Mostrar mensagens com a etiqueta Heron Oblivion. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Heron Oblivion. Mostrar todas as mensagens

12/02/23

Meg Baird "Furling"


Por aqui olha-se para “Don’t Weigh Down The Light” como o “Blue” deste milénio.  Meg Baird é, de há muito, habitué no Atalho. Desde os Espers com Greg Weeks, a solo, ou mais recentemente por via das suas colaborações, designadamente com os Heron Oblivion de Ethan Miller.

Dito isto, tudo o que não precisávamos era de mais um disco meio anémico, esquecível e soporífero. Disso já há muito por aí, Weyes Blood, Josephine Foster, Joanna Newsom

As razões poderão ser várias: o isolamento provocado pela pandemia ( o disco foi gravado em 2020 ), o excessivo protagonismo e influência do multi-instrumentista Charlie Saufley, o aparente abandono da matriz folk, campo onde a voz de Meg se movimenta na perfeição …, a verdade é que as composições de  Furling” desiludem da primeira à enésima audição.

O instrumental “Ashes, Ashes” apesar de constituir um corpo estranho no universo de Meg Baird deixa no ar alguma expectativa, porém o que se segue não está à altura. Mais à frente “Cross Bay” promete mas queda-se por aí.

No lado B mora “Unnamed Drives” o único tema que guardaríamos para um hipotético “Best of”. Tudo o resto transmite o gosto amargo de desilusão. A tudo isto acresce uma estranha gafe: a capa indica um tema chamado “Will You Follow me Home?”, todavia no disco surge outro: “The Apple Mush Gang”.

Balanço feito, o mais avisado será voltar rapidamente a “Dear Companion” ou “Don’t Weigh Down” e esquecer este, espera-se, pequeno equívoco.

12/08/16

Artefactos ( 44 )


Acabado de "aterrar" o # 6 da Terrascopedia.
18 páginas manualmente impressas pelo editor, como já é habitual.
Entrevistas com Sharron Kraus, Constantine e PSP. Críticas aos discos de Heron Oblivion, Constantine e à compilação "Paper Leaves"; todos já comentados aqui no Atalho.
100 exemplares apenas. Logo, mais um artefacto coleccionável.  



05/05/16

Heron Oblivion "S/t"



Existem numerosos exemplos da aplicação prática da teoria gestáltica. Na verdade, não é possível  conhecer o todo observando apenas as partes, pois o conjunto é frequentemente diverso da mera soma daquelas.

Atente-se por exemplo na banda californiana Heron Oblivion. Noel Harmonson e Ethan Miller são veteranos dos Comets on Fire, sendo que o último ainda alimenta os psiconautas Howlin’ Rain. Charlie Saufley assegurou a guitarra nos magníficos Assemble Head in Sunburst Sound e Meg Baird, a mais improvável dos amigos aqui presentes, é tudo aquilo que se sabe: Espers, colaborações várias ( Helena Espvall, Sharron Kraus ) e belíssimos discos a solo.

Com artífices deste calibre “Heron Oblivion” reunia todas as condições para ser um grande disco. É porém muito mais do que isso. É sublime, ou talvez mesmo mais.

A “west coast vibe” está presente ao longo de todo o álbum, funciona como espécie de fio condutor associado ao processo de criação e arranjo dos temas. Uma miríade de “happy trails” que conduzem a paisagens  “pastoral psych” que, ora optam por coloridas vertigens de “feedback”, ora procuram os silêncios da folk.


“Beneath Fields” é particularmente impressivo. Abre celestial, cortesia de Meg Baird, mas rapidamente deriva para as vibrações west coast, catapultado pelas guitarras gémeas de Harmonson e Saufley que, com mestria, gerem a tensão própria do vibrato que John Cipollina inventou há muitas décadas. “Oriar” é tudo isto acrescido de uma bateria tribal e de um feedback pirotécnico.

“Rama” são 10 minutos de pura beleza. A voz e percussão de Meg Baird percorrem um trilho de serenidade e gentileza que mais à frente irá desembocar num cruzamento, onde as guitarras ácidas de Saufley e Harmonson se digladiam, discutindo a prioridade. Imaginem Cipollina em plena altercação com Michio Kurihara e estão lá perto.

“Faro” poderiam ser os Dream Syndicate metamorfoseados de Opal e “Seventeen Landscaps” os Jefferson Airplane em modo “jam session”. A fechar, “Your hollows”, é o paraíso na terra; angelical e inspiradíssimo o canto de Meg, celestial e apocalítico o duelo fratricida das guitarras. Um final perfeito para um álbum mais que perfeito.

17/08/15

Meg Baird "Don't weigh down the light"


Existem talentos assim. Versáteis. Meg Baird passou pelo colectivo neo-psicadélico Espers, integrou as Baird Sisters, tocou na banda punk Watery Love. Recentemente, ao lado de Ethan Miller e Charlie Saufley, é dona da  bateria em Heron Oblivion. Um curriculum invejável para quem anda por aí há pouco mais de 10 anos. 

Outros, com muito menos, estariam em bicos de pés. Porém, a cada disco a solo ( em oito anos são apenas três ) Meg faz questão de deixar claro que para ela, menos significa mais e que as coisas feitas de simplicidade são sempre mais belas e perenes.

Depois existe o tal talento. Aquele atributo especial que faz com que todas as suas canções, ainda que originais, pareçam clássicos da folk, como sucede no novo “Don’t weigh down the light”.

Este, tal como os anteriores, é uma revelação. Apenas Meg ( voz, guitarra, órgão, piano, baixo e percussão ) e o ex-Assemble Head in Sunsburst Sound Charlie Saufley ( guitarra e órgão ). A voz ainda que discreta, brilha; as canções, envoltas numa atmosfera antiga,  tocam e convidam à cumplicidade; o órgão confere solidez e a guitarra de Saufley como que fala connosco ( a comprovar no soberbo “Back to you” ), simultaneamente protagonista e “éminence grise” da beleza única que emerge de “Don’t weigh the light”.

Coincidência ou não, o disco que apetece escutar a seguir é  Blue” de Joni Mitchell