21/07/17
Alison O' Donnell "Climb Sheer the Fields of Peace"
17/08/16
The Owl Service "His Pride. No Spear. No friend"
07/11/14
Greanvine "Mark you that and noat you wel"
Uma versão raramente atinge a excelência do original respectivo. É mais ou menos consensual. Contudo, é extraordinária a capacidade que alguns músicos possuem para, através de versões, criarem “novos” temas. Mark Kozelek é um desses casos. Mas há mais.
27/09/13
Country Parish Music "Introducing"
30/05/13
The Owl Service "The Garland Sessions"
13/03/13
Diana Collier "All mortals at rest"
19/06/12
The Owl Service "There used to be a Crown"
25/01/12
The Owl Service "All things being silent"


18/06/10
The Owl Service "The burn comes down" e "The view from a hill"

O projecto Trembling Bells embora de excelente, tem os dias contados. Mais cedo ou mais tarde, talvez mais cedo que tarde, Alex Neilson regressará ao seu habitat natural: a música improvisada e experimental. Lavinia Blackwall por seu lado, deslocar-se-á para terrenos mais clássicos, aos quais a sua voz treinada indubitavelmente pertence.
Ao invés, Steven Collins, com ou sem The Owl Service ( Jason Steel, Nancy Wallace, Jo Lepine, Diana Collier, Dom Cooper ), manter-se-á no campo da folk tradicional inglesa, uma música de que genuinamente se alimenta e que por seu lado ajuda a revitalizar, em jeito de retribuição.
“A garland of song” o primeiro Owl Service foi aqui oportunamente sinalizado. Alguns singles e EPs mais tarde eis que no âmbito da série “The Pattern Beneath the Plough”, o colectivo de Essex regressa com duas edições ( uma parcial outra absolutamente ) assombrosas. Refiro-me respectivamente a “The burn comes down” e a “The view from a hill”.

O primeiro, um mini-álbum de 9 temas, debruça-se sobre um conjunto de “winter songs” que The Owl Service e os suspeitos do costume ( Alison O’Donnell, Roshi Nasehi ) resgatam ao espólio tradicional, rearranjam e interpretam. E, relativamente a “The burn comes down”, por aqui me fico, acrescentando apenas uma inocente sugestão: procurem escutar a versão de “Drive the cold wind away”. Se os arranjos e interpretação vos deixarem indiferentes, podem parar logo aí. São obviamente um caso perdido. Se ao contrário, viciosamente, a canção tomar conta do vosso sistema sensorial, entranhando-se nos confins da mente e espalhando-se logo de seguida pelo corpo, podem passar de imediato a “The view from a hill”.
Relativamente a este estou ainda a escrever um pouco a quente ( o que pode ser bom ou mau, embora nunca aconselhável ) daí que os adjectivos que me ocorrem andem à volta de “sublime”, “notável”, “fabuloso” e respectivos sinónimos.
Sendo verdade que se trata de um conjunto de versões de canções tradicionais devidamente moldadas pelos tempos, também são inquestionáveis a inteligência e o bom gosto com que as mesmas foram seleccionadas, arranjadas e reinterpretadas.

Para além disto, que já não é pouco, The Owl Service integra o mais excitante colectivo de vozes femininas que há memória recente na música inglesa de cariz tradicional. O painel vocal constituído por Nancy Wallace, Diana Collier e Jo Lepine, para além de belo, soa a antigo (no caso, praticamente uma redundância) e possibilita uma versatilidade e um leque de opções quase ilimitados.
Daí que seja difícil, diria impossível, mesmo para os que conhecem as versões “clássicas” dos temas, não valorizar aqui as recuperações de “I was a young man”, “The banks of the Nile”, “Willie O’Winsbury”, “The bold poachers”, “Within sound” ou “The loyal lover”.
“The view from a hill” tem tudo para se tornar um clássico da moderna folk inglesa. Dêem pois as voltas que derem, tão cedo não encontrarão nada de tão honesto e estimulante.

Nota: fui seguindo as notas explicativas do booklet a propósito de cada uma das canções. Quando o cd terminou, Steven, Dom e Jason tinham-se referido explicitamente a: Martin Carthy, Trees, Fotheringay, Young Tradition, Michael Raven, Joan Mills, Nic Jones, Albion Country Band, Mike Waterson, Tim Hart, Maddy Prior, Anne Briggs, Pentangle, Steeleye Span, Shirley & Dolly Collins, Paul Giovanni … Chega?
25/11/09
The Owl Service "Tigon Session"


29/06/09
The Trysting Tree "Midnight House"

Construído em parceria com a cantora Laura Hulse , “Midnight House” são quinze miniaturas maioritariamente improvisadas e que encontraram a sua inspiração nas “little ghost stories” do autor inglês Willian Fryer Harvey.
A atmosfera veste-se a rigor mas, desta vez, para além do folk, a paleta dos sons inclui também o erudito e o avant garde.
Um CDr que se apresenta como uma curiosidade no percurso do músico de Leigh-on-Sea, mas uma curiosidade a que convém prestar a devida atenção, como de resto com tudo o que Collins faz.
16/09/08
The Owl Service "The bitter Night EP" e The Owl Service and Allison O' Donnell "The Fabric of Folk"
De há muito esgotada, a primeira e limitada edição de “A garland of song” ( já aqui abordada ) conheceu muito recentemente a sua primeira reedição. Foi objecto de reavaliação áudio, tendo também a capa recebido um novo grafismo.

