Uma versão raramente atinge a excelência do original respectivo. É mais ou menos consensual. Contudo, é extraordinária a capacidade que alguns músicos possuem para, através de versões, criarem “novos” temas. Mark Kozelek é um desses casos. Mas há mais.
07/11/14
Greanvine "Mark you that and noat you wel"
Uma versão raramente atinge a excelência do original respectivo. É mais ou menos consensual. Contudo, é extraordinária a capacidade que alguns músicos possuem para, através de versões, criarem “novos” temas. Mark Kozelek é um desses casos. Mas há mais.
10/01/12
Meg Baird "Seasons on Earth"

Depois de “Leaves from off the tree” (uma colaboração com Helena Espvall e Sharron Kraus) e de “Dear Companion” (2007), Meg Baird, a voz feminina dos Espers, o projecto neo-psicadélico de Greg Weeks, está finalmente de regresso com “Seasons on Earth”. Dito de outra maneira: temos de novo o privilégio de escutar, interpretando uma dezena de temas de uma forma muito próximo do sublime, aquela que será porventura a melhor voz feminina a surgir na folk americana em muitos muitos anos.
Para ser absolutamente sincero, ao Atalho sobram emoções e faltam palavras para descrever com critério e objectividade os sons e sensações que emergem de “Seasons on Earth”. Logo a abrir, “Babyon” dá o tom. A beleza singela da voz e a delicadeza da guitarra de Meg conquistam a mais distraída das atenções. “Stars climb up the vine” , “Share”, “The Finder” seguem a mesma via, mas sempre em crescendo.

As versões de “Friends” (um magnifico tema de 1971 escrito por Jon Mark, e desde então perdido no interior do álbum homónimo do duo Mark-Almond) e “Beatles and the Stones” (um original dos House of Love) são tão peculiares e idiossincráticas como o são por norma as versões das canções trabalhadas por Mark Kozelek, isto é: são como que novas canções, construídas em cima de uma estrutura pré-conhecida.
E no final pouco importa tergiversar sobre as steel guitars , dobros, ou percussões dos músicos convidados para este festim silencioso e quase intimista. O palco está refém da voz, guitarra acústica e talento de Meg Baird – “Stream” quase a terminar é outra peça de antologia -, e tudo o resto é pouco mais que supérfluo.
No interior da capa Meg escreveu: “for Jack Rose, who is missed more than can be expressed here or elsewhere”, uma dedicatória que diz tudo o que precisa ser dito.
18/02/09
Mark Kozelek "The Finally LP"

Nas gerações mais recentes não é fácil encontrar um artista ( Howe Gelb anda lá por perto ) que chegue genuinamente ao âmago das idiossincrasias rurais, suburbanas, prosaicas, dos americanos. Daí que cada abordagem de Kozelek ( seja através de temas originais ou de versões ) nos sugira um mergulho no realismo social captado pela objectiva de Dorothea Lange ou no quotidiano folclórico que Robert Frank perpetuou em “The Americans”.

( Dorothea Lange, San Francisco 1937 )
E depois, caramba, Kozelek é o único que consegue fazer-me ouvir uma música dos AC/DC até ao fim, facto que, tendo em conta a apreciação que faço da banda australiana, tem um enorme significado.

Simultaneamente minimalista e denso, “The finally LP”, que a espaços recorda “The circle game” de Tom Rush, recupera canções de Will Oldham como “New partner” de “Palace songs”, “Celebrated summer” dos Husker Du de “New day rising”, “Lazy dos Low the “I could live in hope”, AC/DC “If you want blood” ( não me perguntem de que disco ) e o célebre “Send in the clowns” de Stephen Sondheim, um tema que toda a gente importante cantou desde Frank Sinatra a Barbra Streisand, mas de que só me consigo lembrar da versão de Judy Collins no álbum “Judith”.

( Robert Frank, Rodeo, NYC 1955 )


