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09/07/17

"English Weather"



Qualquer idiota, mesmo o mais imbecil, receberá toda a minha atenção; bastará para tal que mencione “Refugees” dos Van der Graaf Generator.


Desde há muito considero que o tema de Peter Hammill - a par por exemplo de “Laughing” de David Crosby, “Spanish Guitar” de Gene Clark, “Keep a close watch” de Cale, “Revolution Blues” de Neil Young, “Late November” de Denny, “Day is done” de Drake ou “Road to Cairo” de Ackles - , constitui um padrão a partir do qual se mede o bom gosto musical ou a ausência deste.

Assim uma compilação que inclua qualquer uma das misturas de  “Refugees” merece destaque.  English Weather” porém, justifica-o muito para além disso.

Curado pelos Saint Etienne  Bob Stanley e Pete Wiggs, “English Weather” é o chamado “labour of love”. Por outras palavras, não era possível chegar a este resultado caso não se gostasse genuinamente destas músicas

O tema mais antigo ( Caravan ) data de Janeiro de 69 e o mais recente ( Daevid Allen ) de 1976. Entre eles desfilam mais 16 composições do período iluminista da música inglesa. Umas razoavelmente conhecidas no circuito underground, outras nem tanto.

Stanley conta no booklet que um dia, retido numa discoteca devido a uma intempérie, ( daí o título desta colectânea ) escutou pela primeira vez um disco que o cativou de imediato: “Shape of the rain”, o álbum homónimo da banda de Sheffield. Impressionado, o dono da loja deu-lhe a conhecer de seguida Parlour Band, Aadvark e T2. E, como não há amor como o primeiro, estas bandas têm lugar na compilação. Shape of the Rain, ficamos sem saber porquê, não.

Britânicos até à medula, abaixo são descriminados os 18 títulos de uma edição que se reputa de essencial para quem se interessa pela matéria ou para aqueles para fazem do bom gosto uma forma de estar.


Quanto a “Refugees”, a opção aqui incluída, faz a ponte entre as versões do single e do do álbum “The least we can do is wave to each other”; a mistura no entanto retira algum protagonismo ao sax de David Jackson e evidencia as prestações dos instrumentos de sopro e dos arranjos de cordas. Sumptuoso.

- Caravan “Love song with flute”

- The Roger Webb Sound “Moon bird”

- The Parlour Band “Early morning eyes”

- Scotch Mist “Pamela”

- The Orange Bicycle “Last cloud home”

- T2 “JLT”

- Bill Fay “Til the Christ come back”

- Van der Graaf Generator “Refugees”

- Aardvark ”Very nice of you to call”

- John Cale “Big White cloud”

- Belle Gonzalez “Bottles”

- The Way We Live “Watching White Stars”

- Offspring “Windfall”

- Camel “Never let go”

- Daevid Allen “Wise man in your heart”

- Matching Mole “O Caroline”

- Prelude “Edge of the sea”

- Alan Parker and Alan Hawkshaw “Evening Shade”


27/02/14

Artefactos ( 38 )


Na sequência de "Killers, Angels, Refugees" ( Charisma Books, 1974 ) que se debruçou e explicou  textos e letras dos álbuns de Van der Graaf Generator / Peter Hammill período compreendido entre 1968 e 1973, "Mirrors, Dreams, and Miracles" ( Sofa Sound, 1982 ) retoma a "timeline" em 1974 e estende-se até 1980, ano em que foi publicado "A Black Box". Acessoriamente, o livro inclui também oito pequenas histórias escritas por Hammill no mesmo período.

O opúsculo nunca foi objecto de reedição, os exemplares a circular são pois raros e habitualmente dispendiosos.


19/01/14

Record Files ( 1 )


O Atalho abre um novo espaço: “Record Files”.
Sem grandes preocupações e ao sabor da pena, ou no caso, do vinil, aqui se dará nota das diferenças existentes entre as principais edições originais ( inglesas e americanas sobretudo ).

Desde logo no que diz respeito ao design, mas também no que concerne aos temas e respectivo alinhamento.

 

A inaugurar o espaço “The least we can do is wave to each Other” publicado por Van der Graaf Generator em 1970. Selo da Charisma Records no Reino Unido e da Probe Records nos EUA.
 As canções e o alinhamento coincidem, mas a capa e design são diversos.

Capa dupla + poster em Inglaterra. Capa simples, design e foto da contracapa diferentes para o mercado americano. Artefactos coleccionáveis ambos.

