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21/07/17

Alison O' Donnell "Climb Sheer the Fields of Peace"



Uma “dubliner” de gema, Alison O’Donnell  não carece de apresentações.
Desde 1972 que “Swaddling Songs”, com os Mellow Candle constitui o seu eterno cartão de visita. Recentemente, emprestou a voz e acrescentou carisma a projectos alternativos como United Bible Studies ou Owl Service.
Acabado de publicar “Climb Sheer the Fields of Peace” é o regresso aos álbuns solo, um espaço que a cantora não frequenta amiúde.
Construído a meias com David Colohan ( United Bible Studies, Agitated Radio Pilot, Raising Holy Sparks ), o disco, como seria de prever face aos intervenientes, casa o folk com a electrónica e de caminho lança desafios novos. A quem o fez e a quem o escuta. Não inventa a roda, mas também não desilude. E a voz de O’Donnell posiciona-se bem, por cima dos subtis arranjos electrónicos de Coloham.

17/08/16

The Owl Service "His Pride. No Spear. No friend"



Ao longo da já extensa vida do seu projecto The Owl Service, Steven Collins tem recuperado melodias ao cancioneiro tradicional britânico e, em simultâneo, proporcionado palco a algumas mas mais talentosas vozes femininas da folk contemporânea.
His Pride. No Spear. No Friend” não é excepção.
Incluindo seis temas tradicionais e três versões - “Sea Song” ( Caedmon ), “The Skater” ( Midwinter ) e “Living by the water” ( Anne Briggs ) -, o novo opus dos Owl Service alberga as habituais vozes de Diana Collier, Jo Lepine e Nancy Wallace, às quais se juntam Alison O’Donnell ( Mellow Candle ), Michelle Bappoo e Laura Hulse Davis.
Steven Collins, um tradicionalista sensato, percebeu que estas canções ficam bem ( melhor ) quando interpretadas no feminino, daí que as tenha entregue às senhoras.
Dir-se-à que a maioria destas lendas em forma de canção já foram tratadas por meio mundo desde a renascença da folk britânica em meados dos 60s. Mas é também verdade que o talento “silencioso” de Collier, Lepine, Wallace e O’Donnell acrescentam sempre uma perspectiva nova a cada interpretação.

07/11/14

Greanvine "Mark you that and noat you wel"


Uma versão raramente atinge a excelência do original respectivo. É mais ou menos consensual. Contudo, é extraordinária a capacidade que alguns músicos possuem para, através de versões, criarem “novos” temas. Mark Kozelek é um desses casos. Mas há mais.
Recentemente, através do projecto Greanvine, Steven Collins e Diana Collier, veteranos do defunto colectivo folk Owl Service, publicaram ”Mark you that and noat you wel”, uma colectânea de doze canções, oito das quais versões. A novidade não está tanto no número de covers, antes na natureza das mesmas.
Os Owl Service recuperaram dezenas da melodias populares e tradicionais e fizeram-no bem. Desta vez porém, para além destas e de “Child among the weeds” escrita por Lal Waterson para o seminal “Bright Phoebus”, de “Idumea” imortalizado  pelos Watersons e Young Tradition, bem como de “Winter is blue” de Vashti Bunyan, Greanvine extrapolou as fronteiras naturais do folk tradicional. “Listen the snow is falling” de Yoko Ono, “Long way around the sea” e “Kind of girl” dos Low e, sobretudo, “Remember Tomorrow” publicado em 1980 no álbum homónimo dos Iron Maiden, surpreendem.


Dito isto, perguntarão: e “Mark you that and noat you wel”? Exactamente o tipo de disco que se poderia esperar dos autores. Inovador no conteúdo, sereno na forma, subtil nos pormenores. Steven Collins revela mestria ao colocar a electrónica ao serviço da linguagem tradicional e a voz de Diana Collier nunca soou tão madura e imprescindível. As recuperações dos Low e Iron Maiden ( Long way around the sea” e “Remember tomorrow” ), por fugirem à norma, são a melhor legenda para o que fica dito. Sons que o outono muito irá apreciar.

