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04/06/15

Seventh Ring of Saturn "Ormythology"



The Seventh Ring of Saturn! O nome diz quase tudo.

Oriundo de Atlanta e sediado em  Northampton, Massachusetts, este grupo de modernos psiconautas desloca-se no cosmos em direcção aos anéis de Saturno. A melhor tradição psicadélica dos últimos 40 anos tem lugar cativo na viagem, originando um incandescente rasto de memórias e de sons perfeitos.

Oito anos separam “Ormythology” do primeiro álbum dos SROS. Pelo meio ficaram vicissitudes pessoais várias; tentativas de preenchimento dos espaços com um conjunto de singles publicados na Fruits de Mer bem como de estabelecer pontes com o passado, por via de versões de temas dos Grateful Dead, Hollies, Beatles ou Pretty Things.

Mas a identidade da banda de Ted Selke e Jeremy Knauff era outra, como ficara patente no homónimo álbum de estreia. “Ormythology” resgatou-os à hesitação. São cerca de 30 minutos frenéticos, dois originais e seis versões, onde a luz provocada pelo rasto da componente psicadélica se cruza, fundindo-se, com o exotismo e raízes do médio oriente.

Sem complexos formais “Ormythology” tanto pode revisitar a Dinamarca roqueira dos 70s, seguir para a secular Constantinopla à boleia de um hit exótico ou terminar em São Francisco homenageando as “Mountains of the Moon” de Jerry Garcia. “Burning a hole in my head …” canta Selke no tema de abertura. O desafio está lançado e percebe-se que as vibrações “power pop” dos The Rooks ou o filigrana psych dos Chemistry Set não estão longe. “Teli Teli Teli”, um tema grego popularizado no final da década de 70 por Hanis Alexiou, tem aqui uma versão instrumental que os SROS transformam num campo de batalha entre as guitarras sujas em modo fuzz e o som cristalino da sitar.

“Time to fly”, dinâmico e luminoso, parece descender directamente de “Damn the Torpedoes”, enquanto “Karli Daglar” desliza até à Turquia  e ao álbum “Elektronik Türküler” de Erkin Koray.  Atlântico de novo atravessado em direcção a  Minneapolis: “Faces”, a versão de uma semi obscura garage band – TC Atlantic – conhece um tratamento vip, de tal forma que a busca do original é o passo seguinte. “Yedikule” e “Uzun Ince Bir Yoldayim” regressam respectivamente à Grécia e Turquia tradicionais, enquanto a terminar, “Spaceman” veste o fato de gala do heavy psych na revisitação de um dos  títulos do álbum de 1972  dos dinamarqueses Hurdy Gurdy.

Uma estimulante viagem pelos sons do mundo, “Ormythology” podia perfeitamente ser um cometa. Deixa atrás de si um rasto de sensações que compensam e recompensam a cada nova audição. É verdade,  ainda existem discos assim.

25/11/12

Psycholândia 5


Psycholândia Parte V. A saga continua.
Está prevista para os próximos dias a edição de um outro conjunto de singles/EPs coleccionáveis em mais uma belíssima iniciativa da Fruits de Mer Records.

Sem observar qualquer espécie de ordem, deixo o registo.


1 ) The Luck of Eden Hall
Oriundo da cena neo-psych de Chicago, o trio The Luck of Eden Hall conta já várias gravações no curriculum, entre elas o seminal “Belladonna Marmalade” ( 1993 ). Ao álbum mais recente deram o delicioso título de  Alligators eat Gumdrops” e dele retiraram dois originais para integrar este EP: “Bangalore” e “This is strange”. Entre o psicadélico, o garage-rock e o power-pop, The Luck of Eden Hall expressa-se sem constrangimentos técnicos e oferece-nos como bónus duas versões de peso: “Crystal Ship” dos Doors ( magnífica ) e “Black Sheep”,  um original dos menosprezados SRC.


2 ) The League of Psychedelic Gentlemen

Naturalmente inspirado no filme “The League of Extraordinary Gentlemen” este EP congrega os nomes de Nick Nicely, The Bevis Frond, Anton Barbeau e Paul Roland.  Cada um é responsável por um tema original e, sabendo-se como se sabe, o que vale cada um nomes citados , pouco mais haverá a acrescentar. 15 minutos e 23 segundos de absoluta magia.
 


