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03/11/25

Trimdon Grange Explosion "Dreams Buried Under The Sea"

 


Oito anos após um primeiro álbum homónimo e vinte após o fabuloso trabalho da banda progenitora – The Eighteenth Day Of May – os Trimdon Grange Explosion regressam com “Dreams Buried Under The Sea”.

Trata-se de uma espécie de espelho sonoro que nos conduz a imagens de um pretérito quase perfeito onde o eixo The Byrds / Big Star / R.E.M. removia os destroços do pós-punk e do synth-pop.

Porque “Dreams Buried Under The Sea” é mesmo isso, uma montra sonora que tendo algo de nostálgico, não se esgota naquela matriz.

Atente-se em “World turning round”, a abrir. No evoluir do tema é difícil não rever mentalmente “Murmur”, imediatamente antes da canção explodir num mar de guitarras fuzz.

O jingle-jangle de “September Falls” evoca The Byrds enquanto “Swim on your back in the water” traz à memória os Wolf People de Jack Sharp e P.G. Six de Pat Gubler, outros dois expatriados do eixo acima citado.


“Breaking the wheel”, um mini épico irresistível, é talvez o título âncora do álbum. Byrdsiano na essência surpreende quando é introduzida a viola de Alison Cotton; o efeito é hipnótico, como se a viola de arco de John Cale regressasse das catacumbas do Velvet Underground para nos encantar uma vez mais.

A fechar “As the world rises to fall”, competente e obviamente cúmplice do Neil Young de “Harvest”.

“Dreams Buried Under The Sea” está para além deste tempo. Ostenta um charme muito próprio e, talvez por isso, não é expectável que venha a frequentar as famigeradas listas dos melhores do ano.

Nada que surpreenda e muito menos incomode o Atalho. Como já alguém afirmou: "a história está pejada de exemplos de maiorias que não tiveram razão".

28/03/25

Neil Young "Oceanside Countryside"

 


Na linha do tempo, “Oceanside Countryside” era suposto constar imediatamente antes de “Comes a Time” (1978 ). Não aconteceu.

Publicado pela primeira vez há um par de meses na compilação mamute “Neil Young Archives Vol III ( 1976-1987 )”, acaba de ser autonomizado numa primeira edição em vinil.

Ainda assim, e porque estamos a falar de Neil Young, a operação não podia revestir apenas uma mera mudança de formato. Tinha de existir mais qualquer coisa.

Assim e relativamente à edição de “Archives”, foram retirados do alinhamento os temas “Peace of Mind” e “Comes a Time”, sendo substituídos por “Captain Kennedy” e “The Old Homestead”.

Como aqui pelo Atalho “Comes a Time” nunca foi uma preferência, a substituição tende a parecer uma melhoria.

O lado A surge assim mais equilibrado com “Sail Away”, “Lost in Space”, “Captain Kennedy”, “Goin’ Back” e “Human Highway”, versões acústicas onde Young se encarrega de todos os instrumentos.

O lado B denota um pendor marcadamente “country”, em linha com a inspiração do período compreendido entre “American Stars ‘N Bars” ( 1977 ) e “Comes a Time”( 1978 ) e onde “Dance Dance Dance”, divulgada no álbum homónimo dos Crazy Horse ( 1971 ) constitui a única “anomalia”.

15/11/24

Crosby, Stills, Nash & Young "Live at Fillmore East, 1969"

 


“What we lacked in finesse we made up for in enthusiasm. The better arrangements were still to come. A band on the run. Expecting to fly.” ( Stephen Stills, no booklet da edição )


Stills acertou na mouche. Revisão da matéria dada. Pouco a acrescentar e nada a retirar.

“Live at Fillmore East, 1969” ( 20 de Setembro para sermos precisos ) é uma curiosidade histórica, apenas.

As prestações acústicas estão próximas das que já conhecíamos de “Four Way Street”, captadas em Junho e Julho do ano seguinte.

O alinhamento eléctrico é algo mais entusiasmante. Sendo que para tal concorrem os  extensos 16m19s que dura “Down by the river”, com Stills, Crosby, Greg Reeves e Dallas Taylor a ocuparem muito bem o espaço dos Crazy Horse em “Everybody knows this is nowhere”, bem como o hoje relativamente esquecido “Sea of Madness”, não obstante ter feito parte da banda sonora de “Woodstock” e integrado o Volume I dos Neil Young Archives.

No mais trata-se “do mercado a funcionar”.

03/07/24

Neil Young & Crazy Horse "Early Daze"

 


Neil Young é um arquivista compulsivo. Dessa característica resultam factos positivos e  menos positivos, dependendo ambos naturalmente da abordagem e  ponto de vista de cada um.

