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13/02/18

Heroes are hard to find ( 48 )


Tom Rapp

( 1947 - 2018 )

19/03/14

The Kitchen Cynics: "Yesterday Perhaps, Songs of The Kitchen Cynics", "The Orra Loon" e "Wooden Bird ... plus".



Ao perscrutar a capa do vinil de “Yesterday Perhaps, Songs of The Kitchen Cynics”,  retornam  da memória aquelas fantásticas capas da velhinha Topic Records. Muita da história e tradição orais de Inglaterra, Gales e Escócia passaram pelo catálogo daquela editora independente, quando o significado da palavra encontrava similitude na prática. A música era ancestral, as interpretações austeras e os arranjos regra geral espartanos. Os discos eram porém quase sempre brilhantes.
Alan Davidson encarna na perfeição o espírito e o legado do que atrás foi dito. Nas canções que escreve, na forma simples como as veste, no design das edições, nas amizades que cultiva, inclusivé nas fotografias que tira no acaso do quotidiano.

Sob o “nom de plume” de The Kitchen Cynics, o autor escocês anda por aí há um quarto de século, num culto alimentado boca a boca e do mais não se mostrando necessitado. As publicações, maioritariamente privadas, são às dezenas. As canções às centenas.
Uma escassa dúzia foi agora recuperada e proposta a um conjunto de amigos, entre os quais Pat Gubler ( P.G. Six ), Josephine Foster, Tom Rapp, Adam Leonard, Sharron Kraus, Alasdair Roberts ou Kathleen Baird. Na contracapa do álbum, Simon Lewis escreveu: ”focus on local history, a sense of place and life’s small pleasures is the perfect antidote for the chaos and confusion of modern day living”. E as canções de Alan Davidson são isso mesmo. Simultaneamente novas e antigas ficam bem em qualquer voz ou arranjo.
 

Yesterday Perhaps” é um daqueles discos que quanto mais se escuta mais se gosta. As prestações de Tom Rapp, P.G. Six , Adam Leonard e Alasdair Roberts são tão aditivas quanto se esperaria. Mas para além delas, Sharron Kraus trata com rara singeleza um tema difícil como “When father hanged the children”; Major Matt Mason torna abrasivo um etéreo “She’s growing old disgracefully” e até a voz habitualmente cinzenta de Josephine Foster brilha em “Winter in her bones”, acompanhada por uma guitarra portuguesa que com ela dialoga com discrição e parcimónia.
Mas, nestas coisas das canções, nada como escutar o próprio. Daí “The Orra Loon”.  Espécie de Best of, o álbum combina temas novos com versões de canções já anteriormente publicadas. E é um prazer reencontrar “I am the orra loon”, “The place you hide” ou o belíssimo “Richard of Bedlam”.

E é todo um conjunto de peças como “The Wilhemina Gabb” ( uma melodia debruçada sobre uma tragédia marítima ) aqui sustentada por um piano assombrado, “Flies” ( epitáfio para amigos que partiram demasiado cedo ), “Now’s the time” um quadro familiar pincelado por uma cítara inspirada. A terminar, “Me, Jack and Lee, and the ghost of Skip James” uma comovente evocação de dois saudosos pioneiros: Jack Rose e Lee Jackson. Tivesse chegado mais cedo e seria uma escolha óbvia para 2013.

Wooden Bird” foi publicado em Itália em 2011 numa edição limitada de 110 exemplares. Cada uma das capas foi fabricada manualmente e ostenta um pássaro diferente, cortesia de Luigi  Falagario que os desenhou. Agora conheceu uma reedição em cd, “Wooden Bird … plus incluindo 7 temas extra.
Equilibrado no seu conjunto, representa uma outra faceta do “songwriting” de Davidson. Menos próxima da sonoridade folk, mais comprometida com paisagens atmosféricas, telas preenchidas por uma guitarra que nos transporta até aos primeiros acordes de Vini Reilly com os Durutti Column. “Davy” foi pedida emprestada a Roy Harper e Robert Burns contribuiu com “Now westlin’ winds”.  Do conjunto dos temas “plus” emergem “Vineger Tom” e “Tardy Lover”, destaques óbvios de um belíssimo naipe de canções. À espera de serem devidamente apreciadas …


