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19/06/12

The Owl Service "There used to be a Crown"


Não é seguramente  a primeira vez que o Atalho se refere aos Pearls Before Swine. Nem será certamente a última. Por aqui, a banda que Tom Rapp criou no final da década de 60 do século passado e os discos que a solo publicou, depois do projecto ter soçobrado, possuem uma áurea verdadeiramente mítica. São como que pequenos opus, que à data definiram/desenharam os contornos da canção de cariz psicadélico, sem que quem os escutava se desse conta que estavam ali caleidoscopicamente compactados elementos do folk, do jazz, da música antiga e até simulacros das emergentes correntes avant-garde.

De então para cá, através de um processo moroso e tortuoso,  Tom Rapp passou de proscrito a herói e nas últimas duas décadas, as suas canções receberam por fim – ainda que timidamente e sobretudo no âmbito dos circuitos underground - o reconhecimento que  sempre  mereceram.

Os neo-psicadélicos têm actuado como verdadeiros paladinos, mas também os novos trilhos do folk contemporâneo não têm esquecido Tom Rapp. Steven Collins, o principal dinamizador do projecto The Owl Service, acaba de prestar mais uma homenagem ao mestre e aos Pearls Before Swine. O EP “There used to be a Crown” foi pensado e concretizado enquanto tal.

Numa edição em vinilo, limitada a 100 exemplares, com capa dupla de cartão, design cuidado, mini cdr apontado aos indefectíveis do digital e um postal reproduzindo “O triunfo da Morte”, a pintura renascentista  de Pieter Bruegel,   os Owl Service recuperam quatro temas  lendários: “Green and Blue” e “Footnote”, retirados do álbum “These Things too” (1969) e “Translucent Carriages” e “There was a man”, ambos oriundos  de “Balaklava” (1968).

Mais de 4 décadas volvidas, a essência criativa das canções permanece intacta e, qualquer que seja o juízo que se faça das versões, fica patente a qualidade intrínseca das canções, as quais surgem tudo menos datadas. Sinal evidente de que sempre estiveram à frente do tempo. Um facto que se saúda pois é uma prova do talento, mas que por outro se lamenta uma vez que, como é sabido, quem tem razão antes do tempo acaba sempre por ser olhado com desconfiança, quando não proscrito.

There used to be a Crown” tem o título adequado e no futuro revelar-se-á um artefacto valioso.

20/05/11

Artefactos ( 18 )



Os discos dos Pearls Before Swine, com particular destaque para “One nation underground” ( 1967 ) e “Balaklava” ( 1968 ), constituem peças de um delicado psicadelismo que não encontra paralelo na história, antes ou depois da respectiva publicação. Com a paciência de um artífice, entre o folk-rock, a música de câmara, o psicadélico e o canto gregoriano, Tom Rapp construiu uma obra sem tempo a qual posicionou nas margens do mainstream e que desde então aí tem permanecido.


Aqui e ali recuperada, sempre com muita parcimónia, por artistas como Bevis Frond, Damon & Naomi , Flying Saucer Attack ou Ghost, olimpicamente ignorada por aqueles que mais naturalmente poderiam ser os herdeiros – a tribo do “weird – free – folk“ –, a música de Tom Rapp é verdadeiramente especial, tanto quanto especial o foram as criações de Nick Drake ou Scott Walker por exemplo.




Nada, rigorosamente nada, substitui a audição integral dos álbuns originais dos Pearls Before Swine e, mais tarde, de Tom Rapp a solo. Não obstante o Atalho sugere três edições distintas que, embora esgotadas, são ainda razoavelmente fáceis de encontrar e a um preço justo.


For the dead in space Vol I” ( Magic Eyes Singles MES 012, 1997 ) é uma compilação de temas de Rapp revisitados por nomes como Fit & Limo, Masaki Batoh, Tower Recordings, Alchemysts e Damon & Naomi, entre outros.


Constructive Melancholy” ( BirdMan BRM 021, 1998 ) reúne algumas das canções que Tom Rapp entendeu melhor representarem o seu “songbook”.


Por fim, “A journal of the plague year” ( Woronzow WOO 35, 1999 ) documenta o regresso do autor aos estúdios, quase 30 anos depois.

Happy hunting.