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18/09/17

Behind the Shadows Drops "Harmonic"



Quando não se encontra na estrada com os MONO,  Takaakira Goto, o pequeno génio de Tóquio, mata o tempo com projectos alternativos.
Foi assim com os The Left ( álbum “I could stand here” em 2005 ), com o disco solo “Classical Punk and Echoes Under  the Beauty” uma década depois e é também assim com “Harmonic” dos Behind the Shadow Drops.
Takaakira Goto é um experimentalista que há muito ultrapassou as fronteiras estéticas do pós-rock de que os MONO são um dos maiores expoentes. Aqui, promove incursões no minimalismo, no clássico moderno, na música ambiente e, quase como uma consequência natural, nas paisagens inóspitas do kraut-rock.
Os espaços são tão amplos e inspiradores que apetece percorrê-los sem a interferência do tempo. John McEntire, veterano dos Tortoise e dos Sea & Cake, é o produtor que esta música solicitava; ainda que teria sido muito curioso verificar como outro experimentalista moderno,  Matthew Cooper ( Eluvium ) se comportaria na tarefa.
Um disco aditivo que ficará bem nos fins de tarde do próximo outono.

28/07/13

Eluvium "Nightmare Ending"


 
Enquanto Eluvium, a última gravação de Matthew Robert Cooper data de 2010 com “The motion makes me last”. Pelo meio publicou uma banda sonora e um cd – “Dedicate Function” - sob o ‘nom de plume’ de Martin Eden.  
A longa espera foi no entanto  recompensada. “Nightmare ending em formato de cd duplo é pouco menos que um festim e fará as delícias, não apenas dos seguidores, como de todos aqueles  que apreciam a moderna música de vanguarda, ambiental e não apenas.

Como habitualmente Matthew Cooper respalda-se na electrónica, mas a sua criação vai muito para além da “ambiente music”.  É simultâneamente clássica e contemporânea. Inovadora também.  Copia” de 2007 é uma obra tão marcante que a seu lado todos os restantes Eluvium perdem na comparação. “Nightmare ending” é no entanto o que mais se lhe aproxima. Tão exaltante nas longas suites ( “Don’t get any closer”,  “Sleeper”, “Covered in writing”, “Happiness” ) como brilhante nas composições clássicas para piano ( “Caroling” , “Entendre” ) Cooper cria de aqui de novo ( como fez no passado ) a música com a qual todas as outras passam a ter de ser comparadas.
É seguramente um dos grandes compositores contemporâneos e não é exagero dizer que a sua música move montanhas.  

15/11/12

Martin Eden "Dedicate Function"


Depois de Eluvium, Martin Eden é o novo pseudónimo de Matthew Robert Cooper. A separação de identidades faz todo o sentido pois, enquanto o primeiro se expressa numa linguagem neo-clássica, aqui e ali matizada pelo minimalismo e pela vertente cósmica, Martin Eden projectou debruçar-se apenas sobre a música electrónica.
Depois da estreia através do single “Worker”, Martin Eden acaba de publicar o cd “Dedicate Function com selo da Lefse. E confirma tudo aquilo que dele se esperava. Trata-se de um projecto absolutamente dedicado à escola electrónica, com tudo o que de bom e menos bom, tal escolha implica.

E quer se goste ou não, é mais do que evidente que a vertente mais planante e menos interessante do krautrock ( leia-se Klaus Schulze ou Tangerine Dream pós 1972 ) está em vias de ser recuperada tal como têm acontecido com outros sub-géneros dos 70s. Aqueles menos familiarizados com a história poderão sentir-se tentados pelos contornos pós-modernos da coisa, os outros (onde o Atalho se inclui) não poderão deixar de esboçar um sorriso e encolher os ombros.

A abrir, o curto “Vlad” ilude, na vã esperança de que as espirais electrónicas se desloquem até às fronteiras da “kosmische musik” mas, logo a seguir, “Short cut” atira-nos para o regaço dos inenarráveis Pet Shop Boys. E aí, dois passos atrás não são apenas uma mera precaução. São uma medida necessária para a preservação da sanidade mental.

“Verions” estrutura-se no “drone” e durante cerca de 8 minutos veste-se com sintetizadores a condizer, sem que em algum momento se possa dizer que descola. “Plantes” poderia sem esforço integrar um álbum de Eluvium e “Etc … etc” reveste um interessante momento outer-space.  “Hum” nada adianta relativamente a “Short cut”, adiciona-lhe inclusive pedaços do pior New Order (“Blue Monday” ???) e é no mínimo descartável.
Por fim “Return life”, o melhor dos sete temas. Ancorado na música ambiental, cativa na justa medida em que evolui à medida que vai crescendo no espaço. Uma peculiaridade comum à criação do Brian Eno  de  “Before and after scince” ou “Another green world” e à quase totalidade do projecto Eluvium.

Sintetizando: no futuro, dos sete temas incluídos em “Dedicate function”, muito provavelmente apenas dois contrariarão o esquecimento. Manifestamente pouco para um criador brilhante como Matthew Cooper.

18/10/12

Martin Eden "Worker"


Acabadinho de aterrar na caixa do correio do Atalho, "Worker", single estreia de Martin Eden, o novo projecto  de Matthew Robert Cooper ( aka Eluvium ).
 
Electrónico, mais ainda do que é habitual em Eluvium, "Worker" percorre o rasto cósmico deixado pelo Brian Eno dos 70s e pela "kosmische musik" germânica da época. Pelo caminho revisita o lirismo de Jóhann Jóhannsson, e o resultado não sendo absolutamente surpreendente, é algo que cativa e agarra logo à primeira audição.
 
