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09/09/24

Lost Nuggets ( 187 )

Meg Baird, Helena Espvall, Sharron Kraus "Leaves from off the tree" ( Bo'Weavil Recordings, weavil 16CD ), UK, 2006

- "Bruton Town"
- "Barbry Ellen"
- "Fortune my foe"
- "Willie of Winsbury"
- "The Nightingale"
- "John Hardy"
- "The Derry Dems of Arrow"
- "Now Westlin' Winds"
- "False Sir John" 

Meg Baird (voz e guitarra ), Sharron Kraus ( voz, guitarra e dulcimer ), Helena Espvall ( voz e violoncelo )

Canções tradicionais

Capa: design de Sharron Kraus e Dale Berning, foto Micah Danges

13/06/18

Sharron Kraus "Joy's Reflection is Sorrow"



Após mais de 15 anos de carreira, os trabalhos de Sharron Kraus já mereciam uma outra atenção.

Quando as Joannas Newsom deste mundo ainda não tinham decidido o que fazer à vida, já Sharron gravava discos seminais para a Camera Obscura do saudoso Tony Dale ( “Beautiful Twisted” e “Songs of Love and Loss” são, neste âmbito, particularmente impressivos e ajudam a definir o que na altura se convencionou chamar de “weird folk”).

Pelo caminho colaborou com os Iditarod de Jeffrey Alexander, com Christian Kiefer e  United Bible Studies. Em 2007 ao lado de Meg Baird e Helena Espvall publicou o bucólico “Leaves from off the tree”. No ano seguinte, com a colaboração de Greg Weeks e Gillian Chadwick, editaria “Rusalnaia”.

Em “Joy’s Reflection is Sorrow” Sharron experimenta novos caminhos. Distante está a paixão pelos Apalaches ou o ruralismo de inspiração galesa a que os dois discos anteriores davam corpo.   

Este novo álbum projecta um desafio, na justa medida em que busca o compromisso entre as raízes folk de contornos vincadamente espartanos e a sofisticação que a instrumentação electrónica proporciona ( curioso como “Figs and Flowers” faz recordar o “Broken English” de Marianne Faithfull e "The Man who says Goddbye" remete para os Spriguns de Mandy Morton ).

Dito de outra maneira: o paradigma mudou. “Joy’s Reflection is Sorrow” é um disco que necessita de tempo para ser digerido. Porque, ainda que acolha as pequenas pérolas habituais na escrita de Kraus, veste novas roupagens, muito próximas da  interpretação que os Tremblig Bells fazem hoje do folk embora prefira arranjos e formas mais subtis.

Nancy Wallace, outra das favoritas do Atalho, empresta a voz a alguns dos temas.

10/01/12

Meg Baird "Seasons on Earth"


Depois de “Leaves from off the tree” (uma colaboração com Helena Espvall e Sharron Kraus) e de Dear Companion (2007), Meg Baird, a voz feminina dos Espers, o projecto neo-psicadélico de Greg Weeks, está finalmente de regresso com “Seasons on Earth”. Dito de outra maneira: temos de novo o privilégio de escutar, interpretando uma dezena de temas de uma forma muito próximo do sublime, aquela que será porventura a melhor voz feminina a surgir na folk americana em muitos muitos anos.

Para ser absolutamente sincero, ao Atalho sobram emoções e faltam palavras para descrever com critério e objectividade os sons e sensações que emergem de “Seasons on Earth”. Logo a abrir, “Babyon” dá o tom. A beleza singela da voz e a delicadeza da guitarra de Meg conquistam a mais distraída das atenções. “Stars climb up the vine” , “Share”, “The Finder” seguem a mesma via, mas sempre em crescendo.



As versões de “Friends” (um magnifico tema de 1971 escrito por Jon Mark, e desde então perdido no interior do álbum homónimo do duo Mark-Almond) e “Beatles and the Stones” (um original dos House of Love) são tão peculiares e idiossincráticas como o são por norma as versões das canções trabalhadas por Mark Kozelek, isto é: são como que novas canções, construídas em cima de uma estrutura pré-conhecida.

