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27/11/17

Randy Newman "Dark Matter"



Randy Newman foi, é e será único.

Desde há largos anos, talvez o herdeiro último da tradição musical Tin Pan Alley, Newman compõe lenta e minuciosamente, como um ourives. Publica quando tem algo de importante a dizer e não porque sim, como é hábito por aí.

Dir-se-á: as suas letras nunca atingirão o lirismo de um Dylan, a emotividade de Springsteen ou a iconoclastia de um Waits, mas em contrapartida são feitas de uma mordacidade sem limites. Nesse particular roçam a genialidade, sendo absolutamente cirúrgicas e eficazes. 

Atente-se em “A few words in defence of our Country” de há uns anos ou em “Putin” no recém editado “Dark Matter”. Aqui, os cerca de 8 minutos de “The Great Debate” poderão parecer excessivos, mas mesmo o mais conciso dos song-writers teria dificuldade em retratar a América do pré e pós Trump num tema mais curto.

Quanto a “Putin”: “… Putin puttin’ his pants on/One leg at a time/You mean he’s just like a regular fellow, huh?/He ain’t nothing like a regular fellow/Putin puttin’ his hat on/Hat size number nine/You sayin’ Putin’s getting’ big headed?/Putin’s head’s just fine…”, o próprio não deixará certamente de sorrir ante o humor subtil do retrato.

Os tocantes “Lost without you” e “She chose me” são olhares serenos sobre a vida, algo que só o actual  Newman poderia escrever. Dito isto, “Dark matter” inclui canções notáveis, mas carece de unidade. Musicalmente encontra-se perto de “Ragtime” e longe do genial  Sail Away”, mesmo até de “Good Old Boys” ou “Little Criminals”. Uma proximidade que os fãs seguramente prefeririam.

11/10/12

Artefactos ( 29 )

 
 
"O meu único senão relativamente ao Paraíso é o receio de que lá não existam nightclubs"

Tom Waits . 1979. Anos antes de conhecer Kathleen Brennan, a sua Yoko Ono.
 
 
Em cima um dos primeiros textos publicados em Portugal sobre Tom Waits. Algures nos finais de 1979. O jornal chamava-se A Voz do Povo (para ouvir clicar sobre o nome, para ler clicar sobre a imagem).

05/03/09

"Lowside of the Road, a life of Tom Waits"



Li Kerouac em inúmeras situações e de diferentes formas.

Li, simplesmente. Li, ao mesmo tempo que as sonoridades de “Born to run” e “Darkness on the edge of town” pairavam sobre a narrativa incansável. Li, quando me encontrava refém das histórias de sombras e sobrevivência que brotam de “Nighthawks at the Diner”, “Small change” ou “Blue Valentine”.

Depois disso, apesar do Bruce Springsteen da década de 70 estar próximo dos heróis de “On the road” e “Dharma bums”, não me foi mais possível dissociar Neal Cassady e Ray Smith das personagens inquietas, espiritualmente nómadas, que Tom Waits foi inventando ( ou reproduzindo).

("The piano has been drinking")

Através de “Lowside of the road, a life of Tom Waits”, Barney Hoskyns, contador de muitas histórias, dá mais um forte contributo para ajudar a explicar como funciona esse mundo maravilhoso, onde a penumbra dos deserdados vive paredes meias com a esperança dos que teimam em não desistir.