27/09/13

Country Parish Music "Introducing"


 
Depois do fim do projecto The Owl Service, o prolífero Steven Collins reaparece em 2013 ao lado da cantora escocesa Rosemary Lippard, numa colaboração a que deram o nome de Country Parish Music.

O horizonte permanece o folk tradicional britânico e os cinco temas que fazem o EP de estreia “Introducing” é por ali que passam, naturalmente. 

Collins é um trabalhador incansável que estuda e investiga o passado da folk. Porém quando o recria ( seja através de temas originais ou de arranjos de melodias seculares ), acrescenta sempre algo que permite efectuar a ligação entre o passado e o presente, daí o apelo.

Introducing” é prometedor. “Lady Maisry” e “Lord Lovell” subtis e harmoniosas, deixam o caminho aberto para “Saraband” um tema que reescreve “Graveyard”, incluído no mítico “The Full Circle” dos Forest. E depois há ainda “Pretty Saro”, os 3m 29s mais parecidos com “A Sailor’s life” ( “Unhalfbricking” / Fairport Convention ) de que me recordo .

Sugiro pois que redirecionem os vossos radares asap …

30/05/13

The Owl Service "The Garland Sessions"




Notícias recentes dão conta do fim do projecto The Owl Service.
Activo desde 2006, este colectivo mutante foi liderado por Steven Collins, um estudioso da música e tradições antigas e compositor apaixonado pela folk renaissance do final dos 60s.

De entre os vários registos que os Owl Service ( o nome foi retirado do título de um livro de Alan Garner datado de 1967 e que relata uma lenda galesa cuja figura principal é Blodeuwedd, uma mulher criada a partir de flores por um feiticeiro ) nos deixaram, “A Garland of song” ( publicado em 2007 numa edição privada ) é seguramente o mais proeminente. Nele coabitam todas as tradições musicais e pagãs que a folk music das ilhas preserva e que, não raro, se cruzam os trilhos dos Fairport Convention de “Liege and lief”, com o som Albion Country Band ( período Shirley Collins ) e até algum do esoterismo  da Incredible String Band.
The Garland Sessions” agrupa 19 dos temas que o grupo trabalhou para o álbum. Embora não exaustivo ( parte deles ficaram-se pelo cd ou pelo vinil ) é no entanto uma magnifica compilação de canções, lendas várias e sonoridades antigas. Um local único onde se podem escutar as vozes promissoras de Dom Cooper, Kate Denny, Diana Collier, Jo Lepine, Laura Hulse ou Nancy Wallace mas, sobretudo, perceber como é enorme e inesgotável o filão da ancestral tradição musical britânica.

Fundamental, para quem em 2007 não reparou na edição original.

13/03/13

Diana Collier "All mortals at rest"


A simplicidade, quando genuína, veste quase sempre a pele de uma beleza que se faz perene e incontornável. Na música, como noutras artes, simples é por norma sinónimo de mais. Mais qualidade, mais futuro, mais sensibilidade, mais interacção, mais história…, mais tudo.   A história está repleta de estórias de grandes produções, hipérboles que fizeram as manchetes da sua época, mas esquecidas ou datadas décadas volvidas.  À medida que o tempo avança, os passeios vão ficando repletos de detritos. Todos eles obras importantíssimas à nascença, absolutos enfados quando a cronologia principia a cumprir o seu papel. Sou suspeito porque nunca suportei os Beatles enquanto entidade mas, hoje, quase 50 anos passados, optar por  Sergeant Pepper’s” ou  Astral Weeks” por exemplo, suscitará alguma dúvida?

Tudo isto a propósito do primeiro cd a solo (creio) de Diana Collier, uma das vozes do projecto folk-rock The Owl Service de Steven Collins.  Com uma discografia ainda curta mas personalizada e bastante  consistente, porque solidamente ancorada na tradição musical inglesa, Collins tem sabido rodear-se das vozes que melhor tipificam a matriz do projecto e que por essa razão melhor o servem. Quando se escuta “A Garland of Song” por exemplo, percebe-se que Shirley Collins e Anne Briggs são tremendíssimas influências, logo é natural que as vozes a que recorre não as contradigam.

