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15/02/16

Black Static Line "Enlil"



Natural de Nashville, Cole Street dedica  o seu tempo livre à prossecução de projectos musicais ligados ao pós-rock, drone e kosmische musik.
Depois dos Hollow Ox com quem publicou três álbuns, a plataforma actual chama-se Black Static Line.  Enlil retoma o trilho onde o anterior “Every vibrating body” se quedara. Como em Explosions in the Sky ou Hammock, as guitarras e a percussão são puxadas à frente ( “Feels broken”, “Rising” ),  o manto sonoro dos Windy and Carl é usado para cobrir “Vendue” e “Meigs”, enquanto o tema título e “Sweet Tooth” tentam colar-se ao paradigma Klaus Schulze.
Curioso, ainda que inovador não seja o adjectivo que melhor se lhe adequa

22/07/14

Carl Hultgren "Tomorrow"


Uma das metades de Windy and Carl, Carl Hultgren acaba de publicar “Tomorrow”, o seu primeiro registo a solo.
Após ter digerido com avidez os dois últimos trabalhos do duo de Michigan, particularmente o soberbo “Songs for the broken hearted”, não sabia muito bem o que esperar de “Tomorrow”.
Os receios foram porém dissipados logo com as primeiras audições. A estrutura arquitectónica daquilo que é suposto ser a matriz criativa de Hultgren surge intacta, com as conhecidas divagações cósmicas pelo drone,  space e, em simultâneo, pelos inconciliáveis caminhos da electrónica e do bucolismo.
Em “Tomorrow” não existem vocalizações, ao contrário do que sucede nos trabalhos do duo. Mas as guitarras atmosféricas e as teclas projectam-se no horizonte como é hábito, não deixando espaço para nenhuma dúvida sobre a origem desta música tão elaborada e, ao mesmo tempo, tão simples.
Pode até parecer fácil, mas cruzar os arpejos da guitarra de Vini Reilly ( “No Other”, “In this land” ) com as telas cósmicas dos Stars of Lid ( “Spirits” ) ou a densidade da kosmische musik ( “Hidden” ) não é possível sem talento e mestria. 72 minutos de sensações “do outro mundo”.

29/03/12

Windy and Carl "We will always be"



Songs for the broken hearted” foi um dos discos que mais atenção me mereceu nos tempos mais recentes.


Publicado no já distante Outono de 2008, permanece activo na biblioteca do meu MP4, um facto que para além de significativo, é em si mesmo notável.

Com “We will always be”, Windy & Carl ( Windy Weber e Carl Hultgren ) retornam ao espaço emocional que “broken hearted” delimitou e habitou durante quase 4 anos para, a partir daí, se lançarem na reinvenção de novas paisagens “drone”, contando aqui com a “bênção cúmplice” e reminiscente de alguns dos experimentalistas ingleses dos finais dos anos 60.


“For Rosa” é uma pequena surpresa. Um tema atípico no duo ( guitarra acústica de Carl e voz/murmúrio de Windy); “Remember” apressa-se a retomar o trilho sonoro habitual e, a partir daí, sempre em crescendo, com passagem por vias cósmicas já familiares como “Looking Glass” ou “Nature of memory”, “We will always be” mergulha num mimetismo hipnótico, que irá culminar nos apoteóticos 18m54s de “Fainting in the presence of the Lord”. Uma monumental avalanche sonora que a guitarra de Carl, obviamente em modo drone, inventou para acrescentar à história recente da música electrónica.

Para se perceber a magnitude e a majestade de “We will always be” são necessários tempo e paciência. As várias camadas de drone psicadélico têm de ser cuidadosa e sistematicamente removidas, até se chegar ao verdadeiro âmago. Ou seja: à alma de dois criadores absolutamente extraordinários.

Aqueles que não estiverem dispostos a investir, compreendendo, podem seguir em frente. Este disco não lhes é destinado.

29/10/08

Windy & Carl "Songs for the broken hearted"


Tem sido comentada excelente música aqui no Atalho. Pese embora o facto, não me recordo de um álbum que celebre a vida tão intensamente como “Songs for the broken hearted” de Windy & Carl.

Naturais de Dearborn no Michigan, Windy Weber e Carl Hultgren funcionam como duo, na vida e na música, desde o princípio dos anos 90. Desde então gravaram mais de uma dezena de discos onde o drone e o psicadélico planam sobre um interminável manto de emoções, que tanto podem assumir contornos épicos como melancólicos e contemplativos.

Songs for the broken hearted” ( o título em si mesmo já sugere pistas ) é um trabalho espiritual, percorrido pelas emoções que decorrem dos diversos estados de alma associados ao quotidiano de uma relação a dois. Em nenhum outro trabalho anterior o duo percorreu patamares tão elevados de desespero ou de vazio; os quais, no campo oposto, são compensados por elegantes manifestações de euforia, cumplicidade e esperança.



Dois campos tão marcadamente antagónicos que durante os cerca de 71 minutos que dura o álbum, várias vezes dei comigo a tentar perceber em qual deles se encaixa cada um dos temas, “agarrado” pela hipnótica sonoridade drone que emerge das teclas, pela fluidez quase silenciosa das guitarras ou pelos murmúrios vocais sob a forma de palavras.

Os dez temas de “Songs for the broken hearted” representam uma elegia à vida. Independentemente de se constituírem em gritos de desespero como acontece em “La Douleur” ( assim de repente, os 12 minutos e 39 segundos mais belos e intensos que me recordo de ouvir nos últimos tempos ) ou luminosos interlúdios de felicidade como em “Snow covers everything”. A viver intensamente, uns e outros.