19/04/16
Dead Sea Apes "Spectral Domain" / Mugstar "Magnetic Seasons"
05/02/15
Signs of the Silhouette "Spring Grove"
31/12/14
Dead Sea Apes "High Evolutionary"
23/02/13
Mugstar "Axis"
28/11/12
Mugstar "Ad Marginem" OST
19/12/10
Mugstar "Lime"
“Damn it !!!” Gosto tanto deste CD que estou quase tentado a colocar de lado os auscultadores e permitir que o som dos Mugstar se propague sem restrições. A minha única hesitação reside na fortíssima probabilidade de 5 minutos volvidos, os meus vizinhos de patamar, do andar de cima e muito possivelmente do de baixo, numa circunstancial aliança, se prepararem para violentar o botão da minha campainha. É que “Sunburnt Impedance Machine” sendo uma das mais extraordinárias peças de noise-rock psicadélico que escutei recentemente, é também por isso mesmo um albergue de riffs tonitruantes e apocalípticos.
“Lime” é já o terceiro CD desta banda de Liverpool e aos meus olhos o seu melhor, o que é dizer muito, tendo em conta o que escrevi sobre o primeiro. A maturidade musical será sempre um conceito subjectivo e um momento em constante mutação. Logo um processo evolutivo que umas vezes corre bem, outras nem tanto. Neste âmbito, atrever-me-ia a dizer que “Lime” é por esta altura o estado de maturidade dos Mugstar.

Para além do já referido tema de abertura, algo capaz de separar os homens dos rapazes, os cerca de 13 minutos que dura “Serra” são do melhor e mais consistente que este quarteto já produziu. Seria preciso recuar até La Dusseldorf, Neu ou mesmo Kraftwerk para encontrar algo de semelhante.
“Radar King” principia com um “break” de antologia ( o meu leitor de CD deve estar perplexo e algo irritado, tantas as vezes que o obriguei a voltar ao inicio do tema ), desenvolve-se em ambiente metronómico - onde as guitarras lutam desesperadamente para não serem devoradas pela bateria - e termina num espaço outrora ocupado pelo space-rock psicadélico dos Hawkwind ou dos Man. A concluir “Beyond the Sun” é um lugar de ambiental acalmia que, não sendo diferenciador, de modo algum compromete.
Pelas melhores razões “Lime” é um daqueles raros álbuns de que em momento algum me irei esquecer. Seguramente o melhor que escutei este ano.
23/05/10
Mugstar " ... Sun, Broken ..."

Tudo isto porque a banda inglesa, cuja textura sonora pode ser comparável “ao som produzido pela explosão simultânea de 10.000 sóis”, acaba de publicar um novo disco, épico e incontornável.
Exceptuando meia dúzia de “snipers” ninguém se preocupou em dar importância a “Mugstar”, editado em 2006. Como o panorama não melhorou “… Sun, Broken …” irá pelo mesmo caminho. Lamentável, pois a Supernova que Mugstar aqui desencadeia, está anos luz à frente do que é comum ouvir-se por aí.
A espiral de efeitos electrónicos e o lastro que o órgão Hammond proporcionam na sub-cave do single “Technical knowledge as a weapon” antecipa a abrasiva e hipnótica prestação das guitarras e do baixo. Dir-se-ia que estamos perto do topo (leia-se apocalipse ), mas o disco ainda não passou da primeira faixa. “Ouroboros” arranca em looping, como se não existisse amanhã; porém, quando o tema parece encaminhar-se para um beco sem saída, sofre uma inesperada mutação e a propulsão cósmica do inicio dá lugar a uma “space-trip” quase minimalista.
“Labrador Hatchet” é um raro momento de serenidade. Permite recuperar o fôlego antes que, nos próximos 6 minutos, o riff colossal de “Today is the wrong shape” ( o outro lado do single de lançamento do álbum ), tudo faça para que os tais “10.000 sóis” expludam. “She run away with my medicine”, é outro momento de pausa. Dura apenas até que “Furklansunbo” – um épico psicadélico matizado pelo legado de Guru-Guru e La Dusseldorf -, reabra as hostilidades, tome literalmente conta do espaço e, drone ante drone, quase sem se dar por isso, termine o seu caminho 14 minutos depois.
O disco passou por nós como um cometa. A verdade porém é que, quando se escuta um trabalho tão intenso quanto este, o tempo deixa de existir. Talvez o melhor elogio que se pode fazer a “… Sun, Broken …”…
16/12/09
"Every noise has a note"
A Trensmat Records é uma editora independente que se vem dedicado à publicação de edições limitadas de singles (em vinil) contendo alguns dos melhores temas que poderemos encontrar hoje nas margens do underground.
Com as edições maioritariamente esgotadas, a editora partiu para a compilação em CD de parte dos títulos publicados. Razões comerciais ditaram certamente a decisão, mas o simples facto destas músicas estarem de novo disponíveis em suporte físico é para o Atalho justificação mais do que suficiente.
( Bardo Pond )Falo, por exemplo, do space-garage e do groove hipnótico dos Telescopes em “Dsm – 1V axis 1307.46 (Night Terrors)” , da distorção fogo à peça praticada pelos White Hills em “Be yourself”, do motorik incandescente que é “Bethany heart star” dos Mugstar ( o novo álbum está apontado para o inicio do ano ), do drone psicadélico de “Vaahto” responsabilidade dos finlandeses Circle ou do épico “Lord of Light” um original dos Hawkwind para “Doremi Fasol Latido”, aqui numa versão onde o space e o fuzz convivem sem sobressaltos.
Para além destes, há ainda convincentes incursões no território do krautrock com “Trick with a knife” dos Area C, a evocação dos Suicide nos Cave de “Machines & Muscles” ou o apocalíptico tratamento de resíduos cósmicos levado a cabo pelos Magnetize em “Noise to signal”.
( Cheval Sombre, poster Flora Wang )A fechar, numa atmosfera mais serena, um hipnótico, quase velvetiano “Troubled mind”, numa remistura de um tema retirado de “Cheval Sombre” o álbum de um projecto homónimo que envolve Sonic Boom, Dean Wareham e Britta Phillips.
Em suma, “Every noise has a note” confirma o título e apresenta argumentos suficientes para se tornar absolutamente mandatório.
08/09/09
Mugstar "Today is the wrong shape"