No que estritamente respeita à divulgação do vastíssimo catálogo, umas vezes serão menos positivos pois ficamos dependentes dos humores, decisões e timings do canadiano, os quais nem sempre, para não dizer quase sempre, coincidem com os nossos desejos. Positivos nas restantes situações porque, quando os astros surgem alinhados, somos presenteados com pérolas que o dito arquivista compulsivo decide finalmente libertar.

Dito isto, olhemos para o recente “Early Daze”, um conjunto de gravações datadas de 1968 e 1969.

Como é suposto inferir a partir das datas, acompanham Young os Crazy Horse originais ( Danny Whitten, Billy Talbot, Ralph Molina e Jack Nitzsche ), a melhor formação da banda de apoio de que o canadiano dispôs ao longo da sua longa carreira ( se se derem ao trabalho de escutar ou reescutar o primeiro álbum dos Crazy Horse perceberão o que se pretende salientar ).

Nove temas, ou melhor nove versões, uma vez que não está presente nenhum inédito. Exceptuando “Dance Dance Dance” e “Everybody’a alone” ( ambas já publicadas no Volume I dos “Archives” ), as restantes sete são versões alternativas Mono ou Stereo, mas até à data inéditas.



Escute-se por exemplo “Look at all the things” para se conferir o que atrás se disse sobre a primeira formação dos Crazy Horse e sobre a perda gigantesca que foi o desaparecimento precoce de Danny Whitten, neste particular enquanto compositor.

No que diz respeito ao Whitten instrumentista bastará atentar aqui nas versões “imperfeitas” de “Cinnamon Girl” ou “Down by the river” para se aquilatar da dimensão da perda.

Quanto ao mais “Early Daze” é momento de puro gozo, sabemos que não iremos encontrar ali um novo mapa da mina. Porém a atmosfera “work in progress”, descontraída e despretensiosa que emerge das sessões será porventura o ambiente onde o talento dos protagonistas melhor flui.

Estas gravações são contemporâneas do período em que a Band gravou “Music from  Big Pink” e “The Band”. Pode até parecer uma comparação abusiva, mas não me recordo de nenhuma versão de “Helpless” em que Ralph Molina tenha feito tão bem de Levon Helm como aqui.

Se puderem não percam!

05/12/23

Neil Young "Chrome Dreams"


Idiossincrasias, caprichos ou meros erros de avaliação, normalmente passam factura, com IVA.

Tivesse "Chrome Dreams" sido publicado na época em que foi criado, respeitando o seu alinhamento original, seria sem esforço um dos mais consistentes clássicos do autor.

47 anos volvidos e conhecendo nós, de cor, estas ( magníficas ) canções, o impacto fica próximo do nulo e a sensação é de "déjà vu".


03/05/23

The Ducks "High Flyin"

 


Artisticamente falando, Neil Young é uma personalidade complexa. Ora exaspera ora delícia, nunca entedia. Discutível e discutido, toma as decisões que entende e quando entende. São os fãs que têm de se adaptar e não o contrário. E também aqui são claras as similitudes com esse outro extraordinário carácter: Bob Dylan.

No que ao tema dos arquivos diz respeito já vimos de tudo. Anúncios diversos, prazos estabelecidos e nunca são cumpridos, edições sobrepostas, omissões irritantes … E no entanto não existe espaço para a indiferença porque, no fundo, todos sabemos que mais tarde ou mais cedo irá surgir uma edição que nos reconcilia com a personagem.

Os arquivos de Neil Young são um mundo. E, goste-se ou não dos timings / decisões, aquilo que nos resta é saudar a metódica obsessão arquivista do canadiano.

Tudo isto a propósito de “High Flyin” a recente publicação das gravações dos concertos californianos dos The Ducks no decorrer do verão de 1977.

De existência efémera os Ducks constituíam uma super banda que, para além de Young, incluía Bob Mosley ( Moby Grape, Fine Wine, Darrow Mosley Band ), Jeff Blackburn ( Blackburn & Snow, Moby Grape ) e John Craviotto ( Fine Wine ).

Gravações captadas entre Julho e Agosto de 77, um par de meses após a edição de “American Stars ‘n Bars” , “High Flyin” inclui 25 temas, dos quais apenas 1/5 da autoria de Young ( “Mr. Soul”, “Are you ready for the country?”, “Sail Away”, “Human Highway” e “Little Wing” ). Colocando de lado algumas (poucas) versões a autoria dos restantes títulos é repartida por Mosley e Blackburn, também eles músicos e compositores  de assinalável talento.

Atente-se em “I am a dreamer” ( o único tema gravado em estúdio ) da autoria de Bob Mosley, ou “Gypsy Wedding” que o baixista compôs em 1971 para “20 Granite Creek” dos Moby Grape e que um ano depois revisitaria no seu álbum a solo para a Reprise. Escutem-se ainda “Windward Passage” e “Silver Wings”, e lamente-se o facto de a obra gravada por Jeff Blackburn pecar por ser tão escassa. E, finalmente, a cereja no topo do bolo, escute-se a tonitruante versão do clássico “Mr. Soul” …

E por aqui nos quedamos. Sabem agora o que devem fazer.