Neste âmbito, Nancy Wallace e Diana Collier, cumprem bem o seu papel. Wallace já tem por aí a circular registos a solo ( procurem o link aqui ao lado ) Collier iniciou-se com “All mortals at rest”, uma edição privada, limitada e que num futuro mais ou menos longínquo fará as delícias dos  colecionadores.

São sete temas, todos cantados a cappella. Seis deles objecto de versões várias e diferenciadas ao longo dos anos. Um, mais recente, publicado por Alasdair Roberts em “Spoils”. E aqui regressamos à simplicidade. Algo que é quase sempre inerente ao canto a cappella, embora não necessariamente.  

Quando se fala de Shirley Collins todas as comparações são descabidas, abusivas diria. Não obstante, em  “All things are quite Silent” embora sabendo-se que a voz é de Diana Collier é quase impossível não recuar até à memória do canto inigualável de Shirley Collins. A melodia é bela, a versão simples mas rica; tocada pela sinceridade da voz e da interpretação.

E o padrão mantém-se nos restantes temas. Pouco mais de 21 minutos mágicos, durante os quais desfilam os nomes e as heranças das já referidas Collins e Briggs, mas também de Young Tradition, Peter Bellamy, Martin Carthy, Steeleye Span ou Current 93. Arrisquem e serão recompensados (. http://stonetaperecordings.bandcamp.com/track/all-things-are-quite-silent ).

19/06/12

The Owl Service "There used to be a Crown"


Não é seguramente  a primeira vez que o Atalho se refere aos Pearls Before Swine. Nem será certamente a última. Por aqui, a banda que Tom Rapp criou no final da década de 60 do século passado e os discos que a solo publicou, depois do projecto ter soçobrado, possuem uma áurea verdadeiramente mítica. São como que pequenos opus, que à data definiram/desenharam os contornos da canção de cariz psicadélico, sem que quem os escutava se desse conta que estavam ali caleidoscopicamente compactados elementos do folk, do jazz, da música antiga e até simulacros das emergentes correntes avant-garde.

De então para cá, através de um processo moroso e tortuoso,  Tom Rapp passou de proscrito a herói e nas últimas duas décadas, as suas canções receberam por fim – ainda que timidamente e sobretudo no âmbito dos circuitos underground - o reconhecimento que  sempre  mereceram.

Os neo-psicadélicos têm actuado como verdadeiros paladinos, mas também os novos trilhos do folk contemporâneo não têm esquecido Tom Rapp. Steven Collins, o principal dinamizador do projecto The Owl Service, acaba de prestar mais uma homenagem ao mestre e aos Pearls Before Swine. O EP “There used to be a Crown” foi pensado e concretizado enquanto tal.

Numa edição em vinilo, limitada a 100 exemplares, com capa dupla de cartão, design cuidado, mini cdr apontado aos indefectíveis do digital e um postal reproduzindo “O triunfo da Morte”, a pintura renascentista  de Pieter Bruegel,   os Owl Service recuperam quatro temas  lendários: “Green and Blue” e “Footnote”, retirados do álbum “These Things too” (1969) e “Translucent Carriages” e “There was a man”, ambos oriundos  de “Balaklava” (1968).

Mais de 4 décadas volvidas, a essência criativa das canções permanece intacta e, qualquer que seja o juízo que se faça das versões, fica patente a qualidade intrínseca das canções, as quais surgem tudo menos datadas. Sinal evidente de que sempre estiveram à frente do tempo. Um facto que se saúda pois é uma prova do talento, mas que por outro se lamenta uma vez que, como é sabido, quem tem razão antes do tempo acaba sempre por ser olhado com desconfiança, quando não proscrito.

There used to be a Crown” tem o título adequado e no futuro revelar-se-á um artefacto valioso.

25/01/12

The Owl Service "All things being silent"



Uma nova edição dos meus beloved The Owl Service é sempre um motivo de celebração aqui pelo Atalho. Desta vez trata-se do Volume 3 da saga "The Pattern Beneath the Plough", intitula-se "All things being silent" ( um título à minha medida ) e inclui dois tradicionais retirados aos universo das "murder ballads" ("The Red Barn" e "The Standing Stones" ) adaptados, interpretados e gravados com a mestria habitual no colectivo de Steven Collins.

