30/04/15
The Silence "S/t"
18/09/09
Helena Espvall & Masaki Batoh "Overloaded Ark"
Escutar a guitarra de Masaki Batoh continua a ser um dos grandes prazeres deste mundo. A forma como, aparentemente sem destino, a acústica do músico japonês percorre a aridez dos espaços em “Until Tomorrow”, constitui um momento de antologia e uma das razões para investir nesta segunda colaboração entre o experimentalista de Tokyo e Helena Espvall.

As restantes razões poderão ser encontradas nas adaptações de tradicionais ( “Little Blue Dragon” e “Vem Kan Segla” ), nas incursões pelo território da música antiga ( “Pro Peccatis Suae Gentis/Nun Fanget Na” ) ou no revisitar das atmosferas gélidas outrora propriedade de Nico: “Tourdion” não pode deixar de evocar “Le Petit Chevalier” de “Desertshore” e “Over the luminous land” só pode ser consequência de uma exposição prolongada a “Frozen warnings” do mítico “Marble Index”.

Faltará unidade e consistência a “Overloaded Ark”; um caso típico em que o todo acaba por não ser igual à soma das partes. Porém, individualmente, será fácil encontrar aqui temas que justifiquem a respectiva inclusão numa lista de favoritos do IPod.
04/08/08
Helena Espvall & Masaki Batoh - "S/t"

Masaki Batoh lidera há cerca de 20 anos o colectivo japonês Ghost, um projecto orientado para o avant-psych mas com repetidas e significativas incursões na folk. Natural da Suécia, Helena Espvall tem vindo a percorrer os trilhos do experimentalismo, do wyrd-folk, tem colaborado com Bert Jansch e há um par de anos integra os Espers, a banda que o americano Greg Weeks utiliza para renovar o vocabulário e sons do folk de inspiração celta, tal como a Incredible String Band os concebeu.
Tendo presente a expectativa que envolveu o projecto e o currículo dos músicos “Helena Espvall & Masaki Batoh” sabe a pouco. Resultará apenas como um conjunto de temas tradicionais escandinavos, intercalados por uma mão cheia de curtas improvisações de cariz pastoral e/ou medieval.
É notório o desequilíbrio. Há demasiada Helena Espvall e muito pouco Masaki Batoh ( bastará regressar ao magnífico “Damon & Naomi with Ghost” para se aquilatar da qualidade e da importância do guitarrista japonês ). Logo, o plano inclina-se indesejavelmente em direcção a Joanna Newsom, Marissa Nadler, Josephine Foster ou CocoRosie, o que como muito boa gente já percebeu não é de todo um bom sinal.

Do conjunto, emergem “The Beautiful Crystal” ( muito bom o trabalho de guitarra da sueca ),”Death letter” um tema de Son House adaptado e interpretado por Masaki e “Uti Var Hage” uma canção tradicional da Suécia onde o conjunto das duas vozes e o filigranar das guitarras eléctricas se aproximam dos patamares de beleza e melancolia que caracterizam as criações do japonês.
Talvez a soma das duas personalidades resulte melhor em palco …