25/10/21

Jardins do Paraíso ( LXX )

 


Uma absoluta barbaridade, o índice de talento que a foto acima, captada por Jim Marshall em 1970, encerra.

Volvidos 50 anos, a conjugação daqueles e de outros talentos ( não menos despiciendos note-se ) continua a fazer de “If I could only remember my name” um lugar único e irrepetível. Um disco que separa as águas e que diz muito sobre os seus indefectíveis e, quase tudo, sobre os seus detractores.

Música intensa, visceral, orgânica e, se quiserem, concedo, vizinha do improviso. Uma das alegadas facetas que mais parece incomodar os fãs da pop music fofinha.

Deve muito, embora não tudo, ao seu principal mentor e compositor  – David Crosby.

Para além dele e dos restantes protagonistas da foto mencionada ( Jerry Garcia, Neil Young e Phil Lesh ) convirá não esquecer os demais: Grace Slick, Jorma Kaukonen, Paul Kantner, Joni Mitchell, Gregg Rolie, Laura Allen, Graham Nash, Bill Kreutzmann, Michael Shrieve, Jack Casady, David Freiberg  e Mickey Hart, sem o contributo dos quais o álbum talvez não tivesse sustentado a intemporal dimensão de que goza há cinco décadas.

Dito de outra forma, existe um antes e um depois de “If I could only remember my name”, ponto!



( foto de Joel Bernstein )

Perguntarão: mas depois de tanto tempo e de algumas recuperações, quer sobre a forma de reedição ou a propósito de uma ou outra compilação, ainda existe espaço para uma nova edição? Existe, de facto, e a explicação reside nas 8 demos e 5 sessões que acompanham os 9 temas originais ( o título “Kids and dogs” não entra na equação uma vez que já havia sido publicado numa reedição em 2006 ).

Escutam-se as demos ( voz e guitarra acústica ) de “Laughing”, “Song with no words”, Tamalpais High (All about 3), “Games”, “The wall song” ou “Where will I be?” ( as três últimas abandonadas neste projecto mas recuperadas no ano seguinte para o álbum “David Crosby / Graham Nash” ) e aquilata-se do quão enorme era o talento do autor, independentemente do ângulo escolhido para a abordagem. Uma voz inigualável, harmonias e arranjos vocais pioneiros, atonalidade de muitas composições e uma sensibilidade interpretativa verdadeiramente incomum.

Quanto às sessões, e colocando de lado a versão alternativa de “Cowboy Movie” já  publicada em 2006 na box-set “Voyage”, destaque para um extraordinário “Coast Road” que não teria destoado no álbum original, bem assim como para as maquetas “Bach Mode”, “Dancer” e “Fugue”, vozes e guitarra acústica, sempre.

Cinco décadas passadas, pouco interessarão os contornos actuais da personagem de Crosby. Incongruências, equívocos, atitudes fora da caixa, quezílias com os antigos companheiros, ainda que reveladoras do carácter, são nada ou muito pouco quando comparadas com a grandeza que “If I could only remember my name” transporta no tempo.

25/09/21

Neil Young "Archives Vol. II ( 1972 - 1976 )"

 


Grande parte da produção musical de Neil Young permanece interessante, nalguns casos muito interessante. As mais recentes opções comerciais do canadiano mostram-se todavia bastante questionáveis, para dizer não dizer duvidosas.

Atente-se por exemplo em “Archives Vol II ( 1972 – 1976 )” e apenas para não ir mais longe.

Não parece aceitável que numa edição de 10 cds  ( que à partida se pretendia única e ilustrativa de gravações que, na sequência de decisões de enquadramento editorial ou outras de carácter mais pessoal, não foram objecto de publicação à época ), um terço seja constituído por discos já publicados individualmente na série Arquivos. Em concreto “Homegrown”, “Tuscaloosa” e “Roxy, Tonight’s the night” ( este último com uma “ligeira” nuance na inclusão de “Losing End” ).

Ademais, dos 132 temas que integram “Archives Vol II”, 46 são versões diferentes de canções já publicadas e apenas 12 constituem verdadeiros inéditos. Donde que, como se infere, o balanço poderá ser francamente questionável, sobretudo por aqueles que legitimamente esperavam a anunciada profusão de inéditos ( veja-se por comparação a série “Bootlegs” de Bob Dylan ).

Dito isto, “Archives Vol II” valerá a pena? Para os fãs, para os quais estes “pequenos” detalhes têm pouca relevância, claramente. Para os indefectíveis de Joni Mitchell também tendo em conta o inédito “Sweet Joni”, captado no Bakersfield Civic Auditorium a 11 de Março de 1973 e a curiosa versão de “Raised On Robbery”, suportada pela banda que acompanhou o canadiano em “Tonight’s the night”, além de Joni Mitchell herself.  

