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08/10/14

Terry Emm "Starlight"



Para a medicina, a melancolia é uma doença que surge frequentemente sem razão. Os românticos têm por ela grande apreço, pois trata-se de um estado emocional enriquecedor do espírito. Nesta disputa, como na maioria, a verdade estará provavelmente a meio.

Nick Drake viveu a melancolia como um estado de alma extremo. Todos sabemos como terminou. Mas existem outras formas, menos radicais, de expressar o sentimento. Como nas canções de Terry Emm por exemplo.

Sem qualquer intenção de estabelecer paralelismos com o notável espólio do primeiro, diria que a escrita sensorial de Terry Emm é, na forma e no conteúdo, das que mais se aproxima do paradigma Drake. Foi verdade em 2009 e 2012 com “White Butterflies” e “Petals fallen off the sun”; permanece evidente em “Starlight”.

Ancorado em “Wilderness”, “Starlight”, “Loved and never lost”, “Is there na end to your love” e “Jetstreams”, o novo registo do autor do Bedfordshire cresce na exacta medida em que o ouvinte vai, suave e tranquilamente, balançando entre as palavras e melodias de Emm e as cordas de Carina De La Mare ( habitual colaboradora dos Tindersticks ).

Pop barroca podia ser aqui um definição possível mas “Starlight” vai para além do romântico, estabelecendo também a ponte com memórias como Del Amitri ou Butterflies of Love. No género, 2014 não conhecerá nada igual.

18/03/13

Terry Emm


"Loved and never lost", a canção, primeiro avanço para o novo cd apontado para Junho. O lugar cativo de Terry Emm aqui pelo Atalho está perto de se tornar votalício. Escutem e certamente perceberão porquê.
https://soundcloud.com/terryemm/loved-and-never-lost

31/08/12

Terry Emm "Petals fallen off the sun"


Descobri Terry Emm quando da publicação do interessantíssimo “White Butterflies”. Ficou!
Três anos volvidos, aos 22 anos, e quando “Petals fallen off the sun”, ainda que em circuito fechado, já circula por aí, Terry Emm assume-se como um dos mais promissores songwriters ingleses da sua geração.

O cd de estreia tinha dado indicações muito precisas acerca do seu talento e não menos importante, tremenda “englishness”. “Petals” é a confirmação que esperava.
 

Imaginem um triângulo, cujos vértices são Clifford T. Ward , Nick Drake e  John Martyn.  Emm posiciona-se exactamente ao centro. As canções são serenas, sensitivas, silenciosas por vezes. O tema título é uma jóia de rara beleza que merece ser hiperbolicamente adjectivada. “Awake at Midnight” e “Sarah” são canções que pertencem a um tempo introspectivo, antigo, a que teremos de recuar caso queiramos chegar ao seu verdadeiro âmago.
Quase literário, “Petals fallen off the sun”, tem sido um bom companheiro nos tempos mais recentes. Mas mais importante, prenuncia um futuro brilhante. Quem assim escreve aos 22 anos, o que fará quando atingir plena maturidade?   

29/05/09

Terry Emm "White Butterflies"


Será que a juventude permite escrever canções adultas? Nos casos em que o talento está presente, a resposta pode ser sim, embora nem sempre constitua regra.

Tim Buckley tinha 19 anos quando gravou “Tim Buckley” e 20 em “Goodbye and hello”. Nick Drake tinha 20 quando registou “Five leaves left”, cujas canções escreveu antes. Idade idêntica para o Richard Thompson que esteve em , “What we did on our holidays”, “Unhalfbricking” e “Liege and Lief”. Idem para o Steve Winwood que ajudou a escrever “Mr. Fantasy” e “Traffic”. Os exemplos são inúmeros…

A este respeito, ainda que a tentação exista, julgo ser cedo para dizer se Terry Emm pode desde já integrar aquele restrito grupo de eleitos. Aos 19 anos, este natural de Bedfordshire acaba de publicar aquele que poderá vir a ser o mais bem guardado segredo do “songwriting” inglês do ano em curso: “White Butterflies”.

De facto, por trás da cacofonia e ruído mediáticos que caracterizam hoje a produção musical, irá ser difícil a Terry Emm fazer-se ouvir. Apesar disso, sobretudo para além disso, as 10 canções que integram o CD de estreia são, a par dos também secretos e excelentes testemunhos de Rob Sharples, algo do mais verdadeiro, genuíno e porventura perene que o folk inglês conheceu nesta década.


A abrir “White Butterflies”, “Summer” sintetiza a atmosfera que vai presidir ao restante: guitarra acústica, voz de veludo, ambiente poético, excepcionais arranjos de cordas ( os quais neste particular, parecem querer unir dois célebres pontos cardeais, Nick Drake e os Triffids ).

“Sapphire eyes” alinha pela mesma bitola. Saem as cordas entra em cena o piano. Melódico, tímido, quase a pedir desculpa por estar ali. “Dove” é de uma beleza esmagadora, talvez a melhor caracterização do talento precoce de Terry Emm. Drake é, percebe-se, a influência dominante; nos contornos poéticos, na paisagem pastoral e na sonoridade de câmara, uma consequência directa dos arranjos de cordas de Richard Durrant, envolvendo as canções num delicado manto de classicismo.

“White Butterflies”, o tema, poderia tornar mais leve o dia a dia de milhares de indivíduos caso fosse tocado nas rádios. “The way you look” é um daqueles “old tunes” de luminosidade tipicamente “west coast” e que não ficaria deslocado no portfolio do compatriota Graham Nash. Quase a terminar, “Curtains” regressa ao folk de câmara e um “Blossom” sereno, poético e intimista, encerra um disco notável a que todos teremos de voltar mais tarde ou mais cedo.

A minha proposta é, como já se percebeu, o mais cedo possível.