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02/02/18

"Looking at The Pictures in The Sky, The British Psychedelic Sounds of 1968"


Não sendo a única, uma das formas de conhecer o passado da música popular, consiste no "escavar" persistente das muitas e variadas compilações que vão sendo publicadas.

Desde que separado o trigo do joio, há muito por onde escolher. E aprender.

O Atalho tem dedicado às colectâneas com o selo Grapefruit a atenção que julga merecerem.

"Looking at The Pictures in The Sky" é uma forma de recordar 1968. Um ano extraordinário para o  psicadelismo britânico. 3 CDs, 78 temas e, como habitualmente, um desfilar de nomes ( quase sempre os menos óbvios ) que à época emergiam do underground. A esmagadora maioria por aí ficou, poucos "deram o salto" para o mainstream.

São os primeiros que mais interessam e, dentro destes, os 20 temas recuperados de fitas / acetatos e que conhecem aqui a sua primeira publicação, 50 anos depois.

O booklet, um regalo com 40 páginas, acrescenta a informação e as fotos adequados à prossecução da liturgia. Notável.      

17/01/18

Artefactos ( 74 )


Compilado e publicado Phileas Folk, "The French Folk Magic Time Guide" reúne cerca de 1000 capas de discos publicados em França entre 1965 e 1990.

O foco principal incide nas edições independentes e / ou regionais. A ligá-las, sempre o Folk.
O Tradicional, Rock, Prog, Acid, Psych, Pop, Protest, Avant-Garde ...etc.

Cada ficha inclui o número de catálogo, ano de lançamento e preço de mercado estimado ( valores de 2003, data de publicação do livro )



10/09/17

"Milk of the Tree, an Anthology of Female Folk and Singer-Songwriters 1966-73"



Tradicionalmente, a indústria da música tem sido um espaço de prevalência masculina. Nos intervenientes e, sobretudo, nos decisores. Hoje o estado de coisas aparenta maior equilíbrio, mas na infância do pop e do rock a desproporção era avassaladora.

Porém, sobretudo a partir do final dos 60s, fruto da renascença folk no Reino Unido e do dealbar dos singer songwriters nos EUA e Canadá, o talento feminino iniciou a caminhada para o merecido reconhecimento.

Milk of the Tree, an Anthology of Female Folk and Singer-Songwriters 1966-73” procura ser o reflexo dessa realidade histórica. Numa edição de três cds que compilam exemplos do que de melhor se escutou naquelas áreas no período em apreço.

Contextualizadas pelas habitualmente enciclopédicas notas de David Wells, são-nos propostas 60 canções assinadas e / ou vocalizadas por nomes tão diversos como Margo Guryan, Bashti Bunyan, Mary-Anne, Nico, Judee Sill, Joan Armatrading, Anne Briggs, Marianne Faithfull, Mimi Fariña, Jaki Whitren, Laura Nyro, Bridget St. John, Carolanne Pegg, Baez, Denny ou Melanie, entre muitas outras obscuras e agradáveis surpresas.

Um pedagógico festim de talento e inspiração.

23/08/17

Artefactos ( 68 )


É sempre um prazer enorme abrir a caixa do correio e encontrar lá dentro um pequeno envelope expedido em Swindon / UK, por um tal de Mr. McMullen. A satisfação ( quase como uma sensação de se fazer parte de um clube restrito, cujos membros possuem um irrepreensível bom gosto ) traduz-se no facto de ter acabado de aterrar mais uma edição da inimitável Terrascopaedia. 

No caso, o número 8, impresso manualmente ( donde que muito dificilmente será possível encontrar dois exemplares iguais ) numa edição limitada de 100 exemplares.

A capa foi desenhada por Timothy Renner, o editor e artesão foi, como habitualmente, Phil McMullen.

Desta vez não há críticas de discos, mas as 24 páginas são preenchidas com um pequeno editorial e entrevistas a Piano Magic, aos suecos The Greek Theatre e aos Stereocilia do guitarrista e compositor John Scott.

