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19/04/16

Dead Sea Apes "Spectral Domain" / Mugstar "Magnetic Seasons"


 

Do eixo Manchester / Liverpool acabam de chegar os novos Dead Sea Apes e Mugstar: “Spectral Domain” e “Magnetic Seasons” respectivamente.
Do trio mancuniano espera-se o “drone”, suportado por uma secção rítmica de betão, sobre a qual evoluem as espirais da guitarra de Brett Savage. Desde 2011 que os Dead Sea Apes vêm colecionando trabalhos importantes, através de uma linguagem aparentemente monolítica mas de janelas abertas para o pós-rock. A tudo isto adicionam um experimentalismo que os diferencia de todos os outros.
Spectral Domain”, como era previsível, transporta toda aquela tensão que emerge do confronto da guitarra com o baixo teutónico, deixando à bateria o ónus de colar os cacos. A novidade são porém os sintetizadores. Presença até aqui pouco habitual, surgem na peça de abertura “Universal Interrogator”, conferindo uma ainda maior textura a uma sonoridade já em si densa. Em crescendo e já vão no terceiro álbum.


Mais próximos da kosmische musik e da “urban guerrilla” inventado pelos Hawkwind, os Mugstar utilizam a fórmula para criar paisagens sonoras que oscilam entre o épico e o contemplativo. Umas e outras, cada uma a seu modo, são absolutamente aditivas. Ao quinto lp de originais – “Magnetic Seasons” - começa a não ser fácil inovar, mas as tão peculiares densidade e intensidade, permanecem aqui tão presentes como recomendáveis.

05/02/15

Signs of the Silhouette "Spring Grove"


Por vezes, aquele difícil e muito pouco estético exercício de andar com um ouvido em permanente contacto com o solo, é recompensador. A música mais arrojada continua a pulsar no subsolo, chame-se ele underground ou outra coisa qualquer.

Os Signs of the Silhouette não são propriamente uma novidade, andam por aí desde o inicio da década e com “Spring Grove consolidam o espaço entretanto ocupado e  catapultam as suas tempestades psicadélicas para outros horizontes.  O quarto álbum o duo de Lisboa é um furacão cujo epicentro se localiza naquele espaço onde se cruzam o psicadélico, o krautrock e a música de vanguarda. O drone também passa por ali, mas residualmente.

Dito isto, os quatro longos temas que fazem “Spring Grove” são um desafio. Permanente. Os SOTS constroem uma música que não soa igual duas vezes e que exige da parte de quem se dispõe a escutá-la uma disponibilidade que está para além do mero divertimento. Umas vezes transporta-nos para o universo de Acid Mothers Temple, outras para as excentricidades Hawkwind. Por momentos julgamos estar em Liverpool em frente a uma prestação dos Mugstar, para logo a seguir as espirais eléctricas das guitarras e o pulsar monolítico da percussão fazerem a ponte com as prestações hipnóticas de Nudity ou Bardo Pond.

É dificil? É. Mas se fosse fácil também não estariam a ler este texto.

31/12/14

Dead Sea Apes "High Evolutionary"


Noticias da frente psych-drone de Manchester.
O novo Dead Sea Apes - “High Evolutionary”- é tão pertinente como as prestações anteriores. O ambiente permanece sombrio, por vezes claustrofóbico e, a abrir, em “Threads”, quando encavalitadas numa percussão em modo drone, as sucessivas cascatas da guitarra explodem sem remorso, percebe-se que não há caminho de volta.
A música do trio veste roupagens tão tribais quanto hipnóticas. E é evolutiva também. “Planetarium” e “Turpentine” percorrem territórios vizinhos do psicadelismo, embora continuem fiéis ao paradigma Dead Sea Apes. Em “Alejandro” o fuzz das guitarras adquire um toque latino, tiro que é imediatamente corrigido pela espiral monolítica que emerge de “Regolith”, um tema que a espaços quase parece órfão da fabulosa guitarra de Robbie Krieger em “The End”.


Mas o melhor de “High Evolutionary” está guardado para o fim; “Wolf II” é mais uma peça de antologia e porventura o título que na forma e conteúdo mais se aproxima da estreia dos Dead Sea Apes com “Soyo Dios”. Emergindo de guitarras em “slow motion”,  a peça cresce em intensidade e emoção. Nos 8m 31s que dura, dirige-se ao cosmos, numa viajem que irá culminar numa anunciada explosão psicadélica. Apoteose perfeita para um dos trabalhos mais sólidos da banda.
E ficamos à espera da resposta que há-de chegar de Liverpool, através de Mugstar.

