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14/08/13

United Bible Studies "I am Providence"


 
Numa explicita homenagem aos recentemente desaparecidos Tony Dale e Lee Jackson ( dois dos mais apaixonados divulgadores das paisagens sónicas  alternativas ), os United Bible Studies editaram  há um par de meses em formato vinil “I am Providence”,  um registo de palco datado de 2008, mas que 5 anos volvidos espelha ainda na perfeição a identidade e as idiossincrasias deste colectivo mutante.

I am Providence” é feito por David Colohan, Richard Moult, Michael Tanner, Tuula Voutilainen, Orion Rigel Dommisse, Manbeard, Gavin Prior, Alec Redfearn e Sharron Kraus. O tema título é uma pequena perfeição acapella, algures entre o canto gregoriano e  o avant garde; “Cthonic Spiral” ecoa no silêncio ensurdecedor dos prados da Irlanda e lembra as geometrias sonoras de Richard Skelton; por seu turno “Tributaries of the Styx Under Providence” é uma banjo lullaby que Colahan vocaliza de forma litúrgica.

Não se trata de música fácil, mas assim não fora e este texto não estaria a ser escrito. Nem, muito provavelmente, a ser lido.

09/04/11

Carousell "Black Swallow & Other Songs"


Creditado a Carousell , “Black Swallow & Other Songs” ( Maio de 2009 ) é um dos vários capítulos das “gaelic sound landscaps” de Richard Skelton.


A recente reedição remasterizada - objecto de novo e excelente grafismo e apresentada em glorioso suporte de vinil transparente - , acentua o envolvimento mágico criado pela narrativa musical. Dela emana uma fascinante característica impressionista que não se poderá facilmente compaginar com todos os estados de espírito. Porém, ultrapassado este detalhe, a recompensa poderá passar por um agradável efeito de habituação muito próximo da dependência.


Em nome próprio, em projectos paralelos ou sob diferentes pseudónimos, Skelton é já um “habitué” aqui pelo Atalho. Poderão no entanto saber bastante mais sobre a obra e motivações deste verdadeiro homem da renascença consultando o mais recente número da revista Wire.



15/02/11

"We bring you a King with a head of gold: Dark Britannica II"


Ao longo de séculos, e mais recentemente com maior ou menor visibilidade, as culturas celta e anglo-saxónica mantiveram vivo o ritual pagão da celebração anual das colheitas ( “Lughnasadh” para os celtas, “Lammas” para os saxões ).

No mundo de hoje, o manutenção desta tradição pode muito bem significar mais do que um mero acto de preservação cultural levado a cabo por meia dúzia de freaks. Por muito que custe aos apóstolos do modernaço e às mulheres a dias das novas tecnologias, o futuro, tal como o passado, passará pela terra enquanto instrumento fundamental da sobrevivência. Resta saber se quando mais dela precisarmos, ainda dispomos da água necessária para a manter fecunda.



Tal como John Barleycorn Rebornem 2008, “We bring you a King with a head of gold: Dark Britannica II”” é um duplo CD que se debruça sobre estes temas e que recorre – simultaneamente divulgando – aos músicos britânicos que comungam de idênticas preocupações.

E nesse particular “Dark Britannica II” é uma compilação absolutamente admirável, quer no conteúdo quer na forma. Ao tema nuclear – as colheitas – junta-se um significativo conjunto de canções de cariz tradicional, verdadeiras janelas com vista para a história da Britannia, factual ou suportada nas suas lendas ancestrais. E aqui, entre as inevitáveis “murder ballads” e profusas referências históricas, podemos encontrar velhas personagens do imaginário popular como Arthur/Guinnevere, o Mafarrico, Jack in the Green / Green Man, Black Sarah, King Owen, Jack the Mommet, Ceres…



Do lado dos protagonistas, os músicos, para além de favoritos do Atalho como The Rowen Amber Mill, Wyrdstone ou Richard Skelton, é um prazer reencontrar as prestações de Drohne, Corncrow ou Tinkerscuss ( repescados de “John Barleycorn Reborn” ). Mas é sobretudo um gosto descobrir nomes como Cernunnos Rising ( George Nicholas será um Scott Walker convertido ao folk britânico ?? ), Laienda, Kate Harrison, Mama, Telling the Bees, Magicfolk, Philip Butler & Natasha Tranter, The Kittiwakes ou Richard Masters.