E, como facilmente se induz, o Atalho ficará incontactável durante um bom par de horas.

20/08/17

Artefactos ( 67 )


 
Provavelmente a editora independente mais antiga do mundo, a Topic Records teve e ainda mantém um papel importantíssimo na divulgação e preservação da música tradicional do Reino Unido e República da Irlanda.

Nasceu em 1939 por iniciativa de uma associação de trabalhadores ligada ao Partido Comunista Britânico, tendo começado a vender os seus discos porta a porta e pelo correio.

Ajudou a consolidar a renascença folk britânica nos anos 60 e teve o seu apogeu no decorrer da década seguinte.

As fotos são de um catálogo de 1978 que o Atalho guarda religiosamente desde essa data. Os discos disponíveis eram apresentados por um pequeno texto, identificados pelo número de catálogo, as canções e músicos intervenientes descriminados. Coisa impensável nos dias de hoje.


31/03/17

Jardins do Paraíso ( LII )


De regresso ao mundo maravilhoso das prensagens privadas.

Reino Unido inicio dos 70s, departamento Folk ( Psych ).

Datada de 2013,  "Cornufolkia, A Hidden History of Psychedelic-Folk from the British & Emerald Isles" é, como o nome refere uma "hidden history". E a pergunta hoje é: como foi possível que tesouros como os aqui se divulgam puderam passar à margem do conhecimento geral.

Em matéria de folk psicadélico, o período foi riquíssimo e como esta compilação semi-obscura amplamente o demonstra ainda estamos só a arranhar a superfície.

Ainda que porventura pouco adiante, deixo alguns dos muitos nomes que tornam este artefacto obrigatório para os apreciadores.

- Courtyard Music Group
- MacMurrough
- Pendragon
- Celebrated Ratliffe Stout Band
- Miles Martin Folk Group
- Savanna
- The Troubadors
- Peregrine
- Faraway Folk
- Golden Dawn
- Marie Celeste
- Finn Mac Cuill
- Madrigal
- Havenstreet
 

23/08/16

Anne Briggs "Four songs"


Há discos assim, irresistíveis.
Quatro interpretações antigas, uma das quais ( "The Verdant Braes of Skreen" ), gravada ao vivo pela BBC em 1965, conhece aqui a sua primeira aparição em disco.
A simplicidade da perfeição.

08/09/15

"Dust on the nettles, A journey through the British underground folk scene 1967-1972"


The Electric Muse, The story of folk into rock”, mais tarde revisitada em “The New Electric Muse”, será porventura a mais completa e visionária das compilações que se debruçaram sobre a renascença folk britânica.

Há muito esgotados, os dois volumes de “The History of UK Underground folk-rock 1968-78” publicados pela Kissing Spell, são também essenciais para se aquilatar da verdadeira dimensão do talento que vagueou pelas margens daquele movimento.

A recente edição de “Dust on the nettles, A journey through the british underground folk scene 1967-72” é, para além de oportuna, uma belíssima adenda às colectâneas referidas. Elaborada e anotada por David Wells, estende-se por 3 cds e inclui um booklet de 36 páginas feito de uma profusão de notas históricas e curiosidades diversas.

Sessenta e três temas repartidos por nomes moderadamente conhecidos ( Duncan Browne, Shelagh McDonald, Heron, Trader Horne, Fairport Convention, Parchment, Oberon, Dando Shaft, Beau, Mick Softley, Anne Briggs) e outras tantas preciosidades mais ou menos anónimas, como Gerald Moore ( caso tivesse sido publicado em 1972, “Pilgrim” correria o sério risco de se transformar num hit ), Magnet, Paper Bubble, Melton Constable, Tuesday, Dry Heart, Chimera ou Marie Celeste, são aqui oficialmente publicadas pela primeira vez.