23/02/13

Mugstar "Axis"


E no entanto ela move-se”, afirmou Galileu acerca do movimento de translação da Terra, defendendo a sua teoria heliocêntrica, apesar da oposição da ortodoxia católica e perseguição da Inquisição.

Exageros comparativos excluídos, acerca dos Mugstar, apetece-me dizer: “E no entanto eles existem”, apesar da indiferença quase total dos órgãos de divulgação mainstream e promotores de concertos, alternativos inclusos. Através de “Axis”, a banda de Liverpool  terá atingido a maioridade na vertente criativa e o zénite no campo interpretativo. A fórmula mantém-se inalterável -  doom-psych-space-acid-kraut-rock – numa paleta caleidoscópica capaz de fazer inveja a veteranos como Dave Brock ou Nik Turner.  A sonoridade metronómica herdada dos Neu, quase sempre aliada à narrativa guerrilheira resgatada aos Hawkwind, constitui o ADN Mugstar. Ama-se ou detesta-se, ponto.

Depois das experiências “outer limits” que revestiram a banda sonora “Ad Marginem”, “Axis” regressa ao paradigma Mugstar, puro e duro. E está mais próximo do homónimo cd estreia ou de “Sun, Broken”, que de “Lime”, o qual procurou o seu espaço junto do krautrock.

Com três temas arrasadores a abrir – “Black Fountain”, “Hollow Ox” e “Tangerina”, -  Axis” não faz prisioneiros. Encanta tanto quanto hipnotiza. Provoca uma incontrolável vontade de regressar às memórias seminais de “Space Ritual” ou “Vincerus Eruptum”. A abrir o lado B, para quem optar pelo versão em vinil, “Axis Modulator”, alicerçado numa secção rítmica tonitruante e ferozmente tribal é uma peça demolidora, um patamar de barbaridade sonora que bandas como Black Keys, Psychic Ills ou Ty Segall nunca lograrão atingir. Soberbo.

28/11/12

Mugstar "Ad Marginem" OST


Ad Marginem” constitui a banda sonora de um projecto assinado a meias por duas raising stars do actual underground de Liverpool : Liam Yates, membro dos Black Magician (filme) e Mugstar (música).
A par dos Dead Sea Apes, os Mugstar são uma dos mais interessantes e promissoras propostas instrumentais a emergir em Inglaterra nos últimos anos.  Esteticamente, os psiconautas de Liverpool tenderão a ser colocados próximos do paradigma Hawkwind, ainda que qualquer um dos seus 3 CDs deixe em aberto muitas outras pistas; desde logo as que conduzem ao doom, ao drone e, mais vincadamente, ao krautrock.

Ad Marginem” mantém-se dentro das baias atrás referidas, porém aproveita o facto de se tratar de um projecto experimental para ir mais longe. Até onde? Bom, para além da sonoridade habitual, o quarteto  perscruta os caminhos da “kosmische musik”, percorre espaços abertos por “Live at Pompeii” e retorna às paisagens pungentes dos Slint. Tudo, sem abdicar da sua personalidade musical, patente por exemplo na emergência das guitarras propulsivas do histriónico “Death Hunter”, desde já um clássico.
Envolvente e algo lisérgico, “Ad Marginem” é absolutamente aditivo. Depois de o escutar, dei por mim a cogitar sobre as bandas sonoras  de “More” e “Obscured by clouds

19/12/10

Mugstar "Lime"


“Damn it !!!” Gosto tanto deste CD que estou quase tentado a colocar de lado os auscultadores e permitir que o som dos Mugstar se propague sem restrições. A minha única hesitação reside na fortíssima probabilidade de 5 minutos volvidos, os meus vizinhos de patamar, do andar de cima e muito possivelmente do de baixo, numa circunstancial aliança, se prepararem para violentar o botão da minha campainha. É que “Sunburnt Impedance Machine” sendo uma das mais extraordinárias peças de noise-rock psicadélico que escutei recentemente, é também por isso mesmo um albergue de riffs tonitruantes e apocalípticos.

Lime” é já o terceiro CD desta banda de Liverpool e aos meus olhos o seu melhor, o que é dizer muito, tendo em conta o que escrevi sobre o primeiro. A maturidade musical será sempre um conceito subjectivo e um momento em constante mutação. Logo um processo evolutivo que umas vezes corre bem, outras nem tanto. Neste âmbito, atrever-me-ia a dizer que “Lime” é por esta altura o estado de maturidade dos Mugstar.



