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29/12/15

United Bible Studies "The Ale's what cures ye - Traditional songs from the British Isles"



Há anos que o colectivo mutante United Bible Studies percorre os roteiros ancestrais da música das ilhas  britânicas. Com um pé na Irlanda natal outro na Inglaterra rural, David Colohan, Michael Tanner e Richard Moult deambulam pela tradição, estudam-na criteriosamente e em seguida adicionam-lhe uma perspectiva moderna.

 The Ale’s what cures ye – Traditional Songs from the British Isles” é mais um delicioso entalhe numa obra que principiou a ser esculpida em 2001. Contando entre outros com a colaboração de Sharron Kraus, Alison O’Donnell e Alison Cotton, neste novo álbum, os UBS ficam a um pequeno passo de atingir a perfeição.

The Ale´s what cures ye” é um disco de rara, dilacerante, beleza. Resultado de uma escolha tudo menos óbvia, as canções projectam-se numa tela pintada por silêncios cúmplices. Décadas, séculos de melodias antigas, desfilam envoltos em sons do presente, estimulando a curiosidade e potenciando o exercício da comparação.

“Farewell Nancy”, “Sullivan’s John”, “The sweet streams of Nancy”, “The recruited collier”, “Twa Corbies”, “Waiting for another day”… Martin Carthy, Sweeney’s Men, Anne Briggs, Nic Jones, Tim Hart & Maddy Prior já passaram por elas em tempo, porém o que os United Bible Studies agora lhes aportam é algo de quase definitivo. Um dos álbuns mais bonitos do ano.

19/12/15

Lynched "Cold old fire"




Os rumores começaram a circular no inverno de 2013. Transformaram-se em noticia em Maio do ano passado, quando o cd “Cold old fire” foi publicado. Os responsáveis por toda esta agitação dão pelo nome de Lynched.

Dubliners,  inspiram-se nas memórias de Sweeney’s Men e  Woods Band, na beleza ancestral das ”irish sea songs”, enquanto em simultâneo revisitam o ecletismo cósmico da secular Incredible String Band.  Colam tudo isto com aquela energia anárquica que ainda hoje faz dos Pogues uma agradável recordação. Dito doutra maneira, com “Cold old fire” o quarteto de Dublin  produziu seguramente o mais excitante disco de música tradicional irlandesa desde há muitos anos.

Recém reeditado pelos próprios, em vinil e sob a forma de um duplo álbum, “Cold old fire” é um disco tão mágico quanto aditivo. Simples como só a tradição sabe ser, as audições preliminares  deixam a pairar uma discreta sensação de “dejá vu”, como se em 2014, Robin Williamson e Mike Heron regressassem ao futuro e nos presenteassem com uma das suas seus melhores colaborações.


Depois, audição sobre audição, tudo parece fazer sentido. As canções, lamentos sob a forma de baladas ou lendas cantadas “acapella”,  desfilam como gravuras antigas e torna-se quase impossível não mergulhar nos episódios da história que cada uma delas conta.

E, diria, todas têm uma história para contar, inclusivé “Cold days of February”, recuperada ao espólio de Robin Williamson / I S Band. Concretizar outros destaques seria no mínimo arriscado, “Cold old fire” resulta bem como conjunto ( de canções, histórias, ambientes, vocalizações ) e é aí que reside toda a sua beleza e extraordinária consistência.