Pouco menos que fundamental!

27/08/15

"Shirley Inspired ..."


Shirley Collins completou há pouco 80 anos. Com uma carreira notável, sem paralelo mesmo dentro do restrito núcleo da aristocracia folk britânica, Collins tem sido durante mais de meio século uma inspiração e uma referência para todos os que entendem a tradição musical folk como uma importante faceta da cultura de um povo.

No âmbito das celebrações do octogésimo aniversário, além do filme “The Ballad of Shirley Collins”, foi publicada “Shirley Inspired…”, uma colectânea com 45 temas que fazem parte da vida e carreira da cantora.

A diversidade dos músicos convidados, arranjos e interpretações é grande. Não obstante, tendo em conta o propósito, há aqui bastos momentos para se gostar e guardar.

Ou, se quiserem, como referiu a própria Shirley Collins: “Listening to these re-creations shows me again that English folk music has timeless power and significance.

25/12/13

Lost Nuggets ( 70 )

Nunca se sabe tudo e, querendo, todos os dias se aprende alguma coisa. Não fora uma referência feita ao acaso por um amigo e talvez nunca me tivesse cruzado com estes dois volumes de uma compilação que, no que concerne ao folk tradicional britânico, reputo ser uma das melhores desde "Electric Muse ". Atente-se nos nomes envolvidos e acrescente-se a raridade de muitos dos temas. Não existe muito melhor por aí...


 
 
"The History of U.K. Underground Folk Rock 1968-1978, Volume One" (Kissing Spell 904 )  CD 1994 UK
 
Shide and Acorn - "Under the tree" ( 1971)
Caedmon - "Asla" ( 1978 )
Tir na Nog - "Our love" ( 1970 )
Mellow Candle - "Sheep Season" ( 1969 )
Parameter - "Emmeline" ( 1971 )
Flibbertigibbet - "Little roving sailor" ( 1978 )
Harison - "Sea of tranquility"( 1969 )
Vulcan's Hammer - "Jamie" ( 1972 )
Caedmon - "Sea Song" ( 1978 )
Stone Angel - "Dancing at Whitsun" ( 1974 )
Mark Newman - "Patterns" ( 1969 )
Trees - "Little black cloud" ( 1969 )
Midwinter - "Winter song" ( 1973 )
Artist Unknown - "Hymn for today" ( 1968 )
Loudest Whisper - "She moves through the fair" ( 1976 )
Skybird - "Magdalena" ( 1975 )
Gallery - The Baron of Brackley" ( 1973 )
Water into the Wine Band - "Waiting for another day" ( 1976 )
 
Photography and design: Mark Hensel
 
 
"The History of U.K. Underground Folk Rock 1968-1978, Volume Two" ( Kissing Spell 905 ) CD 1994 UK
 
Mellow Candle - "Silver Song" ( 1969 )
Stone Angel - "The Bells of Dunwich" ( 1975 )
Loudest Whisper - "Silent O' Moyle" ( 1974 )
Parameter - "Sun gone" ( 1971 )
Shine and Acorn - "I used to live within a world"  (1969 )
Blue Epitaph - "Ffief" ( 1975 )
Mark Newman - "Mustapha" ( 1969 )
Mourning Phase - "Ring out the bells" ( 1971 )
Nº 9 Bread Street - "Girl for all seasons" ( 1967 )
Melton Constable - "River Lane" ( 1970 )
Parameter - "Virgin Childe" ( 1970 )
Harison - "Epic" ( 1969 )
Waiting for the Sun - "Waiting for the Sun" ( 1978 )
Moths - Halfdans Daughter" ( 1969 )
Caedmon - "London Psalm" ( 1977 )
Tir na Nog - "Daisy Land" ( 1970 )
Flibbertigibbet - "My Lagan Love" ( 1978 )
Midwinter - "Sanctuary Stone" ( 1973 )



08/08/13

Steve Gunn "Time off"


 
Ser-se melómano tem destas coisas!
A paixão nunca se extingue. Apesar de já ter escutado milhares de álbuns e dezenas de milhar de músicas, a paixão permanece, indiferente ao tempo. Sem cansaço. E a cada esquina encontro mais razões para que assim seja. A mais recente chama-se Time off  e é uma cortesia de Steve Gunn. 