Para além do já referido tema de abertura, algo capaz de separar os homens dos rapazes, os cerca de 13 minutos que dura “Serra” são do melhor e mais consistente que este quarteto já produziu. Seria preciso recuar até La Dusseldorf, Neu ou mesmo Kraftwerk para encontrar algo de semelhante.

“Radar King” principia com um “break” de antologia ( o meu leitor de CD deve estar perplexo e algo irritado, tantas as vezes que o obriguei a voltar ao inicio do tema ), desenvolve-se em ambiente metronómico - onde as guitarras lutam desesperadamente para não serem devoradas pela bateria - e termina num espaço outrora ocupado pelo space-rock psicadélico dos Hawkwind ou dos Man. A concluir “Beyond the Sun” é um lugar de ambiental acalmia que, não sendo diferenciador, de modo algum compromete.

Pelas melhores razões “Lime” é um daqueles raros álbuns de que em momento algum me irei esquecer. Seguramente o melhor que escutei este ano.

23/05/10

Mugstar " ... Sun, Broken ..."


Ah! Mugstar. Como se sentirão os velhos Lemmy, Nick Turner e restantes sobreviventes desse bando de ciganos cósmicos que dava pelo nome de Hawkwind, quando escutam ( se é que escutam ) esta aguerrida patrulha de “space-rockers” do século XXI? Nostálgicos certamente; orgulhosos dos discípulos, muito provavelmente. E o que cogitarão contemporâneos como White Hills, Sleepy Sun ou Eternal Tapestry? Não é preciso ser-se adivinho para imaginar que entre estes, a meditação mais frequente seja: “temos de pedalar, e muito!”.

Tudo isto porque a banda inglesa, cuja textura sonora pode ser comparável “ao som produzido pela explosão simultânea de 10.000 sóis”, acaba de publicar um novo disco, épico e incontornável.

Exceptuando meia dúzia de “snipers” ninguém se preocupou em dar importância a Mugstar, editado em 2006. Como o panorama não melhorou “… Sun, Broken …” irá pelo mesmo caminho. Lamentável, pois a Supernova que Mugstar aqui desencadeia, está anos luz à frente do que é comum ouvir-se por aí.


A espiral de efeitos electrónicos e o lastro que o órgão Hammond proporcionam na sub-cave do single “Technical knowledge as a weapon” antecipa a abrasiva e hipnótica prestação das guitarras e do baixo. Dir-se-ia que estamos perto do topo (leia-se apocalipse ), mas o disco ainda não passou da primeira faixa. “Ouroboros” arranca em looping, como se não existisse amanhã; porém, quando o tema parece encaminhar-se para um beco sem saída, sofre uma inesperada mutação e a propulsão cósmica do inicio dá lugar a uma “space-trip” quase minimalista.

“Labrador Hatchet” é um raro momento de serenidade. Permite recuperar o fôlego antes que, nos próximos 6 minutos, o riff colossal de “Today is the wrong shape” ( o outro lado do single de lançamento do álbum ), tudo faça para que os tais “10.000 sóis” expludam. “She run away with my medicine”, é outro momento de pausa. Dura apenas até que “Furklansunbo” – um épico psicadélico matizado pelo legado de Guru-Guru e La Dusseldorf -, reabra as hostilidades, tome literalmente conta do espaço e, drone ante drone, quase sem se dar por isso, termine o seu caminho 14 minutos depois.

O disco passou por nós como um cometa. A verdade porém é que, quando se escuta um trabalho tão intenso quanto este, o tempo deixa de existir. Talvez o melhor elogio que se pode fazer a “… Sun, Broken …”…

16/12/09

"Every noise has a note"


A Trensmat Records é uma editora independente que se vem dedicado à publicação de edições limitadas de singles (em vinil) contendo alguns dos melhores temas que poderemos encontrar hoje nas margens do underground.

Com as edições maioritariamente esgotadas, a editora partiu para a compilação em CD de parte dos títulos publicados. Razões comerciais ditaram certamente a decisão, mas o simples facto destas músicas estarem de novo disponíveis em suporte físico é para o Atalho justificação mais do que suficiente.

