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24/10/16



Originários de Washington, em 2008 os Nudity publicaram “The Nightfeeders”. Um  disco extraordinário em devido tempo aqui referido no Atalho e que mutava géneros tão diversos como o krautrock, o heavy militante dos MC5, a “guerrilha urbana” dos Hawkwind, os sit-ins psicadélicos de São Francisco ou o cinzento de Manchester tal como Ian Curtis o pintou.

Is God’s Creation” não é exactamente um alinhamento de novidades, antes uma compilação que agrega temas retirados das primeiras gravações em CDr, canções inéditas e registos dispersos de palco.

Mente aberta precisa-se, pois a paleta de géneros e influências cresceu consideravelmente. A saber:  New York Dolls, Comets on Fire, Buzzcocks, Sonic’s Rendez-Vous, Blue Cheer… são alguns dos nomes que nos chegam da memória.

Um desafio amplo e exigente, como facilmente se percebe, “Is God’s Creation” não será para todas as horas, mas é seguramente um disco para muitos anos.

05/02/15

Signs of the Silhouette "Spring Grove"


Por vezes, aquele difícil e muito pouco estético exercício de andar com um ouvido em permanente contacto com o solo, é recompensador. A música mais arrojada continua a pulsar no subsolo, chame-se ele underground ou outra coisa qualquer.

Os Signs of the Silhouette não são propriamente uma novidade, andam por aí desde o inicio da década e com “Spring Grove consolidam o espaço entretanto ocupado e  catapultam as suas tempestades psicadélicas para outros horizontes.  O quarto álbum o duo de Lisboa é um furacão cujo epicentro se localiza naquele espaço onde se cruzam o psicadélico, o krautrock e a música de vanguarda. O drone também passa por ali, mas residualmente.

Dito isto, os quatro longos temas que fazem “Spring Grove” são um desafio. Permanente. Os SOTS constroem uma música que não soa igual duas vezes e que exige da parte de quem se dispõe a escutá-la uma disponibilidade que está para além do mero divertimento. Umas vezes transporta-nos para o universo de Acid Mothers Temple, outras para as excentricidades Hawkwind. Por momentos julgamos estar em Liverpool em frente a uma prestação dos Mugstar, para logo a seguir as espirais eléctricas das guitarras e o pulsar monolítico da percussão fazerem a ponte com as prestações hipnóticas de Nudity ou Bardo Pond.

É dificil? É. Mas se fosse fácil também não estariam a ler este texto.

12/06/08

Nudity "The nightfeeders"

Klaus Dinger, membro fundador dos Kraftwerk, Neu e La Dusseldorf, morreu em Março último. “The nightfeeders” a estreia oficial dos Nudity foi publicada pouco depois. Objectivamente sem relação, os dois factos acabam por ter uma ligação: o estilo metronómico da bateria.
Dinger foi um multi-instrumetista visionário, ao qual deve ser creditada a invenção do chamado “motorik”, uma forma peculiar de trabalhar a percussão que passou a ser uma das imagens de marca do krautrock alemão, mais tarde presente na música feita por Hawkwind, Bowie, Brian Eno ou Joy Division.

Oriundos de Washington os Nudity, utilizam a arquitectura rítmica criada pelo alemão como uma espécie de cabouco em cima do qual assentam os delírios sonoros do órgão, baixo e, sobretudo, da guitarra.
The nightfeeders” é, percebe-se logo na primeira audição, um disco enorme. Instintivamente, um daqueles registos destinado aos incondicionais da música psicadélica.

Principia no terreno que foi dos Malachi ( “Holy Music” é um paradigma incontornável ): sitars, flautas, drones, mantras. Desloca-se a seguir para a Bay-area de São Francisco 1968. Mais adiante, sem que nada o fizesse prever, avança para um beat frenético, por sobre o qual tonitrua um baixo desinquieto. Pairando sobre estes dois elementos, abre-se espaço para a guitarra de Dave Harvey, num prolongado e hipnótico solo-fuzz. Os Blue Cheer também passaram por ali.

Lado 2. “The nightfeeders (concentrick mix)” na prática um tema completamente diferente. Meditação, silêncio, improvisação. A guitarra acústica guia-nos para paisagens mais coloridas, lugares outrora habitados por New Age/Pat Kilroy ou Euphoria. Fim do interlúdio. O frenesi cósmico dirige-se de novo para o olho da tempestade “motorik”. A guitarra abandona os jardins do paraíso para regressar à electricidade suja do fuzz, em solo interminável, até que se esgotam as espiras do vinil. Porque tudo tem de ter um fim…

Para a primeira edição de “The nightfeeders” foram prensadas apenas 800 cópias ( 200 em vinil cor púrpura, 600 em negro ). A capa, pintada semi-manualmente é um verdadeiro “labour of love”. Também por esta via, este disco está condenado a ser um clássico.