Pouco referenciado fora dos circuitos alternativos, Gunn conta já com um apreciável número de registos ( quase todos objecto de edições limitadas ). A maioria a solo, mas também sob o nome de Golden Gunn ou Gunn-Truscinski Duo. E é justamente com o apoio do baterista  John Truscinski e do baixista Justin Tripp que “Time Off” é concretizado. O nova-iorquino parte dos locais habituais: Robbie Basho, Sandy Bull, Jack Rose, Michael Chapman; porém desconstrói tudo o que são ideias predefinidas e retoma a tradição exactamente no ponto em que a sua criatividade o determina.
Ou, dito de outra maneira: parte de porto seguro, mas é impossível saber onde irá aportar. E “Time Off” é isso mesmo, uma aventura que começa em “Water Wheel”, serpenteando em volta de um riff hipnótico, mas que rapidamente extravasa padrões e conceitos redutores para se (des)concentrar na invenção, passada e futura. Passada, pois não é possível ignorar os nomes atrás referidos, aos quais acrescentaria Kottke, Garcia, Jansch e Fahey. Futura, porque aquilo que se escuta em “Time off” é claramente intemporal. “Lurker” apresenta-se em modo drone, magnético, onde a voz e a guitarra solo são preponderantes na estrutura de um tema vicioso e viciante.

É muito provável que Gunn  nunca tenha ouvido Hot Tuna, mas “Street Keeper” e “New Decline” poderiam sem esforço fazer parte do alinhamento de “Hot Tuna” ou “Burgers”, tal a similitude com a guitarra bluesy e voz de Jorma Kaukonen e, sobretudo, o tonitruante baixo solo, marca de água de Jack Casidy. “Old Strange” veste a pele de um blues preguiçoso a que o violoncelo de Helena Espvall confere assinalável dose de melancolia. Para o fim “Trailways Ramble”, a cereja no topo do bolo. Cerca de 9 m de um raga cósmico que não deixará ninguém indiferente e que poderá muito bem vir a constituir um poderoso final de set nas prestações de palco.
Arrojado e incontornável.


24/06/13

Sproatly Smith "Times is n' Times was"


 
A música de inspiração tradicional das ilhas britânicas é um espaço criativo imenso e  inesgotável.  A tal ponto que se torna quase inviável seguir todas as propostas que no circuito alternativo / privado surgem a cada dia.
Os Sproatly Smith por exemplo.  Activos desde meados de 2009, tratam as raízes do folk rural e respectivas lendas com o cuidado dos arquivistas e o rigor dos historiadores. “Times is n’ times was” representa a sequência lógica dos anteriores “The Minstrel’s grave” e “Pixieled”. Inspiração lo-fi, construção de acordo com um conceito radiofónico ( repleto de interlúdios e narrações de pequenas histórias ), encarnando o espírito da ruralidade como poucos o fazem hoje.

Espartano nos meios ( instrumentos e produção ), é no entanto um registo cheio. De melodias inesquecíveis, de vocalizações que hesitam entre o bucolismo do folk tradicional e de sonoridades antigas resgatadas ao psicadelismo inglês dos 60s.
 “Rosebud in June”, “The farmers have gone west” e o clássico “Fine Horseman” emergem  naturalmente, mas ao longo de “Times is n’ times was” ecoam em igual proporção as memórias de Richard & Linda Thompson, Mellow Candle, John Kirkpatrick & Sue Harris ou Pentangle.  Uma verdadeira delicia para os sentidos.