O single, magnificamente apresentado numa capa de cartão duro, é limitado a 300 exemplares, inclui um postal com a foto do memorial de Maria Marten ( conferir "The murder of Maria Marten" no álbum "No Roses" da Albion Country Band ) , bem como como um mini cdr com os dois temas do single.

Puro deleite e um artefacto mais a juntar aos muitos que os Owl Service já produziram.

18/06/10

The Owl Service "The burn comes down" e "The view from a hill"


O projecto Trembling Bells embora de excelente, tem os dias contados. Mais cedo ou mais tarde, talvez mais cedo que tarde, Alex Neilson regressará ao seu habitat natural: a música improvisada e experimental. Lavinia Blackwall por seu lado, deslocar-se-á para terrenos mais clássicos, aos quais a sua voz treinada indubitavelmente pertence.

Ao invés, Steven Collins, com ou sem The Owl Service ( Jason Steel, Nancy Wallace, Jo Lepine, Diana Collier, Dom Cooper ), manter-se-á no campo da folk tradicional inglesa, uma música de que genuinamente se alimenta e que por seu lado ajuda a revitalizar, em jeito de retribuição.

A garland of song” o primeiro Owl Service foi aqui oportunamente sinalizado. Alguns singles e EPs mais tarde eis que no âmbito da série “The Pattern Beneath the Plough”, o colectivo de Essex regressa com duas edições ( uma parcial outra absolutamente ) assombrosas. Refiro-me respectivamente a “The burn comes down” e a “The view from a hill”.



O primeiro, um mini-álbum de 9 temas, debruça-se sobre um conjunto de “winter songs” que The Owl Service e os suspeitos do costume ( Alison O’Donnell, Roshi Nasehi ) resgatam ao espólio tradicional, rearranjam e interpretam. E, relativamente a “The burn comes down”, por aqui me fico, acrescentando apenas uma inocente sugestão: procurem escutar a versão de “Drive the cold wind away”. Se os arranjos e interpretação vos deixarem indiferentes, podem parar logo aí. São obviamente um caso perdido. Se ao contrário, viciosamente, a canção tomar conta do vosso sistema sensorial, entranhando-se nos confins da mente e espalhando-se logo de seguida pelo corpo, podem passar de imediato a “The view from a hill”.

Relativamente a este estou ainda a escrever um pouco a quente ( o que pode ser bom ou mau, embora nunca aconselhável ) daí que os adjectivos que me ocorrem andem à volta de “sublime”, “notável”, “fabuloso” e respectivos sinónimos.

Sendo verdade que se trata de um conjunto de versões de canções tradicionais devidamente moldadas pelos tempos, também são inquestionáveis a inteligência e o bom gosto com que as mesmas foram seleccionadas, arranjadas e reinterpretadas.



Para além disto, que já não é pouco, The Owl Service integra o mais excitante colectivo de vozes femininas que há memória recente na música inglesa de cariz tradicional. O painel vocal constituído por Nancy Wallace, Diana Collier e Jo Lepine, para além de belo, soa a antigo (no caso, praticamente uma redundância) e possibilita uma versatilidade e um leque de opções quase ilimitados.

Daí que seja difícil, diria impossível, mesmo para os que conhecem as versões “clássicas” dos temas, não valorizar aqui as recuperações de “I was a young man”, “The banks of the Nile”, “Willie O’Winsbury”, “The bold poachers”, “Within sound” ou “The loyal lover”.

The view from a hill” tem tudo para se tornar um clássico da moderna folk inglesa. Dêem pois as voltas que derem, tão cedo não encontrarão nada de tão honesto e estimulante.



Nota
: fui seguindo as notas explicativas do booklet a propósito de cada uma das canções. Quando o cd terminou, Steven, Dom e Jason tinham-se referido explicitamente a: Martin Carthy, Trees, Fotheringay, Young Tradition, Michael Raven, Joan Mills, Nic Jones, Albion Country Band, Mike Waterson, Tim Hart, Maddy Prior, Anne Briggs, Pentangle, Steeleye Span, Shirley & Dolly Collins, Paul Giovanni … Chega?

