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14/02/19

Mandrake Paddle Steamer "Pandemonium Shadow Show"



Até há pouco, o que se conhecia dos Mandrake Paddle Steamer  resumia-se a  um single lendário ( “Strange Walking man”, Parlophone, 1969 ) e a uns quantos bootlegs de fraca qualidade aúdio que apenas serviam para alimentar um pequeno nicho de indefectíveis do psicadelismo inglês dos 60s, em nada contribuindo para consolidar a boa reputação da banda.

Pandemonium Shadow Show”, compila gravações inéditas e vem finalmente colmatar uma lacuna que  muitos julgavam definitiva.

Nascidos e criados em Londres, naquele período musicalmente rico em que o vento fazia a curva do psicadelismo versus progressivo ( 1968 – 1970 ) os Mandrake Paddle Steamer primeiro, Mandrake simplesmente depois, praticavam um misto dos dois estilos, usando a abusando das guitarras fuzz, complementadas com extensos lençóis sonoros, cortesia do mellotron e do órgão Hammond.

Subiram ao palco do festival da Ilha de Wight, tocaram em eventos dos Pink Floyd, The Nice e Vanilla Fudge ( em 69 viram publicado apenas na Suécia “Sunlight Glide”, um single atípico e melancólico que integrava a banda sonora do filme “Skottet” ), porém a promessa de integrarem o catálogo da Harvest ( editora satélite que o grupo EMI/ Parlophone lançou à época para não perder o comboio do progressivo ) nunca se concretizou.

Dizer contudo que, na sua generalidade, “Pandemonium Shadow Show” é um lugar muito simpático de frequentar, mesmo para aqueles a quem o velho estigma do progressivo provoca algum desconforto.

O tema título é construído por cima de um riff viciante, decorado por coloridas harmonias a fazer recordar os Blossom Toes; “Solitair  Husk” e “The World Whistles By”, crescendo ambas a partir de rítmicas marciais às quais é acrescentado um órgão “Vertigo” ( em espiral, entenda-se ), posicionam-se a meio caminho entre os The Nice, Atomic Rooster e os Floyd de Syd Barrett.

“Stella Mermaid” mantém o tom marcial adicionando-lhe a vertente atmosférica de “More”. Em sentido contrário, “Doris The Piper” e “Simples Song” ( as duas datadas de 1970 ) estão demasiado próximas da auto-indulgência Emerson Lake & Palmer para merecerem a posteridade.

Perspectivando: não é difícil entender por que razão estas canções não foram publicadas. Na época em que foram gravadas, sons e projectos similares pululavam como cogumelos outonais. À distância de cinco décadas adquirem porém uma outra dimensão, quiçá importância. Históricas sobretudo.

28/10/18

Jack Ellister "Telegraph Hill"



Por vezes sucede.

Inesperadamente e sem que nada o faça esperar aterra na caixa do correio um grande disco. Na circunstância “Telegraph Hill”.

Jack Ellister navega nas águas do neo-psicadelismo vertente pop e é comummente associado ao padrão Fruits de Mer, editora para a qual gravou um significativo conjunto de discos.

De “essencial” a “bizarra”, passando por “weird” ou “poetically psychedelic” a sua música tem sido comentada amiúde sem que no entanto Ellister tenha conseguido o reconhecimento de que é já credor. “Telegraph Hill”, com o selo da You Are The Cosmos Records, será porventura a sua tentativa mais consistente para atingir aquele desiderato.


Maioritariamente acústico ( Ellister é responsável por todos os instrumentos exceptuando a bateria ) “Telegraph Hill” foi projectado para o formato EP. Acabou no entanto por se transformar num álbum, cujo foco principal reside na voz  e numa guitarra acústica ( brilhante nesse particular ).

Porém quando as canções se “enchem” de guitarras eléctricas, flautas, sintetizadores e baterias ( conferir “Fill Another Glass” ou “Condor” ), torna-se quase inevitável regressar, ora às paisagens pastorais dos Floyd ( seguramente uma das maiores influências de Ellister ) período 69-72, ora ao pop cromático que James Mastro e Richard Barone inventaram para os Bongos.