05/06/13

Artefactos ( 32 )


Finalmente!
Raro EP Promocional, publicado no Reino Unido em 1972 pela CBS ( número de exemplares não determinado ).
Inclui seis temas igualmente repartidos por Anne Briggs, C.O.B. e Therapy e, respectivamente, retirados dos álbuns "The Time has come" ( 1971 ), "Spirit of Love" ( 1970 ) e "Almanac" ( 1972 ).

30/05/13

The Owl Service "The Garland Sessions"




Notícias recentes dão conta do fim do projecto The Owl Service.
Activo desde 2006, este colectivo mutante foi liderado por Steven Collins, um estudioso da música e tradições antigas e compositor apaixonado pela folk renaissance do final dos 60s.

De entre os vários registos que os Owl Service ( o nome foi retirado do título de um livro de Alan Garner datado de 1967 e que relata uma lenda galesa cuja figura principal é Blodeuwedd, uma mulher criada a partir de flores por um feiticeiro ) nos deixaram, “A Garland of song” ( publicado em 2007 numa edição privada ) é seguramente o mais proeminente. Nele coabitam todas as tradições musicais e pagãs que a folk music das ilhas preserva e que, não raro, se cruzam os trilhos dos Fairport Convention de “Liege and lief”, com o som Albion Country Band ( período Shirley Collins ) e até algum do esoterismo  da Incredible String Band.
The Garland Sessions” agrupa 19 dos temas que o grupo trabalhou para o álbum. Embora não exaustivo ( parte deles ficaram-se pelo cd ou pelo vinil ) é no entanto uma magnifica compilação de canções, lendas várias e sonoridades antigas. Um local único onde se podem escutar as vozes promissoras de Dom Cooper, Kate Denny, Diana Collier, Jo Lepine, Laura Hulse ou Nancy Wallace mas, sobretudo, perceber como é enorme e inesgotável o filão da ancestral tradição musical britânica.

Fundamental, para quem em 2007 não reparou na edição original.

09/03/13

Alasdair Roberts & Friends "A Wonder Working Stone"


Há semanas que ando a escutar “A wonder working stone”, silenciosamente. Gosto tanto que tenho resistido a partilhá-lo. Uma atitude que se encontra nos antípodas de tudo o que o Atalho significa e totalmente ao invés do espírito que presidiu à sua criação.
Mas chegou finalmente a altura da respectiva partilha. Do meu ponto de vista, trata-se de um dos mais marcantes e porventura históricos registos da folk britânica deste século. E estou a pesar cada uma das palavras.

Não existe no novo cd de Alasdair Roberts um único momento débil. São dez peças musicais ( hesito em chamar-lhes apenas canções ) que ocupam um espaço único no tempo e na narrativa da música de inspiração tradicional contemporânea. Uma atmosfera de “Renaissance Fair”, claramente pagã, mesclada por arquitecturas antigas ( medievais ) que conduzem a resultados únicos, muito mais convincentes que companheiros de viagem como Trembling Bells por exemplo. E aqui chegados,é impossível não relembrar a herança de outras lendas escocesas como a Incredible String Band de Mike Heron ( pelo lado da melodia ) e Robin Williamson ( pela inspiração e experimentalismo ).

Semanas de audições silenciosas, dizia. Porque tinha de ser assim. A profusão de pistas e a riqueza estrutural que cada tema transporta, são tais que ao primeiro contacto, aqueles surgem difusos e aparentemente pouco distintos uns dos outros. É necessário tempo e paciência para que o processo desconstrutivo  tenha lugar e possa ser possível escutar cada nuance, cada melodia, cada recanto interpretativo, e no final se possa usufruir  de toda a riqueza e competência ( instrumental e vocal ) que Alasdair Roberts  tem para oferecer.
Salientar qualquer um dos temas seria, como se infere do que atrás ficou dito, despiciendo. O álbum vale como um todo e é como um todo que deve ser escutado e saboreado. Também porque é seguramente a melhor colectânea  que Alasdair Roberts já gravou.