Quanto à esmagadora maioria, e tendo em conta o preço a que a box é comercializada, talvez seja de considerar a opção de esperar pela publicação isolada de “The Old Homestead”, agrupando gravações datadas de 1974  e que inclui 4 inéditos e 12 versões não publicadas, entre estas duas longas prestações de palco com Crosby Stills Nash & Young: “Pushed it over the end” e “On the Beach”.



11/08/21

Jardins do Paraíso ( LXIX )

 


“Halfway through the session I called my friend Brent Titcomb and asked him to lend me his guitar because I had broken a couple of strings on my guitar and couldn’t afford new strings! I was penniless and hungry at the time of the Bunkhouse recording.” ( David Wiffen )

Na origem o álbum “At The Bunkhouse” foi pensado no formato “sampler” e a David Wiffen estavam destinadas apenas duas canções. Porém na noite das gravações, desencadeou-se forte tempestade na cidade de Vancouver e os restantes artistas não compareceram no estúdio da West Broadway. Wiffen, numa curta sessão de três horas, gravou um álbum inteiro. Do dito foram prensadas em 1965 apenas 100 cópias com o selo da International Records New York, facto que faz dele uma das maiores e mais dispendiosas raridades da época.

A recente, legítima e cuidada reedição em vinil permite finalmente apreciar a “infância artística” do autor. É verdade que os dois álbuns a solo posteriores – “David Wiffen” ( 1971 ) e “Coast to Coast Fever” ( 1973 ) – possuem os seus momentos, desde logo a sua criação mais conhecida “Driving Wheel”, sendo por essa razão altamente recomendados, mas “At The Bunkhouse Coffeehouse” é, com a sua vertente low-fi e algo naif, um retrato quase perfeito do jovem Wiffen ( “the songs on the album formed part of my working repertoire at the time” ).



Envelopado numa capa concebida e desenhada por
Bob Masse ( um par de anos volvidos um dos nomes grandes do grafismo e design psicadélicos em São Francisco ) o álbum arranca com uma versão minimalista do tema de Ian Tyson “Four Strong Winds” nos antípodas da interpretação que recebeu de Neil Young em “Comes a time”. Prossegue com a primeira canção escrita por Wiffen “Slice of Life”; logo a seguir “Since I fell for you”, voz e guitarra, numa espécie de demo envolta em nicotina, frugal e diversa da versão que o piano arredondaria no álbum homónimo de 1971.

Pelo meio “Don’t Think Twice, It’s All Right”, numa interpretação que em partes iguais remete para Phil Ochs e Gordon Lightfoot muito mais que para Dylan. Os detalhes vocais são, como facilmente se infere, factor determinante para a ousada similitude.

O lado B é composto por tradicionais, um blues ( “You don’t know my mind” ) uma cortesia de Leadbelly. Termina com o esplendoroso “Four in the morning”, um lugar onde em tons pungentes, a guitarra e sobretudo a voz, sublinham uma canção de excepção.

“At The Bunkhouse Coffehouse” é um disco de um outro tempo. Não colherá a aprovação de todos e haverá quem o apelide de datado. Mas a candura e a ainda que forçada economia de meios, ajudam a potenciar o talento então emergente de David Wiffen, um expatriado que aos 16 anos trocou Surrey na Inglaterra natal pelo Canadá.

09/09/20

Neil Young


Apesar de tudo, permanece uma personagem única e imprevisível.
Conhecê-lo constitui um desafio permanente.


06/08/20

Jardins do Paraíso ( LXIII )



Mais do que a personagem, controversa, o que impressiona é o curriculum.

Ao longo da sua carreira de pianista, compositor, arranjador e orquestrador, Jack Nitzsche ( 1937 – 2000 ) trabalhou com Phil Spector, Lee Hazlewood, Jackie De Shannon, Gary Lewis, The Crystals, Sonny Bono, Ike & Tina Turner, Rolling Stones, Crazy Horse, Marianne Faithfull, Randy Newman, Tim Buckley, Buffalo Springfield, Mink De Ville, Graham Parker … a lista é infindável e tem o seu quê de aristocrático.

Mas o Jack Nitzsche que realmente me prendeu a atenção, foi o que colaborou com Neil Young. Os arranjos de “Expecting to Fly” ( Buffalo Springfield ) já tinham a sua assinatura, mas aquele piano em “When you dance I can really love” ( “After The Goldrush” ) e “Words, Between The Lines of Age”, bem como os arranjos de “A Man Needs a Maid” e “There’s a World” ( “Harvest” ) são génio puro.  

Pelo meio, e não menos importantes, existem inúmeras bandas sonoras ( “Performance”, “Heartbeat”, “Blue Collar”, “One Flew Over The Cuckoo’s Nest”, “The Hot Stop”… ) e “St. Gilles Cripplegate” gravado em 1972 com a London Symphony Orchestra, num registo onde o compositor assume o seu ecletismo clássico.

