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06/01/15

A Winged Victory for the Sullen "Atomos"



2014 não terá sido um grande ano em matéria de música.  Terminou porém menos mal com algumas reedições de antologia ( Dylan, Velvet Underground, Allman Brothers, Uncle Tupelo, CSN & Y, Slint … ) e um pequeno conjunto  de registos a reter no futuro.
De entre estes,  destaque para “Atomos  do duo norte-americano A Winged Victory for the Sullen. Adam Wiltzie ( ex-Stars of the Lid ) e Dustin O’Halloran tinham já um assinalável curriculum quando em 2011 conjugaram os respectivos talentos, produzindo com o álbum homónimo um dos melhores discos instrumentais da década.
De tal forma que as ondas de choque que originou permaneceram activas praticamente até ao anúncio da edição do novo opus. Justificadamente aliás.


Atomos” por seu lado, mantém e aprofunda o rumo. Entre o clássico, o avant-garde e a obsessão germânica pelo cosmos, AWVFTS vai desenhando numa tela sépia os sons que, através do silêncio, que nos orientam até Max Richter, Sergius Golowin, Brian Eno ou  Klaus Schulze. O que não é dizer pouco. De “I” a “XII”, “Atomos” são doze  temas que cativam pela subtileza e encantam pelo lirismo.
A banda sonora do ano aqui pelo Atalho.

22/07/14

Carl Hultgren "Tomorrow"


Uma das metades de Windy and Carl, Carl Hultgren acaba de publicar “Tomorrow”, o seu primeiro registo a solo.
Após ter digerido com avidez os dois últimos trabalhos do duo de Michigan, particularmente o soberbo “Songs for the broken hearted”, não sabia muito bem o que esperar de “Tomorrow”.
Os receios foram porém dissipados logo com as primeiras audições. A estrutura arquitectónica daquilo que é suposto ser a matriz criativa de Hultgren surge intacta, com as conhecidas divagações cósmicas pelo drone,  space e, em simultâneo, pelos inconciliáveis caminhos da electrónica e do bucolismo.
Em “Tomorrow” não existem vocalizações, ao contrário do que sucede nos trabalhos do duo. Mas as guitarras atmosféricas e as teclas projectam-se no horizonte como é hábito, não deixando espaço para nenhuma dúvida sobre a origem desta música tão elaborada e, ao mesmo tempo, tão simples.
Pode até parecer fácil, mas cruzar os arpejos da guitarra de Vini Reilly ( “No Other”, “In this land” ) com as telas cósmicas dos Stars of Lid ( “Spirits” ) ou a densidade da kosmische musik ( “Hidden” ) não é possível sem talento e mestria. 72 minutos de sensações “do outro mundo”.

20/09/11

A Winged Victory for the Sullen "S/t"




A chamada “ambient music” funciona como uma espécie de albergue espanhol que serve para tudo acomodar. O que se sente, o que não se sente, e tudo o resto: o que não se sabe muito bem onde guardar. Trate-se da “music for airports” de Brian Eno, da “kosmische musik” germânica, da “lounge music”, da “elevator music”, de algumas das franjas da música de vanguarda …, whatever.


O Atalho tem um fraquinho pela música feita de grandes paisagens cósmicas ( “kosmische musik” se quiserem, e apenas para afastar o chavão “ambient” ) e respectivos sucedâneos onde, salvo melhor opinião, os norte-americanos Stars of the Lid se enquadram.


Em licença sabática dos Stars, Adam Wiltzie reuniu-se com o compositor Dustin O’Halloran e em conjunto deram corpo ao projecto A Winged Victory for the Sullen ( o nome em si mesmo é já peculiar), cujo CD de estreia circula já por aí.






De uma beleza indescritível, embrulhado em delicados mantos de lirismo, o álbum homónimo da dupla Wiltzie/O’Halloran alimenta-nos o espírito, transporta-nos para paisagens inóspitas e a mim, particularmente , convocou-me as mais gratas memórias de Brian Eno , Klaus Schulze, Pink Floyd ( período 1968 / 1971 bem entendido), Windy & Carl, Hammock, Eluvium e, naturalmente, Stars of the Lid.


Constituído por sete peças instrumentais, “A Winged Victory for the Sullen” é um daqueles projectos onde é difícil colocar as palavras certas, sendo que cada um “de per si”, de acordo com a respectiva sensibilidade, experiência e/ou memória, o sentirá de outra forma.


“Beleza sensorial” será porventura a mais consensual das imagens que me ocorre neste momento. Quem sabe amanhã ou depois, a emoção despoletada não seria de índole diversa.


Não deixem de procurar escutar … Em silêncio!