecida através do inimitável órgão inventado por Ray Manzarek para os Doors. “Crossing” é uma fuga para a frente, em direcção aos Telescopes e aos Loop. E Sonic Boom e os seus Spacemen 3 sempre ali por perto.

"Home” é um monumental e riffeiro “killer track” que deveria obrigatoriamente rodar nas rádios “alternativas” deste país , caso estas o fossem de facto. Por seu lado, “Flight” é genericamente o somatório de tudo o que atrás fica dito, mais a fortíssima possibilidade dos Shjips terem escutado “The Piper at the Gates of Dawn” antes de entrarem em estúdio. “Rising”, a terminar, poderá muito bem ser o caleidoscópio planante que vai incendiar as audiências nos “encore” que inevitavelmente irão ter lugar por esses palcos fora.

Pena que a tournée dos Wooden Shjips não contemple datas portuguesas. Ou será que ainda nos é permitida uma ténue esperança …?

25/12/10

Wooden Shjips "Christmas EP"


Em plena época de festas, aqui fica o EP natalício dos Wooden Shjips incluindo versões iconoclastas dos tradicionais "O, Tannenbaum" e "Auld Lang Syne".

Uma edição de 1.000 exemplares. 500 em vinil verde com capa encarnada, os restantes em vinil encarnado com capa verde.

06/05/09

Wooden Shjips "Dos"


O concerto lisboeta dos Wooden Shjips no final de 2008 foi um dos melhores a que assisti recentemente. Ao vivo, aquela ideia de fundir o beat oriundo do krautrock com o fuzz inventado pelo garage-rock americano, resulta ainda melhor do que em estúdio. Isto, apesar de nos primeiros singles funcionar já muito bem e de, no álbum de estreia homónimo, a componente orgânica ser ainda sublinhada por referências óbvias aos Doors, Stooges ou Suicide.

Em “Dos” o novo cd, o quarteto de São Francisco como que se procurou ajustar às regras do palco. Manteve intacto o essencial do seu ADN mas aumentou a duração dos temas; nalguns casos transformou-os em verdadeiras mantras , repletos de guitarras metálicas penduradas em espirais de fuzz e massivos lençóis de teclas quase sempre reféns de um droning hipnótico e sinuoso ( como em “Fallin” por exemplo).



Observados em conjunto, os cinco temas que integram “Dos”, talvez não façam dele o melhor registo dos Shjips. Não obstante e detalhando: a abertura super abrasiva de “Motorbike” ( juntando num só espaço os sons das caves de Hamburgo, os ecos das garagens de Detroit e o frenesi proto-punk de Nova Iorque ) e o desenvolvimento hipnótico de “Down by the sea” – este polvilhado por intermináveis solos de guitarra psicadélica, cortesia de Rippley Johnson -, estão entre os temas que mais podem acrescentar ao já muito interessante espólio desta banda.

Perto do fim, os 11m e 10s de “Fallin”, parecem ter sido pensados para abrir novas possibilidades musicais. Depois de os escutar, coincidência ou não, o Atalho sentiu uma vontade enorme de resgatar o álbum estreia dos Stranglers e de caminho recuperar as prestações de Ira Kaplan para os primeiros Yo La Tengo.

Se as opções serão estas ou outras, só mais tarde se saberá. Certo é que, sendo a fórmula realmente interessante e inovadora, irá necessitar de futuros ajustes para que a chama não se apague e o projecto não se perca. Até lá “Dos” mais do que cumpre os mínimos.

04/06/08

Wooden Shjips "Wooden Shjips"



Confesso que inicialmente tive dúvidas acerca da banda californiana Wooden Shjips. Demasiado ruído em torno de um colectivo com apenas dois singles no activo. Nos tempos que correm nunca é um bom presságio.

Regra geral, as “next big things” não são compatíveis com este tipo de folclore. Depois, a insistência em narcotizar o som desta banda ( ou de outra qualquer ), também não representa um bom cartão de visita. Por norma constitui um tipo de promoção fácil e oportunista.

Não conhecia portanto em detalhe os Wooden Shjips. Até à publicação do álbum homónimo. Aí, fiquei convencido.

Estruturalmente o quarteto de São Francisco é adepto do quanto mais simples e económico, melhor. Ouvidos os temas do álbum, mais os singles que produziu até ali ( a edição original do CD era acompanhado por um slipcase com seis títulos publicados em single, entre eles os lados A e B de “Dance California” e “Shrinking Moon for you” ), só se pode chegar a essa conclusão.

De resto, o que se esperava – tendo por base o que entretanto se leu -, não é de todo o que se ouve. Aguardava-se um festival de pirotecnia do estilo “ I love the smell of napalm in the morning “ e recebe-se um disco de emoções vibrantes mas contidas, alicerçado em meia dúzia de acordes.

Wooden Shjips” poderá ser uma das definições da música psicadélica americana deste tempo. Sonoridade tipicamente californiana, aguarelas electrónicas herdadas dos Suicide, o magnetismo dos Doors, os riffs de “White light, white heat”, as incursões galácticas dos Spacemen 3, um certo mimetismo Stooges à la “I wanna be your dog” e, por fim, uma paixão indisfarçável pelas bandas japonesas do psych-rock dos anos noventa.

Dito isto, e apesar disto, os Wooden Shjips são um dos grupos mais originais em actividade. Combinam o que de melhor a electrónica pode oferecer com a emotividade que só os músicos e os instrumentos tradicionais (guitarra, baixo, bateria, órgão ) conseguem transmitir.

A única fragilidade que detecto em “Wooden Shjips” é a curta duração, cerca de 33 minutos. Uma “falha” que pode ser facilmente colmatada com a audição de “Volume 1”, uma edição recente que recupera os temas publicados em single, incluindo “Summer of Love” que não tinha sido contemplado na anterior edição limitada.