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16/09/15

Country Playground "Turdus Merula"


Uma agradável surpresa, “Turdus Merula”, o primeiro registo conhecido dos Country Playground.

Nos sete temas que o integram, Rodrigo Cavalheiro e Fernando Silva, um duo de Leiria, fazem do riff a sua língua materna ( eloquente “Grandpa’s Grave” ) e partem em direcção ao  “desert rock”.

As silhuetas que lhes servem de guia parecem-se com Townes Van Zandt, Johnny Cash, Waylon Jennings ou Steve Earl. Pelo caminho, enquanto ensaiam “Song for Neil”, cruzam-se com o que resta do espólio de “Cortez, The killer”.  

Mas o deserto, sabemo-lo todos, é percorrido por almas peregrinas que caminham ao sabor das estrelas, habitualmente sem norte. Sand Rubies, Gila Bend, Sidewinders ou os menosprezados Luminarios de Rich Hopkins, intencionalmente ou não, acabam por ser os mais fiéis companheiros de Country Playground  na abrasiva viagem que é “Turdus Merula”.

Para escutar em quinta ou sexta velocidades, de vidros em baixo e brisa no rosto, enquanto uma Budweiser bem gelada aguarda na paragem mais próxima; que pode muito bem ser “Down to Mexico”.

16/07/13

The Bevis Frond "White Numbers"


 
Um novo cd de Nick Saloman é sempre motivo de grande satisfação. Dois novos cds  de Nick Saloman são razão para celebração.
White Numbers” o mais recente Bevis Frond, é duplo e começa exactamente  onde “Leaving London” se quedara, há cerca de dois anos.

Em regra, as criações de Saloman têm uma característica que as diferencia das demais. São sensoriais na essência e abrasivas na forma. Um desiderato que serve tanto para os temas eléctricos como para as baladas acústicas.
E aqui, por paradoxal que possa parecer,  Saloman aproxima-se e muito dessa outra alma penada ( mais um deserdado da sorte ) que é Rich Hopkins.  Este, seja com os Sand Rubies, os Luminarios ou a solo, persegue uma narrativa que privilegia os sentidos e as emoções, muito mais do que o lirismo e a poesia desgarrados da realidade. Hopkins vem de Tucson no Arizona e tem o deserto como horizonte. Saloman é um londrino de gema e, embora o cenário seja radicalmente diferente, as motivações não são tão diversas assim.

White Numbers” é um grande registo de rock psicadélico puro e duro. Calibrado. As peças acústicas, cirurgicamente intercaladas nas sequências  eléctricas como sempre deve ser.  E no final, 24 temas depois ( o último, uma longa “electric jam session” ) a única coisa que apetece é voltar ao inicio. O que é dizer tudo, ou quase.