15/02/16
Black Static Line "Enlil"
22/07/14
Carl Hultgren "Tomorrow"
29/03/12
Windy and Carl "We will always be"

“Songs for the broken hearted” foi um dos discos que mais atenção me mereceu nos tempos mais recentes.
Publicado no já distante Outono de 2008, permanece activo na biblioteca do meu MP4, um facto que para além de significativo, é em si mesmo notável.
Com “We will always be”, Windy & Carl ( Windy Weber e Carl Hultgren ) retornam ao espaço emocional que “broken hearted” delimitou e habitou durante quase 4 anos para, a partir daí, se lançarem na reinvenção de novas paisagens “drone”, contando aqui com a “bênção cúmplice” e reminiscente de alguns dos experimentalistas ingleses dos finais dos anos 60.

“For Rosa” é uma pequena surpresa. Um tema atípico no duo ( guitarra acústica de Carl e voz/murmúrio de Windy); “Remember” apressa-se a retomar o trilho sonoro habitual e, a partir daí, sempre em crescendo, com passagem por vias cósmicas já familiares como “Looking Glass” ou “Nature of memory”, “We will always be” mergulha num mimetismo hipnótico, que irá culminar nos apoteóticos 18m54s de “Fainting in the presence of the Lord”. Uma monumental avalanche sonora que a guitarra de Carl, obviamente em modo drone, inventou para acrescentar à história recente da música electrónica.
Para se perceber a magnitude e a majestade de “We will always be” são necessários tempo e paciência. As várias camadas de drone psicadélico têm de ser cuidadosa e sistematicamente removidas, até se chegar ao verdadeiro âmago. Ou seja: à alma de dois criadores absolutamente extraordinários.
Aqueles que não estiverem dispostos a investir, compreendendo, podem seguir em frente. Este disco não lhes é destinado.
29/10/08
Windy & Carl "Songs for the broken hearted"

Naturais de Dearborn no Michigan, Windy Weber e Carl Hultgren funcionam como duo, na vida e na música, desde o princípio dos anos 90. Desde então gravaram mais de uma dezena de discos onde o drone e o psicadélico planam sobre um interminável manto de emoções, que tanto podem assumir contornos épicos como melancólicos e contemplativos.
“Songs for the broken hearted” ( o título em si mesmo já sugere pistas ) é um trabalho espiritual, percorrido pelas emoções que decorrem dos diversos estados de alma associados ao quotidiano de uma relação a dois. Em nenhum outro trabalho anterior o duo percorreu patamares tão elevados de desespero ou de vazio; os quais, no campo oposto, são compensados por elegantes manifestações de euforia, cumplicidade e esperança.

Os dez temas de “Songs for the broken hearted” representam uma elegia à vida. Independentemente de se constituírem em gritos de desespero como acontece em “La Douleur” ( assim de repente, os 12 minutos e 39 segundos mais belos e intensos que me recordo de ouvir nos últimos tempos ) ou luminosos interlúdios de felicidade como em “Snow covers everything”. A viver intensamente, uns e outros.