( Bardo Pond )

Falo, por exemplo, do space-garage e do groove hipnótico dos Telescopes em “Dsm – 1V axis 1307.46 (Night Terrors)” , da distorção fogo à peça praticada pelos White Hills em “Be yourself”, do motorik incandescente que é “Bethany heart star” dos Mugstar ( o novo álbum está apontado para o inicio do ano ), do drone psicadélico de “Vaahto” responsabilidade dos finlandeses Circle ou do épico “Lord of Light” um original dos Hawkwind para “Doremi Fasol Latido”, aqui numa versão onde o space e o fuzz convivem sem sobressaltos.

Para além destes, há ainda convincentes incursões no território do krautrock com “Trick with a knife” dos Area C, a evocação dos Suicide nos Cave de “Machines & Muscles” ou o apocalíptico tratamento de resíduos cósmicos levado a cabo pelos Magnetize em “Noise to signal”.

( Cheval Sombre, poster Flora Wang )

A fechar, numa atmosfera mais serena, um hipnótico, quase velvetiano “Troubled mind”, numa remistura de um tema retirado de “Cheval Sombre” o álbum de um projecto homónimo que envolve Sonic Boom, Dean Wareham e Britta Phillips.

Em suma, “Every noise has a note” confirma o título e apresenta argumentos suficientes para se tornar absolutamente mandatório.

08/09/09

Mugstar "Today is the wrong shape"


Enquanto não chega o sucessor do enorme álbum de estreia, os Mugstar vão mantendo o seu espaço preenchido através da edição cirúrgica de singles e EPs.

O mais recente artefacto em vinil inclui dois temas, “Today is the wrong shape” e “Technical knowledge as a weapon”. O primeiro é um sólido e propulsivo instrumental kraut, enquanto o lado B aloja um tonitruante pulsar rítmico suportado pelas espirais cósmicas de um Hammond em completa roda livre.

O cd-r que acompanha a edição inclui, para além daqueles dois títulos, um vídeo de “Flotation tank” ( do álbum “Mugstar” ), mais duas experiências, ambas tão incendiárias quanto improváveis: “I got the six” dos ZZ Top de “Eliminator” e “Tam Lin”, um tradicional imortalizado pelos Fairport Convention em “Liege & Lief”.

O single já era em si mesmo importante. O conjunto (7" + cd-r), é absolutamente essencial.

21/05/08

Mugstar


Quem me conhece sabe que mantenho sempre o ouvido colado ao solo, na busca dos melhores e ainda impolutos sons que emergem do underground. Trata-se de uma prática que tem permitido descobrir universos e sonoridades mágicas; uns que é preciso abandonar mais à frente, logo que o efeito corrosivo do mainstream actua, outros que ficam para sempre.


Em 2007 o meu radar detectou Mugstar. Um colectivo de Liverpool que, a fazer fé na respectiva página do MySpace, se define como: “the sound of 10.000 suns exploding, pulsing with repetitive beauty, pounding like a supersonic mantra…”. Sugere ostentação? Claro que sim. No entanto é rigorosamente verdade.


O primeiro CD homónimo da banda está destinado a ser um daqueles artefactos a que ninguém prestou atenção quando saiu e de que toda a gente vai falar daqui a 10 anos.


Imaginem um cenário capaz de congregar numa única galáxia, universos tão particulares como os que conhecem a Stooges, Can, Kinski, Hawkwind, Sonic Youth, Neu, Flower Travelling Band, Sun Ra, Kraftwerk, Syd Barrett … Pois, é isso. “O som de 10.000 sóis a explodir”.


“My babyskull has not yet flowered”, o tema de abertura de “Mugstar” é absolutamente glorioso. O silêncio é banido por um saxofone que abre alas para a tempestade que se vai seguir com o baixo lemmyniano e cavalgar a percussão motorik.


Sem dúvida caleidoscópico mas, “Crempog Smultron”, logo a seguir, não permite recuperar o folêgo. Imaginem “In search of space” ou “Doremi Fasol Latido” mas gravados numa velocidade 3 vezes superior…


Um par de temas mais adiante, “Subtle Freak” proporciona finalmente uma pausa, ao deslocar o epicentro da tempestade cósmica para o planeta Pink Floyd na era de 1967.
Pelo meio passaram no horizonte ecos dos sons mágicos dos Sonic Youth, dos Can, ou de Neu.


Um registo que mais de um ano após a publicação, ainda não saiu das imediações do meu leitor de CDs, só pode ser extraordinário.