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14/09/17

Heroes are hard to find ( 43 )


Grant Hart

( 1961 - 2017 )

06/09/13

Grant Hart "The Argument"


 
Serão personalidades diferentes, com percursos de vida diversos, eventualmente com raízes e motivações culturais díspares. No entanto, sempre que penso em Grant Hart e Lee Ranaldo, quase instintivamente, estabeleço  entre eles um paralelismo que poderá muito bem ser apenas ficcional, mas que no ponto de vista do Atalho faz sentido.

Ambos integraram duas das mais histriónicas bandas do indie-rock americano dos 80s. Husker Du ( Grant Hart ), Sonic Youth ( Lee Ranaldo ). Do ponto de vista da imagem, ambos viveram sempre na sombra ditatorial dos líderes: Bob Mould na primeira, Thurston Moore na segunda.  Mas, mais importante, diria, ambos promoveram o equilíbrio necessário para que os dois projectos pudessem carburar sem sobressaltos de maior. Porque ambos são belíssimos melodistas e as respectivas composições, serviam de âncora perante a loucura atonal de Thurston Moore e a espiral apunkalhada de Bob Mould.  Volvidos todos estes anos, quando retorno a Husker Du ou Sonic Youth, são as canções que Hart e Ranaldo que procuro, quase exclusivamente.

Ranaldo diversificou o seu caminho. Nova Iorque permitiu-lhe isso. Grant Hart tem tido um percurso mais atribulado. Depois de um fabuloso álbum solo “Intolerance” ( 1989 ), o projecto Nova Mob foi um semi fracasso e os posteriores trabalhos a solo balançam entre o urgente e o fica para depois.



The Argument” partia como um desafio ambicioso. Inspirado em “Lost Paradise”, um manuscrito inédito de William Burroughs por sua vez inspirado em “Paradise Lost” de John Milton, reunia as condições mínimas para fazer história, mesmo considerando que os “concept álbuns” nem sempre são o que prometem.  Havia no entanto um pormenor, nada despiciendo por sinal: a música!

Aqui chegados, tiro o chapéu a todos os que conseguirem despir a pele do fã e usar exclusivamente a (in)sensibilidade do crítico. Gostaria de ser totalmente objectivo. Mas quando comparo ( e há sempre que comparar, mesmo que toda a gente diga o contrário ) estes 20 temas com as enormes canções que Grant Hart escreveu no passado, não é possível disfarçar a decepção.  Sim,  “Morningstar”, “Is the sky the limit?” e “I will never see my home” estão perto do sublime e farão facilmente parte do songbook do autor, mas quase tudo fica aquém do que Hart já fez e seguramente poderá voltar a fazer. Há inclusive, diversos painéis bowieanos que a mim me soam camaleónicos e desadequados.

Dito isto, gostaria de ter sido mais positivo, mas a mais pura da verdade é que escutar “The Argument” me foi algo penoso. Talvez volte a ele, daqui a uns meses. Quem sabe?

20/11/09

Grant Hart "Hot Wax"



O tema repete-se, lamentável e ciclicamente. Artistas cujo talento é tão óbvio que só se consegue medir em carradas, persistem em passar ao lado de grandes carreiras.

Grant Hart por exemplo. Crescido no seio de um dos grupos mais decisivos dos anos 80, o ex-baterista dos Husker Du (cuja influência ainda não está verdadeiramente quantificada) tinha tudo para ser o Iggy Pop do “hardcore punk” americano. Contudo um conjunto de equívocos pessoais e artísticos, aliados a uma gestão desastrosa da imagem, fizeram de Grant Hart uma mera nota de rodapé, derrotado no seu próprio terreno por um Bob Mould menos repentista e claramente menos talentoso.



Hot wax”, o quarto registo solo ( depois de “Intolerance”, “Ecce homo” e “Good news for modern man”), possui apenas um reduzido conjunto de momentos onde a clarividência e a inspiração predominam. A saber: 1) “You’re a reflection of the moon on the water”, uma stoogiana peça de “fuzz-garage-rock” capaz de prender a atenção de qualquer amador do género; 2) “Barbara” um “sing-along track” construído por cima dos acordes de um piano minimalista; 3) “School buses are for children” uma balada formatada segundo os padrões de Nikki Sudden; 4) “California Zephyr”, embora a abordagem ao tema feita por Jay Farrar no recente e já aqui referido “One fast move or I’m gone” seja muito mais convincente. E é tudo, “I’m afraid”.

Em “Hot wax”, mais uma vez, falta aquele golpe de asa do Grant Hart dos Husker Du, quando no meio do caos e da cacofonia punk de Bob Mould, fazia emergir melodias que permaneciam no ar, muito tempo depois de os discos terem parado de rodar.

No fundo, por muito que custe ao Atalho (e custa muito), mais uma oportunidade desperdiçada.