Face ao que atrás fica escrito, não será difícil concluir ser “Telegraph Hill” um dos Jack Ellister preferidos aqui no Atalho.

04/06/18

Artefactos ( 79 )



Rock & Folk nº 108, Janeiro 1976


"Have a cigar / Shine on you crazy diamond, Part 1"
Single, Portugal, 1976


15/08/14

Watter "This world"



Em modo atmosférico e algo misterioso, os 60 segundos iniciais de “This world” evocam a abertura de “Obscured by clouds”. Depois, ao contrário dos Pink Floyd, que blindaram o tema do álbum homónimo através de cascatas eléctricas e espessos muros de percussão, em “Rustic Fog”, os Watter optam por paisagens mais serenas, pautadas por um discreto ritmo metronómico. Não será sempre assim ao longo de todo o disco, mas a matriz, essa fica definida. 

Projecto novo integrando Britt Walford ( Slint ), Zak Riles ( Grails ) e Tyler Trotter ( Strike City ), “This World” é um espaço de compromisso entre o psicadelismo visionário dos Grails e o pós-rock pioneiro de Slint. Para além de compatíveis, as duas linguagens revelam-se aqui complementares, contribuindo ambas para a criação de seis peças de uma beleza rara e inspiradora.


Adicionalmente, o piano de Rachel Grimes acentua o bucolismo de  “Lord I want more” e “This world”, ao mesmo tempo que em “Small Business”, o baixo veterano de Tony Levin cimenta o “wall of sound” que resulta da irreverência das guitarras ( Zak Riles ) e da exuberância da bateria ( Britt Walford ). Com “Obscured by clouds” lá atrás,  de novo, à espreita.

Mais próximo de Tortoise ou Brokeback que de Explosions in the Sky ou MONO, Watter não é a reinvenção da roda, mas está perto da perfeição e é belíssimo, o que é mais do que suficiente nos tempos que correm.

18/02/14

Lost Nuggets ( 72 )


"Asyd Vinyl, A Tribute to Syd Barrett" ( Krank Records ) 2xLP, 2000, Norway


- "Baby Lemonade" - Greg Weeks
- "See Emily play" - Paloma
- "Flaming" - Brother JT
- "Golden Hair" - Stone Breath
- "Rats" - Electroscope
- "Arnold Layne" - The Tables
- "Long gone" - The Iditarod
- "Scarecrow" - Simeon/Silver Apples
- "Tia Gigolo" - Havanarama
- "Swan Lee" - Black Bone Chapel
- "Interstellar overdrive" - Reynolds
- "Golden Hair" - Drunk
- "Dark Globe" - The Spectral light & moonshine firefly snakeoil jamboree
- "If it's in you" - Dipsomaniacs
- "Late night" - Ring
- "No good trying" - Tinsel
- "Octopus" - Watersnake
- "It is obvious" - Drekka
- "She took a long cold look" - Green Pajamas


Em Julho de 2000, exactamente seis anos antes do desaparecimento físico de Syd Barrett, a editora norueguesa Krank Records publicou aquele que é porventura o mais radical e arrojado de todos os tributos ao músico de Cambridge: “Asyd Vinyl, A Tribute to Syd Barrett”.

As composições de Barrett nunca soaram “dóceis”, antes espelhos reflectores das idiossincrasias de uma personagem complexa e itinerante. Mas “Asyd Vinyl” vai para além do expectável. Acrescenta iconoclastia à iconoclastia. Transforma o projecto em algo extremo, onde as canções se afastam da matriz original, ganhando vida e personalidade próprias. Todos os Álbuns Tributo deveriam ser assim, sem limites, mas tendo em conta a música, exactamente como escreve Phil McMullen na contracapa da edição:

“ … the late 80s also saw the rise of the ‘Tribute Album’ phenomenon, spearheaded by the UK’s Imaginary Records with Syd Barrett tribute LP/CD entitled ‘Beyond the Wildwood’. Other ‘tributes’ inevitably followed, including a bizarre French disco mix of Pink Floyd and Barrett songs entitled ‘Rosebud/Discoballs’ on Atlantic Records; the majority of the material however (as with so many so-called tribute albuns) tends to be performed by artists keen to bathe in the reflected glory of the subject rather than any earnest attempt to do the music justice.”