25/11/09

The Owl Service "Tigon Session"



O novo álbum dos The Owl Service está apontado para Fevereiro de 2010.

No entretanto, Steven Collins vai-nos deliciando com as suas séries de "handmade limited EPs". O mais recente chama-se "Tigon Session" e inspira-se na banda sonora de dois clássicos do cinema de terror britânico produzidos pela Tigon: "Blood on Satan's claw" ( 1971 ) e "Witchfinder General" ( 1968 ).

Ou, como a versatilidade pode ser uma das componentes do talento.

29/06/09

The Trysting Tree "Midnight House"


The Trysting TreeMidnight House” constitui a mais recente publicação do prolífero e quase sempre inesperado Steven Collins (The Owl Service).

Construído em parceria com a cantora Laura Hulse , “Midnight House” são quinze miniaturas maioritariamente improvisadas e que encontraram a sua inspiração nas “little ghost stories” do autor inglês Willian Fryer Harvey.

A atmosfera veste-se a rigor mas, desta vez, para além do folk, a paleta dos sons inclui também o erudito e o avant garde.

Um CDr que se apresenta como uma curiosidade no percurso do músico de Leigh-on-Sea, mas uma curiosidade a que convém prestar a devida atenção, como de resto com tudo o que Collins faz.

16/09/08

The Owl Service "The bitter Night EP" e The Owl Service and Allison O' Donnell "The Fabric of Folk"

Um dos projectos favoritos do Atalho no campo do neo-folk britânico, os Owl Service de Steve Collins têm tido um excelente ano em 2008. As datas avançadas para concertos são cada vez mais frequentes e as edições musicais , particularmente as de carácter semi-privado, escoam ainda antes da respectiva publicação.

De há muito esgotada, a primeira e limitada edição de “A garland of song” ( já aqui abordada ) conheceu muito recentemente a sua primeira reedição. Foi objecto de reavaliação áudio, tendo também a capa recebido um novo grafismo.


Por seu turno, “The bitter night”, uma incursão no vinil, acaba de ser publicado. Revestindo a forma de um velho EP com capa de cartolina, o registo propõe três temas novos e uma recuperação.

As razões que conduziram a que, por exemplo, “A lyke wake dirge” ficasse de fora de “A garland of song” são óbvias: o tema soa como se os Velvet Underground procurassem reproduzir a sonoridade Pentangle; um desafio que não casava de todo com a atmosfera bucólica do primeiro CD. “The stone bequest” e “The church grim” são por seu lado, duas pequenas peças instrumentais que se encaixam nas atmosferas negras e esotéricas herdeiras da tradição folk pagã. Finalmente “Fine Horseman”, a recuperação, experimenta aqui uma nova abordagem de Steven Collins, depois de uma primeira versão no single “Wake the vaulted echo”. Um original de Lal Waterson, “Fine Horseman” foi oferecido a Anne Briggs que o cantou em “The time has come” e, mais adiante, recuperado por Lal & Mike Waterson em “Bright Phoebus”, um dos discos lendários do folk inglês.


Neste EP Steven Collins revê a sua própria versão. Retira-lhe as cordas, alguma contemporaneidade, ao mesmo tempo que utiliza a magnífica voz de Nancy Wallace para se aproximar da paisagem e atmosfera perfeitas que resultavam da interpretação de Briggs em 1971.

Mas, como se o que está para trás não fosse já suficiente, existe ainda “The Fabric of Folk”, uma colaboração com Alison O’ Donnell (co-vocalista dos irlandeses Mellow Candle, cujo álbum “Swaddling Songs” de 1972 foi objecto de recente reedição).