3 ) The 2013 Fruits de Mer Annual
Dois lados A; no primeiro os Temple Music com uma versão spacey e incestuosa ( avant/dark/noise-folk ) de “Pegasus” um clássico dos Hollies para o álbum “Butterfly” ( 1967 ). No segundo, a banda russa Vespero espraiando ao longo de cerca de  8 minutos “Jennifer”, o tema que os Faust projectaram para o futuro em “Faust IV” ( 1973 ). Uma combinação perfeita que irá certamente fazer deste EP um artefacto muito popular.
 


4 ) The White EP
Enésimo tributo ao “álbum branco” dos Beatles, como o título deixa perceber. Aqueles que me conhecem sabem que não fui, não sou, nem nunca serei fã dos Beatles enquanto linha de montagem de hits ( podem começar a disparar !!! ). Sempre me pareceu ridículo e desproporcionado o culto devotado a uns tipos que quando partiam para um novo single comentavam entre si: “vamos escrever mais uma piscina”. Mas as coisas são o que são. E, por norma,  as pessoas sentem-se mais confortáveis no seio de uma multidão, seja de que índole for.

Dito isto, concedo que os rapazes até escreveram algumas boas canções. Parte delas encontram-se em “White Album”. “The White EP” é constituído por 8 temas recuperados do duplo álbum original todos eles exclusivamente recriados para esta edição. Anton Barbeau, Bevis Frond, The Luck of Eden Hall, Pretty Things, Jack Ellister, Cranium Pie, Seventh Ring of Saturn e Henry Padovani são aqui os mestres de cerimónia.
Detalhando: interessante a versão de “Glass Onion” por The Bevis Frond; excelente a prestação dos Pretty Things em “Helter Skelter” ( só a ausência da irritante vocalização de Lennon já é uma mais valia ); agradável e domingueira a versão de Jack Ellister para “Dear Prudence” ; consistente o tratamento dado a “Savoy Truffle” pelos Seventh Ring of Saturn.

Feita a devida referência, a avaliação definitiva será da responsabilidade dos leitores…, e do tempo.

22/07/10

The Seventh Ring of Saturn


Na sequência deste post, a banda, através de Ted Selke, teve a amabilidade de me contactar e simultâneamente remeter a versão em vinil de "The Seventh Ring of Saturn".

O cd já havia encantado o Atalho, porém a edição do LP é superior. As fitas foram objecto de uma nova mistura e o som do colectivo ganhou e muito com isso.

Dito isto, fico a aguardar ainda com maior expectativa os sons que o prometido novo álbum trará.

Many thanks, Ted

27/06/08

The Seventh Ring of Saturn - "S/t"


Há discos assim. Não serão nunca considerados indispensáveis, face aos padrões pessoais habitualmente utilizados para o medir, todavia possuem um toque especial, algo “cosy”, que faz com que se agarrem aos nossos ouvidos como lapas e quase nos obriguem a rever conceitos.

O registo homónimo dos The Seventh Ring of Saturn é um desses discos. A banda de Atlanta sabe tudo sobre o pop e o neo-psicadélico. Pratica-os com efeitos devastadores junto dos ouvintes.

Em “In time” e “Colonel Green” logo a abrir, estamos naquela zona de fronteira, espécie de terra de ninguém, onde se separam os territórios pop e as paisagens psicadélicas. Do lado de “In time” as melodias pop irresistíveis; do outro lado, o horizonte neo-psych tal qual os Petals o praticam.

“Yedikule” é uma versão cósmica de um tema do compositor grego Vangelis Papazoglu, enquanto “Sour milk sea” emergiu em 1968 das cordas da guitarra de George Harrison e parte agora em direcção a Saturno.

Os primeiros cinco minutos de “Alice Sunshine” poderão servir como nota de rodapé a qualquer enciclopédia que aborde o pop ou o power pop ( e os Grip Weeds assomam à memória ). A segunda metade do tema - em rigor deveria ser outra canção -, posiciona-se na cauda do cometa Sun Ra, muito provavelmente no interior dos anéis de Saturno.

A terminar, rumo parcialmente corrigido em “Pillsbury Palace”, um lugar especial, algures noutra galáxia, entre Saturno e a imaginação de Ted Selke, um jovem e promissor astronauta de Atlanta.