Enquanto não chega o sucessor do enorme álbum de estreia, os Mugstar vão mantendo o seu espaço preenchido através da edição cirúrgica de singles e EPs.
O mais recente artefacto em vinil inclui dois temas, “Today is the wrong shape” e “Technical knowledge as a weapon”. O primeiro é um sólido e propulsivo instrumental kraut, enquanto o lado B aloja um tonitruante pulsar rítmico suportado pelas espirais cósmicas de um Hammond em completa roda livre.
O cd-r que acompanha a edição inclui, para além daqueles dois títulos, um vídeo de “Flotation tank” ( do álbum “Mugstar” ), mais duas experiências, ambas tão incendiárias quanto improváveis: “I got the six” dos ZZ Top de “Eliminator” e “Tam Lin”, um tradicional imortalizado pelos Fairport Convention em “Liege & Lief”.
O single já era em si mesmo importante. O conjunto (7" + cd-r), é absolutamente essencial.
21/05/08
Mugstar

Em 2007 o meu radar detectou Mugstar. Um colectivo de Liverpool que, a fazer fé na respectiva página do MySpace, se define como: “the sound of 10.000 suns exploding, pulsing with repetitive beauty, pounding like a supersonic mantra…”. Sugere ostentação? Claro que sim. No entanto é rigorosamente verdade.
O primeiro CD homónimo da banda está destinado a ser um daqueles artefactos a que ninguém prestou atenção quando saiu e de que toda a gente vai falar daqui a 10 anos.
Imaginem um cenário capaz de congregar numa única galáxia, universos tão particulares como os que conhecem a Stooges, Can, Kinski, Hawkwind, Sonic Youth, Neu, Flower Travelling Band, Sun Ra, Kraftwerk, Syd Barrett … Pois, é isso. “O som de 10.000 sóis a explodir”.
“My babyskull has not yet flowered”, o tema de abertura de “Mugstar” é absolutamente glorioso. O silêncio é banido por um saxofone que abre alas para a tempestade que se vai seguir com o baixo lemmyniano e cavalgar a percussão motorik.
Sem dúvida caleidoscópico mas, “Crempog Smultron”, logo a seguir, não permite recuperar o folêgo. Imaginem “In search of space” ou “Doremi Fasol Latido” mas gravados numa velocidade 3 vezes superior…
Um par de temas mais adiante, “Subtle Freak” proporciona finalmente uma pausa, ao deslocar o epicentro da tempestade cósmica para o planeta Pink Floyd na era de 1967.
Pelo meio passaram no horizonte ecos dos sons mágicos dos Sonic Youth, dos Can, ou de Neu.
Um registo que mais de um ano após a publicação, ainda não saiu das imediações do meu leitor de CDs, só pode ser extraordinário.