 

19/06/12

The Owl Service "There used to be a Crown"


Não é seguramente  a primeira vez que o Atalho se refere aos Pearls Before Swine. Nem será certamente a última. Por aqui, a banda que Tom Rapp criou no final da década de 60 do século passado e os discos que a solo publicou, depois do projecto ter soçobrado, possuem uma áurea verdadeiramente mítica. São como que pequenos opus, que à data definiram/desenharam os contornos da canção de cariz psicadélico, sem que quem os escutava se desse conta que estavam ali caleidoscopicamente compactados elementos do folk, do jazz, da música antiga e até simulacros das emergentes correntes avant-garde.

De então para cá, através de um processo moroso e tortuoso,  Tom Rapp passou de proscrito a herói e nas últimas duas décadas, as suas canções receberam por fim – ainda que timidamente e sobretudo no âmbito dos circuitos underground - o reconhecimento que  sempre  mereceram.

Os neo-psicadélicos têm actuado como verdadeiros paladinos, mas também os novos trilhos do folk contemporâneo não têm esquecido Tom Rapp. Steven Collins, o principal dinamizador do projecto The Owl Service, acaba de prestar mais uma homenagem ao mestre e aos Pearls Before Swine. O EP “There used to be a Crown” foi pensado e concretizado enquanto tal.

Numa edição em vinilo, limitada a 100 exemplares, com capa dupla de cartão, design cuidado, mini cdr apontado aos indefectíveis do digital e um postal reproduzindo “O triunfo da Morte”, a pintura renascentista  de Pieter Bruegel,   os Owl Service recuperam quatro temas  lendários: “Green and Blue” e “Footnote”, retirados do álbum “These Things too” (1969) e “Translucent Carriages” e “There was a man”, ambos oriundos  de “Balaklava” (1968).

Mais de 4 décadas volvidas, a essência criativa das canções permanece intacta e, qualquer que seja o juízo que se faça das versões, fica patente a qualidade intrínseca das canções, as quais surgem tudo menos datadas. Sinal evidente de que sempre estiveram à frente do tempo. Um facto que se saúda pois é uma prova do talento, mas que por outro se lamenta uma vez que, como é sabido, quem tem razão antes do tempo acaba sempre por ser olhado com desconfiança, quando não proscrito.

There used to be a Crown” tem o título adequado e no futuro revelar-se-á um artefacto valioso.

20/05/11

Artefactos ( 18 )



Os discos dos Pearls Before Swine, com particular destaque para “One nation underground” ( 1967 ) e “Balaklava” ( 1968 ), constituem peças de um delicado psicadelismo que não encontra paralelo na história, antes ou depois da respectiva publicação. Com a paciência de um artífice, entre o folk-rock, a música de câmara, o psicadélico e o canto gregoriano, Tom Rapp construiu uma obra sem tempo a qual posicionou nas margens do mainstream e que desde então aí tem permanecido.


Aqui e ali recuperada, sempre com muita parcimónia, por artistas como Bevis Frond, Damon & Naomi , Flying Saucer Attack ou Ghost, olimpicamente ignorada por aqueles que mais naturalmente poderiam ser os herdeiros – a tribo do “weird – free – folk“ –, a música de Tom Rapp é verdadeiramente especial, tanto quanto especial o foram as criações de Nick Drake ou Scott Walker por exemplo.




Nada, rigorosamente nada, substitui a audição integral dos álbuns originais dos Pearls Before Swine e, mais tarde, de Tom Rapp a solo. Não obstante o Atalho sugere três edições distintas que, embora esgotadas, são ainda razoavelmente fáceis de encontrar e a um preço justo.


For the dead in space Vol I” ( Magic Eyes Singles MES 012, 1997 ) é uma compilação de temas de Rapp revisitados por nomes como Fit & Limo, Masaki Batoh, Tower Recordings, Alchemysts e Damon & Naomi, entre outros.


Constructive Melancholy” ( BirdMan BRM 021, 1998 ) reúne algumas das canções que Tom Rapp entendeu melhor representarem o seu “songbook”.


Por fim, “A journal of the plague year” ( Woronzow WOO 35, 1999 ) documenta o regresso do autor aos estúdios, quase 30 anos depois.

Happy hunting.