Em Janeiro de 74, nos Cindarella Studios em Madison / Tennessee, Nitzsche gravou um conjunto de temas destinados a publicar pela Reprise Records nessa primavera. A verdade porém é que “Jack Nitzsche”, o álbum, apesar de ter número de catálogo atribuído; design, grafismo e alinhamento de temas concluídos, não viu a luz do dia e o músico foi dispensado pela editora.

Um dos mais badalados “lost albuns” da história acaba de ser finalmente editado na sua versão original ( em 2001 a Rhino Archives havia incluído os onze temas na compilação “Three Piece Suite, The Reprise Recordings 1971-1974”, aos quais juntava os registos de “St. Giles Cripplegate” e quatro demos gravadas em Los Angeles e Nashville ).

Com a maioria das músicas escritas a partir de textos do realizador Robert Downey, “Jack Nitzsche” não é o álbum esperado, não era certamente o que Mo Oslin e a Warner esperavam em 1974.

Idiossincrático, algo errático, a meio caminho entre o “vaudeville”, o “mariachi” e o erudito ( foi provavelmente pensado e concebido como banda sonora para um filme de Downey ), o disco não faz justiça ao talento do autor, deixando a pairar a sensação de que poderia ter sido muito melhor caso as condições, ou a convicção, fossem outras.

Notas: esta edição em vinil respeita o grafismo e o alinhamento concebidos pela Reprise. A informação sobre os músicos participantes, essa não sobreviveu à passagem dos anos.

29/07/20

Artefactos ( 102 )


Diário de Lisboa, 1972.
Um dos primeiros textos que recordo ter lido em português sobre Neil Young. 

20/07/20

Neil Young "Homegrown"



No ano em que “After The Gold Rush”, uma das obras primas de Neil Young, completa meio século de existência, o canadiano acordou finalmente conceder-nos o privilégio de aceder a “Homegrown”, o álbum que gravou entre 1974 e 75 e cuja publicação, à época, preteriu em favor de “Tonight’s The Night”.

Depois de escutado, à luz do que se sabe hoje, não se descortina a razão que terá levado Young a impedir a sua edição em tempo.

Pode naturalmente especular-se sobre o factor Carrie Snodgress, a quem “Homegrown” surge agora dedicado. É verdade que “Separate Ways” ou “Try” são canções pessoais, auto biográficas seguramente, mas essa condição nunca foi um motivo inibidor para Young, ainda que como é sabido, em matéria de questões de carácter sentimental, seja por vezes necessário comprar tempo.

Todo o modo, “Homegrown” não é apenas um álbum unipessoal. Instrumentalmente escorado em alguns dos suspeitos do costume ( Ben Keith, Tim Drummond, Karl T. Himmel, Emmylou Harris, Levon Helm, Robbie Robertson ), trata-se de um disco diverso que mescla os característicos temas “rough” ( “Vacancy”, “We don’t smoke it no more” ) com os também característicos temas “redondos” ( “White Line”, “Little Wing” ou “Love is a rose” ).

No total são doze peças, parte das quais já anteriormente conhecidas de outros álbuns : “Love is a rose” ( “Decade”), “Homegrown”,  “Star of Bethlehem”( “American Stars’n’Bars” ) e “Little Wing” ( “Hawks and Doves” ). “Separate ways”, “Vacancy” e “Mexico”, serão das restantes, aquelas que mais facilmente permanecerão na agenda dos incondicionais do canadiano.

Quarenta e cinco anos volvidos, dir-se-à que “Homegrown” talvez não logre atingir os patamares de genialidade  que a lenda alimentada pela recusa da sua publicação foi construindo ao longo do tempo. É porém um bom disco de Neil Young, fruto de ter nascido naquele que é porventura o seu período mais criativo.

27/04/20

Neil Young Crazy Horse "Colorado"



O Atalho gostaria de poder afirmar ser  “Colorado” um grande disco, mas em bom rigor estaria a contornar a verdade. Trata-se porém de um bom disco, a espaços.

Colocando de lado as já conhecidas preocupações ambientais ( legítimas e sempre oportunas ), musicalmente  “Colorado” soa a antigo, o que não é necessariamente mau nem sinónimo de velho.

Bastante próximo de “Tonight’s The Night”, muito por culpa de Nils Lofgren ( que sempre me pareceu mais à vontade ao lado de Young e menos quando está com Springsteen ), ainda que a imortal secção rítmica Crazy Horse tenha a sua – grande – quota de responsabilidade na matéria. Patine do tempo dir-se-ia.

