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16/02/15

Horse Lords "Hidden Cities"



Oriundos de Baltimore, os Horse Lords são, à sua maneira, uma banda visionária.  Hidden Cities”, o segundo álbum do quarteto constitui um verdadeiro mapa do tesouro, e é tão surpreendente como inesperado.
No inicio, deixa a sensação de que a máquina do tempo regressou ao inicio dos anos 80 do século passado, mas logo se percebe que nem o sax de James Chance and The Contortions nem a dinâmica atonal dos DNA eram tão furibundos.
A uma distância prudente, “Remain in light” e “My life in the bush of ghosts” são referências possíveis. “Hidden Cities” é simultâneamente radical, minimalista, funky, experimental, no-wave … aditivo, e por aí fora.
Os temas, cinco, crescem imprevisíveis não antecipando em nenhum momento onde poderão chegar ou como irão terminar. As restantes pistas são inúmeras ( Tuxedomoon, Chrome, Patrick Burke, Parasites of the Western World, Matmos, Simply Saucer ) mas todas tão redutoras quanto as atrás referidas.
Hidden Cities” parecendo antigo é afinal algo de profundamente novo. E “mind blowing” também.

08/04/14

Blanc Realm "Grassed Inn"



Imagine-se um espaço onde se cruzam os Talking Heads, com Go-Betweens e Jonathan Richman … Existe, dá pelo nome de Blank Realm e recentemente expressou-se através do álbum “Grassed inn”.
É de facto difícil escutar a exuberância rítmica de “Falling down the stairs” sem que “Fear of Music” ou “Remain in light” regressem à memória. Porém a linguagem da banda australiana não se esgota na oportuna veemência daquele tema.

 Activo desde há uma década, o colectivo dos irmãos Spencer tem navegado pela história, reescrevendo-a ao sabor dos antípodas, que é como quem diz, tendo sempre presente a sonoridade kiwi imagem de marca da Flying Nun e de bandas como Chills, Verlaines, Triffids  ou Pin Group. 

Escute-se o paquidérmico “Bulldozer Love” e atente-se como é possível pegar no paradigma Go-Betweens e direccioná-lo para caminhos que só o psicadelismo habitualmente percorre.  
Ao longo de “Grassed Inn” surgem acessoriamente momentos onde o synth dos 80s hesita entre os adereços melódicos de  Big Star e a construção rítmica dos Neu. E embora a ideia pareça à partida bizarra, o resultado é empolgante, como em “Violet Delivery”.  A marca de água é todavia “Reach you on the phone”; um título que só poderia ter sido escrito  por uma banda da Oceânia.

De “Grassed inn” ir-se-à falar seguramente. Só resta saber quando.

07/08/10

Artefactos ( 4 )


No inicio do verão de 1983, quando os Talking Heads se preparavam para publicar "Speaking in tongues", David Byrne visitou uma exposição de Robert Rauschenberg. Ficou tão impressionado que decidiu entregar-lhe a concepção da capa do disco.

Rauschenberg desenhou uma capa plástica transparente, onde um vinil, também transparente, está coberto pelos detalhes informativos e créditos do disco. Apresentadas sob a forma de uma colagem e coloridos.

A edição, limitada a 50.000 exemplares, recebeu o número de catálogo 1-23771. Inferior ao que ostenta a edição standard do LP ( 1-23883 ). Esta, nasce logo que a editora se apercebe que o álbum podia vir a ser um sucesso e que o custo de fabrico da capa desenhada por Rauschenberg, iria aumentar exponencialmente o preço de capa, colocando em risco o pretendido êxito de vendas.