13/01/14
Asteroid # 4 "The Asteroid nº 4"
12/05/13
Deutsche Elektronische Musik 2
16/04/13
Flowers Must Die "S/t"
23/02/13
Mugstar "Axis"
28/11/12
Mugstar "Ad Marginem" OST
15/11/12
Martin Eden "Dedicate Function"
07/11/12
Rock & Folk
01/10/12
Moon of Ostara "The Star Child"
18/08/12
Can "The Lost Tapes"
30/06/12
Dead Sea Apes "Lupus"
19/03/12
Various "Head Music"

A agora lendária e iconográfica editora Brain ( mais conhecida por “Green” Brain ) nasceu na antiga Alemanha Ocidental em 1972 e permaneceu activa até meados de 1976. A par da Ohr, da Pilz, da Kosmische Musik ou da Sky foi das principais responsáveis pela divulgação e suporte de uma das mais importantes e inovadores correntes musicais dos 70s: o krautrock / kosmische musik.
Nos 4 anos em que permaneceu activa enquanto “Green” Brain, editou obras seminais e suportou bandas como Neu!, Cluster, Guru Guru, Electric Sandwich, Os Mundi, Sperrmull, Harmonia, Klaus Schulze, Tangerine Dream, etc. Através destas edições ajudou a alterar o paradigma da música europeia, fez história, e hoje, os exemplares originais dos respectivos álbuns transaccionam-se nos mercados de coleccionadores a preços de ourives.
A Fruits de Mer Records (http://www.fruitsdemerrecords.com/head%20music.html ) decidiu comemorar os 40 anos da fundação da Brain com a edição de um duplo álbum em formato de vinil onde, com a ajuda e participação empenhada de bandas contemporâneas como os Earthling Society, Electric Moon, Vibravoid, Dead Sea Apes, Electric Orange e The Bevis Frond entre muitas outras, recupera e reactualiza temas que fazem a história do krautrock e da kosmische musik germânicas.
A grande maioria dos temas aqui relembrados não foram na origem sequer gravados para a Brain, não obstante entende-se e justifica-se a inclusão, em função da importância estética e histórica que a “Green” Brain teve (tem) na música moderna dos últimos 40 anos.

( Earthling Society )
Os incondicionais do kraut não precisarão de ler mais nada. Quanto aos outros, sempre direi que encontrarão em “Head Music” versões fabulosas de temas originais dos Amon Duul I ( “Paramechanical World” por Earthling Society ), Kalacakra ( “Nearby Shiras” por Vibravoid ), Neu! ( “Lila Engel” por Palace of Swords ), Can ( “I want more” por Saturn’s Ambush), Kraftwerk ( “Rukstob Gondoliero” por Dead Sea Apes). Ash Ra Tempel ( “Schizo” de Frobisher Neck ), Popol Vuh ( “Mantra II” de Zenith ), La Dusseldorf ( “Silver Cloud” por Frobisher Neck ) …, 19 títulos explanados pelas 4 faces de dois vinis coloridos e com publicação limitada a 700 exemplares, como é já tradicional na Fruits de Mer.
Brian Eno enquanto músico e Richard Branson enquanto homem de negócios ( a Virgin Records nasceu em 1972 muito por culpa das ondas de choque que chegavam da Alemanha ) foram os primeiros a perceber a importância pioneira do krautrock e afins. Hoje, mais de 4 décadas passadas ninguém tem a menor dúvida sobre o talento dos visionários que lhe deram forma e sobretudo conteúdo.
As mais sinceras felicitações à Fruit de Mer Records por esta oportuna e meritória iniciativa.
20/09/11
A Winged Victory for the Sullen "S/t"

