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06/01/15

A Winged Victory for the Sullen "Atomos"



2014 não terá sido um grande ano em matéria de música.  Terminou porém menos mal com algumas reedições de antologia ( Dylan, Velvet Underground, Allman Brothers, Uncle Tupelo, CSN & Y, Slint … ) e um pequeno conjunto  de registos a reter no futuro.
De entre estes,  destaque para “Atomos  do duo norte-americano A Winged Victory for the Sullen. Adam Wiltzie ( ex-Stars of the Lid ) e Dustin O’Halloran tinham já um assinalável curriculum quando em 2011 conjugaram os respectivos talentos, produzindo com o álbum homónimo um dos melhores discos instrumentais da década.
De tal forma que as ondas de choque que originou permaneceram activas praticamente até ao anúncio da edição do novo opus. Justificadamente aliás.


Atomos” por seu lado, mantém e aprofunda o rumo. Entre o clássico, o avant-garde e a obsessão germânica pelo cosmos, AWVFTS vai desenhando numa tela sépia os sons que, através do silêncio, que nos orientam até Max Richter, Sergius Golowin, Brian Eno ou  Klaus Schulze. O que não é dizer pouco. De “I” a “XII”, “Atomos” são doze  temas que cativam pela subtileza e encantam pelo lirismo.
A banda sonora do ano aqui pelo Atalho.

18/09/14

A Winged Victory for the Sullen "Atomos VII"


O novo opus está apontado para Outubro, não obstante e antecipando o outono, A Winged Victory For The Sullen acaba de publicar “Atomos VII”, um EP incluindo três temas.

Mais do que música ambiente como é frequentemente catalogada, as criações de Dustin O’Halloran e  Adam Wiltzie são belíssimas sequências sonoras que ora se cruzam, ora interceptam e que serenamente conduzem a paisagens onde o sonho tem permissão para vaguear sem restrições.

Atomos VII”, cinemático na sua imensa vastidão e “Minuet”, melancólico como só um piano logra ser, são tão inspiradoras como o foram todas as composições do cd estreia em 2011. No lado B, a “Greenhouse Reinterpretation” de “Atomos VII”, encerra um vasto manancial de subtilezas cósmicas, facto que contribui para transformar as sucessivas audições em estimulantes e sempre originais “reinterpretações”.

21/05/14

Sumie "S/t"



Quando escutei “Colour Green”, o álbum “perdido” de Sibylle Baier, recordei-me de “Desertshore” de Nico e de “Parallelograms” de Linda Perhacs. A audição do álbum homónimo de Sumie levou-me até Sibylle Baier, tão só.

Sumie Nagano tem naturalidade sueca mas ascendência japonesa. O carácter simples e intimista da maioria das suas canções tem porventura algo a ver com isso. A atmosfera é serena, austera, as melodias enfeitadas por processos despidos de toda e qualquer sofisticação.

Menos é habitualmente mais, uma regra que os pianistas Nils Frahm ( que cedeu o estúdio ) e Dustin O’Halloran ( que tocou e produziu ) têm por hábito observar nos seus próprios trabalhos. Transpô-la para os esboços de Sumie foi tudo menos difícil. Uma singela e silenciosa beleza emerge naturalmente destas canções ( ainda ) em construção. O tempo dirá se de uma beleza perene ou olvidável.

04/04/12

Dustin O'Halloran "Lumière"


A par da banda sonora de “Sarah’s Key” da autoria de Max Richter, o cd homónimo dos A Winged Victory for the Sullen terá sido um dos melhores momentos de 2011. De facto, o opus do duo Adam Wiltzie ( Stars of the Lid ) / Dustin O’Halloran constitui um dos registos mais belos e arrojados que a música experimental / ambiente ( vamos chamar-lhe assim para simplificar ) produziu no ano transacto.

E de tal forma assim foi que um outro extraordinário registo Lumière , assinado a solo precisamente por Dustin O’Halloran quase, repito quase, passou para um plano secundário. Escrito, arranjado e produzido pelo próprio, Lumière segue por uma via que mescla o clássico, a vanguarda e o ambiente, sempre bordejado por uma tonalidade sépia que se nos cola à pele e à mente, numa leitura quase perfeita de muitos dos sentimentos e estados de espírito de que são feitos hoje os nossos quotidianos . A tristeza e a melancolia têm por vezes facetas belíssimas e os 9 temas deste cd são a melhor prova disso mesmo. “Bonjour Tristesse”, diria com toda a propriedade Françoise Sagan.

Destacar peças seria desapropriado e porventura subjectivo ( cada um de vós irá lê-las de acordo com o momento e sensibilidade respectivos ), pelo que a opção é sugerir o conjunto, se possível o objecto físico, o artefacto. Um conjunto harmonioso onde significativamente também constam entre outros, os nomes de outros tantos visionários como Nils Frahm, Adam Wiltzie e Peter Broderick.