26/02/13

Dodson and Fogg "S/t"


Dodson and Fogg  ( nome retirado de um romance de Dickens ) é basicamente um projecto de Chris Wade ( escritor, editor, ilustrador, cantor, compositor ), um verdadeiro homem da renascença.  

Desde sempre apaixonado pela folk, Wade reuniu um conjunto de canções e, fazendo uso das várias ferramentas de que dispõe, partiu para a respectiva publicação. Em boa hora o fez pois “Dodson and Fogg”, não sendo um portento de originalidade, cativa pela beleza, inspiração e simplicidade.

Fundamentais são as colaborações de Celia Humphris ( Trees ), Nik Turner ( Hawkwind ) e Judy Dyble ( Fairport Convention ). Aportam talento, mais valia e sobretudo, ajudam a sublinhar a atmosfera early 70s, naturalmente reforçada pelas heranças provenientes dos COB, Forest e Incredible String Band. No conjunto são 12 temas iluminados por aquela sonoridade tão característica da época, quando o folk tradicional vestia as roupagens psych, bordejava o progressivo e não raras vezes se distraía, resvalando para aquilo a que hoje se chama “acid folk”.

“All day long”, estrategicamente colocado a abrir, é um tema de rara beleza, quase uma canção de embalar, com as guitarras acústicas e o piano de Wade a percorrerem os espaços que a voz de Celia Humphris deixou por preencher. “Just you and me” mantém as vibrações, acrescenta a flauta de Nik Turner e atira com a canção para o catálogo dos Forest, Trees ou até mesmo Jethro Tull, período “Songs from the wood”.  Embora mais soliloquiais, “Nothing at all” e “Say Goodbye”, alinham pelo mesmo diapasão, que se manterá até ao final. Uma agradável surpresa.

31/10/12

"Electric Eden, Unearthing Britain's Visionary Music"


Em 2010, o crítico e ensaísta Rob Young publicou “Electric Eden, Unearthing Britain’s Visionary Music”, um belíssimo livro onde a investigação e a opinião caminham em quase perfeita sintonia.
As raízes da música folclórica britânica, o exemplo dos investigadores que recolheram e preservaram tradições orais, os trovadores pioneiros que lhes deram forma desde os anos 50 do século XX, os músicos que corporizaram a chamada “folk revival” dos 60s, a componente esotérica e pagã e os respectivos palcos de celebração colectiva ( Glastonbury e Stonehenge ), até o pop mais visionário ( Kate Bush, Julian Cope, Talk Talk ); tudo ou quase tudo foi abordado e poucas pedras terão ficado por virar. 

Dois anos volvidos, os ecos do livro ainda se fazem sentir. Natural portanto a edição de  uma vertente áudio e, “Electric Eden, Unearthing Britain’s Visionary Music” , um duplo cd aí está, para gaudio dos que leram o livro e uma espécie de “hors d’oeuvres” para os que o irão fazer. (“Welcome to Electric Eden – a secret garden deep within Albion’s musical landscape, nourished by nostalgia for a bygone golden age, and fulled by a progressive spirit of change for the future”).
São 36 temas, cirurgicamente escolhidos e que espelham na perfeição a paisagem do folk-rock britânico entre 67 e 73, período em que atingiu o respectivo zénite criativo. De acordo com os gostos e preferências individuais, existirão sempre omissões. Mas o que “Acoustic Eden” (CD1) e “Electric Albion” (CD2) incluem, é tão só o “crème de la crème” de uma expressão musical absolutamente fundamental e perene.