A chamada “ambient music” funciona como uma espécie de albergue espanhol que serve para tudo acomodar. O que se sente, o que não se sente, e tudo o resto: o que não se sabe muito bem onde guardar. Trate-se da “music for airports” de Brian Eno, da “kosmische musik” germânica, da “lounge music”, da “elevator music”, de algumas das franjas da música de vanguarda …, whatever.
O Atalho tem um fraquinho pela música feita de grandes paisagens cósmicas ( “kosmische musik” se quiserem, e apenas para afastar o chavão “ambient” ) e respectivos sucedâneos onde, salvo melhor opinião, os norte-americanos Stars of the Lid se enquadram.
Em licença sabática dos Stars, Adam Wiltzie reuniu-se com o compositor Dustin O’Halloran e em conjunto deram corpo ao projecto A Winged Victory for the Sullen ( o nome em si mesmo é já peculiar), cujo CD de estreia circula já por aí.

De uma beleza indescritível, embrulhado em delicados mantos de lirismo, o álbum homónimo da dupla Wiltzie/O’Halloran alimenta-nos o espírito, transporta-nos para paisagens inóspitas e a mim, particularmente , convocou-me as mais gratas memórias de Brian Eno , Klaus Schulze, Pink Floyd ( período 1968 / 1971 bem entendido), Windy & Carl, Hammock, Eluvium e, naturalmente, Stars of the Lid. Constituído por sete peças instrumentais, “A Winged Victory for the Sullen” é um daqueles projectos onde é difícil colocar as palavras certas, sendo que cada um “de per si”, de acordo com a respectiva sensibilidade, experiência e/ou memória, o sentirá de outra forma. “Beleza sensorial” será porventura a mais consensual das imagens que me ocorre neste momento. Quem sabe amanhã ou depois, a emoção despoletada não seria de índole diversa. Não deixem de procurar escutar … Em silêncio!
05/09/11
Wooden Shjips "West"

Pode discutir-se o modelo. Inclusive a oportunidade. Nunca a eficácia
Para o Atalho, os Wooden Shjips são de momento a banda que melhor comunica entre o legado do krautrock germânico e a herança californiana dos 60s, com ou sem a componente psicadélica pelo meio. Um facto patente nos registos áudio e óbvio nas prestações de palco ( para aqueles que como eu já usufruíram desse privilégio ).
Ao terceiro CD, o colectivo de São Francisco, à equação Neu + La Dusseldorf / Doors + Mad River, decidiu adicionar os desvarios lisérgicos dos 80s, sendo que para tal procurou os serviços do músico/produtor Sonic Boom ex-mentor dos Spacemen 3. “West”, o resultado desta opção, soará porventura mais contemporâneo a ouvidos mais jovens e/ou apressados. Outros referirão porventura que terá perdido alguma da espontaneidade que fez de “Wooden Shjips” ( 2007 ) um dos registos mais interessantes dos últimos anos. O mérito porém está lá todo – bem entendido. A questão poderá colocar-se na(s) forma(s) escolhida(s) para o expressar.

Dito isto, e por ser verdade, convirá sublinhar que “West” é constituído por um conjunto de temas muito acima da média. “Black Smoke Rise” por exemplo, combina na perfeição o ritmo Neu com o paradigma Suicide, sendo que a ligação entre ambos é estabelecida através do inimitável órgão inventado por Ray Manzarek para os Doors. “Crossing” é uma fuga para a frente, em direcção aos Telescopes e aos Loop. E Sonic Boom e os seus Spacemen 3 sempre ali por perto.
"Home” é um monumental e riffeiro “killer track” que deveria obrigatoriamente rodar nas rádios “alternativas” deste país , caso estas o fossem de facto. Por seu lado, “Flight” é genericamente o somatório de tudo o que atrás fica dito, mais a fortíssima possibilidade dos Shjips terem escutado “The Piper at the Gates of Dawn” antes de entrarem em estúdio. “Rising”, a terminar, poderá muito bem ser o caleidoscópio planante que vai incendiar as audiências nos “encore” que inevitavelmente irão ter lugar por esses palcos fora.
Pena que a tournée dos Wooden Shjips não contemple datas portuguesas. Ou será que ainda nos é permitida uma ténue esperança …?
06/05/11
"Roqueting through Space"