Tudo o que atrás fica escrito é mais do que suficiente para recomendar "Dark Britannica II". Não obstante o CD cumpre e bem aquela que é a principal função de uma verdadeira compilação: fornece abundantes pistas sobre nomes que doutra forma talvez nunca viéssemos a descobrir.

10/04/10

A Broken Consort "Crow Autumn"


Depois de “Landings” eis que chega “Crow Autumn”. A assinatura alterou-se, Richard Skeltonlugar A Broken Consort, mas os motivos, a inspiração e os resultados pouco ou nada mudaram.

Na essência um “reworking” de peças musicais previamente publicadas em CDr pela Sustain Release nos anos de 2007 e 2009, “Crow Autumn” projecta beleza - simultaneamente nova e antiga - , sugere paixão ( naturalmente contida, como se espera dos anglo-saxónicos ) e, tal como “Landings”, remete para as paisagens bucólicas e agrestes dos campos do Lancashire. A este propósito houve já quem falasse em “psychogeographic music”….

Para além dos rótulos, existe uma componente cinematográfica latente na arte de Skelton e “Crow Autumn”, espartano umas vezes, cortante outras e cósmico outras ainda, é um daqueles discos a escutar na presença cúmplice de uma paisagem natural, mas sempre com o silêncio por perto.


O espaço deverá obrigatoriamente ficar livre para que o som libertado pelos pianos, violinos, guitarras, acordeão, bandolim e metais o ocupe, através de uma narrativa tão esteticamente bela, quanto por vezes espiritualmente triste e fisicamente penosa.

Um pouco à imagem da arte pré-rafaelita (se o arrojo comparativo me for perdoado) , a música de Richard Skelton não deve ser consumida de forma massiva. A compulsão aplicada a “Crow Autumn” poderá ser potencialmente um risco. Há no entanto espaços, momentos, em que nada poderá ser mais belo e estimulante.

11/02/10

Richard Skelton "Landings"


Se outros méritos não tivesse, a beleza de “Landings” chegava e sobrava para o recomendar.

Richard Skelton, um compositor oriundo do Lancashire em Inglaterra, tem vindo a expressar-se através de noms de plume: A Broken Consort, Caroussell, Clouwbeck. “Landings”, depois de “Marking time” em 2008, é o segundo que assina com o próprio nome.

Nascido das paisagens rurais do noroeste, configura um registo superlativo; de uma amplitude tal, que lá dentro é possível encontrar não apenas os horizontes selvagens do Lancashire como também, e sem qualquer ordem ou hierarquia: o minimalismo, a viola do John Cale pré Velvet, o neo-clássico, Max Richter, Tony Conrad, Arvo Part, a Nico de “Marble Index”, a “kosmische musik”,…



Inspirado e inspirador, “Landings” reveste a forma de uma narrativa pessoal, onde as cordas, predominantes e sensoriais, modelam um ritual muito próximo do “field recording”, aqui e ali entrecortado pela intervenção melancólica de uma guitarra acústica, pelo murmurar silencioso de um riacho ou pelo chilrear matinal dos pássaros.

Um disco que trespassa o conceito de beleza, de todas as belezas. E, praticamente sem excepção, os doze temas, lentamente distendidos por 50 minutos conquistados ao tempo, formam um corpo fascinante, diria que sem paralelo na música instrumental inglesa não erudita.

Mal dá para esperar pelo novo A Broken Consort, “Crow Autumn”.