Por seu turno, “The bitter night”, uma incursão no vinil, acaba de ser publicado. Revestindo a forma de um velho EP com capa de cartolina, o registo propõe três temas novos e uma recuperação.
As razões que conduziram a que, por exemplo, “A lyke wake dirge” ficasse de fora de “A garland of song” são óbvias: o tema soa como se os Velvet Underground procurassem reproduzir a sonoridade Pentangle; um desafio que não casava de todo com a atmosfera bucólica do primeiro CD. “The stone bequest” e “The church grim” são por seu lado, duas pequenas peças instrumentais que se encaixam nas atmosferas negras e esotéricas herdeiras da tradição folk pagã. Finalmente “Fine Horseman”, a recuperação, experimenta aqui uma nova abordagem de Steven Collins, depois de uma primeira versão no single “Wake the vaulted echo”. Um original de Lal Waterson, “Fine Horseman” foi oferecido a Anne Briggs que o cantou em “The time has come” e, mais adiante, recuperado por Lal & Mike Waterson em “Bright Phoebus”, um dos discos lendários do folk inglês.

Neste EP Steven Collins revê a sua própria versão. Retira-lhe as cordas, alguma contemporaneidade, ao mesmo tempo que utiliza a magnífica voz de Nancy Wallace para se aproximar da paisagem e atmosfera perfeitas que resultavam da interpretação de Briggs em 1971.
Mas, como se o que está para trás não fosse já suficiente, existe ainda “The Fabric of Folk”, uma colaboração com Alison O’ Donnell (co-vocalista dos irlandeses Mellow Candle, cujo álbum “Swaddling Songs” de 1972 foi objecto de recente reedição).

Integrando cinco temas, dois tradicionais, dois originais e um pequeno interlúdio assinado por Collins, “The Fabric of Folk” afasta-se do até aqui habitual acid-folk estruturante em Owl Service, coloca em stand-by as influências inglesas (Fairport, Shirley Collins, Albion Band) e estabelece novas pontes musicais e temáticas com a herança irlandesa ( ao escutar os tradicionais “William & Earl Richard’s daughter” ou “Flodden field”, regressa à memória “Backwoods” de Gay & Terry Woods ou as canções épicas dos dublinners Sweeney’s Men ), o que apesar de constituir uma variante surpreendente, não é uma má notícia.
Aos ambientes sépia típicos em Collins, são agora adicionados: o colorido que emerge da voz calorosa de Alison e o mistério associado aos temas que se inspiram nas lendas e mitologias da Irlanda. Por tudo isto, “The Fabric of Folk” é francamente recomendável e pode muito bem vir a significar um marco nos percursos até aqui díspares de Alison O’ Donnell e Steven Collins.
17/05/08
The Owl Service "A garland of song"

Apesar das mutações, experiências e cruzamentos de escolas já ensaiadas, ninguém havia sentido a inspiração ( ou a ousadia ) para fundir a electricidade contida de "Liege and Lief” com a herança folk da Inglaterra profunda que emana das canções interpretadas por Shirley Collins, a solo ou com Dolly Collins. Pelo menos, ninguém havia tentado e sobrevivido para contar. Até que chegámos a THE OWL SERVICE.
The Owl Service ( o nome foi retirado do título de um livro de Alan Garner publicado em 1967, que relata uma lenda galesa cuja figura principal é Blodeuwedd, uma mulher criada a partir de flores por um feiticeiro galês ) é Steven Collins “a charming young man” oriundo de Essex, detentor de um gosto impecável, conhecimento profundo da história do folk-rock e assinalável respeito pela tradição.
Comecei por ouvir os primeiros EPs que gravou e publicou timidamente, quase como quem pede desculpa pelo atrevimento. Fiquei sintonizado. Estávamos no âmbito da primeira liga. Nas trocas de emails que se seguiram, Steven exprimia o sonho de um dia poder reescrever “Liege and Lief”. Nunca me pareceu um incondicional de Sandy Denny, antes perseguia a ideia de juntar à solidez estrutural dos Fairport, a graciosidade e encanto em tempo expressos no canto de Shirley Collins.
Quando o CDr de “A Garland of Song” caiu na minha caixa do Correio em Junho do ano passado ( tal como os EPs mais uma edição privada e limitada a 100 exemplares ) parou tudo. Steven tinha conseguido. Não sei se reescreveu ou não “Liege and Lief” – está por confirmar se tal é possível – mas gravou um dos discos mais perfeitos do folk-rock, numa genuína celebração da melhor tradição inglesa.
Dito isto e para sintetizar em relação a “Garland of song”, chamaria a atenção para: a abertura fairportiana com o tema título, para “Child ballad #49” e “Oxford City” primeiro, “Katie cruel” e “Child ballad #218” depois; respectivamente palcos de duas descobertas extraordinárias: as vozes de Jo Lepine e Diana Collier.










