18/07/16
Matt Valentine "Blazing Grace"
19/03/14
The Kitchen Cynics: "Yesterday Perhaps, Songs of The Kitchen Cynics", "The Orra Loon" e "Wooden Bird ... plus".
Ao perscrutar a capa do vinil de “Yesterday Perhaps, Songs of The Kitchen Cynics”, retornam da memória aquelas fantásticas capas da velhinha Topic Records. Muita da história e tradição orais de Inglaterra, Gales e Escócia passaram pelo catálogo daquela editora independente, quando o significado da palavra encontrava similitude na prática. A música era ancestral, as interpretações austeras e os arranjos regra geral espartanos. Os discos eram porém quase sempre brilhantes.
12/09/11
P. G. Six "Starry mind"
Comprem, ripem, partilhem … Façam o que for preciso, mas não percam este álbum.Perdoem a hipérbole e a mais do que provável imprecisão histórica, mas “Starry mind” será um dos melhores discos de guitarras folk-rock, desde que Richard Thompson se mudou de Inglaterra para os EUA ( e não, não me estou a esquecer de Dave Schramm, Matt Valentine ou Ben Chasny ). Pat Gubler é já um “habitué” aqui pelo Atalho, mas nada do que se escutou antes pode comparar com o extraordinário trabalho de ourives que emana de “Starry Mind”. A referência a Thompson não é inócua. Existe aqui um ambiente que remete para o folk inglês / irlandês, facto que conjugado com a evidente presença de uma componente “west-coast”, produz resultados esteticamente brilhantes e de grande efeito. “January” por exemplo. Trata-se da adaptação de uma canção tradicional irlandesa. O intro da guitarra sugere o Richard Thompson de “A sailor’s life” ( Fairport Convention “Unhalfbricking” ) e estaria tudo dito, não fora ainda um intenso e quase antológico diálogo entre as guitarras de Pat Gubler e Bob Bannister . “Letter” é puro psicadelismo “west-coast” inicio dos 70’s esplanado ao longo de 5 deliciosos minutos. A bateria avança em modo jam session, logo seguida pelas 3 guitarras ( Tara Key é convidada neste tema ), enquanto lá atrás o baixo de Debby Schwartz sustenta tudo o que há para sustentar. Não terá sido certamente por acaso que este título me fez lembrar “If I could only remember my name” de David Crosby. “Days hang heavy” regressa à beleza acústica da balada de inspiração tradicional e abre espaço para “Palace”, o verdadeiro “tour de force” do cd. O break da bateria é convicto, preciso, e o refrão introdutório ( que traz à memória “Lawyers, Guns and Money” de Warren Zevon ) indiciam que a coisa só pode melhorar. E de facto só melhora a cada nova audição. Para além disso, o trabalho de filigrana das duas guitarras deve ser sublinhado, pois artesãos deste calibre não abundam por aí. Um jardim suspenso de beleza, sensibilidade e destreza técnica, “Palace” é uma escuta obrigatória. "Talk me down” regressa ao paradigma folk-rock com perfume psych, enquanto “Crooked way”, alicerçado num delicioso órgão Hammond, deixa espaço para a deriva preguiçosa das guitarras gémeas. Um tema a dois tempos e que deverá ser espectacular quando amplificado em palco. A terminar , “This song” conforta-nos com mais um precioso conjunto de guitarras solo, pairando sobre uma melodia serena e uma excelente vocalização de Pat. A religião professada pelo Atalho não permite a elaboração das famigeradas listas “dos melhores do ano”. Caso assim não fosse, “Starry Mind” seria aqui o álbum do ano. Pouco importando o tempo que ainda falta para que este chegue ao fim. 
29/03/10
P.G. Six "Live at VPRO Amsterdam"

A editora acaba de regressar a P.G. Six com “Live at VPRO Amsterdam” uma edição embrulhada num magnífico “artwork” de Kim Jones e limitada a 100 exemplares.

As fitas foram gravadas em Novembro de 2004 e captam um concerto em que o mais fervoroso discípulo americano de Bert Jansch actuou a meias com o percussionista Tim Barnes. Três dos temas - “The divine invasion”, “The shepherd” e o original de Anne Briggs “Go your way” - , são oriundos de “Parlor Tricks”, mas há também uma versão de Townes Van Zandt ( “High, low, and in between” ) e uma estimulante suite ( “Old man on the mountain /Evening comes” ) onde Gubler na guitarra e Barnes no ukelin inventam uma colorida sonoridade oriental, mesclada pelas tonalidades cinzentas do John Cale de “Velvet Underground” ou “Marble Index”.

Somadas as componentes áudio e visual, “Live at VPRO” é um artefacto a considerar, mesmo para aqueles que já conhecem a música de Pat Gubler.




