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12/07/13

Psycholândia 6


 
E de novo a Fruits de Mer  Records e mais um conjunto de singles de magnifico recorte. Edições limitadas e objecto de design cuidado como é habitual.
Crystal Jacqueline, até aqui uma desconhecida do Atalho, recupera três clássicos do psicadelismo 60s: “Cousin Jane” ( Troggs ), “A Fairy Tale” ( Second Hand ) e “Play with Fire” ( Rolling Stones ). Versões imaginativas e voz convincente.

O holandês Jack Ellister regressa à editora com um single que mescla “Within you, Without you” dos Beatles, com “Song for wild” de Mark Fry e “Flaming” de Syd Barrett.  Nada de especialmente novo quanto ao primeiro e ao último. Distinta, excelente e lisérgica  a cover de Mark Fry.
Os Stay chegam de Barcelona e avançam com quatro temas de importância e calibre desiguais. “Mersey Dream”, um original que balança entre a muralha sonora Oasis e a subtiliza Stones Roses. Pouco convincente. “Guess I was dreaming”  ( lado A de um single dos The Fairytale datado de 1967 ) soa como se o jardim do psicadelismo britânico se mantivesse ali ao virar da esquina. “If I needed someone”, assinada por George Harrison para “Rubber Soul” e “I see the rain”, um velho single dos Marmalade para a CBS em 1967, não apresentam aqui nada de diferenciado e memorável.

 
Muito embora lhes reconheça a importância, Black Sabbath nunca foi o meu “cup of tea”.  Os White Sails conseguem no entanto prender a minha atenção e os dois instrumentais dos Sabbath que propõem “Laguna Sunrise” ( “Vol. 4”) e “Fluff” ( “Sabbath Bloody Sabbath” ) soam perfeitos e cristalinos, como se tivessem nascido em São Francisco e não na sombria Birmingham do inicio dos 70s. Mas as pérolas aqui são os dois originais: “The answer” e “Death on a Pale Horse”. A primeira leva-me até à guitarra de Michio Kurihara;  a última nasce nos Apalaches mas rapidamente se dirige para os recantos mais serenos de “Physical Graffiti”.  White Sails, fixem o  nome.
Os suecos Me And My Kites são devotos dos Fuchsia ( cujo álbum homónimo de 1971 é hoje objecto de assinalável culto ).  Para o single estreia localizaram uma velha demo do grupo inglês ( “The Band” ), trabalharam-na e solicitaram ao respectivo compositor  ( Tony Durant ) que lhe emprestasse a voz. O resultado não compromete, mas está longe de ser memorável. O Atalho tem melhores recordações de “Fuchsia”.  O lado B do single, “Isis’ Adventure” indicia que o colectivo sueco tem andado a escutar Kevin Ayers. Algo que se regista com agrado. Mas, Kevin Ayers é e será sempre Kevin Ayers …..

06/01/12

Mark Fry "I lived in trees"


O britânico Mark Fry esteve desaparecido em combate desde 1972, ano em que publicou e apenas no mercado italiano ”Dreaming with Alice”, um delicado álbum de inspiração folk, que hoje, à luz dos novos chavões/conceitos, chamariam de “weird”, “downer”, ou assim …

Durante anos viveu entre a pintura, o anonimato e projectos musicais nunca concretizados. Em 2011, finalmente, regressou às canções. Procurou o apoio do duo The A-Lords e acaba de editar “I Lived in Trees” (Second Language Music). Como o título deixa perceber, permanecemos em terrenos rurais e a linguagem preferida continua a ser o folk. Todavia a atmosfera algo “naif” que se vivia em Dreaming with Alice” (Mark Fry era pouco mais que um teenager quando compôs aquelas canções ) cedeu o lugar a um quadro pastoril de características vincadamente “lo-fi”.

Os nove temas de “I lived in Trees” ( o cd é envolvido numa fabulosa capa de cartolina concebida / desenhada por Iker Spozio e constituída por oito painéis em forma de concertina ) conduzem-nos directamente para um cenário rupestre onde, quase sem querer, nos cruzamos com os gnomos que Fry convocou quando compôs estas canções. Suspeito mesmo que o tema título tema sido escrito e interpretado a pensar neles.

Mágico, simples e intemporal, como todas as coisas belas.