 

31/05/13

Permanent Clear Light "Beyond these things"


 
Os bons discos podem não ser necessariamente apelativos, da mesma forma que registos menos bons podem ser excelentes companhias. Mas quando um bom disco é imediatamente agradável e pega de estaca, isso sim é noticia.
Os finlandeses Permanent Clear Light, conseguem o pleno com “Beyond these things”, o cd de estreia do projecto de Arto Kakko, Matti Laitinen e Markku Helin, veterenos da cena nórdica e fervorosos adeptos da linguagem psicadélica.

O single “Higher than the sun” já prometia e foi devidamente referenciado aqui no Atalho. O cd porém permite uma melhor explanação dos conceitos e arquitecturas musicais utilizados pelo trio.  Os temas ( oito ) são razoavelmente longos, consistentes, diversificados e cativantes. A matriz escolhida, localiza-se algures na fronteira entre o psicadelismo e a infância do progressivo, sendo que o bucolismo e a ruralidade do som de Canterbury paira nos poucos espaços que ficam por preencher.



Dito isto, convirá referir que a “pièce de résistance” permanece “Higher than the sun”, agora “progressivamente” estendida até aos 9m e 19s; contudo, logo a abrir,  “Constant Gardener” diz ao que vem. Remete-nos para o universo adulto ( mid 70s ) dos Caravan e, adicionalmente, o violino relembra a String  Driven Thing e, acto contínuo, os Van der Graaf de “The quite zone/The pleasure done” ( nada que espante, tendo em conta a admiração que Markku Helin nutre por Peter Hammill ). “Ribes Nigrum” veste as mesmas tonalidades, e serve de ante-câmara para o que vem a seguir: “Harvest Time” e “Higher than the Sun, Astral Travel”. Em conjunto constituem  um poderoso cocktail de psicadelismo sem tempo. Parte dos Floyd que importam ( “Ummagumma”, “More”,  Meddle”) passa por “In the Land of Grey and Pink” ( Caravan ) e,  de acordo com os meus ouvidos, vai terminar em “Church” e “Remote Luxury” dos Church ( talvez por isso Steve Kilbey tenha expressado publicamente a sua admiração por PCL ).
“And the skies will fall” é uma belíssima melodia construída sobre vibrações orientais e até se lhe perdoa os ecos das vozes Beach Boys pelo bem que soa. “Love gun” e o instrumental “Skirmish” posicionam-se num patamar ligeiramente inferior. Porém “Weary Moon” eleva de novo a fasquia e, por detrás de uma flauta e de um banjo bem puxados à frente, quase me pareceu vislumbrar sombras do edifício sonoro que Dennis Wilson construiu em “Pacific Ocean Blue”. Uma excelente referência portanto.

Repito, bom e simultaneamente muito agradável. Falar-se-á bastante de “Beyond these things”, seguramente.
Nota: um especial agradecimento a Markku Helin por se ter lembrado do Atalho

05/11/10

Artefactos ( 8 )


Peter Hammill, com ou sem Van der Graaf Generator, é objecto de um culto quase religioso aqui pelo Atalho. As razões são inúmeras e porventura também geracionais. Contudo, contabilizo a meu favor o facto de hoje ser já consensual que se trata de um artista sem paralelo na música inglesa das últimas décadas. Hermético por vezes, complexo sempre, emotivo a espaços, absolutamente independente e nunca adepto do facilitismo. Um "renegado do impressionismo" como alguém em tempos lhe chamou.

Nem todos os seus discos são essenciais, naturalmente. Mas na relação "número de álbuns/obras primas", o rácio das últimas encontra-se bastante acima da média. E apesar da persistente e continuada ausência de atenção por parte da imprensa "mainstream", já nem é necessário Johnny Rotten ou Julian Cope saírem em sua defesa. Após 40 anos, já não é mais possível ignorar o óbvio.

Ao acaso, reproduzo abaixo algumas provas materiais desta espécie de liturgia.


"Van der Graaf Generator, The Book" ( em cima ) por Jim Christopulos e Phil Smart, numa edição privada datada de 2005. Ao longo de mais de 300 páginas e outras tantas fotos, conta TODA a história de VDGG e Peter Hammill no período compreendido entre 1967 e 1978. Um "must" absoluto.

"Killers, Angels, Refugees" ( em baixo ) na edição original da Charisma Books datada de 1974. Inclui as letras dos temas de Hammill até ao álbum "Chameleon in the shadow of the night", comentários acerca das canções e algumas "short stories".


Por fim, duas pequenas contribuições do "yours truly" para a causa.


Texto publicado no número 93 do jornal "Musicalíssimo" ( 9 de Agosto de 1974 ) e uma foto da entrevista a Peter Hammill co-realizada com Belino Costa para o "Jornal Se7e" em Dezembro de 1982, na véspera dos concertos promocionais de "Enter K", dias 17 ( Pavilhão de Alvalade ) e 18 ( Pavilhão Infante de Sagres ).