“So High I’ve Been, A European Rock Anthology 1967-1973” é,
supomos, uma compilação que urgia ser elaborada e publicada.
Em primeiro lugar porque existe muita música criada na Europa
continental que continua por descobrir; depois, porque não abundam as colectâneas
dedicadas ao tema.
Dito isto, será que “So High I’ve Been” cumpre o desiderato?
Subsistem-nos as maiores dúvidas. Desde logo por que razões legais
relativas a direitos contratuais estão na origem da ausência de nomes como Can,
Amon Duul, Neu! ou Aphrodite’s Child. Pelas mesmas razões ou talvez por opção
do curador David Wells, Agitation Free, Alrune Rod, Cargo, Ilous &
Decuyper, Sandrose, Ash Ra Tempel, Broselmaschine, Sergius Golowin, Holderlin, Wind, Jeronimo ou Triangle, entre dezenas de outras relevâncias, ficaram de fora.
Em contrapartida o prog italiano e neerlandês ( PFM, Le Orme,
Acqua Fragile, Analogy, Osanna, Ekseption, Shocking Blue ) encontram-se “excessivamente”
representado.
Opções e condicionantes de quem compila, obviamente. Mas para
além da hipotética raridade, vale a pena questionar que sentido fazem bizarrias
como Siloah com “Krishna’s Golden Dope
Shop” ou “Floating” dos Inter-Groupie Psychotherapeutic Elastic Band, uma
charada que o próprio autor – Vangelis -
decidiu esquecer.
Depois disto e apesar disto, há em “So High I’ve Been” muito para descobrir e
aprender, designadamente tudo o que nos é proposto pelas bandas e músicos
escandinavos.
Se o punk tinha reagido à ditadura de “Dark Side of The Moon”, “Tales from Topographic Oceans”, “Hotel California”, “Brain Salad Surgery”, “A Night at The Opera” ou “Goodbye Yellow Brick Road”, a renascença rock americana aquartelada no denominado “Paisley Underground” reagiu, simultaneamente, aos fenómenos infectos da época ( Kiss, Kansas, Journey, AC/DC, Meat Loaf ) bem como ao Tecno Synth Pop então emergente ( Soft Cell, Depeche Mode, Duran Duran, Human League, Berlin, Spandau Ballet, Orchestral Manoeuvres in the Dark, Ultravox … ).
Discos “antigos” dos Byrds, Zombies, Stooges, Love, Buffalo Springfield, The 13th Floor Elevators, Beach Boys, Television, Modern Lovers, Big Star ou Velvet Underground voltaram aos pratos dos velhos gira discos e tudo começou de novo.
Aquilo que se escuta no conjunto dos 67 temas de “This Can’t
Be Today, American Psychedelia & The Paisley Underground 1977-1988”, é
apenas uma pequena amostra da importância e dimensão que o movimento atingiu.
Nem todas as escolhas serão as mais felizes/adequadas ( aqui talvez
de novo o licenciamento dos direitos ) contudo é permitido a quem não foi contemporâneo
ficar com uma ideia de como e de onde surgiram R.E.M., Rain Parade, dB’s, Dream Syndicate, Green on Red, The Fans, The
Long Ryders, Bangles, Meat Puppets, 28th Day, Flaming Lips, Green Pajamas ou
The Sneetches entre muitos outros.
Atrevam-se. Investir em conhecimento é sempre uma aposta
segura.


