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15/11/24

Crosby, Stills, Nash & Young "Live at Fillmore East, 1969"

 


What we lacked in finesse we made up for in enthusiasm. The better arrangements were still to come. A band on the run. Expecting to fly.” ( Stephen Stills, no booklet da edição )


Stills acertou na mouche. Revisão da matéria dada. Pouco a acrescentar e nada a retirar.

Live at Fillmore East, 1969” ( 20 de Setembro para sermos precisos ) é uma curiosidade histórica, apenas.

As prestações acústicas estão próximas das que já conhecíamos de “Four Way Street”, captadas em Junho e Julho do ano seguinte.

O alinhamento eléctrico é algo mais entusiasmante. Sendo que para tal concorrem os  extensos 16m19s que dura “Down by the river”, com Stills, Crosby, Greg Reeves e Dallas Taylor a ocuparem muito bem o espaço dos Crazy Horse em “Everybody knows this is nowhere”, bem como o hoje relativamente esquecido “Sea of Madness”, não obstante ter feito parte da banda sonora de “Woodstock” e integrado o Volume I dos Neil Young Archives.

No mais trata-se “do mercado a funcionar”.

25/10/21

Jardins do Paraíso ( LXX )

 


Uma absoluta barbaridade, o índice de talento que a foto acima, captada por Jim Marshall em 1970, encerra.

Volvidos 50 anos, a conjugação daqueles e de outros talentos ( não menos despiciendos note-se ) continua a fazer de “If I could only remember my name” um lugar único e irrepetível. Um disco que separa as águas e que diz muito sobre os seus indefectíveis e, quase tudo, sobre os seus detractores.

Música intensa, visceral, orgânica e, se quiserem, concedo, vizinha do improviso. Uma das alegadas facetas que mais parece incomodar os fãs da pop music fofinha.

Deve muito, embora não tudo, ao seu principal mentor e compositor  David Crosby.

Para além dele e dos restantes protagonistas da foto mencionada ( Jerry Garcia, Neil Young e Phil Lesh ) convirá não esquecer os demais: Grace Slick, Jorma Kaukonen, Paul Kantner, Joni Mitchell, Gregg Rolie, Laura Allen, Graham Nash, Bill Kreutzmann, Michael Shrieve, Jack Casady, David Freiberg  e Mickey Hart, sem o contributo dos quais o álbum talvez não tivesse sustentado a intemporal dimensão de que goza há cinco décadas.

Dito de outra forma, existe um antes e um depois de “If I could only remember my name”, ponto!



( foto de Joel Bernstein )

Perguntarão: mas depois de tanto tempo e de algumas recuperações, quer sobre a forma de reedição ou a propósito de uma ou outra compilação, ainda existe espaço para uma nova edição? Existe, de facto, e a explicação reside nas 8 demos e 5 sessões que acompanham os 9 temas originais ( o título “Kids and dogs” não entra na equação uma vez que já havia sido publicado numa reedição em 2006 ).

Escutam-se as demos ( voz e guitarra acústica ) de “Laughing”, “Song with no words”, Tamalpais High (All about 3), “Games”, “The wall song” ou “Where will I be?” ( as três últimas abandonadas neste projecto mas recuperadas no ano seguinte para o álbum “David Crosby / Graham Nash ) e aquilata-se do quão enorme era o talento do autor, independentemente do ângulo escolhido para a abordagem. Uma voz inigualável, harmonias e arranjos vocais pioneiros, atonalidade de muitas composições e uma sensibilidade interpretativa verdadeiramente incomum.

Quanto às sessões, e colocando de lado a versão alternativa de “Cowboy Movie” já  publicada em 2006 na box-set “Voyage”, destaque para um extraordinário “Coast Road” que não teria destoado no álbum original, bem assim como para as maquetas “Bach Mode”, “Dancer” e “Fugue”, vozes e guitarra acústica, sempre.

Cinco décadas passadas, pouco interessarão os contornos actuais da personagem de Crosby. Incongruências, equívocos, atitudes fora da caixa, quezílias com os antigos companheiros, ainda que reveladoras do carácter, são nada ou muito pouco quando comparadas com a grandeza que “If I could only remember my name” transporta no tempo.

23/07/19

Artefactos ( 93 )




Fotos alternativas para o álbum "Dèjá Vu"

14/11/18

Graham Nash "Over The Years"



 ( foto de Michael Putland )

Ao contrário de Neil Young, com quem o Atalho persiste em manter uma relação conflituosa, os seus três sobredotados companheiros de viagem ( Crosby, Stills e Nash ) há muito que foram arrumados na respectiva prateleira dourada da história.

David Crosby, desde que lhe secou a criatividade, vai coleccionando episódios caricatos, uns atrás dos outros. Stephen Stills arrasta-se como pode e são os velhos amigos que lhe estendem  a mão ( Judy Collins por exemplo ). Graham Nash  por seu lado cultiva uma inteligente e sensata discrição. Não foi pois difícil esquecê-lo ainda que, constata-se agora, talvez não tenha sido a mais acertada das opções.

Ainda que inspiradas e por vezes brilhantes, as criações de Crosby ( “If I Could Only Remember My Name” é um disco superlativo ) e Stills soam hoje algo datadas porque escutadas fora do contexto artístico e social que as motivou. Até há pouco, presumimos que algo de semelhante se passaria com as canções de Graham Nash. Nada de mais errado, como a espuma dos dias e a compilação “Over The Years” se encarregam de demonstrar.

Plasmadas em cima da realidade do mundo de hoje, estas canções ( a maioria escrita há mais de 35 anos ) são de uma actualidade incomodativa. Naquele registo a meio caminho entre o  trovadoresco e o pacifista, regressam para inquietar de novo as consciências daqueles que estiverem disponíveis para se inquietarem, de facto.

Revisão da matéria dada? Porventura. Não é todavia possível desvalorizar a inesperada conexão que, depois de décadas, temas como “Immigration Man”, I Used to be a King”, “Military Madness”, “Chicago” ou “Teach Your Children” mantém com a  realidade que hoje observamos, por entre um oceano de sombras e muita incredulidade. Acresce ainda o facto nada despiciendo de muitos deles possuírem um carácter autobiográfico.

Over The Years” são 30 temas. Metade recuperada aos álbuns originais, ainda que aqui e ali experimentando misturas diferentes; os restantes sob a forma de “demos”  inéditos até à data. E não deixa de ser um exercício curioso – diria inspirador -, constatar como a aparente simplicidade destas “demos” conduziu às versões “definitivas”, amiúde preenchidas pelo talento instrumental de gente como Jerry Garcia, Phil Lesh, Dave Mason ou David Lindley.

Sendo primeiramente um testemunho artístico, “Over The Years” acaba  muito justamente por ser algo mais do que isso.