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23/09/15

Nap Eyes "Whine of the Mystic"


As surpresas encontram-se ao virar da esquina. Acontecem quando menos se espera. Whine of the mystic” é um desses casos.

Oriundos da Nova Scotia, os Nap Eyes são de facto “the greatest band you’ve never heard”. Numa altura em que pouco ou quase nada se inventa e tudo se recicla, o quarteto canadiano faz valer a sua mestria neste difícil enquadramento.

Dito de outra maneira; esteticamente este disco de estreia nada traz de realmente novo, não obstante é quase perfeito de tão simples. Gravadas sem “overdubs” ( afirmam ), as nove canções que o compõem são um enorme espelho retrovisor que nos  permite olhar o histórico de Modern Lovers, Verlaines, The Clean, Go-Betweens ou Pin Group; até mesmo para o Lou Reed de “Walk on the wild side”.

Whine of the mystic” ( objecto em 2014 de uma primeira e restrita edição privada de 200 exemplares ) tem sido catalogado como um “drinking album”. Excessivamente diria. Os textos de Nigel Chapman resultam da observação do quotidiano e, não sendo  propriamente pesados, também não são ingénuos. Donde que, as canções, inquietas todas elas, umas vezes encaixem em Jonathan Richman ou Grant McLennan, outras se aproximem mais de Lou Reed ou de Peter Perrett.

Tudo ponderado, procurem escutar “Dark Creedence”, estrategicamente colocado a abrir o álbum. Se nada vos disser, esqueçam. Passem à frente porque são um caso perdido.

08/04/14

Blanc Realm "Grassed Inn"



Imagine-se um espaço onde se cruzam os Talking Heads, com Go-Betweens e Jonathan Richman … Existe, dá pelo nome de Blank Realm e recentemente expressou-se através do álbum “Grassed inn”.
É de facto difícil escutar a exuberância rítmica de “Falling down the stairs” sem que “Fear of Music” ou “Remain in light” regressem à memória. Porém a linguagem da banda australiana não se esgota na oportuna veemência daquele tema.

 Activo desde há uma década, o colectivo dos irmãos Spencer tem navegado pela história, reescrevendo-a ao sabor dos antípodas, que é como quem diz, tendo sempre presente a sonoridade kiwi imagem de marca da Flying Nun e de bandas como Chills, Verlaines, Triffids  ou Pin Group. 

Escute-se o paquidérmico “Bulldozer Love” e atente-se como é possível pegar no paradigma Go-Betweens e direccioná-lo para caminhos que só o psicadelismo habitualmente percorre.  
Ao longo de “Grassed Inn” surgem acessoriamente momentos onde o synth dos 80s hesita entre os adereços melódicos de  Big Star e a construção rítmica dos Neu. E embora a ideia pareça à partida bizarra, o resultado é empolgante, como em “Violet Delivery”.  A marca de água é todavia “Reach you on the phone”; um título que só poderia ter sido escrito  por uma banda da Oceânia.

De “Grassed inn” ir-se-à falar seguramente. Só resta saber quando.

08/02/13

The Pin Group "Ambivalence"


Tal como um filme de culto, um bom vinho ou uma pintura inspirada, há música que não é mensurável no tempo. Está para além dele.

The Pin Group  por exemplo.  Nascido e crescido na época em que a influência Velvet Underground mais se fez notar, o colectivo neozelandês fez daqueles o ponto de partida, passou por Manchester à boleia de Joy Division e só parou no futuro. 

Ambivalence” compila 3 singles e um EP, tudo o que o quinteto de Roy Montgomery produziu em estúdio entre Março de 81 e Fevereiro do ano seguinte.  12 temas que explicam tudo o que há para explicar sobre esta pequena grande nota de rodapé.