27/08/12

"Weirdlore, Notes from the Folk Underground"


 
Desde o final dos 60s, momento em que atingiu o zénite, o folk ou música de inspiração tradicional se preferirem, desceu aos infernos, proscrita por factores vários, entre os quais a revolução urbana do punk e pós-punk não terão sido os menos despiciendos. 
No inicio do século XXI, a meias entre o paganismo e o esotérico, o género foi resgatado por militantes das margens como In  Gowan Ring, Stone Breath, Timothy Renner ou Current 33.  Depois, genuíno,  surgiu Appendix Out, aka Alasdair Roberts (o melhor Richard Thompson depois do próprio), mais à frente um exército de betinhos postiços liderados por Devendra, Joanna Newson, Animal Collective  e afins, os quais tentaram e conseguiram fazer um copy/paste entre a autenticidade do folk tradicional e a sua, muito própria, interpretação do psicadelismo.
 
Entretanto, a indústria, atenta ao fenómeno, tratou de criar os seus “Coldplays” armados de banjos e guitarras acústicas (The Unthanks,  Mumford & Sons, Laura Marling … ), mas a semente lançada anos antes por Roberts e David Tibet germinou e a meio da década passada a herança das proscritas Vashti Bunyan ou Shirley Collins foi recuperada e nomes  como The Owl Service, Nancy Wallace, Sproatly Smith, Corncrow e, Wyrdstone, com ou sem a influência psicadélico-pagã dos Incredible String Band ou  Comus, regressaram ao espírito inicial do folk tradicional. A hidra ostentou entretanto já várias cabeças: Wyrd-Folk, Doom-Folk, Weird-Folk, Free-Folk, … Não foi, nem nunca será importante para a essência do que está em causa.
 
( Nancy Wallace ) 
                              
Tudo isto a propósito de “Weirdlore, Notes from the Folk Underground , uma compilação que sonoriza o que se tentou explicar acima e que reúne temas de nomes como Telling The Bees, Rapunzel & Sedayne, Nancy Wallace,  Sproatly Smith, The Straw Bear Band, Starless and Bible Black, Alasdair Roberts, Corncrow e Wyrdstone entre muitos outros. 
Arrisco a afirmar que se trata da melhor colectânea do género desde as duas fabulosas edições de “John Barleycorn reborn”. Mais, ajudará a separar as águas de novo e dificultará em muito a tarefa de cristãos novos como os Trembling Bells, por exemplo.
 
O aviso ficam feito, agora sabem o que têm que fazer.

14/06/12

"For Lee Jackson in Space"


No passado dia 26 de Março, a música e os músicos perderam um grande amigo. Lee Jackson, um jornalista texano que passou parte da sua curta vida a escrever sobre o tema e a divulgar projectos musicais inovadores e alternativos nas páginas de magazines mais ou menos obscuros como Broken Face, Foxy Digitalis, Deep Water Acres ou Dream Magazine, sucumbiu a uma doença neurodegenerativa irreversível a que chamam ALS ou Lou Gehrig síndroma.

Alguns amigos tomaram a iniciativa de propor o lançamento de uma compilação de músicas inéditas com um duplo objectivo: homenagear Jackson por um lado e, por outro,  angariar fundos para a Fundação que no Texas procura ajudar aqueles que padecem da doença.

Para além de altruísta, a resposta dos artistas foi no mínimo avassaladora. Em pouco menos de dois meses, os promotores da iniciativa receberam dezenas de temas de grupos e músicos que pretendiam associar-se ao projecto e desta forma agradecer a paixão com que Lee Jackson havia escrito e divulgado a sua música.

A maior dificuldade dos organizadores residiu certamente na escolha, mas no passado dia 4, ( 94 temas, cerca de 12 horas de música ) passou a estar disponível   aqui , uma enormíssima colectânea digital cujo título não deixa margem para dúvidas: “For Lee Jackson in Space”. 

Ao Atalho pouco mais resta acrescentar, a não ser que se trata de um projecto  extraordinário e que certamente deixaria Lee Jackson muito satisfeito.

16/01/12

Psych & Folk 2

A coluna do Atalho no Blitz de Janeiro. Não se esqueçam de passar por lá.