O lado B, "Mothernails (For daren.1)", bastante mais experimentalista como seria de esperar no flipside de um single, é menos imediato. Requer outra atenção, porventura outra disposição, para que se perceba se as profusas percussões electrónicas são apenas ruído, ou se Can e Kraftwerk já terão andado por ali.
 
O cd, "Dedicate Function" já vem a caminho. Depois conto.

04/03/12

Eluvium

Música de Matthew Robert Cooper ( aka Eluvium ), ilustrações de Jeannie Lynn Paske ( aka Obsolete World ). O casamento perfeito.

16/05/11

Matthew Cooper "Some days are better than others" OST




Primeira incursão de Matthew Robert Cooper ( aka, Eluvium ) no cinema através da banda sonora de "Some days are better than others".


Regra geral, constitui um risco comentar uma banda sonora desgarrada das imagens e da narrativa que em princípio a motivam e/ou determinam.


Diria no entanto que a música criada por Matthew Cooper para o filme de Matt Cormick é algo mais do que um simples exercício de copy/past mecânico e geométrico.


Como todos os sons inventados pelo autor - e o extraordinário "Copia" é porventura o paradigma a observar aqui -, "Some days are better than others" reflecte as emoções e sentimentos que qualquer um de nós poderá encaixar num determinado momento das nossas vidas. Trata-se de uma música que apesar da matriz vincadamente electrónica, raramente se afasta de uma perspectiva humana.


Desse ponto de vista, os cerca de 34 minutos que o cd dura são um triunfo. Oxalá o filme se lhe possa juntar.



25/02/10

Eluvium "Similes"


Aqui pelo Atalho era grande a curiosidade acerca do que poderia ser o novo Eluvium. Matthew Robert Cooper tem vindo a reinventar-se a cada novo registo, porém depois de “Copia”, um zénite difícil de ultrapassar, as dúvidas eram no mínimo prementes.

Similes” traz a resposta. Mais de que em qualquer um dos projectos anteriores, Cooper mergulhou nos compêndios e no “songbook” de Brian Eno. Mais, arrisca integrar no seu habitual universo emocional as palavras e utiliza a voz para, num murmúrio decorativo, acompanhar a melancolia, as sensações e os silêncios da música.

Os talentos às vezes também praticam “body jumping” e, perante o presente quadro, há que abordar Similes” por aquilo que efectivamente é: um magnífico disco de música pop de matriz ambiental, muito influenciado por “Taking Tiger Mountain (by strategy)”, “Another green world” e “Before and after science” , a incontornável trilogia do Brian Eno dos anos 70.

Existem alterações. Subtis no espaço, óbvias na forma. “Leaves eclipse the light” enquadra discretas percussões e não deixa de recordar os primeiros discos do David Sylvian pós Japan, enquanto a voz, ainda que lacónica e quase sempre sofrida, constitui uma inovação aparentemente útil mas cuja eficácia só o tempo permitirá avaliar correctamente.

Dito isto, há que desfrutar das emoções que o piano acústico e o conjunto da electrónica soltam em “The motion makes me last” e “In culmination”; da melodia geminada com “Spider and I” (Brian Eno) que é “Weird creatures”; do colorido sensorial de “Making up minds”; da tempestade cósmica que se eleva de “Bending dream” …

No final, permanece a suspeita de que o futuro da música de Matthew Cooper poderá não passar por aqui, ainda que “Similes” seja uma magnífica colecção de “ambient pop songs” evidenciando um registo qualitativo muito acima da média.

Copia”, esse encontra-se parqueado numa outra dimensão.

01/10/08

Matthew Robert Cooper "Miniatures"


Matthew Robert Cooper é um jovem cidadão que vive em Portland no Oregon e que habitualmente grava e edita sob o nome de Eluvium.

Desde 2003, tem sido responsável por alguma da mais tranquila e excitante música instrumental contemporânea. E, tem-no conseguido, sempre em crescendo estético e qualitativo, como qualquer audição cronológica dos seus discos pode atestar. “Copia”, o mais recente enquanto Eluvium foi um dos meus álbuns de 2006, porventura “O meu disco” de 2006.

Miniatures”, que assinou como Matthew Robert Cooper, tende a distanciar-se da roupagem neo-clássica que caracteriza a linguagem Eluvium, ao mesmo tempo que mergulha no que se percebe serem as influências mais vincadas de Cooper: o minimalismo e a “ambient music”.

Embora mutante, este processo de abordagem não retirou beleza à música e os nove temas que constituem “Miniatures” transportam-nos para mundos fantásticos onde levitam Wim Mertens, Charlemagne Palestine, Brian Eno, Michael Nyman, Satie, John Cale ou Virginia Astley.
Daí que, entre a audição de “Miniature 1” e “Miniature 9”, fácil e tranquilamente, regressem à memória pedaços de “Another green world”, “Before and after science”, “From gardens where we feel secure”, “Fragments of a rainy season” ou “Paris s’eveille”, num estimulante processo de fusão de ambientes, cores e linguagens musicais.

Por agora apenas disponível numa edição de vinil colorido limitada a 1000 exemplares e envolvido numa belíssima capa que reproduz um dos primeiros daguerreótipos da autoria de pioneiro da fotografia americana Platt D. Babbitt, “Miniatures” é um excelente motivo para escutar o silêncio e olhar, vendo, as paisagens do nosso contentamento.