Observando os padrões de qualidade e exigência gráficas outrora patenteados pelas capas das edições da Island ou da Vertigo, a Fruits de Mer Records acaba de publicar "Roqueting through Space", uma compilação de versões de temas "psych / space / kraut" que, desde já, configura um futuro "collector".
Os temas:
- Vibravoid - "No silver bird", original de Hooterville Trolley
- Helicon - "Hallogallo" de Neu!,
- Cranium Pie's - "Blacksand" de Brainticket,
- The luck of Eden Hall - "Lucifer Sam" de Pink Floyd
- Frobisher Neck - "Isi" de Neu!,
- The Grand Astoria - "Oh Yeah" de Can,
- Diarmuid MacDiarmada - "Telstar" de Tornados
- Alpha Omega - "Transdimensional man/Paradox" de Hawkwind,
- Sendelica - "Urban Guerilla" de Hawkwind
A edição foi de apenas 500 exemplares e por esta altura já deverá ter esgotado.
19/12/10
Mugstar "Lime"
“Damn it !!!” Gosto tanto deste CD que estou quase tentado a colocar de lado os auscultadores e permitir que o som dos Mugstar se propague sem restrições. A minha única hesitação reside na fortíssima probabilidade de 5 minutos volvidos, os meus vizinhos de patamar, do andar de cima e muito possivelmente do de baixo, numa circunstancial aliança, se prepararem para violentar o botão da minha campainha. É que “Sunburnt Impedance Machine” sendo uma das mais extraordinárias peças de noise-rock psicadélico que escutei recentemente, é também por isso mesmo um albergue de riffs tonitruantes e apocalípticos.
“Lime” é já o terceiro CD desta banda de Liverpool e aos meus olhos o seu melhor, o que é dizer muito, tendo em conta o que escrevi sobre o primeiro. A maturidade musical será sempre um conceito subjectivo e um momento em constante mutação. Logo um processo evolutivo que umas vezes corre bem, outras nem tanto. Neste âmbito, atrever-me-ia a dizer que “Lime” é por esta altura o estado de maturidade dos Mugstar.

Para além do já referido tema de abertura, algo capaz de separar os homens dos rapazes, os cerca de 13 minutos que dura “Serra” são do melhor e mais consistente que este quarteto já produziu. Seria preciso recuar até La Dusseldorf, Neu ou mesmo Kraftwerk para encontrar algo de semelhante.
“Radar King” principia com um “break” de antologia ( o meu leitor de CD deve estar perplexo e algo irritado, tantas as vezes que o obriguei a voltar ao inicio do tema ), desenvolve-se em ambiente metronómico - onde as guitarras lutam desesperadamente para não serem devoradas pela bateria - e termina num espaço outrora ocupado pelo space-rock psicadélico dos Hawkwind ou dos Man. A concluir “Beyond the Sun” é um lugar de ambiental acalmia que, não sendo diferenciador, de modo algum compromete.
Pelas melhores razões “Lime” é um daqueles raros álbuns de que em momento algum me irei esquecer. Seguramente o melhor que escutei este ano.
26/10/10
Eluvium "Static Nocturne"