Concretizando: tendo presente os amplos padrões do hiperactivo Young, “Colorado” sendo, repito, um bom disco é acima de tudo um álbum desigual. Inclui pequenas pérolas das quais só Neil parece possuir o segredo ( “Things of me”, “Olden days”, “Green is Blue”, “Eternity” ); acolhe temas que galopam como “crazy horses” ( “Help me love my mind”, “Shut it down” ), mas em simultâneo evidencia pecados recorrentes no canadiano; peças monocromáticas e / ou exercícios de auto-indulgência como se nos afigura a segunda parte do longo “She Showed me Love”, o qual, por via dos seus mais de 14 minutos e da exasperante repetição do coro, encaminham o ouvinte para terrenos próximos da exaustão.

Nada de novo no velho Neil, basta recordar o penoso “Don’t be denied” em “Time Fades Away” que não deixa por isso de ser um excelente disco.

Tudo somado, “Colorado” é um Neil Young vintage, merece ser escutado e dissecado. Terá obviamente lugar assegurado na discografia selectiva do autor, seja por algumas das preciosidades que encerra, seja pelo magnífico trabalho de Nils Lofgren, seja ainda pelo humanismo e militância ambiental, nunca redundantes e dos quais estamos todos mais do que nunca carenciados.

23/07/19

Artefactos ( 93 )




Fotos alternativas para o álbum "Dèjá Vu"

23/06/19

Neil Young & Stray Gators "Tuscaloosa"



Quando, instintivamente, começamos a dar mais atenção a sons antigos em detrimento dos novos, e dependendo do grau de conhecimento ou empenhamento, duas coisas podem acontecer: a) fomos capturados pelo síndrome geracional do tipo “o classic rock é que era e  já não se faz música como dantes” ; b) os sons actuais não são apelativos o suficiente. Casos haverá em que estas duas verdades poderão coexistir.

Quem tiver a paciência para ler neste espaço decidirá, mas o Atalho quer acreditar que  mantém toda a abertura para as novas sonoridades e se delas mais não fala é porque na sua opinião não justificam a referência.

Algo de semelhante se passa de resto com artistas cuja obra atravessa o tempo e as gerações. Neil Young por exemplo.

Sabe-se que o canadiano é imune a pressões, movimentando-se apenas em função dos seus impulsos, artísticos, pessoais ou ambos.

O facto da recuperação dos seus arquivos ter vindo a incidir fundamentalmente em material da primeira metade dos 70s não tem por certo apenas a ver com critérios cronológicos ( esses também nunca foram uma barreira para o autor ); talvez Young tenha finalmente aceite e reconhecido que grande parte do seu melhor material está confinada àqueles anos. Uma teoria naturalmente, porque com o canadiano nada é adquirido.

Captado ao vivo a 5 de Fevereiro de 73 na Universidade do Alabama, “Tuscaloosa” mostra-nos um Neil Young no pico da sua forma, acompanhado pela mesma banda que gravou “Harvest” ( Jack Nitzsche no piano, Tim Drummond no baixo, Kenny Buttrey na bateria e Ben Keith na guitarra slide ) e “Time Fades Away” ( aqui com Johnny Barbata no lugar de Buttrey ).



Face ao alinhamento do concerto poderá haver quem, legitimamente, questione: precisávamos mesmo de “Tuscaloosa” quando tínhamos os referidos “Harvest” e “Time Fades Away”? A resposta é afirmativa. Sim, precisávamos.
Porque “Tuscaloosa” é seguramente um dos melhores discos ao vivo de Young. Não apenas pelo extraordinário naipe de canções que integra, mas sobretudo pela forma inspirada e consistente como estas são interpretadas pelos Stray Gators, liderados por esse músico enorme que foi Jack Nitzsche.

“Here we are in the years” e “After the gold rush” são Young a solo; mas logo a seguir,  nas sublimes versões mid-tempo de “Out of the weekend” e “Old man”, locais a guitarra acústica do canadiano nunca soou tão bem,  irrompe todo o talento da banda de suporte. “Lookout Joe” e “New Mama”, versões pujantes mas menos claustrofóbicas que em “Tonight’s The Night” evidenciam toda a mestria de Bill Keith na slide guitar.  “Alabama” por seu lado não ostenta o conforto das vozes de David Crosby e Stephen Stills, mas em contrapartida é uma delicia escutar o piano maestro de Nitzsche.

E no final, depois da enésima audição de “Tuscaloosa”, quase nos esquecemos de quão brilhante é “Roxy, Tonight’s The Night Live” publicado no ano passado.

22/05/19

Stumpwater "Motel in Saginaw"



É uma espécie de quadratura do círculo ou, como é bem agora dizer-se, isto anda tudo ligado.

Os Stumpwater foram ( e permanecem ) um trio semi-acústico que emergiu de Aurora / Illinois no inicio da década de 70 do século passado.

