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06/01/12

Mark Fry "I lived in trees"


O britânico Mark Fry esteve desaparecido em combate desde 1972, ano em que publicou e apenas no mercado italiano ”Dreaming with Alice”, um delicado álbum de inspiração folk, que hoje, à luz dos novos chavões/conceitos, chamariam de “weird”, “downer”, ou assim …

Durante anos viveu entre a pintura, o anonimato e projectos musicais nunca concretizados. Em 2011, finalmente, regressou às canções. Procurou o apoio do duo The A-Lords e acaba de editar “I Lived in Trees” (Second Language Music). Como o título deixa perceber, permanecemos em terrenos rurais e a linguagem preferida continua a ser o folk. Todavia a atmosfera algo “naif” que se vivia em Dreaming with Alice” (Mark Fry era pouco mais que um teenager quando compôs aquelas canções ) cedeu o lugar a um quadro pastoril de características vincadamente “lo-fi”.

Os nove temas de “I lived in Trees” ( o cd é envolvido numa fabulosa capa de cartolina concebida / desenhada por Iker Spozio e constituída por oito painéis em forma de concertina ) conduzem-nos directamente para um cenário rupestre onde, quase sem querer, nos cruzamos com os gnomos que Fry convocou quando compôs estas canções. Suspeito mesmo que o tema título tema sido escrito e interpretado a pensar neles.

Mágico, simples e intemporal, como todas as coisas belas.

11/10/11

The A-Lords "Who's afear'd"



Aqueles que fazem das actividades pedestres uma paixão sabem que nada é comparável ao som ou ao silêncio da natureza. Sempre bela, pode ser mais ou menos difícil de ultrapassar, mas por paradoxal que possa parecer, existe no cansaço físico do final de um longo dia de caminhada um enorme sentimento de felicidade por haver partilhado locais e momentos verdadeiramente únicos.


Em Dorset / Devonshire, os The A-Lords criaram uma espécie de liturgia onde a natureza e a música ( grande parte dela improvisada ) comunicam entre si, como se fizessem parte de um único corpo, indivisível.


Maioritariamente instrumental “Who’s afear’d” é constituído por um conjunto de peças musicais ( executadas por órgãos de igreja, balalaikas, pianos de brincar, dulcimer, guitarra acústica, clarinete, órgão, etc ) nas quais podem coabitar sem o mínimo sobressalto, as músicas folk/erudita ( de câmara ), o canto dos pássaros, o borbulhar da água de um riacho, o som irrequieto de uma pequena cascata ou o silvar cavo do vento ao atravessar a charneca.




Introspectivo, quase místico, este álbum da dupla Michael Tanner / Nicholas Palmer, poderá não ser dirigido a toda a gente mas representará seguramente uma experiência recompensadora para todos os que o ousarem procurar.

Nota: A edição vinil da Rif Mountain é limitada a 300 exemplares e inclui um cdr com todos os temas do álbum.