Integrando cinco temas, dois tradicionais, dois originais e um pequeno interlúdio assinado por Collins, “The Fabric of Folk” afasta-se do até aqui habitual acid-folk estruturante em Owl Service, coloca em stand-by as influências inglesas (Fairport, Shirley Collins, Albion Band) e estabelece novas pontes musicais e temáticas com a herança irlandesa ( ao escutar os tradicionais “William & Earl Richard’s daughter” ou “Flodden field”, regressa à memória “Backwoods” de Gay & Terry Woods ou as canções épicas dos dublinners Sweeney’s Men ), o que apesar de constituir uma variante surpreendente, não é uma má notícia.

Aos ambientes sépia típicos em Collins, são agora adicionados: o colorido que emerge da voz calorosa de Alison e o mistério associado aos temas que se inspiram nas lendas e mitologias da Irlanda. Por tudo isto, “The Fabric of Folk” é francamente recomendável e pode muito bem vir a significar um marco nos percursos até aqui díspares de Alison O’ Donnell e Steven Collins.

17/05/08

The Owl Service "A garland of song"

Há muito estou convicto da importância incontornável de “Liege and Lief” para quem, músicos ou historiadores, se disponha a abordar o folk-rock das últimas 4 décadas. Seguido de perto por “Hark! The Village wait”, o qual precedeu cerca de 1 ano, o álbum dos Fairport Convention publicado em 1969, permanece um paradigma do género no que à Inglaterra diz respeito ( a formação dos Steeleye Span que gravou “Hark!” integrava o duo irlandês Gay & Terry Woods e o facto é perceptível na matriz de alguns dos temas ).

Ao longo do tempo as mutações verificadas a partir do folk-rock têm sido inumeras. Na esmagadora maioria as tentativas redundam em acentuadas desilusões, a anos luz dos originais ( o exemplo mais recente pode ser ilustrada pela tentativa da corte do “wyrd folk” para recriar o legado da Incredible String Band, dos Trees ou de Dr. Strangely Strange ).

Apesar das mutações, experiências e cruzamentos de escolas já ensaiadas, ninguém havia sentido a inspiração ( ou a ousadia ) para fundir a electricidade contida de "Liege and Lief” com a herança folk da Inglaterra profunda que emana das canções interpretadas por Shirley Collins, a solo ou com Dolly Collins. Pelo menos, ninguém havia tentado e sobrevivido para contar. Até que chegámos a THE OWL SERVICE.

The Owl Service ( o nome foi retirado do título de um livro de Alan Garner publicado em 1967, que relata uma lenda galesa cuja figura principal é Blodeuwedd, uma mulher criada a partir de flores por um feiticeiro galês ) é Steven Collins “a charming young man” oriundo de Essex, detentor de um gosto impecável, conhecimento profundo da história do folk-rock e assinalável respeito pela tradição.

Comecei por ouvir os primeiros EPs que gravou e publicou timidamente, quase como quem pede desculpa pelo atrevimento. Fiquei sintonizado. Estávamos no âmbito da primeira liga. Nas trocas de emails que se seguiram, Steven exprimia o sonho de um dia poder reescrever “Liege and Lief”. Nunca me pareceu um incondicional de Sandy Denny, antes perseguia a ideia de juntar à solidez estrutural dos Fairport, a graciosidade e encanto em tempo expressos no canto de Shirley Collins.

Quando o CDr de “A Garland of Song” caiu na minha caixa do Correio em Junho do ano passado ( tal como os EPs mais uma edição privada e limitada a 100 exemplares ) parou tudo. Steven tinha conseguido. Não sei se reescreveu ou não “Liege and Lief” – está por confirmar se tal é possível – mas gravou um dos discos mais perfeitos do folk-rock, numa genuína celebração da melhor tradição inglesa.

Dito isto e para sintetizar em relação a “Garland of song”, chamaria a atenção para: a abertura fairportiana com o tema título, para “Child ballad #49” e “Oxford City” primeiro, “Katie cruel” e “Child ballad #218” depois; respectivamente palcos de duas descobertas extraordinárias: as vozes de Jo Lepine e Diana Collier.

Pelo meio ficam a atmosfera pagã dos temas tradicionais e a recriação rigorosa dos simbolismos populares nos temas originais de Collins. Um verdadeiro labour of love.

“A Garland of Song” será objecto de reedição em CD e vinil no próximo mês de Junho.