and although I am an avid consumer of music
I am ultimately a fan of sound in a much grander sense
the rain falling, the ocean swelling, the wind picking up,
cars driving by, train yards, box fans, etc ... etc ... etc ...
the amalgamation of these things creates a wonderful comfort to me
and it is in this 'static' that ideas for music suggest themselves
the mixture of these elements create the chord changes and melodies,
or are the foundation through which they are sought
I find nothing more comforting
than the flood of this vibration at a constant
Static Nocturne is an ode
to the process by which inspiration finds me
and an homage, of sorts, to this foundation of noise"
( Matthew Cooper, a.k.a Eluvium, no "insert" que acompanha "Static Nocturne" )
20/04/10
"Deutsche Elektronische Musik"
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E eis que chegou finalmente “Deutsche Elektronische Music – Experimental German Rock and Electronic Musik 1972-83”.
Não será ainda o olhar definitivo sobre o tema ( admitindo que um dia será possível atingir tal desiderato ), mas é indiscutivelmente um excelente contributo para lá chegar.
Fundamental escutar enquanto se lê ou relê o que de melhor se escreveu sobre o fenómeno.
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23/03/10
Enumclaw "Opening of the dawn"

Norman Fetter é um cidadão da Pensilvânia que divide o seu tempo e interesses pelos Niagara Falls ( onde toca ), a Honeymoon Records ( que dirige ), os Espers ( que acompanha em tournée ) e Enumclaw, um projecto que criou recentemente para matar as horas livres que lhe sobravam.
“Opening of the dawn”, o LP de estreia de Enumclaw é uma delícia para os ouvidos e para a mente.
Adepto convicto e praticante inspirado da “música cósmica”, Fetter abre o disco com o tema título, uma longa e hipnótica peça onde os sintetizadores tecem mantos de electrónica aqui e ali matizados por uma percussão discreta mas presente. “Join inn” dos Ash Ra Tempel e “Blackdance” de Klaus Schulze estão certamente à cabeceira de Fetter. “Third prime”, logo a seguir, mantém o ouvinte no nirvana. O órgão à deriva e os sintetizadores, agora em registo drone, fazem “rewind” até “Atem” e “Zeit”. E os Tangerine Dream ali tão perto.
O lado B surge menos focalizado mas nem por isso menos interessante. Do glissando das guitarras de “Harmonic convergence”, à melodia lisérgica de “Blue Star Kachina”, com passagem fugaz pelas percussões tribais de “Evening’s Empire”, é parte do melhor catálogo da “kosmische musik” que nos é proposto revisitar nos cerca de 23m50s que dura a face B deste álbum.
Refúgio seguro para os viajantes do Atalho, “Opening of the dawn” deve também ser recomendado a todos os que fazem da música a sua principal terapia quotidiana. Para além disso, é absolutamente mandatório para os fãs dos discos/grupos referidos no texto.
28/11/09
"Krautrock, Cosmic Rock and its Legacy"

"KrautrockSampler”, o ensaio que Julian Cope publicou em 1995, permanece uma referência incontornável no campo dos textos dedicados à música moderna alemã pós 1967. Está lá tudo, ou quase tudo, o que qualquer fã gostaria de ter escrito sobre o tema.
Quinze anos passados, embora naturalmente sem o mesmo impacto, a mais valia de “Krautrock, Cosmic Rock and its legacy” reside no facto de concretizar uma abordagem mais profissional e estruturada ao assunto. Sendo que, o aumento da distância relativamente ao tempo e aos acontecimentos retratados, também ajuda.
("KrautrockSampler" 1ª edição Head Heritage, UK, 1995)A contribuição de Erik Davis é igualmente importante para finalmente se perceber que Krautrock e Kosmische Musik não são exactamente sinónimos em matéria de forma e conteúdo.
Ainda que num registo demasiado conciso, alguns dos artistas mais importantes do período (não necessariamente os mais conhecidos), têm aqui o perfil talhado. Mais interessante e inovador é o trabalho sobre os produtores e editoras discográficas. Destaque merece também a introdução de uma “timeline” que, de 1967 a 1975, recorda o que de mais importante sucedeu na Alemanha: na politica, no cinema e na música.
Se juntarmos “Krautrock, Cosmic Rock and its legacy” a “KrautrockSampler” ficaremos a saber tudo o que realmente interessa sobre uma das linguagens musicais mais radicais da segunda metade do século XX. De caminho, convirá também regressar aos discos…













