Mostrar mensagens com a etiqueta Davy Graham. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Davy Graham. Mostrar todas as mensagens

29/05/21

Richard Thompson "Beeswing"

 

Há muito que o homem é credor da admiração do Atalho. Mas depois de ler isto:

In Fairport we loved the response to the Beatles by bands such as the Byrds, the Left Bank and the Lovin’ Spoonful. The great singer-songwriters, like Dylan, Cohen, Ochs and Mitchell, were our true inspitation, as were the Band, with their blend of roots styles that were so familiar to us from records. All around the world, people had grown cynical about American politics, but they loved american music – especially the blues and country music of the Southern poor and the tougher, electrified sounds of the urban disillusioned and disenfranchised.”

 Ou, sobretudo, depois disto: “Later that year ( 1968 ), Sandy ( Denny ) and I received invitations in the post to Paul McCartney’s  birthday party. It shows how much of a musical snob I was at the time that I decided not to go – to me, the Beatles were a ‘pop’ band and not to take seriously.”

Rapidamente o estatuto passou de admirado a venerado.

Um pouco mais a sério: “I saw Bert ( Jansch ), Davey ( Graham ) and Martin ( Carthy ) all play around this time ( 1968 ). There is nothing like seeing someone live and not quite grasping what they are doing, If you understand it, you might just try to copy it; not understanding might lead you to experimente and maybe arrive at something diferente and original. I’m glad i didn’t just slavishly copy any of them, or I might never have crawled out from under their influence.”

E, com isto, fica tudo ou praticamente tudo dito, acerca da personalidade e talento deste verdadeiro tesouro vivo da música britânica.

Beeswing, Fairport, Folk Rock and finding my voice 1967-75” escrito com a ajuda de Scott Timberg, é um livro essencial não apenas para os convertidos, mas acima de tudo para aqueles outros que conhecem menos bem um dos períodos mais fulcrais e estimulantes da música das ilhas britânicas.

Época renascentista, quase arriscaria a escrever. Acrescentando sem grande risco de falhar que, depois de “Whyte Bicycles” de Joe Boyd e do que se espera vir a ser a biografia definitiva de Nick Drake ( a ser preparada por Richard Morton-Jack ), este é um dos mais completos e coerentes testemunhos da época.

Todas as pedras são reviradas e nada fica por contar. Como nasceram, cresceram, viveram e “morreram” os Fairport Convention ( e os Fotheringay já agora ); a forma como foram escritos e gravados os grandes temas;  a personalidade e carácter dos vários talentos que foram passando pela banda; os inevitáveis choques de egos; as amizades e cumplicidades que perduraram independentemente dos caminhos futuros.


Por último a fase da conversão ao sufismo, a ligação familiar e profissional a Linda Peters ( Thompson ), os discos que enquanto Richard & Linda Thompson gravaram entre 1974 e 1979 …

Um testemunho absorvente a que a plenitude e rigor cronológico dos detalhes não são seguramente alheios.

Nota: Aconselha-se vivamente manter por perto todos os álbuns. Com cansativa regularidade, torna-se necessário interromper a leitura para ir escutar ( conferir ) muito do que é referido.

18/05/20

Jardins do Paraíso ( LXII )



Espécie de diagrama do percurso de Wizz Jones enquanto jovem artista, o álbum homónimo deste natural de Croydon, soa ainda hoje – meio século volvido -, como uma pequena e frágil peça de joalharia cujos detalhes mais secretos se vão revelando a cada nova observação ( audição ).

Percursora dos hippies, uma outra tribo britânica, viajante, artista, boémia e hedonista – os beatnicks – tinha como um dos objectivos primários atravessar o Canal da Mancha, armada apenas das guitarras, banjos, vozes idílicas e pueris.

Wizz Jones protagonizou-o, vivendo os primeiros anos dos 60s entre França ( ao lado de Clive Palmer, Mick Softley, Ralph McTell, Davy Graham ou Rod Stewart ) e a boémia londrina do Soho. Ao virar a  metade da década gravou com Pete Stanley um disco onde o bluegrass mandava mais que a então emergente paixão pelo blues: “16 Tons of Bluegrass”. O projecto por ali ficou e Jones deu então inicio a uma efémera e praticamente infecunda parceria com Clive Palmer; regressado da India, Afeganistão e fundador da Incredible String Band, a qual recém abandonara.

Quando a década já desvanecia, Jones e o compositor Alan Tunbridge recuperaram uma amizade velha dos tempos passados em Cornwall. Atribuíram-lhe contornos artísticos e num ápice surgiram onze canções. O álbum “Wizz Jones” publicado em Junho de 1969, são essas onze canções, mais “American Land” de Pete Seeger e meia dúzia de tradicionais; blues como era bastante comum na época, entre os quais “Corrine’s Blues” e “Guitar Shuffle”.

As canções de Tunbridge reflectem as vivências de ambos. Constituem por isso um genuíno road map das opções e percurso dos dois homens. Autênticas e inspiradas, só podiam entretanto melhorar ao vestirem o talento instrumental  de Jones ( um dos mais dotados guitarristas acústicos da sua geração ).  A voz essa, é um pormaior adicional, compreensivelmente nada despiciendo.

Finalmente reeditado numa edição limitada que inclui as versões stereo ( em vinil ) e mono ( em CD ), um folheto e a reprodução de um postal promocional criado pela United Artists em 1969, “Wizz Jones” é uma das peças que melhor define uma certa estirpe de songwriters britânicos para quem o folk e o blues tradicionais, para além de enorme fonte de inspiração, sonorizavam o quotidiano, fazendo portanto todo o sentido. Escutem “Shall I wake you from your sleep”, “O my friend”, “Dazzling Stranger” ou “Guitar Shuffle” e percebam porquê.

Listening to this album takes me back through many years, many memories, of long hot summers  in Newquay and milk trains to Brighton for Sunday raves of the front. Of afternoons in Sam Widges, Soho and nights at Charing Cross

( Long John Baldry, na contracapa do disco ).