15/02/13

Floyd Memories


Para que conste, os meus Pink Floyd terminaram em 1972 com “Obscured by Clouds”. Exceptuando uma estreita janela entreaberta por “Wish you were here”, tudo o que está para a frente é-me absolutamente indiferente.
Relativamente ao que ficou para trás, não tenho a menor dificuldade em subscrever as teses académicas que defendem o pioneirismo caleidoscópico de “Piper at the Gates of Dawn” ou “A Saucerful of secrets”, o experimentalismo de “More” ou a influência que “Ummagumma” poderá ter exercido nos músicos germânicos que inventaram o “ krautrock” e a “kosmische musik”, mas para mim “Meddle” é o Álbum dos Floyd. Opção puramente emocional, um espaço interior onde o racional não cabe.
 
1971. Manhãs de domingo em família. Enquanto, ansioso, aguardava  a chegada do meu pai,  aos meus olhos transportado por um matutino que nas edições do fim de semana publicava episódios das aventuras da  minha heroína, Modesty Blaise, ia escutando a Renascença  onde o jovem António Sérgio, divulgava as suas escolhas da semana. Recordo perfeitamente aí ter escutado pela primeira vez o enorme “Change Partners” de Stephen Stills, de me ter deixado impressionar pela tempestade serena de “Riders on the storm” e de “Orleans” de David Crosby quase me ter deixado sem fala

Mas no seio e recato daquele quadro familiar, enquanto aguardava um opíparo almoço e a Modesty ia despachando  malfeitores às pazadas, o que mais e melhor a minha memória guardou  foram os sons maravilhosos de “Meddle”.  “One of these days”, “Saint Tropez”, “Fearless”  (  http://www.youtube.com/watch?v=NM1a7vojSCQ ) e, sobretudo “Echoes”, fazem parte do meu imaginário juvenil como muito poucas outras músicas se podem gabar. E sempre que reescuto “Fearless” ou “Echoes”,  páro. Simplesmente.
Muitas centenas, milhares, de álbuns passaram por mim desde aquela época. Alguns  porventura melhores ou inclusive mais importantes, mas “Meddle” permanece um dos três favoritos. Outro, já o referi aqui no Atalho, é “If I could only remembre my name” de David Crosby. O terceiro, bem o terceiro …, pode ser que algum dia vos conte.

28/11/12

Mugstar "Ad Marginem" OST


Ad Marginem” constitui a banda sonora de um projecto assinado a meias por duas raising stars do actual underground de Liverpool : Liam Yates, membro dos Black Magician (filme) e Mugstar (música).
A par dos Dead Sea Apes, os Mugstar são uma dos mais interessantes e promissoras propostas instrumentais a emergir em Inglaterra nos últimos anos.  Esteticamente, os psiconautas de Liverpool tenderão a ser colocados próximos do paradigma Hawkwind, ainda que qualquer um dos seus 3 CDs deixe em aberto muitas outras pistas; desde logo as que conduzem ao doom, ao drone e, mais vincadamente, ao krautrock.

Ad Marginem” mantém-se dentro das baias atrás referidas, porém aproveita o facto de se tratar de um projecto experimental para ir mais longe. Até onde? Bom, para além da sonoridade habitual, o quarteto  perscruta os caminhos da “kosmische musik”, percorre espaços abertos por “Live at Pompeii” e retorna às paisagens pungentes dos Slint. Tudo, sem abdicar da sua personalidade musical, patente por exemplo na emergência das guitarras propulsivas do histriónico “Death Hunter”, desde já um clássico.
Envolvente e algo lisérgico, “Ad Marginem” é absolutamente aditivo. Depois de o escutar, dei por mim a cogitar sobre as bandas sonoras  de “More” e “Obscured by clouds