No auge da corrente dos “singer-songwriters” a aderência do trio aquele paradigma, não sendo óbvio, foi natural. Contudo havia algumas nuances no som dos Stumpwater; desde logo incursões para-psicadélicas pouco comuns na escola dos singer-songwriters, intimista e confessional por natureza. A isto adicionavam uma atmosfera que hesitava entre a ruralidade do interior e a sofisticação das costas, este e oeste. Algo próximo de um country-folk de filigrana com laivos de psicadelismo.

Ao escutar “Motel in Saginaw” o disco que a banda gravou em 1973 e que só muito recentemente conheceu publicação, percebe-se que Loudon Wainwright III, CSN&Y, Simon & Garfunkel ou David Blue eram influências decisivas, magistralmente casadas com o bucolismo dos grandes espaços rurais.
A este propósito, um exercício curioso será por exemplo escalpelizar o som dos Arrogance de Don Dixon ( Carolina do Norte ) ou Major Arcana ( Wisconsin ) em meados dos 70s e tentar perceber quem influenciou quem.

“Motel in Saginaw” são 13 magnificas canções ( mais 2 porque a edição de vinil inclui também um single com gravações de 1976 ) que ora sugerem o Neil Young da época ( “Blind Darkness” ), a sonoridade impar de Simon & Garfunkel ( “Now that he’s  passed away” ), ou o country-rock sofisticado de Arlo Guthrie ( “Tired Man” ).

Acresce ainda “Romantic Courtship Turns Into Boring Marriage Blues”, um tema que seguramente nunca teria existido caso Loudon Wainwright III não tivesse escrito “Motel Blues” para o seu “Album II”.

Perguntarão: mas por que razão um disco assim demorou 46 anos a ser publicado? Pois …

14/11/18

Graham Nash "Over The Years"



 ( foto de Michael Putland )

Ao contrário de Neil Young, com quem o Atalho persiste em manter uma relação conflituosa, os seus três sobredotados companheiros de viagem ( Crosby, Stills e Nash ) há muito que foram arrumados na respectiva prateleira dourada da história.

David Crosby, desde que lhe secou a criatividade, vai coleccionando episódios caricatos, uns atrás dos outros. Stephen Stills arrasta-se como pode e são os velhos amigos que lhe estendem  a mão ( Judy Collins por exemplo ). Graham Nash  por seu lado cultiva uma inteligente e sensata discrição. Não foi pois difícil esquecê-lo ainda que, constata-se agora, talvez não tenha sido a mais acertada das opções.

Ainda que inspiradas e por vezes brilhantes, as criações de Crosby ( “If I Could Only Remember My Name” é um disco superlativo ) e Stills soam hoje algo datadas porque escutadas fora do contexto artístico e social que as motivou. Até há pouco, presumimos que algo de semelhante se passaria com as canções de Graham Nash. Nada de mais errado, como a espuma dos dias e a compilação “Over The Years” se encarregam de demonstrar.

Plasmadas em cima da realidade do mundo de hoje, estas canções ( a maioria escrita há mais de 35 anos ) são de uma actualidade incomodativa. Naquele registo a meio caminho entre o  trovadoresco e o pacifista, regressam para inquietar de novo as consciências daqueles que estiverem disponíveis para se inquietarem, de facto.

Revisão da matéria dada? Porventura. Não é todavia possível desvalorizar a inesperada conexão que, depois de décadas, temas como “Immigration Man”, I Used to be a King”, “Military Madness”, “Chicago” ou “Teach Your Children” mantém com a  realidade que hoje observamos, por entre um oceano de sombras e muita incredulidade. Acresce ainda o facto nada despiciendo de muitos deles possuírem um carácter autobiográfico.

“Over The Years” são 30 temas. Metade recuperada aos álbuns originais, ainda que aqui e ali experimentando misturas diferentes; os restantes sob a forma de “demos”  inéditos até à data. E não deixa de ser um exercício curioso – diria inspirador -, constatar como a aparente simplicidade destas “demos” conduziu às versões “definitivas”, amiúde preenchidas pelo talento instrumental de gente como Jerry Garcia, Phil Lesh, Dave Mason ou David Lindley.

Sendo primeiramente um testemunho artístico, “Over The Years” acaba  muito justamente por ser algo mais do que isso. 

01/05/18

Neil Young "Roxy, Tonight's The Night Live"



“Tonight’s the Night” encerra um extraordinário conjunto de canções.

Escrito e composto em cima dos falecimentos de Danny Whitten e Bruce Berry, sendo por isso frequentemente retratado como um álbum “negro”, 43 anos após a primeira publicação, assume-se a par de “On The Beach”, como um dos discos mais consistentes de Neil Young. Onde “Harvest” era luz, esperança, algum humor  e  ingenuidade quanto baste, “Tonight’s” habita o campo oposto: é sombrio, triste, quase desesperado ... Não obstante, sobreviveu como poucos ao teste do tempo.

A melhor prova do que atrás fica escrito é “Roxy, Tonight’s the Night Live”.

