01/01/14
Artefactos ( 36 )
10/12/12
Six Organs of Admittance "Ascent"
03/02/12
200 Years "200 Years"

Radioso é o passado, o presente e seguramente será o futuro de Ben Chasny . Tudo, ou praticamente tudo em que o homem toca transforma-se em ouro. “200 Years” é apenas mais um capítulo de uma saga criativa que parece não ter fim.
Depois de “Asleep on the floodplain” (2011) e “Luminous light” (2009), duas das mais recentes pedras angulares de um culto que não para de crescer, o bardo optou por um período sabático e ao lado da companheira Elisa Ambrogio ( dos Magik Markers ) deu corpo a este projecto homónimo.
Guitarras “à la carte” , harmónios , pianos vários, vozes ( quase sempre em sussurro ), talento a rodos e uma atmosfera tranquila, alinhada com o equinócio, completamente alheada da loucura urgente do dia a dia.

Tudo, o que se escuta em “200 Years” transmite harmonia e tranquilidade , mesmo quando o fuzz da guitarra de Chasny sublinha a atmosfera mais agreste de “City Streets”. Quanto ao resto (“Wild white”, “West Heartfood”, “Thread” ou “Dead Medicine”) e em particular a “Solar System” ( … in my solar system, gravity won’t take, floating on your nothing, the way your body shapes, what you are …”) , a melhor opção é procurar na individualidade do recato interpretativo. Cada um/a encontrará ali as suas verdades, de acordo com as respectivas vivências e expectativas.
No fundo é isso que os grandes discos são, extensões das nossas vidas, muitas vezes uma espécie de segunda pele. Daí que, independentemente do seu valor, apreciarmos uns mais que outros.
13/03/11
Six Organs of Admittance "Asleep on the floodplain"
O homem possui tanto talento que por vezes, para o comum dos mortais, chega a ser irritante. Não contente com isso, raramente se repete.
“Asleep on the floodplain” é mais um opus a juntar aos vários que Ben Chasny já produziu. E desta vez, para além das sempre presentes referências a Robbie Basho, John Fahey e Richard Thompson, é possível detectar ecos emanados das pautas de John Cale para “Marble Index” ( “S/Word and Leviathan” ), do harmónio de Nico em “The End” ( “Brilliant blue sea between us” ) ou da inconfundível guitarra acústica de Bert Jansch ( “Poppies” ).
No primeiro – “S/Word and Leviathan” – percorrendo o drone, o cósmico e o épico, Chasny assina uma das suas mais vibrantes composições. 12 m e 25 s de puro deleite que, ou muito me engano, ou irá em breve constituir um “case study” nas diversas madrassas do psicadelismo.
25/08/09
Six Organs of Admittance "Luminous night"

O homem não consegue fazer um mau disco.
De facto, com o decorrer do tempo, o avolumar das edições a solo e colaborações diversas, a questão a observar já não é quando e como surgirá o primeiro passo em falso, antes até onde poderá chegar o talento de Ben Chasny.
“Luminous night” é de novo algo de especial. Voluntariamente a meio caminho entre o tradicional e o moderno, evidenciando vincadas incursões nas sonoridades orientais, a ponto de a espaços mergulhar na estética dos nipónicos Ghost ( escute-se por exemplo “Anesthesia” ) a música de Chasny ganha aqui dimensões quase inéditas, projecta novos espaços multiculturais onde as palavras, ainda que meramente instrumentais, atingem papel de relevo.
É tudo isto “Luminous night”, mais uma interessante componente electrónica ( cortesia de Randall Dunn dos Sun City Girls ), transversal a todos os oito temas embora particularmente notada em “Cover your wounds with the sky”, MAIS dois títulos maiores a juntar aos clássicos de Six Organs of Admittance: “Bar-Nasha” e “Ursa Minor”.
O primeiro, uma melodia pautada pelas intervenções da tabla e guitarra acústica, possui uma atmosfera peculiar, colorida pelas divagações orientais da flauta; a segunda uma balada cósmica construída a partir do tricot da seis cordas acústica, ganha lastro nos lençóis de sintetizadores e carga dramática através da inclusão da viola e da vocalização “muito David Eugene Edwards” de Ben.
Em suma, “Luminous night” é mais uma peça relevante no percurso de Ben Chasny. Este, a cada novo disco, mais do que recriar escolas e influências, escreve algo de novo, matéria de estudo para um futuro próximo. Pelo caminho vai aumentando o número de fãs e seguidores. Recordo-me ter sentido algo de parecido com Richard Thompson, há muitos anos…
17/01/09
Six Organs of Admittance "RTZ"

Desde há uma década que, aproveitando os trilhos abertos por experimentalistas como os Stone Breath de Timothy Renner e Prydwyn ou os Charalambides de Tom e Christina Carter, Chasny a solo ou em grupo ( Six Organs of Admittance, Comets on Fire, Badgerlove, August Born ) tem vindo a construir uma obra sólida e multifacetada que mais tarde ou mais cedo irá constituir motivo de referência e estudo permanente. Exactamente como hoje sucede com o legado de pioneiros como Robbie Basho, John Fahey, Dave Graham e Pat Kilroy, ou virtuosos como Bert Jansch, Richard Thompson ou Leo Kottke.
Como que a preparar desde já esse futuro, acaba de ser publicado “RTZ” ( 3 LPs em gloriosa capa tripla ou duplo CD, consoante a plataforma escolhida ) que reúne parte significativa das edições mais raras e limitadas dos Six Organs of Admittance.

Começando nos cinco subtemas que compõem “Resurrection” – originariamente uma split edition com os Charalambides com selo da Time Lag e limitada a 800 LPs -, terminando em “Punish these chasms with wings” cinco títulos gravados entre 1998 e 2001 e nunca publicados; passando por “Warm, earth which i’ve been told”, “Nightly trembling” e “You can always see the Sun”, um alargado conjunto de temas objecto de pequenas e obscuras edições e que estão a partir de agora de novo disponíveis, ajudando a esboçar as diversas facetas deste músico versátil e visionário.
As curriculares e bem sucedidas abordagens que no decorrer dos últimos dez anos fez ao folk , ao psych, ‘western music’ ou ‘freakout rock’ são bem mais eloquentes que quaisquer palavras que possamos aqui alinhar.