E no final pouco importa tergiversar sobre as steel guitars , dobros, ou percussões dos músicos convidados para este festim silencioso e quase intimista. O palco está refém da voz, guitarra acústica e talento de Meg Baird – “Stream” quase a terminar é outra peça de antologia -, e tudo o resto é pouco mais que supérfluo.

No interior da capa Meg escreveu: “for Jack Rose, who is missed more than can be expressed here or elsewhere”, uma dedicatória que diz tudo o que precisa ser dito.

18/09/09

Helena Espvall & Masaki Batoh "Overloaded Ark"


Escutar a guitarra de Masaki Batoh continua a ser um dos grandes prazeres deste mundo. A forma como, aparentemente sem destino, a acústica do músico japonês percorre a aridez dos espaços em “Until Tomorrow”, constitui um momento de antologia e uma das razões para investir nesta segunda colaboração entre o experimentalista de Tokyo e Helena Espvall.



As restantes razões poderão ser encontradas nas adaptações de tradicionais ( “Little Blue Dragon” e “Vem Kan Segla” ), nas incursões pelo território da música antiga ( “Pro Peccatis Suae Gentis/Nun Fanget Na” ) ou no revisitar das atmosferas gélidas outrora propriedade de Nico: “Tourdion” não pode deixar de evocar “Le Petit Chevalier” de “Desertshore” e “Over the luminous land” só pode ser consequência de uma exposição prolongada a “Frozen warnings” do mítico “Marble Index”.



Faltará unidade e consistência a “Overloaded Ark”; um caso típico em que o todo acaba por não ser igual à soma das partes. Porém, individualmente, será fácil encontrar aqui temas que justifiquem a respectiva inclusão numa lista de favoritos do IPod.

04/08/08

Helena Espvall & Masaki Batoh - "S/t"


Existiam fundadas e justificadas expectativas relativamente a esta colaboração.

Masaki Batoh lidera há cerca de 20 anos o colectivo japonês Ghost, um projecto orientado para o avant-psych mas com repetidas e significativas incursões na folk. Natural da Suécia, Helena Espvall tem vindo a percorrer os trilhos do experimentalismo, do wyrd-folk, tem colaborado com Bert Jansch e há um par de anos integra os Espers, a banda que o americano Greg Weeks utiliza para renovar o vocabulário e sons do folk de inspiração celta, tal como a Incredible String Band os concebeu.

Tendo presente a expectativa que envolveu o projecto e o currículo dos músicos “Helena Espvall & Masaki Batoh” sabe a pouco. Resultará apenas como um conjunto de temas tradicionais escandinavos, intercalados por uma mão cheia de curtas improvisações de cariz pastoral e/ou medieval.

É notório o desequilíbrio. Há demasiada Helena Espvall e muito pouco Masaki Batoh ( bastará regressar ao magnífico “Damon & Naomi with Ghost” para se aquilatar da qualidade e da importância do guitarrista japonês ). Logo, o plano inclina-se indesejavelmente em direcção a Joanna Newsom, Marissa Nadler, Josephine Foster ou CocoRosie, o que como muito boa gente já percebeu não é de todo um bom sinal.

As atmosferas místicas, imagem reflectora de Batoh, tinham tudo para casar com as paisagens medievais aqui exploradas por Espvall, porém a inesperada fragilidade dos arranjos deixa no ar uma sensação de insegurança que acaba por comprometer as intervenções de um músico experimentado e versátil como Batoh.

Do conjunto, emergem “The Beautiful Crystal” ( muito bom o trabalho de guitarra da sueca ),”Death letter” um tema de Son House adaptado e interpretado por Masaki e “Uti Var Hage” uma canção tradicional da Suécia onde o conjunto das duas vozes e o filigranar das guitarras eléctricas se aproximam dos patamares de beleza e melancolia que caracterizam as criações do japonês.

Talvez a soma das duas personalidades resulte melhor em palco …