Podia pensar-se - e muitos de nós, os que não estiveram no Roxy nas noites de 20 e 22 de Setembro de 1973 tê-lo-emos seguramente cogitado -, que o formato e personalidade daquelas canções estava traçado; seriam sempre agrestes, angulosas e sombrias. Nada que incomodasse muito, aprendemos a gostar delas assim.

Mas o aparentemente “impossível” aconteceu. As gravações captadas no concerto de West Hollywood naquele princípio de outono trazem-nos “outras” canções. Resgatadas ao estúdio e libertadas em palco, “Tonight’s the Night I e II”, “Albuquerque” ou “Speakin’ out” adquirem uma outra dimensão; menos cinzenta, mais ampla, quase cinematográfica.


Tudo isto, exactamente com os mesmos músicos ( Neil, Ben Keith, Nils Lofgren, Billy Talbot e Ralph Molina ), os mesmos arranjos e praticamente as mesmas deixas trazidas do estúdio. “New Mama” presenteada com um arranjo de maior pendor acústico é talvez a excepção, mas ainda assim uma excepção positiva.

Quando comparado com a edição de estúdio de 1975 ( o álbum ficara retido dois anos, a ponto de “On The Beach” ainda que gravado posteriormente, ter saído no ano anterior ), “Roxy” deixa cair “Borrowed Tune”, “Come on Baby let’s go Downtown” e “Lookout Joe”; em contrapartida acrescenta uma versão “countryficada” de “Walk on” com a pedal steel de Ben Keith a bordejar a mestria de Jerry Garcia no instrumento.

Analisado e ponderado o conjunto, será justo salientar que “Roxy, Tonight’s the Night Live” é tudo menos uma redundância. O esplendor sonoro que transmite ( falamos da versão em vinil ) é algo de “novo” e totalmente inesperado, prova provada que a lendária casmurrice do canadiano no que respeita a edições e, sobretudo, a reedições, acaba por fazer todo o sentido.

Um absoluto deslumbre.

09/07/17

"English Weather"



Qualquer idiota, mesmo o mais imbecil, receberá toda a minha atenção; bastará para tal que mencione “Refugees” dos Van der Graaf Generator.


Desde há muito considero que o tema de Peter Hammill - a par por exemplo de “Laughing” de David Crosby, “Spanish Guitar” de Gene Clark, “Keep a close watch” de Cale, “Revolution Blues” de Neil Young, “Late November” de Denny, “Day is done” de Drake ou “Road to Cairo” de Ackles - , constitui um padrão a partir do qual se mede o bom gosto musical ou a ausência deste.

Assim uma compilação que inclua qualquer uma das misturas de  “Refugees” merece destaque.  “English Weather” porém, justifica-o muito para além disso.

Curado pelos Saint Etienne  Bob Stanley e Pete Wiggs, “English Weather” é o chamado “labour of love”. Por outras palavras, não era possível chegar a este resultado caso não se gostasse genuinamente destas músicas

O tema mais antigo ( Caravan ) data de Janeiro de 69 e o mais recente ( Daevid Allen ) de 1976. Entre eles desfilam mais 16 composições do período iluminista da música inglesa. Umas razoavelmente conhecidas no circuito underground, outras nem tanto.

Stanley conta no booklet que um dia, retido numa discoteca devido a uma intempérie, ( daí o título desta colectânea ) escutou pela primeira vez um disco que o cativou de imediato: “Shape of the rain”, o álbum homónimo da banda de Sheffield. Impressionado, o dono da loja deu-lhe a conhecer de seguida Parlour Band, Aadvark e T2. E, como não há amor como o primeiro, estas bandas têm lugar na compilação. Shape of the Rain, ficamos sem saber porquê, não.

Britânicos até à medula, abaixo são descriminados os 18 títulos de uma edição que se reputa de essencial para quem se interessa pela matéria ou para aqueles para fazem do bom gosto uma forma de estar.


Quanto a “Refugees”, a opção aqui incluída, faz a ponte entre as versões do single e do do álbum “The least we can do is wave to each other”; a mistura no entanto retira algum protagonismo ao sax de David Jackson e evidencia as prestações dos instrumentos de sopro e dos arranjos de cordas. Sumptuoso.

- Caravan “Love song with flute”

- The Roger Webb Sound “Moon bird”

- The Parlour Band “Early morning eyes”

- Scotch Mist “Pamela”

- The Orange Bicycle “Last cloud home”

- T2 “JLT”

- Bill Fay “Til the Christ come back”

- Van der Graaf Generator “Refugees”

- Aardvark ”Very nice of you to call”

- John Cale “Big White cloud”

- Belle Gonzalez “Bottles”

- The Way We Live “Watching White Stars”

- Offspring “Windfall”

- Camel “Never let go”

- Daevid Allen “Wise man in your heart”

- Matching Mole “O Caroline”

- Prelude “Edge of the sea”

- Alan Parker and Alan Hawkshaw “Evening Shade”